10/11/2017

Policiais baianos lançam manifesto contra Bolsonaro

 

Um grupo de policiais da Bahia acaba de divulgar um manifesto de repúdio contra o deputado Jair Bolsonaro, que deve concorrer ao Planalto no ano que vem.

O coletivo de Policiais Baianos Progressistas e Pela Democracia divulgou um texto ressaltando a importância dos direitos humanos e da valorização da vida.

"Escolhemos essa profissão para proteger as pessoas — nossas famílias, nossos vizinhos, os cidadãos e as cidadãs do nosso estado —, para cuidar dos outros, para acabar com o medo e não para provocá-lo, para garantir a paz social e não para fazer a guerra. Entendemos que não é abolindo ou desrespeitando os direitos humanos, como pedem alguns demagogos, que vamos reduzir a violência na sociedade; muito pelo contrário", diz o texto.

  • Confira abaixo a íntegra do manifesto anti-Bolsonaro:

PORQUE REJEITAMOS E SOMOS CONTRA BOLSONARO

O coletivo de Policiais Baianos Progressistas e Pela Democracia é um grupo informal de Policiais que se inspira e se associa às ideias do Movimento Policiais Antifascismo e no Agentes da Lei Contra a Proibição, e acredita numa política de segurança pública que tenha os direitos humanos e a dignidade da pessoa humana como fundamento. Escolhemos essa profissão para proteger as pessoas — nossas famílias, nossos vizinhos, os cidadãos e as cidadãs do nosso estado —, para cuidar dos outros, para acabar com o medo e não para provocá-lo, para garantir a paz social e não para fazer a guerra. Entendemos que não é abolindo ou desrespeitando os direitos humanos, como pedem alguns demagogos, que vamos reduzir a violência na sociedade; muito pelo contrário.

Num contexto de profunda crise social, econômica, política, moral e educacional, o aumento da violência em suas diversas formas, é perfeitamente compreensível que as pessoas queiram um governante forte e capaz de mudar isso. E esses anseios populares tem servido como desculpa para discursos que clamam por mais violência para enfrentar a violência, mais armas para enfrentar os tiros, menos direitos para proteger os direitos ameaçados pela criminalidade, penas mais duras que chegam tarde e não mudam nada, mais guerra para reduzir os danos de uma guerra que não deu certo. Respostas contraditórias, sem dúvida ineficazes, comprovadamente ruins em todos os países que as adotaram, porém, sedutoras, porque recorrem ao medo e ao desespero das maiorias para vender uma receita mágica, simplista, mas que não deu certo em lugar nenhum.

Diante desse quadro, não poderia haver alguém pior que Bolsonaro para resolvê-lo. Ele demonstra total despreparo teórico e prático pra enfrentar essa crise e governar um país tão grande, diverso e complexo como Brasil. Não tem formação e nem experiência de gestão pública. Não entende nada de Economia. É totalmente ignorante sobre Relações Internacionais e Política Internacional. Desconhece os problemas do país e, assim, também desconhece as soluções. Consequentemente não tem qualquer projeto de governo e de políticas públicas para saúde, educação, moradia, mobilidade urbana, geração de emprego e renda, e assistência social.

Nem mesmo para área de segurança pública tem propostas sérias, consistentes e que possam trazer algo de bom para o país. Embora, quando fala desse tema, pareça saber o que diz, é um completo incompetente, um político incapaz. Suas propostas para área se resumem a dar carta branca (sic) para policiais matarem e a liberação geral da posse e porte de armas de fogo. Como se já não ostentássemos as assustadoras estatísticas de mortes violentas intencionais- 61,5 mil assassinatos registrados em 2016 e mais de 3 mil mortes decorrentes de ações policiais.

O pior é que é mais que isso. Bolsonaro surgiu no cenário político nacional bradando contra a corrupção e em defesa da ordem. Contudo, ironicamente sua carreira política se iniciou a partir de atos de desordem, indisciplina e deslealdade perante o Exército Brasileiro. Após dar uma entrevista e escrever um artigo para a revista Veja, reclamando dos salários dos militares, foi punido administrativamente, e, por isso, planejou colocar bombas numa adutora da Companhia de Águas do Rio de Janeiro e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, a fim de provocar uma desestabilidade política e a queda do Ministro do Exército.

Quanto à Corrupção, apesar do discurso moralista e da autodeclaração de homem honesto, não explicou o aumento do patrimônio incompatível com os vencimentos. Além de ter recebido dinheiro da Friboi em sua campanha eleitoral e de fazer parte da “Lista de Furnas”. Seu silêncio em relação às acusações contra Temer, Aécio e outras figuras do PMDB, PSDB e DEMo chama bastante atenção sobre sua hipocrisia no que tange ao assunto.

