11/11/2017

Bahia vai ampliar ensino de saúde em hospitais

 

Com o objetivo de beneficiar estudantes de universidades estaduais, o governo da Bahia deve começar a cobrar de instituições privadas pelo acesso dos estudantes na rede pública de saúde para programas de estágio.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, a alteração deve ter validade a partir de 2018.

"Nós queremos colocar a rede à disposição e ampliar o ensino de saúde dentro das nossas unidades. Essa é uma decisão de governo que vem sendo construída com o governador Rui Costa há dois anos. Para que isso possa ser realidade, a partir de 2018, nós vamos restringir o acesso de estudantes de escolas privadas na rede pública [de saúde] do estado da Bahia, passando a cobrar dessas escolas privadas uma remuneração pela presença desses estudantes na nossa rede e reservando as principais unidades para as universidades públicas", explicou.

Vilas-Boas acrescentou ainda que os recursos obtidos a partir da iniciativa devem garantir parte do investimento em capacitação e contratação de novos preceptores, que devem atuar nos hospitais, além da ampliação do número de bolsas de residência na área.

"Há um forte compromisso em ampliar o ensino em nível de graduação e residência médica nos nossos hospitais, trazendo mais especialistas qualificados para trabalharem no mercado de saúde da Bahia", ressaltou.

Como parte das ações para alcançar esse objetivo, o governo irá inaugurar o Hospital Costa do Cacau, em Ilhéus, que será o primeiro da Bahia pensado para o ensino desde sua criação.

Sua estrutura contará com salas de aula, auditórios, salas de discussão de casos em cada enfermaria e dormitório para os alunos, por exemplo.

A visita realizada na última semana a Cuba deve auxiliar o governo a implantar essa nova proposta.

Vilas-Boas, Rui Costa e os reitores das quatro universidades estaduais baianas buscaram conhecer o modelo utilizado no país. Segundo o secretário, lá "o ensino de saúde é feito em todos os hospitais e unidades de saúde".

"Em Cuba, o serviço de saúde está dentro da universidade. Toda unidade de saúde é uma unidade de ensino, com estudantes. A gente foi lá entender como funciona isso, porque é muito difícil fazer com que instituições que cresceram separadas, como é o caso da rede pública de saúde e as universidades, consigam se integrar", pontuou o secretário.

Segundo Vilas-Boas, os investimentos para a concretização do objetivo serão oriundos do orçamento da própria Secretaria de Saúde.

Governo inaugura, até o fim do ano, seis novos equipamentos de saúde na Bahia

O governo do Estado inicia neste mês a inauguração de quatro novas policlínicas e dois hospitais, que devem impactar no atendimento de 4 milhões de baianos. Serão inauguradas as policlínicas de Teixeira de Freitas, na próxima sexta-feira (17), e de Guanambi, em 24 de novembro. Já no mês de dezembro, serão inaugurados os hospitais de Seabra e Ilhéus, além das policlínicas de Irecê e Jequié.

As obras e equipamentos foram custeados com recursos do governo estadual, enquanto a manutenção mensal será rateada entre Estado (40%) e municípios consorciados (60%).

"A saúde é uma das áreas prioritárias da nossa gestão. A construção das policlínicas é um exemplo disso. Por atenderem não só um município, mas a toda uma região, terão enorme impacto na ampliação do atendimento e na qualidade do serviço prestado à população. O paciente não precisará se deslocar por grandes distâncias para buscar o tratamento que necessita", afirmou o governador Rui Costa. As novas unidades de saúde vão oferecer consultas em até 18 especialidades diferentes para cerca de 2 milhões de baianos, além de exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, ecocardiografia, eletroencefalograma, endoscopia e colonoscopia.

Acidente de trânsito vira doença de notificação obrigatória na Bahia

A Bahia é o primeiro estado do Brasil a incluir os acidentes de trânsito na lista de doenças de notificação compulsória (obrigatória), para interesse de saúde pública. A portaria, assinada pelo secretário estadual da Saúde, Fa´bio Vilas-Boas, foi publicada nesta sexta-feira (10), no Diário Oficial do Estado, e busca aperfeiçoar as estatísticas do setor e avançar no mapeamento das localidades e zonas de maior incidência.

Graças aos registros do sistema de informações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível estimar com considerável precisão o número de mortos por acidentes de trânsito e, mais especificamente, de motocicletas. No entanto, de acordo com o secretário, as vítimas não fatais são de difícil mensuração. “Com esse decreto teremos números mais precisos, pois a notificação compulsória é obrigatória para os profissionais de saúde e responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde. Sabemos que a subnotificação é gigantesca, mas se aceitarmos os números oficiais de feridos internados, teremos aproximadamente para cada um morto, cerca de 20 a 25 motociclistas sobreviventes no Brasil”, explica Vilas-Boas. O secretário ressalta ainda que hoje não é possível identificar os casos de acidentes de trânsito que dão entrada nos hospitais, pois são registrados como politraumatismo, traumatismo craniano ou fraturas de membros e não como acidentes de trânsito. 

