11/11/2017

Lençóis: Prefeito enfrenta mais uma batalha judicial

 

O município de Lençóis, na Chapada Diamantina, está mais uma vez em uma ‘tormenta’ política com o julgamento, na próxima semana, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do recurso especial de nº 144, uma ação cautelar que tem como tema a candidatura do prefeito da administração ‘Do jeito que o povo quer’, Marcos Airton Alves Araújo (PRB), o popular Marcão. Para a gestão municipal, o julgamento, que acontece em Brasília, será a chance de manter de uma vez a decisão popular definida através da vitória nas urnas.

Conforme documento enviado ao Jornal da Chapada, argumentos utilizados em outras ocasiões pelos advogados da candidata Vanessa Senna (PSD) neste caso teriam sido esclarecidos, como o caso da lei autorizada pela Câmara de Lençóis para contratação e abertura de crédito suplementar.

Marcão foi o candidato vencedor nas urnas em 2016, e no último dia 7 de julho, em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu liminar na ação cautelar que garantiu a posse do político eleito após o imbróglio judicial criado pela chapa de Vanessa. A notícia da posse do prefeito foi recebida com festa à época.

Ibiquera: Prefeitura consegue regularizar situação em cadastro federal e se torna ‘ficha limpa’

O Cadastro Único de Convênios (Cauc), espécie de ‘Serasa’ das prefeituras brasileiras, do município de Ibiquera, localizado na Chapada Diamantina, foi regularizado pela administração ‘Nasce uma Nova Ibiquera’, do prefeito Ivan Almeida (PMDB) esta semana. O Cauc estava há mais de oito anos pendente. A prefeitura de Ibiquera agora está apta a receber repasses de verbas federais.

Regularizar essa situação foi uma das prioridades estabelecidas pelo prefeito em sua gestão, facilitando a chegada de novos recursos e projetos. O secretário municipal de Administração e Finanças, Carlos Cezar de Almeida, enfatizou que a gestão ‘Nasce uma nova Ibiquera’ fez do município um dos poucos adimplentes no Brasil’ e que pode receber recursos federais.

Atualmente mais de 80% das prefeituras estão inadimplentes. “A gestão capitaneada pelo prefeito Ivan Almeida, com grande determinação, cumpriu suas metas e o compromisso de zerar o Cauc, o que significa ter uma gestão que respeita a fiscalização e tem compromisso com a Lei de Responsabilidade Fiscal”, finalizou o Secretário.

Vale ressaltar que a prefeitura tinha diversas anormalidades deixadas pela gestão anterior e que, segundo o secretário, totalizaram 36 irregularidades sanadas, entre débitos, falta de prestação de contas, falta de publicidade e falta de cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Iraquara: Prefeito grava áudio e culpa o governo Rui por retirar famílias de área ocupada

O prefeito do município de Iraquara, na Chapada Diamantina, Edimário Novais (PSD), emitiu um áudio e um vídeo (de rede social) para a população dizendo que nunca entrou na justiça para reaver o terreno de fazenda inativa da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) ocupada por 1,8 mil famílias do Movimento de Sem Teto (MSTS). Ele afirmou que o caso é de responsabilidade do governo de Rui Costa (PT). Nesta sexta-feira (10), as famílias que ocuparam o terreno da EBDA disseram que foram alvo de intimidação e que a ação era uma questão política, já que não havia documento algum de reintegração de posse nem aviso prévio. No áudio encaminhado ao Jornal da Chapada, o prefeito ainda diz que o governo do Estado tinha de olhar mais para a “classe pobre”.

“Eu não entrei em momento nenhum na Justiça [para fazer a retirada das pessoas que lotearam terreno do governo] porque o Estado, desde quando cheguei em Iraquara, há mais de 30 anos, que conheço esse terreno. Uma área muito grande e quase nenhum benefício. Nada mais justo do que o governo já tivesse feito um projeto de moradia para famílias carentes, que tanto tem no município de Iraquara. Digo isso porque vim de família pobre e sei as dificuldades que tem um cidadão de família sem ter onde morar”, salienta o gestor do PSD.

“O governo do estado, o poder público em geral, tem de olhar mais para a classe pobre. São essas famílias que precisam do nosso apoio, tanto do governo do Estado, como do Governo Federal. Dar o lote de terra para essas famílias, talvez seja um pouco mais difícil dar uma casa completa para todos cidadãos do país. O que acho que deveríamos que ter é o Estado, ou o Estado passar para o município, e se organizar e dar um lote de terra para quem precisa. Não sou a favor de tirar ninguém à força”, pontua.

