09/11/2017

Opus Dei orgulhosa com o seu pupilo Ives Gandra

 

Opus Dei deve estar orgulhosa do seu pupilo, Ives Gandra Martins (presidente do TST). Ele defendeu dias atrás o fim da legislação trabalhista como condição para aumento da oferta de emprego. É, na prática, o que a OD faz com os seus "numerários" (escravos religiosos) há décadas. Para quem não está afinado com o que faz, pratica ou defende a Opus Dei, vai aqui um resumo: a corrente extremista católica tem no Brasil mais de 30 mil integrantes. São homens e mulheres que concordaram, em algum momento, a manter o celibato e entregar sua vida para a causa maior desta corrente: ganhar dinheiro. Gandra declarou há dois dias que o corte de direitos dos trabalhadores ajudará a aumentar a oferta de emprego.

Geraldo Alckmin, Ives Gandra, Carlos Alberto Di Franco são alguns dos brasileiros ilustres ligados a Opus Dei. A entidade controla também a ociedade Interamericana de Imprensa (SIP), segundo já denunciou Alberto Dines. A turma ganhou maior destaque após o livro "Código da Vinci", de Dan Brown.

A partir daquele lançamento bombástico, onde mostrava o comportamento, caricato de alguns integrantes, capazes de matar ou morrer pela causa, conforme se vê no livro, muitos "numerários", como são chamados os fieis, resolveram se manifestar.

Uma das bizarrices da ordem é a mortificação: impor ao "numerário" a dor. Ele irá amarrar na perna um cinto (chamado cilício), em forma de arame farpado, com o qual andará nas ruas para não esquecer seus compromissos "profissionais" e religiosos.

Trabalhavam diuturnamente, moravam em habitações religiosas, geralmente em templos ou monastérios, e eram tratados com a impessoalidade com que se trata alguém que vive para lhe servir, mas não tem a seu favor nem mesmo a legislação trabalhista - tendo em vista que a atividade de venda de livros e bugigangas religiosas eram tratadas como "voluntária".

No campo político não precisa dizer que a Opus Dei se opõe a tudo o que é ligado a esquerda política. Criminalização do comunismo e correntes sociais que defender a libertação do oprimido. Ela se instalou no país após a Pastoral da Terra se interiorizar para ajudar a formar mentes críticas como as que hoje conduzem o MST.

Seu criador, Josemaría Escrivá de Balaguer, era um religioso próximo do penúltimo papa, o alemão Bento XVI. Foi esta corrente que perseguiu e condenou ao silêncio o frei brasileiro, Leonardo Boff. Boff foi o principal representante brasileiro da Teologia da Libertação - que defendia o homem do campo e os operários das fábricas.

Ditaduras

Historicamente a corrente esteve ligada aos regimes ditatoriais que se instalaram na América Latina nos anos 60 e 70. Alguns quadros dos regimes nascidos dos golpes de Estado de 1966 e 1976, na Argentina, e 1973, no Uruguai, fossem também quadros da Opus Dei. Mas segundo se lê no livro de Emilio J. Corbiere , sua atuação era ainda dispersa, o que não os impediu de controlar a Educação na Argentina durante o período Onganí (1966-70).

Já no Chile, a Opus Dei foi para o pinochetismo o que havia sido para o franquismo na Espanha. O principal ideólogo do regime,Jaime Guzmá, era membro ativo da organização, assim como centenas de quadros civis e militares.

  • Leia aqui o depoimento de um "ex-numerário", religioso, da Opus Dei. Ele prefere não ser identificado:

"Fui Sacerdote Numerário do Opus Dei de 1979 a 1993. Foram 14 anos "estranhos" na minha vida que não desejo para ninguém. Não quero discutir a problemática do "certo" e do "errado" sobre a minha passagem pelo Opus, menos ainda sobre a minha ordenação como Padre dentro da Associação. Penso que este é um assunto que hoje faz parte da história das minhas deliberações de vida e não vejo nenhum sentido uma discussão sobre decisões pessoais tomadas no passado.