Após a conspiração terrorista de 1987 denunciada pela revista Veja, acima citada, deixou o Exército e no ano seguinte elegeu-se vereador pelo município do Rio de Janeiro, onde se especializou em defender mamatas. De lá para cá, elegeu-se e reelegeu-se diversas vezes deputado federal, empanturrando-se nas benevolentes tetas do Estado, ganhando como legislador, mas sem quase nunca legislar. Ao longo desses quase 30 anos como parlamentar, só apenas duas vezes ele conseguiu convencer seus colegas de que o que estava propondo merecia se tornar lei. Sua atuação parlamentar se resumiu a ser um advogado de causa própria. Os projetos de lei que apresentou diziam respeito a questões corporativas, que visavam aumentar os benefícios de sua própria classe profissional, a dos membros das Força Armadas. A exemplo de um projeto de lei que, caso fosse aprovado, obrigaria o Estado a pagar parte das mensalidades escolares de filhos dos militares federais (incluindo os filhos dos militares da reserva, como ele).

Se por um lado, sempre se mostrou desinteressado, incompetente e ineficaz em apresentar propostas que viessem a impactar positivamente a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Por outro, se mostrou bastante alinhado ao governo corrupto e golpista de Michel Temer. Tendo votado a favor da extinção de direitos trabalhistas. Inclusive, declarou em uma palestra (?) nos EUA que o brasileiro tem que decidir entre ter trabalho (precarizado claro) ou ter direitos trabalhistas. Pois, como se percebe, não passa pela cabeça dele a possibilidade do empresário diminuir um pouco os altos lucros e o trabalhador ter direitos e emprego. Tendo ainda votado na Lei que amplia a terceirização e precarização do trabalho. Além de ter também votado a favor da chamada “PEC do Fim do Mundo”, a Emenda Constitucional nº 95 que congela gastos em saúde, educação, segurança, assistência social e os investimentos públicos por 20 anos.

Também se mostrou bastante eficiente em ser um político boquirroto. Se especializou no discurso de ódio. Sempre proferindo coisas que ninguém julgava possíveis de serem proferidas em público. Atacando mulheres, gays, negros, refugiados, sobretudo quando pobres. Chegou a dizer que Quilombolas “não deveriam procriar”, que os refugiados sírios e haitianos eram escórias, que mulheres deveriam receber salários menores, que preferia ver um filho morto a se declarar gay e que a ditadura militar matou pouco. Enfim,

passou três décadas agredindo militantes de esquerda, ativistas de direitos humanos, gays, mulheres, negros. Além de fazer apologia à tortura, ao estupro e ao assassinato. Desta forma, ganhou notoriedade não pelo que produziu como parlamentar – praticamente nada –, mas pelo discurso de ódio contra as minorias.

Como vemos, tudo o que ele tem a oferecer é mais violência, medo e ódio. É mais rancor, mais frustração, mais retaliação, mais tiro, mais sangue. Mais morte, mais homicídios. Tudo isso para compensar o desemprego, a precarização do trabalho, a precariedade dos serviços públicos de saúde, educação e assistência social, a falta de moradia, a desigualdade socioeconômica. Isso que ele está prometendo e tem a oferecer para o povo brasileiro é o inferno para nós policiais honestos e bons servidores, que acabamos sendo vítimas de assassinatos, muitos desses

gerados por essa lógica belicista e de culto ao ódio (o Brasil é também campeão mundial em mortes de policiais). Tudo isso é o contrário do que precisamos.

Enfim, por todo o exposto e por defendermos a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; que possa garantir o desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais, e que promova o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, orientação sexual e quaisquer outras formas de discriminação, é que rejeitamos a candidatura do deputado Jair Bolsonaro à presidência da República.

Cap PM George de Matos Santos- Corregedoria

Cap PM Rogério de Oliveira Barbosa- 6ª CIPM

Cap PM Ricardo Penalva da Silva- 62ª CIPM

Cap PM André Francisco Campos- CPRC/ Atlântico

Cap PM Claudemir Cardoso Mota- Corregedoria

SubTen PM Misael de Souza Santos- CBMBA

Sub Ten Nelia de Souza Amorim Gomes - Corregedoria

1° Sgt PM Paulo César de Oliveira- RR

Cb PM Alexsandro dos Santos Moreira- 27ª CIPM

Cb PM Laércio Neres Brito- 56ª CIPM

Cb PM Angelo Márcio Santos da Silva-

6ªCIPM

Cb PM Gustavo Souza- CBMBA

Cb PM Carla Maia- 56ª CIPM

Sd PM Ricardo de Matos Santos- 97ª CIPM

Sd PM Gilmar Carvalho Figueiredo- 4° BPM

Sd PM Ewerton Santana Monteiro- EsqpMont/Fsa

Sd PM Diego Roberto de Almeida Adorno- 6ª CIPM

Sd PM Jean Carlos Ferreira Dourado- 38ª CIPM

Sd PM Luís de Oliveira Ferreira Júnior- 51ª CIPM

Sd PM Gabriel Matos- Departamento de Comunicação Social

Bolsonaro é condenado a pagar R$150 mil a fundo de defesa LGBT

Homofóbico, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) terá que pagar R$150 mil de indenização a um fundo de defesa LGBT. A decisão, proferida nesta quarta-feira (8), é da 6ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, que negou, por três votos a dois, o recurso apresentado pelo parlamentar contra a decisão da 6ª Vara Cível do Fórum Regional de Madureira.

