10/11/2017

Fraternos agregados e sempre unidos no sul da Bahia

 

A ação da Polícia Federal contra o casal de prefeitos de Porto Seguro (Cláudia Oliveira), Eunápolis (Robério Oliveira) e contra o irmão de Cláudia, Agnelo Santos, de Santa Cruz Cabrália, tem deixado muita gente ansiosa pelos desdobramentos. Como toda família, muitos agregados compunham a “cozinha” do casal. A lista não se restringe a político. Tem músico, dono de banda, trio elétrico, empresários de ramos diversos. Os numerosos “parceiros” estão agora trocando hinos do axé por orações... Fraternos no dos outros é refresco.

O lixo de Robério cheira mal há muito tempo

Não é de hoje que a história da coleta de lixo na cidade de Eunápolis, pilotada por Robério e Cláudia Oliveira, cheira muito mal. Fontes do BNews afirmam que se o Ministério Público remexer a coleta urbana, a coisa vai feder muito mais do que a família Oliveira imagina... Ah! Vai!

Extensão

É inevitável na política. A equação é fechadinha. Não tem jeito. Quem muito tem, se expõe. E o PSD baiano, com sua extensa lista de prefeitos e políticos, tem a capilaridade necessária para assegurar muitos votos, mas o telhado vai ficar fragilizado diante de um “pé-direito” alto em uma realidade política que mais parece encosta sustentada por manta. O caso do sul baiano expôs a legenda.

Prefeito de Santa Cruz Cabrália é apontado como chefe do núcleo empresarial do esquema

A Operação Fraternos, que investiga desvios de recursos públicos nas prefeituras de Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, afirma que o esquema era dividido em dois núcleos: o político e o empresarial. Em alguns casos, havia personagens que percorriam os dois segmentos, como é o caso do prefeito de Santa Cruz Cabrália, Agnelo Santos, que é apontado pela investigação como o coordenador do núcleo empresarial.

Agnelo é irmão da prefeita de Porto Seguro, Cláudia Oliveira, que é, por sua vez, esposa do prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira. Os três gestores foram afastados pelo Tribunal Regional Federal 1ª Região (TRF1) e alvos de mandados de condução coercitiva, mas não foram localizados em seus endereços. Posteriormente, ainda na terça-feira (7), quando a operação foi deflagada, Agnelo Santos se apresentou à PF. O casal Robério e Cláudia Oliveira se apresentaram somente nesta quarta (8).

O núcleo político, de acordo com as investigações, era formado por Robério Oliveira, Cláudia Oliveira, Agnelo Santos, Sílvio Naziozeno Santos e sua esposa Edna de Souza Alves Santos. A PF estima que o núcleo empresarial, liderado por Agnelo, seja formado por 33 pessoas.

Ainda segundo a Fraternos, empresas foram montadas com o objetivo exclusvio de fraudar o caráter competitivo das licitações e desviar os recursos públicos destinados à contratação dos serviços licitados. As prefeituras envolvidas contratavam empresas relacionadas ao grupo familiar para fraudar licitações, simulando a competição entre elas.

A investigação aponta que as empresas envolvidas no esquema eram: Basmar Construtora e Incorporadora, TWA Construções e Empreendimentos (atual Constante Construções e Serviços), Refratec Reformas e Manutenção Técnica, Litoral Sul Serviços Técnicos Especializados, OMG Construtora, LTX Empreendimentos Construções, Citrino Logística Serviços e Montagens, Star Multi Serviços e Produções, Stell Empreendimentos e Serviços, Top Dez Promoção de Eventos, Betopão Comercial, Integra GRP Soluções de Software, Katharina Transportes, Mais Construtora, OPF Construções, TL Mendes Duarte Turismo, Litoral Bahia Empreendimentos, Axé Eventos.

Investigados sacaram ao menos R$ 16 milhões em diversos bancos, aponta PF

16 milhões. Essa foi a quantia identificada pela Polícia Federal como sacada por investigados na operação Fraternos, deflagrada na última terça-feira (7) contra um esquema de desvio de recursos nas prefeituras de Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz Cabrália.

