11/11/2017

The Economist chama Bolsonaro de 'demagogo de direita'

 

"Um demagogo de direita poderá ganhar as eleições do próximo ano?", pergunta a influente revista britânica The Economist, que publicou uma reportagem sobre as pretensões presidenciais do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), comparou o congressista com Donald Trump e recordou algumas passagens de sua biografia.

Para a The Economist, Bolsonaro quer ser o Trump brasileiro, mas tem uma retórica "ainda mais indecorosa". A revista acompanhou a chegada do político no aeroporto de Belém, no Pará, e afirmou que ele foi recebido como um "herói voltando para casa".

O título da reportagem é "Ele não é o Messias. Ele é um menino travesso".

"Um nacionalista religioso e ex-capitão do Exército, ele é anti-gay, pró-armas, e faz apologia de ditadores que torturaram e mataram brasileiros entre 1964 e 1985. Ele se coloca contra a elite política do país, cujo modus operandi foi exposto pelos três anos da Operação Lava-Jato", diz a revista.

A publicação recordou passagens polêmicas da carreira de Bolsonaro, como a menção ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016 e a afirmação de que não estupraria Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merece.

A The Economist ainda pontuou que o deputado é o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, atrás apenas do ex-presidente Lula. Ainda assim, avaliou que as pesquisas são imprecisas porque as eleições ainda estão longe.

Nas entrevistas, as limitações de Bolsonaro ficam cada vez mais evidentes

Bastou um “Oi?” espantado da jornalista para Jair Bolsonaro viralizar nas mídias sociais – mas, desta vez, de um jeito bem diferente do que ele está acostumado. Em vez de atacar rivais, as páginas de apoio ao presidenciável pró-ditadura tiveram que defender seu candidato. O motivo? Sua admissão pública de que não entende nada de economia. A repercussão negativa da entrevista reforçou a hipótese de que quanto mais Bolsonaro se expuser a perguntas, mais solavancos sua candidatura sofrerá.

O deputado e militar reformado enfrenta um dilema. Se quiser voltar a crescer na preferência dos eleitores, ele precisa se popularizar. Campanha pela internet, onde Bolsonaro produz mais interações do que qualquer outro candidato a presidente, é boa para quem pede voto porque não há contraditório. Ele só fala o que quer e não ouve o que não quer. Mas a campanha virtual tem limites: só atinge o eleitorado das classes de consumo A, B e C.

CLASSES SOCIAIS

Eleitores maduros e pobres, das classes D e E, não passam o dia no Facebook ou no Instagram, como o jovem e típico eleitor de Bolsonaro. Os bolsonaristas são quatro vezes mais comuns entre os mais ricos do que entre os mais pobres, segundo o último Ibope: 24% a 6%, no cenário com Lula e Alckmin. Por conta dessa elitização, o “buzz” sobre Bolsonaro é três vezes maior nas mídias sociais do que nas pesquisas de intenção de voto.

Essa super-representação na internet faz a candidatura do militar reformado parecer maior do que é. As carências não ficam evidentes, mas existem. Sem um partido grande para lhe dar palanque e estrutura de campanha nos Estados nem tempo de propaganda na TV e rádio, restam poucos meios para o deputado atingir o eleitor pobre: as entrevistas na mídia tradicional e, quando a campanha começar oficialmente, os debates na TV. O episódio de sexta-feira mostrou que aí ele pode se complicar.

NÃO CONVENCEU

Bolsonaro respondia descontraidamente a perguntas dos telespectadores lidas pela jornalista Mariana Godoy. Até que apareceu uma pegadinha: “Qual sua opinião sobre o tripé macroeconômico?”. A primeira reação do deputado foi rir. Depois, terceirizou a resposta: “Quem vai falar de economia por mim é minha equipe econômica no futuro”. Mas não parou por aí.

“O pessoal exige de mim conhecimento em economia, então teria que exigir entendimento em medicina: eu vou indicar o ministro da Saúde.” Continuou eximindo-se da necessidade de falar sobre temas técnicos e exaltando o desempenho econômico dos presidentes militares. Foi aí que a entrevistadora soltou o “Oi?” estupefato e espontâneo que fez a alegria da internet. “Deixaram o Brasil com muita inflação; fizeram a dívida externa”, rebateu. Bolsonaro bem que tentou, mas não foi convincente na tréplica.

DEFESA NA WEB

Os bolsonaristas acusaram o golpe. O incômodo ficou evidente pela quantidade de memes sobre o assunto que eles publicaram no Facebook desde então. Todos tentam desqualificar ex-presidentes em matéria econômica, para equipará-los a seu candidato. Mas nenhum ousou fazer o que nem Bolsonaro teve coragem de arriscar: dizer que ele entende do assunto.

Com 13% a 18% das intenções de voto no Ibope – dependendo do rol de adversários –, Bolsonaro está no limiar da passagem para o segundo turno. Excluindo-se quem diz que vai votar em branco ou anular, ele tem entre 16% e 19% do que seriam os votos válidos, nos cenários com Lula candidato. Por comparação, o petista passou ao turno final contra Collor em 1989 com 17%.

