08/11/2017

Correntina: Polícia abre inquérito para apurar incêndio em fazenda

 

A Polícia Civil instaurou, nesta segunda-feira (6), um inquérito para identificar as pessoas que estavam à frente da invasão à Fazenda Rio Claro, em Correntina, no oeste da Bahia, no dia 2 de novembro. A propriedade é da empresa Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda. O caso é investigado pelo delegado Marcelo Calçado, titular da Delegacia Territorial de Correntina. Cinco pessoas já foram ouvidas. No dia da invasão, um galpão da fazenda foi incendiado e postes derrubados.

A Igarashi produz e fornece batata, cenoura, feijão, tomate, alho, cebola, entre outros produtos agrícolas. Há propriedades da empresa em algumas cidades da Bahia além de Correntina como Vitória da Conquista e Barra da Estiva. A empresa não detalhou a produção específica na região de Correntina, nem se as atividades foram suspensas após o ataque.

Conforme a polícia, dezenas de agricultores e pecuaristas, que moram ao longo do Rio Arrojado, nos povoados de Praia, Arrogeando, São Manoel, entre outros da região oeste da Bahia, entraram na fazenda para protestar contra os prejuízos que as propriedades deles têm com a captação de água para o sistema de irrigação da Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda. A maior parte dessas propriedades está a aproximadamente 40 km da nascente do rio.

A principal queixa dos ribeirinhos é quanto à diminuição do nível da água no leito do Rio Arrojado, o que se agravou após a construção de duas piscinas de 125 metros e profundidade de seis metros, para atender o sistema de irrigação da fazenda. Segundo eles, quando as bombas da fazenda são ligadas, o nível cai.

De acordo com o delegado, que já ouviu representantes da Igarashi, a empresa está legalizada e possui as licenças necessárias para captar a água do rio. Disse ainda que as pessoas que invadiram a propriedade são ligadas a pequenas associações existentes nos povoados ao longo do Arrojado, criadas para ordenar uso e cultivo de pastagens na região.

Por meio de nota, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) lamentou o ato e o apontou como vandalismo. Disse ainda que a entidade entende como legítima manifestações pacificas que não infrijam a legislação penal vigente com atos de invasão e depredação de patrimônio, sejam eles público ou privado.

A Abapa informou também que de 2,2 milhões de área plantada, 160 mil são irrigados, o que corresponde a 8% do total.

Em nota, a Lavoura e Pecuária Igarashi afirma que as instalações da empresa na cidade de Correntina foram "arbitrariamente invadidas". Conforme a Igarashi, foram arrebentadas cercas, maquinários, todo sistema de energia e tratores foram destruídos, e colaboradoes foram ameaçados. Um deles foi ferido. No entanto, em contato com o G1, a assessoria da empresa não detalhou a gravidade da lesão e nem o estado de saúde do colaborador.

Ainda em nota, a Igarashi afirma que todas as atividades da empresa são realizadas mediante autorizações ambientais, e repudia os atos. A empresa afirmou, ainda, que vai tomar todas as medidas legais para defesa dos seus direitos e responsabilização dos indivíduos que cometeram referidos atos.

Governo investiga invasões e reforça policiamento no Oeste da Bahia

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) irá apurar as invasões de terras ocorridas na Fazenda Igarashi, em Correntina, no Oeste da Bahia, e o policiamento na região será reforçado. A decisão foi tomada após reunião do governador do Estado, Rui Costa, com representantes de associações e sindicatos locais nesta segunda-feira (6), na Governadoria, em Salvador.

Presente no encontro, o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, destacou que a Polícia Militar se fez presente desde o primeiro momento. “Agora, estamos reforçando as estruturas de segurança, tanto da Polícia Militar, como já fizemos com o envio de tropas especializadas, como também enviando reforços para a Polícia Civil, que ficará à frente das investigações. Equipes de inteligência da secretaria também estão envolvidas na operação”.

Barbosa acrescentou que “a prioridade é evitar novas invasões e também identificar quais foram as pessoas ou grupos que financiaram a depredação de um patrimônio privado e de atentado às pessoas que estavam trabalhando”. O secretário do Meio Ambiente, Geraldo Reis, e a diretora-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), Márcia Telles, também estiveram presentes.

