09/11/2017

64% das rodovias baianas são de regulares a péssimas

 

Circular pelas rodovias que cortam a Bahia - sejam elas estaduais ou federais, sob concessão ou não - tem sido tarefa complicada. A cada dez estradas que passam pelo estado, seis são consideradas regulares, ruins ou péssimas. De 57 rodovias baianas analisadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 64,8% estão nessa situação e, quanto ao estado geral, nenhuma é tida como ótima.

É aqui, também, que está a pior ligação rodoviária do país - trecho que liga a cidade de Barreiras, no Extremo-Oeste baiano, à cidade de Natividade, no Tocantins. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela CNT e fazem parte da Pesquisa CNT de Rodovias 2017.

De um total de 109 ligações entre rodovias analisadas pela Confederação, a pior delas, que liga Barreiras (BA) a Natividade (TO),  envolve cinco rodovias: a BA-460, BA-460/ BR-242, TO-040 e TO-280.

Outro trecho que passa pela Bahia está entre as dez piores do Brasil, entre Teresina (PI) e Barreiras (BA). Considerado ruim,  envolve as rodovias BR-020, BR-135, BR-235, BR-343, PI-140, PI-141/ BR-324 e PI-361. As ligações rodoviárias têm um volume maior de transportes de cargas e passageiros e unem os estados. As manutenção das rodovias estaduais é de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), órgão do governo do estado, enquanto as federais cabem ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do governo federal.

Para além da dificuldade em transitar pelos trechos, com problemas de pavimentação, sinalização e infraestrutura de apoio, ainda há o prejuízo para quem depende da malha rodoviária para trabalhar. De acordo com a pesquisa, as condições gerais das rodovias impactaram diretamente no custo operacional dos transportadores, que subiu de 24,9% em 2016 para 27% este ano.

Com um maior custo para os transportes, sobe também o preço dos produtos distribuídos à sociedade. O impacto fica mais palpável quando se leva em consideração que 90% das cargas da indústria são transportadas através da malha rodoviária brasileira.

Na Bahia, o preço sobe ainda mais. De acordo com o assessor de Agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) Luiz Stahlke, a situação das rodovias impacta no aumento do frete para escoamento da safra em 30%, o que acaba encarecendo o produto. O impacto direto, de acordo com ele, é na quebra dos caminhões, no tempo de transporte e, consequentemente, no custo por tonelada transportada.

“Nos últimos anos, as rodovias federais que cortam o Oeste têm tido manutenção. No entanto, com as estaduais, só recebemos recuperações das consideradas ‘péssimas’ no ano passado. E as que se encontram ruins ou regulares têm a previsão de serem recuperadas a partir de janeiro do ano que vem”, disse o representante da Aiba.

Pior que o Brasil

Os dados da Bahia chamam atenção por ser piores que a média nacional. De acordo com a CNT, 61,8% das rodovias em todo o Brasil são consideradas péssimas, ruins ou regulares.

Por aqui, os trechos considerados péssimos são as rodovias transitórias, que se integram às federais no estado. São eles: BAT-122 (Caetité e trecho Seabra-América Dourada/ BAT-122/BR-122), BA-144 (BA-144/BR-122), BR-367 (próximo a Itapebi), BA-526 (na Região Metropolitana de Salvador), BAT-242 (Castro Alves/ BAT-242/BR-242) e BAT-324 (Remanso /BAT-324/BR-324).

A pior é a BAT-242, corredor de escoação agrícola e pecuária. O trecho figura entre as piores há algumas edições da pesquisa. Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), o trecho está em obras.

Condições

Das variáveis analisadas pela pesquisa, a pavimentação teve o pior desempenho na Bahia. Dos 8.866 quilômetros analisados, 5.791 estão com pavimento desgastado (65,4%). São 1.598 quilômetros (18%) com trinca em malha/remendos e 157 quilômetros (1,8%) com afundamentos, ondulações ou buracos. Outros 155 quilômetros (1,7%) estão com o pavimento destruído.

