09/11/2017

Ex-assessor diz que contava dinheiro em posto de Lúcio

 

No depoimento que prestou à Polícia Federal no último dia 19, o ex-assessor parlamentar Job Ribeiro Brandão afirmou que não conhecia o apartamento onde foram encontrados R$ 51 milhões em dinheiro. Para justificar a presença de suas impressões digitais em algumas das notas encontradas no imóvel, Ribeiro disse que costumava contar dinheiro do posto de combustíveis Alameda da Praia, localizado na praia de Stella Maris, em Salvador, que tem o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) como sócio. Ele também contava notas na casa da mãe de Geddel.

O posto de combustíveis aparece nas declarações de bens que Lúcio entregou à Justiça Eleitoral quando foi candidato a deputado federal em 2010 e 2014. Nas duas ocasiões, o então candidato declarou possuir 1.000 cotas do estabelecimento no valor de R$ 8.110,01. Na página do deputado no site da Câmara consta que Lúcio foi gerente administrativo do estabelecimento entre 2007 e 2010.

À Polícia Federal, Ribeiro disse que o dinheiro que "por ventura tenha manuseado" era do posto de gasolina. Segundo ele, os valores contados "giravam em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil". "Que por vezes ia buscar dinheiro, às vezes o motorista e, ainda, os próprios familiares o recolhiam. Que contado o dinheiro ele era depositado em conta vinculada ao próprio posto", informa termo do depoimento de Ribeiro ao qual à repotagem teve acesso.

Segundo o depoente, o dinheiro chegava "solto ou mesmo novo, com fitas" às suas mãos. Aos investigadores, o ex-assessor afirmou não saber "a origem do dinheiro que contava em tais situações ou mesmo o destino que lhe era dado na sequência". A partir de 2010, afirmou, ele passou a receber pedidos frequentes do ex-ministro Geddel Vieira Lima para contar quantias maiores, que variavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Geddel, que está preso desde setembro, e Lúcio são investigados pelo crime de lavagem de dinheiro na ação que investiga a origem dos R$ 51 milhões. O ex-ministro e o deputado, bem como seus advogados, não responderam aos contatos feitos pela reportagem nesta terça-feira, 7.

Patrimônio declarado por ex-assessor de Geddel e Lúcio não correspondia ao salário recebido em quase 30 anos

Preso em domicílio por ter suas digitais encontradas em malas e caixas dos R$ 51 milhões apreendidos pela Polícia Federal em Salvador, o ex-assessor da família Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão, revelou, em petição protocolada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (7), que devolvia 80% do seu salário aos chefes peemedebistas. Antes disso, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o ministro Edson Fachin, relator do caso no STF, já estranhavam o patrimônio declarado pelo assessor.

Os desencontros começaram a aparecer quando Job Ribeiro Brandão teve sua prisão domiciliar decretada por Fachin e argumentou que não tinha dinheiro para pagar sua fiança de quase R$ 100 mil. Por isso, o assessor pediu a redução do valor arbitrado para um patamar que ele pudesse pagar. De acordo com despacho do ministro Fachin datado de 31 de outubro, Job RIbeiro Brandão alegou que o valor da fiança era "quase dez vezes sua renda mensal e quase três vezes o seu patrimônio".

Em depoimento à PF, o homem de confiança dos Vieira Lima relatou que desde 21 anos de idade trabalha como assessor para os políticos da família. Como nasceu em 1968, ficou entendido que ele estava com o grupo há pelo menos 28 anos.

Foi ao analisar a situação financeira de Job Ribeiro que Fachin apontou as suspeitas: "Na última declaração de ajuste anual de imposto de renda, ele declarou patrimônio de R$ 31.100,59 no final de 2016. Ademais, nega ter cônjuge ou companheiro (a), dependentes e pagamentos de pensão. Para aferir a veracidade das declarações de Job Ribeiro Brandão, a Assessoria de Pesquisa da PGR (SPEA/PGR) procedeu ao seu levantamento patrimonial declarado. O sistema do Ministério do Trabalho e Previdência Social revelou que ele é servidor da Câmara dos Deputados desde 14/02/1989. Suas remunerações líquidas mensais no ano de 2017 foram R$ 14.334,28. O rastreamento societário pesquisado em sistemas dos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não revelou o CPF de Job ligado a qualquer quadro de sociedade empresarial. Finalmente, ele não possui registrados em seu CPF imóveis urbanos, rurais e sequer automóveis".

"Pois bem. Analisando-se suas declarações de imposto de renda, o resultado da pesquisa patrimonial feita pela PGR e o valor líquido de R$ 14.334,28 de seu salário sugerem que a situação de alguém, servidor público há 28 anos, remunerado ao longo desse período pelo equivalente há mais de quatorze mil reais, sem filhos ou dependentes, seria de patrimônio acumulado superior ao pouco mais de vinte mil reais que ele declara. O senso comum e o exercício das máximas de experiência sugerem a probabilidade de que Job Ribeiro Brandão oculte patrimônio pessoal dos órgãos oficiais", explanou o ministro relator. 