Diante do seu desempenho de sexta e da falta de voto dos demais candidatos, Bolsonaro poderia se dar ao luxo de restringir sua campanha à internet e evitar novas entrevistas. Vai que ouve outro “Oi?” por aí.

Guru de Bolsonaro: mulher ganha menos porque “há menos mulheres geniais”

O economista Adolfo Sacshida, atual guru econômico de Jair Bolsonaro, gravou um 2013, um vídeo onde reconhece que as mulheres têm salários menores que os homens mas nega que haja uma discriminação no mercado de trabalho.

Claro, ele passa pelas explicações convencionais (e discriminatórias) de que a mulher não pode ter o mesmo “plus” de produtividade – que em princípio seria igual, mas, no caso delas, limitadas pelas tarefas domésticas – ou  não querem trabalhar mais horas porque vão cuidar da casa e dos filhos,  ou porque largam o trabalho, na idade mais produtiva, para engravidar, ter filho e cuidar dele por um tempo, ou porque têm maior custo com licença-maternidade, ou por “levar o filho ao médico”.

Mas tem uma que eu nunca tinha ouvido, nem dos maiores energúmenos, que está aos 4’35” do vídeo. Diz Sachsida que a inteligencia da mulher, em média, é igual à do homem. Muito bem, “Seu” Sachsida, parecia que o senhor iria dizer alguma coisa útil afinal…

Mas veja o que ele diz: como existem muitos homens”otários” e muito menos mulheres imbecis, para que a média seja igual, há muito mais homens geniais do que mulheres geniais, que não são tantas quanto eles! Uau!

A conclusão, claro é que “quando mais proteção você derem às mulheres, maior vai ser o desemprego entre as mulheres”.

Eu não sei em que ponta colocar o guru de Bolsonaro, mas como ele mesmo diz que há muitos homens imbecis, suponho que esteja com a maioria.

O único consolo que se tem diante de tanta asneira é o comentário de um economista que conhece o Dr. Sachsida e que me chegou por um amigo: “a coisa boa nisso tudo é que, se o Saschida está no meio, não tem risco de dar certo”.

Após vexame em entrevista, Bolsonaro imita Lula e lança “carta aos brasileiros”. Por Kiko Nogueira

Ninguém pode acusar Bolsonaro de ausência de megalomania e noção. A sua última jogada de gênio é imitar Lula. Na quarta, 8, ele divulgou sua versão da Carta ao Povo Brasileiro, batizada de Comunicado aos Cidadãos do Brasil.

É uma resposta óbvia ao vexame diante de Mariana Godoy em entrevista à RedeTV. Jair diz, no plural majestático, que “entendemos o interesse da sociedade pela equipe de acadêmicos e profissionais que estão integrando nosso time”. “Nesse sentido, podemos antecipar que já contamos com um sólido grupo, composto por professores de algumas das melhores universidades do Brasil e da Europa”.

Nomes?

Misteriosamente, talvez com receio de queimar o filme, JB não cita seu guru Olavo de Carvalho. Apenas uma estrela é revelada: “Nos últimos dias o Dr. Adolfo Sachsida foi apresentado pela imprensa como o ‘conselheiro’ do deputado Jair Bolsonaro. Conforme nota já divulgada, houve sim conversas com o talentoso economista.”

O “talentoso” Sachsida, adepto da Escola Sem Partido, tem alguns vídeos espetaculares na YouTube, entre os quais a mistificação auto indulgente de todo extremista de direita de que o nazismo era de esquerda. “Hitler adorava Marx”, afirma.

O fã declarado do torturador Ustra e da ditadura militar garante  que “nenhum dos membros dessa equipe defende ideias heterodoxas ou apreço por regimes totalitários”. A nota, cujo impacto foi zero, foi divulgada no site direitista “Antagonista”, que tem entre seus quadros Felipe Moura Brasil, pupilo de Olavo, ex-blogueiro da Veja e defensor de toda e qualquer estupidez que o candidato profere.

Como tudo o que é ruim sempre pode piorar, a coisa teve a colaboração de seus filhos Eduardo, Flávio e Carlos, não exatamente famosos por suas virtudes intelectuais. Nas redes, Eduardo afirmou que “tem se encarregado pessoalmente com pessoas da área econômica para aproximá-las de Jair Bolsonaro”. Tudo está sendo feito “nos bastidores, de maneira discreta, sem esperneio ou holofotes”.

JB, como Lula, tenta acalmar o “mercado”. Se, no caso de Lula, havia um medo de que ele desse uma guinada à esquerda, no de Bolsonaro o pânico é, sobretudo, de sua burrice. E aí não há cartinha de amor que resolva. Talvez uma junta médica.

 

Fonte: Sputinik Brasil/Estadão/Tijolaço/DCM/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!