A reunião desta segunda-feira (6) contou com a participação do secretário estadual da Agricultura (SEAGRI), Vitor Bonfim, e de representantes da Associação dos Produtores de Café da Bahia (ASSOCAFÉ), da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), da Associação Baiana de Produtores de Algodão (ABAPA), Associação dos Produtores de Soja do Brasil (APROSOJA), do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras (SPRB), do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM) e da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB).

Invasão

Na última quinta-feira (2), a Fazenda Igarashi registrou atos de invasão e depredação. Os invasores atearam fogo nas instalações, destruindo maquinários, o sistema de energia e tratores. A fazenda é conhecida pela produção de batata, cenoura, feijão, tomate, alho e cebola.

Valmir critica projetos de irrigação alvos de ocupação em Correntina

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) fez críticas à empresa agropecuária Igarashi, na região de Correntina, no extremo oeste do estado, que foi ocupada na última quinta-feira (2). “O que deve ser considerado criminoso é a ação da Igarashi que está longe de ser sustentável. Deve acontecer na região, com a falta de água, a fuga para as cidades, e a expulsão de trabalhadores do campo que não conseguem continuar atuando com produção de alimentos por conta da privatização dos recursos naturais por empresas do agronegócio”, cita Valmir, que destacou que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), do qual é militante histórico, não foi responsável pelo ato.

“Várias manchetes apontam o MST como participante da ação, porém, enquanto organização popular, não há envolvimento nessa mobilização”, afirmou a organização em nota.

A ocupação gerou repercussão após o galpão da empresa ser incendiados e equipamentos de irrigação serem destruídos durante a ação, que envolveu centenas de agricultores ribeirinhos.

“Segundo relatos, o projeto de irrigação da Igarashi e Curitiba estão secando os rios Carinhanha, Corrente e Grande, além de provocar queda de energia na região. Essa situação não é diferente de diversas outras localidades no estado que sofrem com as ações de empresas nos territórios que, para garantir uma maior margem de lucro, não levam em consideração o impacto que tais iniciativas causam ao meio ambiente e nas populações”, acrescenta o comunicado do MST.

Valmir anunciou que vai pedir à Comissão de Meio Ambiente da Câmara e ao governo do Estado que fiscalizem as atividades dessas empresas.

“O processo de privatização dos recursos naturais afeta diretamente as comunidades camponesas localizadas nas proximidades da Igarashi. As pessoas estão sem água devido ao projeto de irrigação implantado por essa empresa, que seca o rio e provoca quedas de energia na região”, aponta o deputado, que defende “um olhar mais amplo” sobre os conflitos ocorridos em Correntina.

Os integrantes da ocupação reivindicam a interrupção da captação das águas fluviais, que são usadas para o abastecimento de grandes áreas agrícolas situadas próximas ao distrito de Rosário, a mais de 100 quilômetros da sede de Correntina.

Destruição em fazenda causa prejuízo multimilionário

Ao menos R$ 10 milhões é o prejuízo mínimo estimado com a destruição de maquinários diversos da fazenda Rio Claro, pertencente à empresa Lavoura e Pecuária Igarashi LTDA., em Correntina, no Extremo Oeste da Bahia.

Os proprietários da empresa começaram a fazer o cálculo nesta segunda-feira (6), dia em que também prestaram queixa do ocorrido à Polícia Civil de Correntina, município de 33 mil habitantes, a 914 km de Salvador.

A fazenda foi praticamente destruída na quinta-feira passada por cerca de 500 pessoas, a maioria pecuaristas e agricultores, que invadiram o local em protesto contra o novo sistema de irrigação da Igaraschi, produtora de batata, cenoura, feijão, tomate, alho e cebola.

Os manifestantes residem ao longo do Rio Arrojado e nos povoados de Praia, Arrogeando e São Manoel, e cujas propriedades estão situadas, boa parte delas, às margens do rio, do qual praticamente todos dependem para sobreviver.

A insatisfação com o novo projeto de irrigação na fazenda Rio Claro já vinha de ao menos dois meses, quando começaram a ser construídas duas piscinas de 125 metros quadrados, com profundidade de seis metros.