O que me surpreendeu foi a incapacidade dos dirigentes do Opus Dei para o diálogo aberto. Essa surpresa só acontece quando o membro do Opus Dei passa por uma fase de "crise", de questionamento mais aberto, de aspiração mais abrangente. É algo semelhante ao que conta Platão no "mito da caverna". Só é possível entender as limitações impostas pelas amarras das correntes dentro da caverna depois de ter saboreado, de alguma maneira, a luz do Sol fora da caverna.

A analogia impressiona. Presos no interior da caverna por enormes correntes, mesmo tendo vislumbrado uma luz do lado de fora, alguns sentem - como diz Platão -, uma enorme dificuldade em sair para ver a luz lá fora. E aqui temos um problema sério: para os dirigentes do Opus Dei, o interior da caverna é a única opção.

No meu caso pessoal, não apenas o fato de ter entrado para o Opus Dei, mas, sobretudo, a ordenação foi uma corrente brutal que eliminou de vez as poucas luzes de mundo que me restavam. Minha vida tornou-se uma carga pesada. Põe "pesada" nisso! Numa explosão de insatisfação com tudo aquilo, resolvi mudar de vida e abandonar o Opus Dei e a condição clerical. Tal decisão não foi nada fácil. Menos ainda a sua execução.

Num primeiro momento o problema era pessoal e interior. Depois, as dores da minha família, vendo o meu sofrimento, passaram a fazer parte do problema. Os dirigentes do Opus diziam: ficou louco! Chegaram a espalhar entre os outros membros da Associação que eu estava gravemente enfermo, psicologicamente doente, desequilibrado, anêmico, etc. E o pior disso é que muitos acreditavam.

Acho que os que continuam no Opus Dei ainda hoje acreditam na versão oficial de que eu "pirei". Felizmente estou ótimo. Ando pelo mundo afora respirando o ar puro da atmosfera natural e na luz que me vem do verdadeiro Sol. Minha sorte é que meus familiares acreditavam em mim e não neles. O radicalismo foi tal que, depois de inúmeras conversas na tentativa de se encontrar uma solução para o meu "caso", cheguei à conclusão de que a saída que me apresentavam era sempre a mesma: de uma maneira ou de outra, eu tinha que ouvir - não tem jeito, o teu lugar é aqui na caverna.

As conversas se prolongaram durante meses. Toda e qualquer solução era unilateral: permanecer na caverna. Esgotando todas as possibilidades de se encontrar uma saída amigável, aberta e respeitosa para com o Opus Dei e para com a minha aspiração de vida pessoal livre, tomei a decisão de me afastar da Obra por tempo indeterminado. Em breve essa decisão tornou-se, da minha parte, definitiva. Hoje estou casado e feliz com minha esposa e filha.

Não tenho nada contra quem quiser fazer sua experiência de Opus Dei. Mas uma coisa convém ter presente: o fundamentalismo é forte. As regras são rígidas e a abertura de realização livre é estreita".

Reforma trabalhista boa é só para os outros, na visão do presidente do TST

A poucos dias do fim da CLT, surgiu um defensor sincero da reforma trabalhista. É o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho. Em entrevista à Folha, ele disse o que governo e empresários se recusam a admitir: a mudança na lei vai resultar na redução de direitos sociais. “Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito”, disse o ministro. “Vou ter que admitir que, para garantia de emprego, tenho que reduzir um pouquinho, flexibilizar um pouquinho os direitos sociais”, acrescentou.

IDIOTA DA HISTÓRIA

Nos últimos meses, o cidadão que tentou se informar sobre a reforma ouviu de Michel Temer que o governo não seria “idiota” de restringir direitos. “Não haverá nenhum direito a menos para o trabalhador”, prometeu. A declaração de Gandra sugere que o idiota da história foi quem acreditou na palavra do presidente.

Na entrevista à repórter Laís Alegretti, o chefe do TST também defendeu as novas regras para indenizações por danos morais. Agora os valores serão calculados de acordo com o salário do ofendido. “Não é possível dar a uma pessoa que recebia um mínimo o mesmo tratamento […] que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria”, comparou.

POBREZA ETERNA

As declarações chocaram o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury. “Confesso que estou assustado”, ele me disse, após ler a entrevista. “O ministro expôs uma mentalidade de que o pobre deve continuar pobre. Ele defende um sistema de castas, onde o sofrimento da pessoa é medido pelo que ela ganha.”

