08/11/2017

Gastronomia da Caatinga é tema no SemiáridoShow 2017

 

Tanto quanto o vaqueiro ou o forró, a culinária é uma identidade importante do Semiárido brasileiro. A diversidade de alimentos disponíveis na vegetação nativa ou produzidos nas roças e as originais formas com que são preparados e processados tem saído das cozinhas dos sertões nordestinos para compor cardápios de restaurantes especializados, além dos produtos de sucesso de agroindústrias nas áreas rurais da região.

Na Feira SemiáridoShow 2017, eventos diários terão como tema a gastronomia das áreas secas do Nordeste. Eles fazem parte do Festival de Sabores da Caatinga, e acontecem no espaço Cozinha Show, no formato de oficinas a serem ministrados por especialistas de centros de pesquisa da Embrapa, de instituições como o Serviço Nacional da Indústria (SENAI) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), restaurantes como o Flor de Mandacaru e pelo movimento Slow Food.

No primeiro dia do evento (07/11), a partir das 13h30, caberá ao SENAI abrir a programação tratando do “Processamento de carnes de caprinos e ovinos”. No dia seguinte (08/11), às 8h30, será a vez de pesquisadores da Embrapa Meio Norte apresentarem o “Processamento de alimentos biofortificados”. Na mesma data, à tarde, o restaurante Flor de Mandacaru, em parceria com o SENAC, oferece a oficina “Gastronomia Regional e Plantas Alimentares Não Convencionais (PANCs)”.

Durante toda a manhã do dia (09/11), a partir das 8h30, a Cozinha Show será tomada pelo Slow Food, que propõe um “Cardápio de Mudanças”. Este movimento reúne pessoas do mundo inteiro que se organizam em rede para, dentre outros objetivos, valorizar as tradições culinárias regionais, se envolvendo diretamente na defesa da biodiversidade alimentar. Ja na tarde do mesmo dia, às 14h, a Embrapa Semiárido realizará a oficina sobre “Agroindústria de produtos derivados do umbuzeiro”.

A Cozinha Show se despede na manhã do dia 10 com a oficina “Beijus coloridos - Beijus enriquecidos com frutas e hortaliças”, das 8h30 até as 10h, oferecida pela Embrapa Mandioca e Fruticultura. Na sequência, de 10h às 12h, volta o tema da Embrapa Meio Norte sobre alimentos biofortificados.

Nativas

O exotismo de alguns dos sabores da Caatinga tem feito o consumo de espécies da vegetação nativa, a exemplo de frutas como o umbu e o maracujá da Caatinga, passarem de hábito alimentar da população local a produtos processados que são comercializados em mercados especializados do Brasil e do exterior. Algumas experiências conduzidas por pequenas cooperativas e associações de agricultores têm consolidado cadeias produtivas de impacto expressivo na geração de renda em comunidades rurais da região.

Responsável por pesquisa em Processamento de Frutas na Embrapa Semiárido, Clívia Danúbia Pinho da Costa Castro explica que tem se empenhado por buscar identificar matérias-primas de potencial tecnológico e nutritivo para o desenvolvimento de novos produtos alimentícios. Outra linha que tem se desenvolvido no laboratório da Embrapa é a realização de estudos com vistas à uniformização do processamento de produtos tradicionais, a fim de ampliar o consumo e crescer as vendas nos nichos de mercado, tanto no Brasil quanto em outros países.

“O aproveitamento, inclusive agroindustrial, desses produtos com ingredientes de reconhecido valor nutricional, como já acontece em municípios da Bahia como Uauá, Curaçá e Canudos, cria dinâmicas econômicas diferenciadas nas áreas dependentes de chuva do sertão nordestino”, explica Clívia.

A Cozinha Show, como a Feira SemiáridoShow, quer estimular iniciativas e empreendimentos que estendam a delícia que é a culinária da região à geração de renda, elevação da qualidade de vida e da segurança alimentar. A entrada é gratuita e as inscrições para as oficinas e minicursos são feitas na hora, no local do evento, com vagas são limitadas.

A Feira SemiáridoShow 2017 é uma realização da Embrapa Semiárido, em parceria com a Federação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (FAPED) e o Sindicato dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiar Rurais de Petrolina – Pernambuco (SINTRAF). É financiada e apoiadas pelos governos federal, estaduais e prefeituras municipais, além de organizações da sociedade civil e entidades internacionais. Saiba mais sobre o evento em www.embrapa.br/semiaridoshow.