Segundo a Polícia Civil, os manifestantes alegam que o nível da água do rio baixa quando as bombas do sistema de irrigação das fazendas são ligadas – além da Rio Claro, a Igarashi colocou sistema de irrigação em parte de uma propriedade vizinha, a Fazenda Curitiba, também invadida.

O sistema de irrigação nas duas fazendas possui, ao todo, 32 pivôs para captação de água do Rio Arrojado, que faz parte da Bacia do Rio Corrente, composto por quinze rios, seis riachos e cinco córregos.

Outorga

De acordo com o site Matutar, que atua na defesa da Bacia do Rio Corrente, a Igarashi possui a outorga da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) desde 2015 para irrigar 2.530 hectares com 180 mil metros cúbicos de água por dia.

O Correio procurou o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Inema) para checar essas informações e saber sobre a situação atual do Rio Arrojado, mas o órgão não respondeu até a publicação da reportagem.

Na manifestação, além dos pivôs de captação de água, os populares destruíram caminhões, máquinas colheitadeiras, uma retroescavadeiras, uma patrol, uma máquina pá carregadeira e ao menos dez tratores. Todo o sistema elétrico da fazenda foi danificado.

Cinco funcionários da Igarashi ouvidos pela Polícia Civil nesta segunda informaram que os manifestantes invadiram a fazenda com paus e facões e os expulsaram das propriedades, se retirando no dia seguinte.

Investigação

“Estamos tentando identificar essas pessoas pelas fotos e vídeos que circulam na internet. Não há um grupo que assumiu a autoria dos atos. Durante a semana, os funcionários da empresa estarão fazendo os cálculos do prejuízo para nos passar, acredito que na próxima segunda possamos ter já o real prejuízo da destruição”, disse o delegado de Correntina, Marcelo Calçado.

O governador Rui Costa determinou nesta segunda que o fato seja apurado e determinou o reforço policial na região. Ele se reuniu com o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, segundo o qual “a Polícia Militar se fez presente desde o primeiro momento.”

“Agora, estamos reforçando as estruturas de segurança, tanto da Polícia Militar, como já fizemos com o envio de tropas especializadas, como também enviando reforços para a Polícia Civil, que ficará à frente das investigações. Equipes de inteligência da secretaria também estão envolvidas na operação”, declarou Barbosa.

O secretário disse ainda que “a prioridade é evitar novas invasões e também identificar quais foram as pessoas ou grupos que financiaram a depredação de um patrimônio privado e de atentado às pessoas que estavam trabalhando”.

Reações

Em nota, a empresa declarou que os invasores “promoveram um ato de vandalismo injustificável e criminoso, ferindo, inclusive, um de seus colaboradores” e destacou que “todas as atividades desenvolvidas possuem as autorizações ambientais”.

“A Igarashi repudia todos os atos criminosos de vandalismo praticados, dos quais foi vítima. Ato que não tem qualquer legitimidade ou justificativa ambiental, ao tempo em que adotará todas as medidas legais para defesa dos seus direitos e responsabilização dos indivíduos que cometeram referidos atos de vandalismo”, diz o comunicado.

Entidades de classe como a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se manifestaram por meio de nota sobre o fato.

A Aiba classificou o manifesto como “extremista e sem embasamentos técnico-científico, onde os participantes atribuem o baixo volume dos rios exclusivamente aos pivôs utilizados na irrigação das lavouras, desconsiderando estudos recentes sobre a disponibilidade hídrica da região, fatores climáticos e o próprio ciclo da natureza.”

A CNA diz que “espera dos governos federal e estadual uma sinalização clara de que não compactuam com a violência no campo, assegurando aos produtores rurais brasileiros o respeito aos ditames do Estado de Direito para que possam continuar a produzir com liberdade e segurança.”

A Abapa, por sua vez, observou que “o rio Arrojado está com a vazão normal para este período do ano e nunca teve riscos de seca”. Para a entidade, “antes de serem levados ao ato de destruição, os representantes do movimento deveriam avaliar de forma objetiva qual o verdadeiro uso das águas para a Irrigação.”

Nenhum representante dos manifestantes foi localizado para comentar a ação.

 

Fonte: G1/Correio/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!