De acordo com a PF, o grupo desviou, desde 2008, ao menos R$ 200 milhões. As investigações apontam que as prefeituras envolvidas contratavam empresas relacionadas ao grupo familiar dos prefeitos para fraudar licitações, simulando a competição entre elas. Após a contratação, parte do dinheiro repassado pelas prefeituras era desviado, utilizando-se de “contas de passagem” em nomes de terceiros para dificultar a identificação do destinatário final dos valores arrecadados, que, em regra, retornavam para membros da organização criminosa, inclusive através repasses a empresa de um dos prefeitos investigados.

Conforme despacho da juíza federal Rogéria Maria Castro Debelli, que autorizou a operação, ao menos dez pessoas fizeram saques em instituições bancárias de valores que somaram os R$ 16 milhões. De acordo com a investigação, Ricardo Luiz Rodrigues Bassalo sacou R$ 5,3 milhões no período analisado; Margarete Marinho Santos, R$ 1,2 milhão; Rafaela Santos Reis, 1,6 milhão; Douglas Guerreiro Santos, 2,9 milhões; Vagner da Conceição do Espírito Santo, R$ 400 mil; João Lázaro de Assis, R$ 3,4 milhões; Josineto Leite de Jesus, R$ 250 mil; Maria Luiza Tosta, R$ 217 mil; Jorge Lima Batista, R$ 120 mil; e Márcio Puig, R$ 726,5 mil.

O documento obtido pelo BNews também traz a lista dos suspeitos que tiveram contra si mandados de busca e apreensão: Agnelo Silva Santos Júnior, prefeito de Santa Cruz Cabrália, com endereço residencial em Porto Seguro; Cláudia Oliveira, prefeita de Porto Seguro; James Almeida Mascarenhas, residente em Itaberaba; Robério Oliveira, prefeito de Eunápolis; Marcos da Silva Guerreiro, Margarete Marinho Santos, Ricardo Luiz Rodrigues Bassalo, Azeuane Belanisia de Jesus Pires, Deneson Marcio Rodrigues Bassalo, Douglas Guerreiro Santos, João Lázaro de Assis Sousa, Maria José de Jesus Santos, Tainan Belanisia de Jesus Santos, Naia Belanisia de Jesus Santos, Rafaela Santos Reis e Vagner da Conceição do Espírito Santo, todos em Salvador; Sílvio Naziozeno dos Santo e Antônio Fernando Pastore em Porto Seguro; Caique Max da Costa Santos, atualmente em Portugal; Herbert Jofre Santos Pinto, morador de Eunápolis; José Roberto Andrade de Oliveira, de Porto Seguro; Márcio Almeida Passos, residente em Nova Lima, estado de Minas Gerais; e Marcio Puig, morador de Porto Seguro.

Foram conduzidos coercitivamente: Ana Maria Miranda Longo, de Santa Cruz Cabrália; Angelo Suzart Gomes, de Eunápolis; Carlos Roberto Andrade Borges, de Lauro de Freitas; Danilo Lima Santos Guerreiro, residente em Itapuã, Salvador; Isac Santos Joaquim Boaventura, de Itamaraju; Isnar Augusto de Jesus Santos, em Eunápolis; Jonata Lima Santos Guerreiro, em Itapuã, em Salvador; Jorge Lima Batista, em Porto Seguro; Josineto Leite de Jesus, em Salvador, no Cabula; Luiz Felipe de Sales, em Porto Seguro; Maria Luiza Tosta, em Salvador; Odilardo Pimentel de Figueiredo Filho, no Alphavile I, em Salvador; Thiago Luiz Mendes Duarte, em Porto Seguro; Edna de Souza Alves, também em Porto Seguro.

Prefeito de Eunápolis tenta reverter afastamento no STJ

O prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira (PSD), recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de reverter seu afastamento determinado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) no âmbito da operação Fraternos, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (7).

O pedido de habeas corpus foi protocolado no STJ nesta quinta-feira (9). De acordo com fontes do BNews, o caso está sendo conduzido na capital federal pelo advogado Alexandre Jobim, filho do ex-ministro Nelson Jobim. Além de Robério, o pleito também requer a anulação do afastamento de Cláudia Oliveira do cargo de prefeita de Porto Seguro.

