09/11/2017

Horta doméstica: como ter legumes bem cuidados em casa

 

É possível aproveitar até pequenos espaços dentro de casa para fazer sua própria horta. “Tem centenas de possibilidades. Podem ser desde hortaliças como manjericão, cebolinha e coentro, a plantas alimentícias não convencionais (Pancs) como a ora-pro-nóbis”, explica Débora Nunes, arquiteta e professora da Escola de Sustentabilidade Integral (fb.com/escoladesustentabilidadeintegral). A primeira dica é adaptar o espaço ao que se deseja cultivar. “Se você não tem muito sol, não pode ter plantas que precisam de muita luz”, alerta.

A outra dica é simples: começar. Foi assim que a servidora pública Marcella Marconi decidiu fazer. “Iniciei com temperos que queria ter para cozinhar. Com isso, a gente estabelece outra relação com a própria comida”, conta. De repente sua varanda foi recebendo mais vasos. “Agora são mais de 35 espécies diferentes. Tem uma bananeira anã, um pé de pitaia, uma mangueira pequena, jaboticaba, romã, menta, capim santo, rosa do deserto, orquídeas, jasmim, suculentas e cactos”, diz.

Começar plantando o que gosta também é uma boa forma de dar os primeiros passos, segundo Débora. “Compre um vaso, terra vegetal e escolha uma coisa que goste de comer para ter vontade de cuidar”, comenta a professora. O acompanhamento é importante para que as plantas não morram ou sejam atacadas por pragas. “Tem que ficar atento se elas estão felizes ou não. Se seu trato está agradando, a planta fica bonita. Se não, ela fica feia”, explica.

O tempo que se leva cuidando da horta vai depender do tamanho. Marcella diz que demora, em média, 20 minutos por dia para a rega e uma observação rápida. “Tem dias que a gente olha cada uma e isso demora cerca de uma hora, mas também é um momento de terapia, de fazer um carinho nelas”, afirma ela.

Contra as pragas que eventualmente possam surgir, a professora lembra que só costumam atacar plantas fragilizadas. “Uma planta bem cuidada não tem praga e em hortas pequenas dá até para tirar com a mão. O essencial é eliminar a situação que faz a planta ficar frágil”. E não adianta nada usar agrotóxico em casa. “Não faz nenhum sentido, afinal de contas, a ideia de ter uma horta está ligada a saúde e praticidade. Você pode usar fumo, extrato de folhas de nim e sabão de coco”, enumera.

O conselho final de Débora é: testar. “Tem que ver o que se adapta ao seu estilo. Compre duas ou três mudas. Podem ser orégano, sálvia, cebolinha e coentro. Principalmente, temperos e ervas para chá. Você pode ir crescendo a horta na medida em que vai adaptando os espaços da casa”, finaliza.

Começando

Faça a mistura tradicional de jardinagem: areia, terra e adubo. Ou compre terra adubada. Opte por hortaliças que goste de comer. Atente para os cuidados de rega e a necessidade de luz da planta.

Novidade

Vasos autoirrigáveis são os apetrechos mais modernos quando o assunto é horta doméstica. Alguns deles permitem passar até quinze dias sem molhar a terra, garantindo praticidade no cuidado.

Áreas verdes se transformam em hortas na cidade

Embora seja comum no interior do estado e nas áreas rurais, a atividade agropecuária também está presente nos grandes centros urbanos. Em Salvador, a atividade conseguiu crescer e atualmente tem mais de duas vezes a quantidade de estabelecimentos com produção agrícola que foram mapeadas em 2006, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez o último levantamento.

A pesquisa faz parte do Censo Agropecuário do instituto. Até o momento, já foram mapeados 17 estabelecimentos agropecuários na capital, dos quais quase todos são hortas plantadas em meio ao concreto, em bairros densamente urbanizados, como Brotas, Narandiba e Pernambués. Em 2006, foram mapeadas apenas 8 estabelecimentos em toda a capital.