A indenização deverá ser paga ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDDD), criado pelo Ministério da Justiça. O FDDD tem como objetivo a reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico, paisagístico, por infração à ordem econômica e a outros interesses difusos e coletivos.

A condenação é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo Grupo Diversidade Niterói, Grupo Cabo Free de Conscientização Homossexual e Combate à Homofobia e Grupo Arco-Íris de Conscientização com base nas declarações dadas pelo deputado, em 2011, no programa CQC.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que nunca passou pela sua cabeça ter um filho gay porque seus filhos tiveram uma "boa educação".

"Não se pode deliberadamente agredir e humilhar, ignorando-se os princípios da igualdade e isonomia, com base na invocação à liberdade de expressão. Nosso Código Civil expressamente expressamente consagra a figura do abuso do direito como ilícito civil, sendo esta claramente a hipótese dos autos. O réu praticou ilícito civil em cristalino abuso ao seu direito de liberdade de expressão", afirmou a juíza Luciana Santos Teixeira, responsável pela primeira sentença.

Bolsonaro vira normal, Huck sobe

Há uma tentativa de normalizar Jair Bolsonaro, que não faz muito tempo era um estranho até no ninho dos primitivismos da direita brasileira. Tornou-se comum ouvir de gente mais jovem e tosca da finança que é melhor ver o ex-militar no Planalto do que Lula, o que parece uma opinião óbvia, no caso, mas que indica o tamanho do problema (contra Lula, vale qualquer coisa e, ao mesmo tempo, não há ainda outra coisa que se possa contrapor ao petista, de forma civilizada e competitiva).

Além do mais, trata-se de converter o espantalho em uma marionete liberal e de trocar sua palha suja de décadas de discursos odientos e limpa de ideias.

Em março, abril, Luciano Huck era um rumor de festas e jantares de ricos. Em meados do ano, tornou-se um balão de ensaio, que subiu quando a bola de João Doria murchou um pouco. Huck e seus adeptos agora fazem o plano de negócios da candidatura: pesquisas de prospecção de viabilidade, momento de lançar o candidato, sob qual rótulo partidário etc.

Huck e Bolsonaro têm em comum apenas a possibilidade de virem a ser o anti-Lula, no entanto, é ocioso dizer, é um insulto comparar o apresentador de TV ao oficial subalterno do Exército.

Na elite política e econômica, Bolsonaro é resultado de selvageria e oportunismo políticos. Huck é de fato uma tentativa de recriar a política por fora do mundo da política, por mais artificial que por ora, pelo menos, pareça esse projeto.

O plano Huck envolve gente que considera ainda quixotescos projetos como o Partido Novo, da direita liberal, e que desistiu ou está à beira de desistir do sistema político que está aí, inclusive do partido que foi o representante normal da centro-direita no último quarto de século, o PSDB.

Gente que tanto apoia “start ups” políticas quanto quer resultados imediatos, com uma candidatura logo viável.

Não sabem dizer, no entanto, como vão converter Huck em um líder político de fato, quando não acabar por sugerir que planejam apenas criar uma espécie de rainha da Inglaterra do presidencialismo.

Não sabem dizer como é possível levar a “renovação” ao Planalto, à Presidência da República, com um Congresso que em 2019 não será muito diferente dessa turba degradada que temos hoje, uma massa de baixo clero sem bispos.

Para piorar, o problema não é apenas o Congresso, mas também o Judiciário e toda a relação entre Poderes.

Como também é o caso dos demais candidatos prováveis do “campo das reformas”, não sabem dizer de resto qual vai ser o programa político. O econômico, no essencial, parece óbvio. Mas o que se vai dizer a um eleitorado que, por enquanto, parece refratário a reformas?

Pode ser que a imagem das mudanças liberais tenha sido contaminada e empesteada por Michel Temer e cia., o seu governo repulsivo para quase o país inteiro.

É mais provável que o eleitorado queira saber de um plano que combine um plano econômico qualquer com soluções rápidas que, por ora, nenhum programa liberal sabe dar para a desgraça na saúde ou para a infraestrutura em ruínas, por exemplo.

Uma alternativa a um plano de recuperação econômica que até agora não repartiu a conta do prejuízo, por ora paga apenas com o couro do povo.

 

Fonte: Brasil 247/Ação Popular/Municipios Baianos

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