No sistema brasileiro, Gandra pertence a uma casta superior: a elite do funcionalismo. Além do salário de R$ 30 mil, ele recebe R$ 6,5 mil em auxílios e gratificações. Em dezembro passado, seu contracheque chegou a R$ 85,7 mil, incluindo 13º, férias e um extra de R$ 3.300 por “instrutoria interna”. Definitivamente, o ministro não precisa se preocupar com as consequências da reforma que apoia.

O dano moral do Dr. Gandra é caro, o do peão é barato

Ontem, comentou-se aqui que o presidente do Tribunal do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho, representava “o mais puro pensamento escravocrata e censitário, no qual as pessoas valem não como cidadãos e seres humanos, mas pelo que ganham, pela renda que tem”, pelo fato de defender, como fez a “deforma trabalhista”, que o dano moral sofrido por trabalhadores seja indenizado não pela gravidade, mas pelo salário que ele recebe.

Hoje, na Folha, Bernardo  Mello Franco arrisca a razão para o Dr. Gandra pensar assim, em seu artigo “Reforma é boa para os outros“: No sistema brasileiro, Gandra pertence a uma casta superior: a elite do funcionalismo. Além do salário de R$ 30 mil, ele recebe R$ 6,5 mil em auxílios e gratificações. Em dezembro passado, seu contracheque chegou a R$ 85,7 mil, incluindo 13º, férias e um extra de R$ 3.300 por “instrutoria interna”. Definitivamente, o ministro não precisa se preocupar com as consequências da reforma que apoia.

Portanto, é bom eu me cuidar com o que digo. A moral do Dr. Gandra é cara, não “baratinha” como a nossa, simples mortais.

Então, será que alguém pode perguntar em meu lugar porque Sua Excelência suspendeu – antes mesmo da malfadada portaria do ministro do Trabalho – a divulgação da lista dos empregadores praticantes de trabalho escravo, decisão que acabou derrubada por outro ministro do TST? Ou, como Gilmar Mendes e a ministra Luislinda Valois, ele pensa que trabalho escravo é o dele?

Gandra tenta explicar entrevista. Mas critica 'enriquecimento'

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, divulgou nesta terça-feira (7) nota após a repercussão negativa de entrevista publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, cuja manchete relacionava corte de direitos com criação de empregos. "Ressalto que minhas afirmações não podem ser avaliadas isoladamente. Ao longo da entrevista, fiz uma análise abrangente da questão, que não foi integralmente publicada", diz Gandra.

"Sempre ressaltei a importância de, em uma negociação coletiva, compensar eventual redução de direito com alguma vantagem de natureza social, de forma que o patrimônio jurídico do trabalhador, como um todo, não seja afetado", acrescenta o magistrado. Ele observa que a própria Constituição permite redução de salário e jornada, "desde que se faça por negociação coletiva, o que supõe a concessão de vantagem compensatória e a transitoriedade da redução, para superar crise econômica".

Em relação ao trecho que fala em indenização por dano moral, em julgamentos envolvendo pessoas de condição social diferente, Gandra afirma que "em nenhum momento tive a intenção de desmerecer trabalhadores de baixa renda". Na entrevista, ele declara: "Não é possível dar a uma pessoa que recebia um mínimo o mesmo tratamento, no pagamento por dano moral, que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria".

"Ao abordar a questão da parametrização do dano moral, deixei claro que achava o teto do INSS um parâmetro melhor para as reparações que o salário, o que não foi publicado na versão editada da entrevista", afirma o magistrado na nota divulgada pelo TST. "Pontuei, no entanto, que, mesmo ficando mantido o critério salarial, não haveria, em minha opinião, ofensa direta à Constituição. Até porque esse critério já é um dos utilizados pelos juízes para fixação das indenizações."

Segundo ele, o termo "tratamento" se refere-se à "análise técnica" de cada caso, "observando o contexto em que se deu a ofensa, considerando aspectos sociais, psicológicos e o grau de dolo ou culpa, conforme estabelecido no artigo 223-G, da Lei 13.467/2017", a lei da "reforma" trabalhista, que entrará em vigor no próximo sábado (11). Mas Gandra mantém a suposição de que a Justiça do Trabalho pode criar milionários: "Considero importante a existência de parâmetros para evitar discrepâncias na fixação das indenizações e o chamado ‘enriquecimento sem causa'".