Para apurar a situação financeira relatada, a assessoria da PGR contatou os policiais federais responsáveis pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa do ex-assessor para ver se havia sinais de riqueza. "As informações ainda não oficiais, até mesmo pelo tempo recente daquela busca, são as de que se trata de local simples em que cada membro da família ocupa um pavimento", ressaltou Fachin, que se convenceu, naquele momento, pela redução da fiança pela metade para o ex-assessor.

ÉPOCA: ex-assessor diz que devolvia 80% do salário a Geddel e Lúcio

Ex-assessor parlamentar do deputado peemedebista Lúcio Vieira Lima e do seu irmão Geddel, Job Ribeiro Brandão apresentou uma nova e grave acusação contra seus ex-chefes: afirmou que tinha um acordo para devolver 80% do seu salário aos peemedebistas, o que daria aproximadamente R$ 8 mil mensais. Os recursos eram entregues em dinheiro vivo por Job, segundo seu relato inédito, obtido com exclusividade por ÉPOCA, que indica um desvio dos recursos públicos usados para pagar o salário do assessor.

Atualmente preso em regime domiciliar após ter suas digitais encontradas em notas de dinheiro que faziam parte dos R$ 51 milhões no bunker que seria de Geddel Vieira Lima em Salvador, o ex-assessor apresentou uma nova petição ao Supremo Tribunal Federal na noite desta terça-feira (7), obtida por ÉPOCA, na qual faz essa nova acusação. No documento, a defesa pede que seja reduzida o valor da fiança porque o salário real de Job seria muito menor do que os R$ 14,3 mil brutos que constam no site da Câmara dos Deputados.

"Mesmo ciente das consequências da formalização de suas declarações, inclusive para a própria vida, mas convicto da necessidade de expor a verdade dos fatos, a fim de viabilizar o atendimento do que aqui se pleiteia, o investigado declarou a este causídico que, conforme acordado com os parlamentares, sempre devolveu, em dinheiro, cerca de 80% de sua renda", diz a petição, assinada pelos advogados Marcelo Ferreira e Felipe Dalleprane.

Job esclareceu ainda que, quando ganhou uma função extra, sua remuneração aumentou. Isso porque ele passou a cuidar do pai dos peemedebistas, Afrísio Vieira Lima --uma função particular paga com recursos públicos. "Quando o pai do deputado adoeceu, em 2015, passou a devolver 70%, porque, além de suas tarefas habituais, passou a ajudá-lo nos cuidados com a saúde", diz a petição.

Os advogados juntaram uma declaração escrita assinada por Job, sobre a qual se baseou a petição, e fotos mostrando que o ex-assessor é responsável por cuidar dos pais idosos, que dependem financeiramente dele. Juntaram ainda documentos comprovando os rendimentos líquidos, que, após os descontos obrigatórios, era de R$ 10,8 mil. Na prática, porém, como devolvia parte do salário, sua renda líquida estava em R$ 3,7 mil mensais. Job foi exonerado do cargo ocupado no gabinete de Lúcio Vieira Lima após ser alvo das medidas cautelares do STF.

O ministro do STF Edson Fachin havia reduzido de 100 salários mínimos para 50 salários mínimos (aproximadamente R$ 46 mil) a fiança estipulada para Job, mas ainda assim sua defesa argumenta que ele não tem condições de pagar.

"É exatamente por essas razões que o investigado não acumulou patrimônio, daí porque não procede a assertiva da PGR no sentido de sugerir 'a probabilidade de que Job Ribeiro Brandão oculte patrimônio pessoal dos órgãos oficiais' (fls. 1.429-1.434). Ao contrário, sua situação financeira é muito precária, ao ponto de estar efetivamente sujeito à prisão preventiva, porque, qualquer que seja a decisão de vossa excelência, não terá condições de pagar qualquer fiança", afirmou a defesa.

Procurada, a defesa de Lúcio e Geddel informou que só irá se manifestar após ter acesso ao teor do documento.

'Delatores fizeram Brasil se olhar no espelho', diz Wesley Batista

O sócio da JBS Wesley Batista disse nesta quarta-feira, 8, que colaboradores da Justiça brasileira estão sendo "punidos e perseguidos" por dizer a verdade. Detido há quase dois meses por suposta prática do crime de insider trading - uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro -, Wesley afirmou que as delações premiadas fizeram o País se "olhar no espelho". O resultado foi que a nação "não gostou do que viu", disse Wesley.