Mais denúncias

Em outro áudio, enviado por membros do MSTS, que ocupam a área da EBDA em Iraquara, uma nova denúncia chamou a atenção. Alguns moradores da cidade confirmam “o uso da máquina pública para beneficiar determinados setores da sociedade, enquanto a população se humilha para atendimento em hospital”. O áudio vai de encontro com o que divulgou o prefeito Edimário e acusa até senador da República de comandar a cidade.

Segundo as informações, o mesmo grupo que quer o terreno da EBDA é o grupo que comanda a saúde de Iraquara. “E da educação, dos carros de linha para transportar alunos. Dizem que Lajedinho é de Otto Alencar e aqui também dizem isso. O hospital é comitê em época de campanha”, diz um morador em áudio. Membros do MSTS dizem que o povo não reivindica hospital com medo de represálias. “O hospital não é público, é particular. O comando é dele [do prefeito Edimário]. Atende pelo SUS [Sistema Único de Saúde], mas o comando é dele. Então as pessoas têm medo. Principalmente se tem familiar idoso”, aponta outro trecho do áudio.

Ainda no arquivo enviado ao Jornal da Chapada, um dos moradores faz uma curiosa análise política e lembra que ano que vem é ano eleitoral. “Não reivindicamos porque o Estado hoje é comandando por Otto Alencar. Então esse cara do PT [de Iraquara] que está no jogo foi usado para enfraquecer o PT na cidade. Otto Alencar hoje está do lado do governador, mas e amanhã? Ao longo da vida ele teve como? Era do outro lado. Da direita. Quem diz que ele está satisfeito e na próxima não vai votar com ACM Neto? Aí, o interior da Bahia é dele. Diz que o bom filho a casa retorna. Porque uma ação dessa aí do governo do PT [é desproporcional] – anda falando que é o governo que mais construiu moradia e acontece uma coisa dessa”.

Filme gravado na Chapada Diamantina estreia quinta-feira em São Paulo

Os atores Rose Lane e Ricardo “Boa Sorte” Xavier, de Lençóis, protagonizam Baderna, filme gravado na Chapada Diamantina que estreia nesta quinta-feira (16) em São Paulo. Rose faz o papel da bailarina italiana Marietta Baderna, exilada no Brasil durante o século 19, que revolucionou o balé clássico ao abraçar os ritmos populares. “Boa Sorte” representa Obaluaê, o orixá da cura, que visita a cidade de Baderna para curá-la dos males do século 21.

O filme será exibido pela primeira vez no Teatro de Contêiner, uma ocupação artística no Centro paulistano. Na linha do Cinema Novo, o longa-metragem locado em Lençóis, Vale do Capão e Igatu retrata manifestações culturais da região, misturando realidade e ficção para narrar a chegada de Obaluaê. A exibição começa às 20h, seguida de debate com os realizadores (o diretor Bruno Graziano e o jornalista Bruno Cirillo).

“Pra mim foi um grande prazer representar uma revolucionária. Eu já conhecia a história de Marietta Baderna, e na pesquisa do filme passei a admirá-la ainda mais”, conta Rose, atriz de teatro e educadora do projeto Grãos de Luz e Griô, em Lençóis. “Foi minha primeira participação num longa-metragem, uma grande oportunidade de trabalhar no que amo, que é ser atriz, sem sair do meu lugar, da minha história e identidade”, acrescenta ela.

A personagem de Rose se exilou no Brasil durante a Unificação Italiana, período em que a Itália estava sob a ocupação da Áustria. Com o título de primeira bailarina absoluta, era admirada pela Corte e os intelectuais da época. Apesar do balé clássico ser a dança considerada nobre, Marietta Baderna preferia os ritmos populares, como a cachuca, umbigada e lundum. Com isso, desagradou a aristocracia e tornou-se musa dos negros ainda escravizados pelo Império Português.

Para o ator Ricardo Boa Sorte, educador do Grãos de Luz e Griô, Baderna também foi a primeira experiência com um longa. “Foi um processo bem colaborativo”, ele lembra. “Gostei muito desse processo de gravar, construir o roteiro e a narrativa durante a produção, como uma família.” Obaluaê, o orixá representado por Boa Sorte, é um dos mais importantes do candomblé baiano. Representa o poder de cura que remonta às suas histórias – um guerreiro doente curado por outros orixás. “Interpretá-lo foi um desafio”, diz Ricardo, “estou muito feliz por ter conseguido.”