Robério Oliveira, sua esposa Cláudia Oliveira (PSD), prefeita de Porto Seguro, e o cunhado Agnelo Santos (PSD), prefeito de Santa Cruz Cabrália, foram afastados por envolvimento no esquema de desvios de recursos públicos nas três cidades.

Não posso fazer linchamento sem ouvir os acusados, diz Otto sobre prefeitos do PSD

Em entrevista ao apresentador José Eduardo, na rádio Metrópole, na manhã desta quinta-feira (09), o senador Otto Alencar (PSD) disse que só irá se posicionar sobre os prefeitos do PSD alvos da Polícia Federal nesta terça-feira (07) após ouvir a defesa dos três. “Não posso fazer linchamento sem ouvir os acusados, eles têm direito a defesa. Quando fui conselheiro do TCM, rejeitei as contas dele [Robério]. Mas não posso dizer que as conclusões são verídicas sem ouvi-lo. Mas gosto muito dele e isso é doloroso para mim”, declarou. Cláudia Oliveira (Porto Seguro), Robério Oliveira (Eunápolis) e Agnelo Santos (Santa Cruz) foram alvos de uma operação da PF por suspeita de fraudar licitação.

Otto reafirmou ainda que nunca indicou “ninguém para nenhuma prefeitura municipal”. “Cada um de nós constrói a nossa própria história, e cada um é responsável por aquilo que faz. Todos os recursos que administrei foram aprovados sem ressalvas”, prosseguiu.

Questionado sobre a composição da chapa majoritária do governador Rui Costa (PT) em 2018, o senador desconversou, afirmando que a única certeza é caminhar rumo à vitória de Rui, acompanhado por João Leão (PP). Informações de bastidores, no entanto, dão conta de que o pessedista tem espaço garantido para renovar o mandato no Senado.

Conheça os vice-prefeitos que poderão assumir Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz Cabrália

Flávio Baioco (PTN), Beto do Axé Moi (PP) e Carlos Lero (PSC) se preparam para assumir respectivamente a gestão de Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália após os prefeitos terem sido afastados pelo Tribunal Regional Federal durante a Operação Fraternos, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (07).

Baiôco é capixaba, tem 47 anos e, na época da época do lançamento da candidatura para o pleito de 2016, afirmou ao Radar 64 que não queria ser "vice decorativo". Em fevereiro de 2017, após a eleição, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recebeu uma denúncia de nepotismo na gestão de Eunápolis.

Com a denúncia, o Ministério Público recomendou que o irmão de Flávio, Rodrigo Baiôco, fosse exonerado do cargo na comissão de superintendente de gestão administrativa. “O vice-prefeito Flávio Baiôco também ocupa cargo de chefia, como secretário de Governo, estando aí claramente caracterizado o nepotismo”, pontuou o promotor de Justiça Dinalmari Messias segundo informações do Bahia Notícias.

Em Porto Seguro, quem vai assumir a gestão é Humberto Nascimento, 42 anos, reconhecido empresário da região, conhecido como Beto do Axé Moi. Desde a primeira vez que concorreu a vice-prefeito, em 2012, seu patrimônio teria aumentado em 326%, passando de R$ 398,4 mil declarados para R$ 1,3 milhão.

Na região de Cabrália, Carlos Lero, de 42 anos, afirmou em nota que durante o tempo que o prefeito Agnelo estiver afastado, pretende dar "continuidade ao bom trabalho que o prefeito vinha desenvolvendo". Ele assumiu gestão na quarta, em cerimônia realizada na Câmara Municipal. Para ele, o prefeito é inocente e irá provar isso perante a Justiça.

"Assim que Agnelo for absolvido, a sua cadeira estará pronta para recebê-lo, com o mesmo amor e carinho de quando assumiu o seu primeiro dia como Prefeito, eleito por nosso povo com mais de 70% dos votos válidos", declarou.

 

Fonte: BNews/Infosaj/Municipios Baianos

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