"Estamos vivendo um imenso retrocesso daquilo que esperava ser um profundo processo de transformação do País. As delações fizeram o País se olhar no espelho. Como não gostou do que viu, o resultado tem sido colaboradores presos e delatados soltos", afirmou.

As declarações foram dadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, em sessão conjunta com a CPI do BNDES no Senado Federal. Antes de invocar o direito a permanecer calado, Wesley afirmou ainda que não se arrepende de ter colaborado com a Justiça, mas que descobriu que o processo é "imprevisível e inseguro".

"Não é fácil, é solitário, dá medo e causa muita apreensão. Hoje, na condição em que me encontro, descobri que é um processo imprevisível e inseguro para quem decidiu colaborar. Mas continuo acreditando na Justiça brasileira." Depois do pronunciamento em tom de indignação, ele passou a usar o direito de ficar em silêncio a cada pergunta feita pelos parlamentares integrantes do colegiado.

"Neste momento, ficarei em silêncio principalmente pela complementaridade da minha colaboração, ainda sob análise da Procuradoria-Geral da República. Em um eventual depoimento sem autorização da PGR, eu poderia estar colocando em risco minha colaboração. Estou preso por um crime que jamais cometi. Tão logo essa situação seja resolvida, com autorização expressa da PGR, eu me comprometo a prestar todos e quaisquer esclarecimentos", disse.

Os senadores ainda tentaram insistir para que, diante de dezenas de repórteres e de câmeras da TV Senado que transmitiam ao vivo a sessão, o empresário aceitasse falar para se defender. Diante da negativa de Wesley e seus advogados, decidiram então que o manteriam presente no auditório e fariam suas explanações e questionamentos sobre a corrupção na JBS.

Wesley e seu irmão, Joesley Batista, sócios da JBS, estão presos desde o início de setembro. Os empresários foram detidos preventivamente na Operação Tendão de Aquiles por suposta prática do crime de insider trading, acusados de terem feito transações com dólares às vésperas da divulgação da delação, com o objetivo de lucrar com informações privilegiadas no mercado financeiro. Já sobre os pagamentos de propinas a políticos, os irmãos correm o risco de perder a imunidade que haviam garantido ao aceitar delatar aos investigadores da Lava Jato.

Delator diz que Humberto Costa recebeu propina em ministério

O ex-subsecretário de Saúde do Rio César Romero afirmou nesta quarta-feira (8) que o senador Humberto Costa (PT-PE) recebia propina do empresário Miguel Iskin, que atua no setor de próteses e equipamentos médicos, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.

As vantagens indevidas foram pagas, segundo o relato, durante o período em que o petista ocupou o cargo de ministro da Saúde, entre 2003 e 2005.

Romero firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal e prestou depoimento em ação penal que apura o desvio de R$ 16 milhões na Secretaria de Saúde do Rio durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Ele disse que o esquema implantado na pasta estadual reproduziu o que já havia funcionado no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) a partir de 2002, período em que o ex-secretário Sérgio Côrtes ocupou o cargo de diretor. A propina paga a Costa teria ocorrido no período.

“Eu soube de alguma coisa de relacionamento dele, dando valor, para o então ministro Humberto Costa”, disse Romero.

Lava Jato: Sergio Cabral é acusado de financiar dossiês contra juiz Marcelo Bretas

O ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, mesmo dentro da cadeia, estaria financiando dossiês contra o juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato no Rio, conforme aponta uma investigação sigilosa da Polícia Federal, em que os repórteres do portal G1 tiveram acesso.

De acordo com o site, a informação sobre a montagem dos dossiês veio de dentro do presídio onde Cabral está detido, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, desde novembro do ano passado. Conforme a denúncia, o ex-governador teria um fundo milionário para financiar os dossiês sobre integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Rio.

No dia 26 de setembro, seis dias após Cabral receber sentença na Operação Calicute, foram contabilizados oito acessos para pesquisas de registros de ocorrência sobre o juiz Marcelo Bretas e a sua mulher, também juíza.

A defesa de Cabral, por sua vez, negou, por meio de nota. "É uma mentira, antes de uma maldade sádica, com claro propósito de criar intriga entre o ex-governador e o magistrado, certamente como forma de incitá-lo a determinar nova transferência para um presídio federal", diz a nota.

A investigação veio de um pedido da força tarefa da Lava Jato sobre todas as consultas feitas aos nomes do juiz e de parentes. Durante audiência realizada no dia 23 de outubro, o ex-governador citou informações sobre a família de Bretas. Ao ser questionado sobre a compra de joias para lavar dinheiro, Cabral afirmou que o juiz entendia do assunto porque a família dele trabalha com bijuterias.

 

Fonte: Agencia Estado/Bnews/Bahia.ba/Municipios Baianos

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