09/11/2017

A Técnica nazista de transformar mentiras em verdades

 

Métodos de comunicação nazista (Goebels) estabeleciam que uma mentira repetida várias vezes como técnica de propaganda tornava-se uma verdade para a opinião pública. Quando Henrique Meirelles fala que o rombo orçamentário de R$ 159 bilhões neste ano é culpa do déficit da Previdência, estamos diante de uma mentira que, graças à repetição pela grande mídia e principalmente pela Tevê Globo, transforma-se numa verdade definitiva.

O papel da mídia nesse processo é fundamental. No caso da Previdência ela não apenas tem deformado a notícia como esconde informações relevantes. Para os que tem dúvida sobre esse comportamento nazista basta observar o resultado do inquérito no Congresso sobre a situação do sistema previdenciário. A comissão mista de parlamentares que examinou o assunto confirmou que a Previdência é superavitária. A Globo ignorou o tema.

As técnicas de transformar mentiras em verdades não são exclusivas de Meirelles. Elas tem propósitos ocultos, tendo-se tornado uma marca de todo o Governo. Michel Temer transformou evidências de propinas para ele, rastreadas publicamente pela polícia, num ataque pessoal pelo Procurador Geral da República. Repetiu essa defesa várias vezes, comprou parlamentares para lhe dar uma aparência de razão e instaurou a dúvida em alguns.

Entretanto, como é necessário fazer em investigações policiais, é preciso encontrar a motivação da mentira. E isso não é nada difícil. Se não ficar provado que a Previdência tem um grande déficit, não há como justificar sua privatização em favor do sistema financeiro, o verdadeiro objetivo oculto da mentira. Mais do que isso: repetir sem parar que o setor público está quebrado é fundamental para justificar a privatização generalizada de estatais, dos bancos públicos e da Petrobrás.

A verdade encoberta pela mentira é que o Governo Temer tem como prioridade absoluta, além de evitar a cadeia para o Presidente e os ministros acusados de receber propinas, a redução no limite do espaço do setor público para ampliar o espaço, o lucro e o patrimônio do setor privado, mesmo que seja a expensas de áreas estratégicas. Para isso é preciso assegurar, de forma genérica, que o setor público é ineficiente, mal administrado e deficitário. 

Num país em que o Presidente, o líder do Governo no Senado e os dois principais ministros do Planalto estão sendo acusados de corrupção aberta e descarada, colocar em pauta dezenas de privatizações, notadamente as hidrelétricas, é altamente suspeito. Será que vão continuar a roubar? Será que estão tão empenhados com os leilões porque já acertaram receber algum dinheiro por conta? Ora, se Temer é ladrão, tudo pode se esperar do Governo!

A "ordem mundial" se desintegra. Por José Arbex Jr

O plebiscito pela independência da Catalunha, realizado em 1º de outubro apesar da extrema violência com que foi reprimido pela polícia espanhola, é apenas a ponta do iceberg: a ordem capitalista mundial está ameaçada de desintegração total. Os sinais aparecem por todos os lados, em particular na Europa e no Oriente Médio. Basta olhar o mapa.

Para além de todas as questões nacionais colocadas, de todos os anseios de comunidades que aspiram o direito de decidir sobre os seus próprios destinos, explode a revolta — ainda que, na maior parte dos casos, confusa e inconsciente — contra o poder do capital transnacional, representado por algumas centenas de corporações que controlam o mercado mundial, erguem e destroem economias nacionais com objetivos especulativos, quando não, simplesmente, organizam a invasão de países para controlar diretamente suas reservas de recursos naturais — como foi o caso no Iraque, em 2003. A afirmação do estado-nação aparece como uma tentativa de autoproteção contra a voracidade do capital, ainda quando se reveste das cores do  neonazismo, da xenofobia e do fundamentalismo religioso e cultural.

Agitações nacionalistas e separatistas, bastante avivadas pelo Brexit, percorrem a Escócia e Irlanda do Norte (países associados ao Reino Unido), País Basco e Galícia (regiões da Espanha, à semelhança da Catalunha), Córsega (região administrativa da França), Flandres (Bélgica), Donbass (Ucrânia) e outros países e regiões da Europa. Obviamente, esse processo, em seu conjunto, coloca em questão a existência da União Europeia, que nasceu com a promessa de construir a unidade entre os povos do continente.