As filmagens de Baderna aconteceram no início do ano na Chapada Diamantina, Bahia, com abordagens documentais e a participação de atores da região. Capoeira, maracatu e jarê (o candomblé de caboclo da região) são algumas das manifestações culturais presentes no doc-ficção, bancado com recursos próprios. O roteiro, produzido a quatro mãos ao longo da montagem, partiu da memória da bailarina italiana Marietta Baderna (1828-1870), amante dos ritmos afro-brasileiros.

“A história da bailarina foi o ponto de partida para a idealização do filme”, conta o diretor de Baderna, Bruno Graziano. “Por coincidência, é o mesmo nome de uma da ruas centrais da cidade de Lençóis, capital turística da Chapada Diamantina, onde foi feita a maior parte das filmagens. O argumento de Baderna foi maturado ao longo de um ano, com diversas reuniões, dois meses de pré-produção, cinco semanas de filmagem (28 diárias), cinco meses de montagem e um mês de pós-produção. Foram investidos 31 mil reais, sobretudo em logística, cachês e serviços de finalização.

Graziano explica que Baderna integra uma série de filmes que vêm sendo feitos por um grupo de cineastas independentes com a insígnia de Cinema Suado, como Largou as botas e mergulhou no céu (2016), que estreou no Espaço Itaú e teve a presença ilustre do diretor pernambucano Cláudio Assis. “São atos cinematográficos fora da academia, através da oralidade e das vivências reais pelo país, com honestidade e paixão. Usamos cachês da publicidade para fazer cinema independente”, conta o cineasta, dono da produtora Controle Remoto.

Chapada: Trabalho de brigadistas é fundamental para combate a incêndios florestais

Por 12 dias, brigadistas atuaram de forma ininterrupta para conter o incêndio que atingiu a região da Chapadinha, localizada ao sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Cerca de mil hectares foram atingidos e o prejuízo não foi maior, graças ao trabalho engajado de muitas pessoas. “Os brigadistas são os protagonistas dessa ação. Todos os dias tivemos cerca de 30 voluntários e 50 contratados do Ibama e ICMBio”, afirma a chefe do PNCD, Soraya Martins. “E nós ficamos com a responsabilidade de garantir a coordenação estratégica e a logística de transporte e suprimento para eles”, completa.

Para a chefe do Parque Nacional, que possui experiência na gestão de unidades de conservação em outros estados, o engajamento local é admirável. “Recebemos voluntários de diversos municípios do entorno, até dos mais distantes, que encararam, em alguns casos, mais de três horas de viagem, somadas a mais duas de caminhada até o local do incêndio”. Um trabalho árduo que é realizado por amor a natureza, como afirma Cid, brigadista contratado do ICMBio e também membro da Brigada Carcará, de Palmeiras, que acaba de passar dez dias consecutivos em combate. “Eu luto por diversos motivos: para defender as nascentes e garantir água para as futuras gerações, pelos animais e porque, desde pequenino, o PNCD me traz felicidade e bem-estar”.

Para Augusto Galinares, presidente da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL), a sua motivação vem da vontade de defender o lugar onde vive. “É a minha forma de contribuir para a preservação do meio ambiente e é algo que sinto muito orgulho em fazer”, destaca. O brigadista também afirma que, por mais que existam as brigadas contratadas, “todos nós temos um limite”, já que o trabalho é extremamente exaustivo. “Em um grande combate, é inevitável que sejam necessárias mais pessoas para contribuir”. A presença das brigadas em todo o território vem surtindo efeito ao longo dos anos. Segundo Luiz Coslope, gerente de fogo do PNCD e chefe de operações do combate, “em 2002, chegamos a registrar 250 focos, mas no ano passado nossas brigadas, contratadas e voluntários, atuaram em cerca de 30”, afirma.

Para a chefe do Parque, isso se deve a uma mudança na postura das comunidades locais, que não toleram mais as práticas que colocam a região sob risco de incêndios florestais. “Todos os brigadistas têm papel fundamental nessa mudança”, afirma. Em 2015, em entrevista à revista Época, o promotor regional de Meio Ambiente, Augusto Matos, afirmou que os brigadistas “são a maior força humana” contra os incêndios na Chapada Diamantina. Além do combate direto, voluntários reforçaram outras frentes importantes, como a logística, manutenção de veículos e transporte. O fogo foi controlado no dia 31 de outubro e, após 72 horas de monitoramento, foi considerado extinto. “O clima é de missão cumprida!”, diz Soraya.

 

Fonte: Jornal da Chapada/Municipios Baianos

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