Evento apresenta Turismo Rural como opção de renda para o Semiárido

A Feira SemiáridoShow 2017 tem programado eventos que vão debater alternativas de valorização da paisagem e da cultura das áreas secas no interior do Nordeste. Um deles será o seminário ”Turismo rural: Opção de Ocupação e Renda no Semiárido”. O objetivo é fomentar a estruturação da atividade que tem potencial para promover mudanças expressivas na qualidade de vida, na conservação do meio ambiente e estimular o empreendedorismo individual ou comunitário.

Uma das organizadoras do evento, Gislane Gava, professora do Instituto Federal Sertão Pernambucano (IF-Sertão), explica que a Caatinga, bioma exclusivo do Brasil, “tem aspectos naturais, históricos e culturais muito originais que, por si sós, têm vasto apelo turístico”.

Atualmente, afirma, são vários os roteiros espalhados pelas áreas rurais da região que atraem visitantes vindos de diferentes estados do país e até do exterior em busca de bens e serviços agrícolas.

Esse é um turismo que põe as pessoas em contato direto com atividades rurais e os usos e costumes da população local, diz Nadja de Araújo Batista, que atua há mais de 20 anos como guia de turismo no Submédio do Vale do São Francisco. "É um desafio que, se bem resolvido, garante o sucesso de empreendimentos nessa área, que complementam as atividades rurais tornando-as rentáveis e atrativas. É a definição de roteiros que, previamente trabalhados e organizados, favoreçam a interação do visitante com o cotidiano do sertanejo nas suas muitas atividades e dinâmicas sociais", explica.

De maneira geral, uma forma de proporcionar esses encontros são os passeios pelas “surpreendentes” e variadas “indústrias caseiras” comandadas por hábeis cozinherias/os que, não poucas vezes, processam artesanalmente queijos frescos, doces e manteigas, com base em receitas experimentadas por gerações de uma mesma família, além da saborosa gastronomia regional. Outro diferencial é a cultura popular e suas festas tradicionais que de forma genuína podem ser vivenciadas pelos visitantes, destaca Nadja.

De acordo com professora do IF-Sertão, os negócios em torno desse comércio quase sempre informal, se estende também ao extrativismo de frutas nativas de época, ao cultivo de hortas e passeios em meio natural e representam percentual expressivo na composição de renda dos agricultores e de suas comunidades.

A programação do seminário articula segmentos importantes da área e põe em discussão o universo de possibilidades que possui para fomentar o desenvolvimento rural. Em pauta, temas como os sistemas agrícolas tradicionais, ambiente de negócios e geração de renda a partir dessa atividade, que serão abordados por especialistas da Embrapa, do IF-Sertão, da SECULTE (Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes de Petrolina-PE) e da CRIAtur.

O evento ainda terá espaço para demonstração de práticas que estimulam esse turismo no estande da Criatur instalado na área dinâmica da Feira. O público convidado é um dos aspectos relevantes para que se alcance um dos objetivos do seminário: a criação de “um grupo de trabalho representativo para pensar o turismo rural em consonância com a área urbana e definir propostas para o seu desenvolvimento com responsabilidade e sustentabilidade”, explica Gislane Gava.

Para o seminário é esperado a presença de agricultores, empresários instituições de desenvolvimento e fomento, organizações governamentais e não-governamentais – ONGs, estudantes e profissionais das áreas agrárias de administração, turismo, hotelaria, gastronomia. além de empreendedores potenciais e profissionais interessados sobre o tema.

De acordo com Gilberto Pires, técnico da Embrapa Semiárido, o tema do seminário foi escolhido inspirada na decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) que declarou 2017 o Ano Internacional do Turismo Rural e solicitou a sua discussão em eventos de grandes proporções.

A Organização Mundial do Turismo estima que, atualmente, pelo menos 3% de todos os turistas do mundo orientam suas viagens para o turismo rural. Prevê também que o crescimento anual de aproximadamente 6% denota uma nova tendência global, onde o turista, ao viajar, deixa de ser mero expectador para vivenciar experiências que levam a ter maior inserção no meio rural, um contato mais personalizado e, sempre que possível, uma participação nas atividades desenvolvidas, nos usos e costumes de vida da população do campo, explica Gislane.

 

Fonte: Ascom Embrapa/Municipios Baianos

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