De acordo com o coordenador operacional do Censo, André Urpia, uma das hipóteses para o aumento dessas áreas, tenha sido fatores econômicos influenciados principalmente pela recessão que atinge o país desde 2015, e suas consequências, como a mais direta, o aumento do desemprego, o que levou a pessoas a “empreenderem” nesses territórios.

Outro fator de influencia é o aproveitamento do terreno que, por não ser possível construir nada, devido as características do solo, os donos têm aproveitado para a atividade agrícola, já que seus produtos podem ser comercializados ou consumidos no sustento familiar.   

Apenas nas proximidades da Rua da Horta – situada na comunidade da Saramandaia, que integra o bairro de Pernambués –, 12 produtores já foram entrevistados pela equipe do IBGE, o que, por si só, já corresponde em um número maior daqueles registrados no último censo, em 2006.

Entre eles, está José Francisco dos Reis, que cultiva quatro hectares de terra, onde planta há mais de vinte anos. No momento, ele só planta manjericão e hortelã, mas, noutros tempos, já teve alface, cebola, rúcula, entre muitos outros produtos.  

A atividade, contudo, não deve continuar e a horta poderá desaparecer dentre de alguns meses, ou mesmo semanas. Segundo Francisco, são muitas as dificuldades para manter o terreno, inclusive de produtos para cuidar da horta, que são mais acessíveis no interior do estado, do que na capital.

Além disso, os três filhos do produtor, também não têm interesse de cuidar da horta, e, como a atividade também é cansativa, o produtor de 54 anos, assume que já está na hora de procurar uma atividade que lhe poupe mais energias.

Há quinze anos trabalhando na atividade agrícola, e ainda que reconheça a importância da atividade para seu sustento, o produtor Carlos Santana – que mora na e produz na Saramandaia – também acha que não tem vale tanto a pena cultivar na capital.

Segundo ele, o preço do adubo na capital é muito caro, se comparando com o interior. Atualmente cultivando hortaliças como alface, rúcula, gilô, couve e manjericão, Carlos também prefere se dedicar a atividade no interior do estado, em cidades como Feira de Santana e Conceição do Jacuípe, onde já exerceu a atividade.

Censo

Até o último domingo (5), 181.356 estabelecimentos agropecuários já haviam sido recenseados em todo o Estado, o que corresponde a quase 1/4 do total previsto, que é estimado em 766 mil estabelecimentos.

Fazer o censo em um grande centro urbano como Salvador traz ainda mis desafios para a equipe. Um deles é justamente identificar os estabelecimentos, uma  vez que é inviável percorrer toda a extensão do território para encontrar as propriedades, como se costuma fazer no interior.

Além das distâncias, fatores como a locomoção e de acesso a determinadas áreas da cidade, por razões que incluem a violência urbana, tornam desfavorável a relação de custo-benefício.

Por essas causas, Salvador acabou sendo o único município do estado a não ter uma lista prévia de estabelecimentos agropecuários a serem visitados. A coleta, segundo André Urpia, está sendo feita pelos supervisores a partir de contatos de sindicatos e associações de produtores atuantes na capital.

Essas entidades estimam haver aproximadamente 200 áreas onde podem estar ocorrendo as atividades agropecuárias. Em 2006, a produção agrícola dominante na capital era de banana, tomate rasteiro e milho. Já na pecuária, os efetivos mais presentes eram de eqüinos e bovinos.

Um novo retrato está começando a ser desenhado agora com o novo Censo. A coleta do IBGE vai até o fim de fevereiro de 2018. Na Bahia, 11 das 89 regiões em que o estado foi dividido já têm mais de 1/3 dos estabelecimentos agropecuários recenseados.

As áreas com mais cobertura, por enquanto, são as subáreas de Macaúbas com 40,2% dos 10.567 estabelecimentos recenseados; Brumado, com 39% dos 9.130 locais visitados; e Santo Estevão, com 38,3% de 9.602 estabelecimentos.  

 

 

Fonte: Correio/Tribuna/Municipios Baianos

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