De acordo com o relatório anual da Justiça do Trabalho, as indenizações por dano moral foram apenas o 14º tema – em um total de 20 – mais recorrente no ano passado. Esses processos somaram 390.751. O primeiro lugar refere-se à falta de pagamento de aviso prévio, com 1.046.041 casos. Do segundo ao 13º item, todos se relacionam com algum débito, como Fundo de Garantia, férias, insalubridade e horas extras – este último item é o mais comum no TST e nos Tribunais Regionais (segunda instância). Nas Varas do Trabalho (primeira instância), prevalecem os casos de aviso prévio.

O juiz afirma ainda que "as relações de trabalho devem ser analisadas de forma técnica e equilibrada, sem preconceitos, e com respeito à pluralidade de opinião.”   As declarações do presidente do TST foram criticadas pela Anamatra, a associação dos magistrados, e por centrais sindicais.

Para jurista, reforma trabalhista faz parte de 'momento trágico'

Para Jorge Luiz Souto Maior, juiz e professor livre-docente de Direito do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP), pelo excesso de problemas, a reforma trabalhista que entrará em vigor no próximo sábado (11) criará incertezas jurídicas e na vida do trabalhador.

"É uma lei (13.467) de tamanha amplitude, mas que foi aprovada na Câmara dos Deputados em dois meses de tramitação e depois, em três meses, no Senado. Uma legislação toda ela voltada às preocupações do empregador. Muitos juízes vão adotar posturas diferentes. O que se disse se procurar com essa lei – segurança jurídica – é o que menos confere. Até porque, em muitos pontos, ela fere frontalmente a Constituição Federal", critica, em entrevista na manhã desta terça-feira (7) à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Para ele, a reforma faz parte de um momento trágico do país. "Teremos empresas concorrendo por postos de trabalho precarizados, e se o assédio moral está sendo posto pela grande mídia e na própria estrutura do Poder Judiciário com juízes, imagine o que não vai acontecer nas relações de trabalho propriamente."

O jurista chama a atenção para os problemas que os trabalhadores enfrentarão, enquanto a "reforma" é debatida entre especialistas e processos jurídicos. "O empregador vai aplicar da forma que achar que deve e de modo mais prejudicial para os trabalhadores, com ampliação da terceirização, do trabalho intermitente, do excesso de jornada, e da concorrência entre os trabalhadores, ao permitir que se negocie individualmente."

"Dentro dessa possibilidade de ajustes individuais, muitos aceitarão condições piores de trabalho em detrimento do todo. Se isso não for revertido em pouco tempo teremos um estado de grande sofrimento no ambiente de trabalho", acrescenta Souto Maior.

Ele comentou o fato de veículos de comunicação criticarem a mobilização de magistrados do Trabalho em relação à reforma. "(A mídia tradicional) está dentro da lógica da elaboração da lei, que não teve debate democrático, não foi discutida, não tem participação direta dos profissionais da área jurídica, médica, sociológica, da economia, foi algo atabalhoado. Não há de se negar que algumas pessoas foram convidadas a falar do projeto, individualmente, mas não institucionalmente, e simplesmente não foram ouvidas, foram chamadas para dar uma aparência de debate e democracia."

Souto Maior também criticou a entrevista do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST),  Ives Gandra Filho, ao jornal Folha de S.Paulo, defendendo flexibilização de direitos sociais a pretexto de se criarem empregos.

"Essa declaração é reveladora na perspectiva de que essa reforma viria 'para modernização da legislação do trabalho'. Mas começam a reconhecer que a legislação está retirando direitos efetivamente, quando existe uma jurisprudência protetiva que se valeu especificamente da previsão das normas constitucionais. O que se está fazendo é reduzir direitos para ampliar as possibilidades de lucro, e os empregos criados por essa lei são sub-empregos, precarizados", comentou.

 

Fonte: Conexão Jornalismo/Folha/Tijolaço/RBA/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!