Islamofobia cresce com a benção de Trump

Ironicamente, o Acordo de Schengen, coluna-mestra da UE, assinado em 2 de outubro de 1997, por trinta países (incluindo todos os integrantes da UE, exceto Irlanda e Reino Unido, e com a adesão de três não membros: Islândia, Noruega e Suíça), foi celebrado como a pá de cal despejada pelo liberalismo sobre os escombros do socialismo. Proclamava-se, então, a a livre circulação de pessoas, bens e serviços oriundos dos países signatários. O verdadeiro internacionalismo não seria resultado da união entre os proletários do mundo, mas da lógica do mercado.

Em contraste, a desintegração do bloco socialista expunha tensões nacionais selvagemente reprimidas durante décadas de ditadura stalinista, agravadas pelo processo de “russificação” dos povos da União Soviética promovida por Moscou. No início dos anos 2000, a aparente consagração do capitalismo liberal parecia ter colocado ordem na casa, anunciando o fim da história: fora do liberalismo não há salvação. Só que, decorridas escassas duas décadas, o Acordo de Schengen está em agonia — para dizer o mínimo. Senhores e senhoras, a história não acabou.

O Oriente Médio, por sua vez, está completamente esfacelado. A ordem estabelecida pelo Acordo Sykes-Picot ruiu com a desintegração do Iraque e a guerra civil na Síria. O acordo, secretamente celebrado, em 1916, por Londres e Paris, criou, de forma absolutamente arbitrária, as atuais fronteiras entre os estados do Oriente Médio, inventou novos países — como Arábia Saudita, Líbano e Iraque —, dirigidos por regimes monárquicos fundamentalistas e/ou ditaduras militares sangrentas e lançou as bases geopolíticas para a criação do estado de Israel. Agora, o acordo sucumbe, imerso em suas próprias contradições e profundamente golpeado pela força imprevista da “primavera árabe”. Ninguém sabe que nova ordem, se alguma, vai se construir no seu lugar.

Em primeiro lugar, e antes de tudo, persiste viva a resistência palestina, evidência profunda e poderosa da força de um povo contra a arrogante arbitrariedade colonialista e imperial. Mas um novo evento, potencialmente capaz de fazer explodir de vez toda a região, foi a realização, em 25 de setembro, de um plebiscito convocado pelo líder curdo Massoud Barzani, pela criação do Curdistão na região Nordeste do Iraque, com capital em Erbil. A quase totalidade dos votantes apoiou a proposta. Bagdá não enviou — ainda — os seus tanques contra o movimento, mas faz ameaças, e conta com o apoio dos países vizinhos, que têm muitas razões para temer a criação de um Curdistão autônomo e independente. Washington condenou a convocação do plebiscito e não reconhece o seu resultado.

Os curdos são, majoritariamente, muçulmanos sunitas e seu idioma é indo-europeu do ramo iraniano. Eles compõem um grupo étnico de origens incertas, somando cerca de 30 milhões de pessoas espalhadas por uma área de 500 mil quilômetros quadrados. Na Turquia, são 20% da população, concentrada majoritariamente no Sudeste. No Iraque, quase 20%, concentrada no Nordeste. Na Síria, representam 8% da população e, no Irã, 7%. Existem, ainda, pequenas minorias curdas nos países do Cáucaso (Armênia, Geórgia e Azerbaijão). As reivindicações históricas curdas pela formação de um estado próprio, o Curdistão, foram — obviamente — ignoradas pelo Acordo Sykes-Picot. Elas agora vêm à tona com grande força, graças à desintegração do Iraque, à guerra civil na Síria e à crise regional. É fácil imaginar o potencial explosivo que a sua luta libera em todo o Oriente Médio.

Combina-se com esse quadro geral as guerras civis e entre nações nos países africanos — alimentadas, em grande parte, por disputas pela posse das riquezas de seu subsolo —, os ataques aos povos originários nas Américas (incluindo o Brasil, onde eles exercem o que ainda existe de resistência à penetração do capital na Amazônia), os movimentos étnicos e religiosos na Ásia, as disputas em torno do mar da China meridional, a instabilidade provocada pela Coreia do Norte. A “ordem mundial”, portanto, está à beira do colapso, em grande parte graças à voracidade do capital, inspiradora de uma lógica que permite que oito indivíduos acumulem tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da humanidade. É o caldo de cultura adequado ao crescimento dos órfãos de Adolf.

 

Fonte: Por J. Carlos de Assis, no Jornal GGN/ Caros Amigos/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!