Apenas na Bahia, entre os anos de 2000 e 2017, foram registradas 34.534 mortes em acidentes de trânsito, o equivalente à população de cidades baianas como Cachoeira ou Riachão do Jacuípe. Deste total, 6.695 pessoas estavam dirigindo motos, enquanto 12.080 eram ocupantes de carros.

Se o número de mortos surpreende, o de acidentados é de assustar. Apenas nos seis primeiros meses de 2015, o Hospital Geral do Estado (HGE), na capital, bem como o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, Hospital Geral de Camaçari (HGC) e o Hospital Geral de Guanambi (HGC) registraram 3.571 acidentes envolvendo motociclistas, o que dá uma média de quase 20 entradas na emergência por dia.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego seção Bahia (Abramet-Ba), Antonio Meira Júnior, explica que não haverá dificuldade na implementação do decreto nas unidades de saúde, visto que o Código Internacional de Doenças (CID) já permitia isso, apesar da pouca utilização. “No preenchimento dos documentos médicos, o CID: V23.4 especifica, por exemplo, motociclista traumatizado em colisão com um automóvel (carro), pick up ou caminhonete, mas, às vezes, o registro era feito com outro código”, pontua.

HGRS comemora indicadores positivos dos primeiros seis meses da UTI neurológica

"No dia da alta hospitalar da minha filha, quando o médico olhou para ela, eu senti que ele estava com vontade de chorar. Após um mês e quinze dias de internamento, não tinha como esconder a emoção ao ver Emily com os movimentos recuperados e a fala voltando a aparecer". O depoimento é de Marileia dos Santos Ferreira, a diarista que se viu desesperada quando, devido a uma infecção cerebral, sua filha de 15 anos parou de se mexer e de se comunicar com a família. A jovem precisava, com urgência, fazer uma drenagem e foi, então, encaminhada para a recém-inaugurada Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neurológica do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

Assim como Emily, quase três centenas de pessoas com comprometimentos neurológicos tiveram a oportunidade de receber assistência especializada nos primeiros semestre de funcionamento da unidade. Até o mês de outubro, 270 pacientes foram atendidos pela equipe da UTI neurológica do HGRS. Desses, 243 receberam alta hospitalar, com 24 saindo diretamente para casa.

Entregue pelo governador Rui Costa em maio deste ano, o equipamento possui dez leitos de terapia intensiva, com atenção exclusiva para o pré e pós-cirúrgico, além de casos de hemorragia cerebral, por hipertensão ou por aneurisma, e de pacientes em coma. O espaço inclui posto de enfermagem, quarto de isolamento, vestiários, coordenação médica e de enfermagem e sala de entrevista.

Primeira unidade especializada deste tipo na rede pública da Bahia, a UTI Neurológica do HGRS foi projetada para tornar o hospital cada vez mais vocacionado nesse tipo de atendimento. O HGRS é referência em mais de dez especialidades e atende 80% da demanda neurológica da Bahia.

A estrutura da unidade, inclusive, também foi motivo de tranquilidade para Léa, que não esperava encontrar tanto conforto. "No primeiro momento, eu fiquei surpreendida. É tudo de primeiro mundo. Se eu já estava encantada com o local, o atendimento me fez admirar por completo o Hospital Roberto Santos. Não ficamos sozinhas nem por um minuto, os médicos e enfermeiros estavam sempre ao nosso lado. São verdadeiros anjos, que abraçam, mas também sabem ser sinceros. Fui bem informada sobre a real situação da minha filha desde o dia que ela chegou ao hospital. Até hoje, converso com os médicos. Tenho os telefones deles e trocamos mensagens, eles gostam quando mando fotos atuais de Emily", conta ela.

Diretor-geral do HGRS, o anestesiologista José Admirço Lima Filho sente orgulho da contribuição que a UTI neurológica oferece para a sociedade: "são leitos dedicados aos pacientes que necessitam de um cuidado diferenciado. Nossos profissionais são especialistas de neurologia. Poucos hospitais têm a qualidade e a tecnologia que temos aqui hoje".

O gestor festeja, ainda, os ganhos indiretos com o trabalho da equipe. "Nesses seis meses, foram fechados 17 protocolos de morte encefálica, com cinco doações de múltiplos órgãos. Infelizmente, tivemos sete pacientes com impeditivos clínicos para doação de órgãos. A tendência é que cresçam os números de captações vindas da UTI neurológica e, aí, teremos condições de salvar mais e mais vidas", avalia José Admirço.

Comemoração

A comemoração dos seis meses de inauguração da UTI Neurológica do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) acontecerá no dia 14 de novembro, em cerimônia programada para às 13h, na própria unidade. Na ocasião, serão exibidos os indicadores, pesquisa de satisfação e cartilha informativa do usuário. Haverá, também, homenagem aos pacientes, lançamento do programa Acolher Pensamentos (voltado para o usuário e familiares) e apresentação musical dos enfermeiros Rodrigo Moura e Geysimara Santos.

 

Fonte: BN/Ascom Sesab/Ascom HGRS/Municipios Baianos

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