“O problema principal foi que cresceu muito a extensão de pavimento desgastado. Grande parte das rodovias foi construída na década de 1970, e elas vão apresentando desgaste natural se não tem manutenção”, explicou o presidente da CNT, Clésio Andrade, durante entrevista coletiva nesta terça.

A pintura das faixas centrais é o segundo fator com pior desempenho na Bahia. Em 4.666 quilômetros, a pintura da faixa central está desgastada (52,6%) e 3.447 quilômetros têm a pintura da faixa visível (38,9%). Em 753 quilômetros (16,5%), a pintura inexiste. Nos demais itens (presença, visibilidade e legibilidade das placas), os indicadores são acima de 70%.

Em relação ao ano passado, houve uma melhora nos piores trechos de rodovias na Bahia. Quatro saíram da categoria de péssimos para ruins: BA-160, BR-430, BAT-349 e BA-026/ BA-130. E um trecho que era considerado ruim em 2016 passou a ser considerado péssimo neste ano: a BA-526.

As vias que tiveram melhor desempenho na Bahia foram as BA-052/BR-122, BA-093, BA-262, BA-262/BR-407, BA-524, BA-535, BR-020, BR-407, BR-415, BR-418 e BR-423 - tidas como boas.

Estradas ruins dificultam o desenvolvimento da indústria na Bahia

As más condições das rodovias que cortam a Bahia - 64% das rodovias baianas são de regulares a péssimas, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte - tem se tornado um entrave para o desenvolvimento da indústria. “Nós temos um problema grave que é a questão da manutenção das estradas federais, que são responsáveis pelo escoamento da produção industrial baiana. A rodovia é a espinha dorsal da indústria”, afirma Marcelo Galindo, coordenador do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

Mesmo as estradas baianas estando piores do que a média nacional, Galindo é otimista e acredita que a situação não é tão ruim, por não estar “tão fora do padrão nacional”. Ainda assim, ele critica a falta de manutenção e chama a atenção para o caso da BR-242, no Oeste. “Ela é uma rodovia federal que carrega boa parte da produção de grãos do Oeste para escoar para os outros estados, ou para a capital. O tráfego ficou muito pesado e a rodovia não recebe a manutenção necessária”, diz.

O impacto é percebido diretamente pelas empresas do Polo Petroquímico de Camaçari. De acordo com o superintendente-geral do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari - Empresas do Polo Industrial (Cofic), Mauro Pereira, a inadequação das rodovias encarece os produtos.

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), João Martins, considerou que a eficiência do sistema agropecuário é reduzida com a situação das rodovias.

“Somos extremamente eficientes da porteira para dentro. Produzimos, cada vez mais, produtos de melhor qualidade, com preços competitivos e respeitando a sustentabilidade. No entanto, essa eficiência quase que se perde no percurso de saída dos nossos produtos para os portos, para chegar aos centros consumidores”, lamenta.

O Correio procurou a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e a Secretaria de Comunicação (Secom), ambas do governo do estado, para falar sobre a situação das rodovias estaduais, mas não obteve resposta.

61,8% das rodovias do Brasil estão em condições regular, ruim ou péssima, diz CNT

Pesquisa da Confederação Nacional do Transportes (CNT) apontou que 61,8% das rodovias do Brasil estão em condições regular, ruim ou péssima. Os dados da 21ª edição do levantamento realizado pela CNT apontam uma piora na qualidade das estradas nacionais em relação ao ano passado, quando 58,2% apresentaram algum tipo de problema no estado geral, cuja avaliação considera as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via. Em 2017, 38,2% dos trechos foram classificados como em bom ou ótimo estado, abaixo dos 41,8% verificados em 2016.

O levantamento foi realizado por 24 equipes, que durante 30 dias percorreram 542 estradas federais e algumas estuais, somando 106 mil km avaliados. De acordo com o levantamento, a piora mais acentuada foi verificada no critério sinalização, no qual a classificação como boa ou ótima caiu de 48,3% para 40,8%.

A qualidade do pavimento viu sua extensão classificada como regular, ruim ou péssima sair de 48,3% para 50%. Sobre a geometria, o índice de baixa qualidade repetiu os números do ano passado, em 77,9% em condições regular, ruim ou péssima.

"Vale destacar que, entre 2007 e 2017, o número de veículos que passam por essas rodovias praticamente dobrou, saltando de 46 milhões para 95 milhões de carros", comentou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista.

Segundo a CNT, apenas 12% da malha total de 1,735 milhão de quilômetros do País são pavimentadas. "Dizem que o Brasil é rodoviarista, mas essa não é a verdade. A realidade é que o Brasil não tem infraestrutura", disse o presidente da seção de transporte rodoviário de cargas da CNT, Flávio Benatti.

Para a CNT, a precariedade crescente das estradas reflete a queda nos investimentos federais e a crise econômica dos últimos anos. Em 2011, o governo injetou R$ 11,2 bilhões nas estradas, volume que caiu para R$ 8,61 bilhões em 2008 e que, neste ano, entre janeiro e junho, chegou a apenas R$ 3,01 bilhões.

O Plano CNT de Transporte e Logística aponta que seriam necessários R$ 293,8 bilhões de investimentos na infraestrutura rodoviária para adequá-la à demanda nacional.

"Não há a menor dúvida de que só temos uma saída para as rodovias do País, que são as concessões rodoviárias", disse Flávio Benatti. "A má qualidade da rodovia onera o transporte do País em 27%, na média."

O representante da CNT criticou, porém, as concessões realizadas pelo governo Dilma Rousseff em 2013, as quais passam por extremas dificuldades de se manterem em andamento. "Desculpe pelas palavras, mas as concessões feitas três anos atrás foram um verdadeiro 'me engana que eu gosto', só pra mexer com tarifas e não com investimentos", afirmou.

Para o governo, a situação das rodovias não estaria tão ruim assim. No mês passado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelas estradas públicas federais, divulgou um estudo para afirmar que quase 70% das rodovias federais administradas pelo governo estão em "bom estado" de manutenção. O levantamento foi realizado a partir dos 52 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas administradas pelo Dnit. O dado não inclui as rodovias federais que foram concedidas à iniciativa privada.

Estrada entre Tocantins e Bahia é a pior do Brasil

O trecho das estradas entre Natividade (TO) e Barreiras, no oeste da Bahia, foi classificado pela 21ª Pesquisa de rodovias da Confederação Nacional do Transportes (CNT) como o pior de todo país. O traçado engloba a BA-460, a BR-242, a TO-040 e a TO-280. No ranking da CNT, o trecho ficou na 109ª posição, a pior do levantamento.

A melhor estrada do país foi o trecho que liga São Paulo a Limeira (SP), entre a SP-310, a BR-364 e a SP-348.

O levantamento da CNT aponta que, em 2016, ocorreram 96.362 mil acidentes nas estradas policiadas do país, com 6.398 óbitos. Apesar de as condições gerais das estradas terem piorado, o volume foi inferior ao de 2015, quando ocorreram 121 mil acidentes, com 6.837 mortos.

Segundo a CNT, os acidentes de 2016 custaram R$ 10,88 bilhões ao país, volume superior aos investimentos feitos nas estradas, os quais chegaram a R$ 8,61 bilhões.

"Essa pesquisa, lamentavelmente, continua apontando um estado muito ruim das rodovias brasileiras", disse o presidente da seção de transporte rodoviário de cargas da CNT, Flávio Benatti. "O Brasil não tem recebido os investimentos em transporte que merecia receber."

 

Fonte: CNT/Correio/Agencia Estado/Municipios Baianos

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