11/11/2017

Correntina: Vice nega patrocinar destruição de fazenda

 

Vice-prefeito da cidade de Correntina, no oeste da Bahia, Michael Delgado (PV), negou ter patrocinado o ato que destruiu parte da fazenda Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda. O ato aconteceu no último dia 2. Delgado foi chamado para depor à Polícia Civil. Em entrevista ao bahia.ba, ele disse ter sido arrolado ao caso por ser “liderança política, vice-prefeito, do PV e defensor do meio ambiente”. “Eu disse à política que não participei da manifestação, não apoiei e não financiei. Quem fez, não me procurou e nem me pediu ajuda. No dia do que aconteceu eu estava com amigos, em uma confraternização, e lá passei o dia todo. Eu só fiz declarações para defender o povo, que foi chamado de terrorista e outras coisas”, afirmou.

O pevista rechaçou ainda a fala de políticos sobre o caso. “Tem gente em Correntina que viveu a vida toda na beira do rio para poder sustentar filhos e netos. Meu povo não é terrorista e sim trabalhador. Claro que ali no ato tinha gente boa e ruim, mas eu não concordo com vandalismo”, asseverou. Neste sábado (11), segundo o vice-prefeito, uma “manifestação ordeira e com meu apoio” vai acontecer na cidade. “Convidei o bispo da cidade e um juiz federal, pois será uma coisa ordeira. Vamos protestar, mas em paz”, pediu. Esta semana, aliados de Michael Delgado saíram em defesa dele: o deputado estadual Marcell Moraes disse que “invadiria” a fazenda para proteger o meio ambiente e o deputado federal Uldurico Junior o parabenizou.

Após aliado ser acusado, deputado diz que também invadiria fazenda

Aliado do vice-prefeito de Correntina, Michael Delgado (PV), o deputado estadual Marcell Moraes (PV) saiu em defesa do aliado. Delgado foi intimado pela Polícia Civil após ser apontado como o responsável pelo ato que destruiu equipamentos em fazendas da região, na última quinta-feira (2), e causou um prejuízo estipulado em R$ 60 milhões. “Como ambientalistas estamos indignados com o que está ocorrendo em Correntina. Fala-se em prejuízos de 60 milhões, mas quantas pessoas e animais já morreram pelo desvio das águas na região, sem ter o que comer ou beber? Quanto o meio ambiente já foi prejudicado pela ação do homem? Estas são perdas incalculáveis. Agora querem criminalizar quem está lutando por sua sobrevivência e pela conservação das riquezas naturais da região. Eu, como ambientalista, apoio a manifestação e presto todo apoio e solidariedade ao vice-prefeito Michael Delgado. Para defender o meio ambiente, também invadiria”, garantiu Moraes.

Durante sessão no plenário da Câmara Federal nesta quinta (9), o deputado Uldurico Junior, também aliado do vice-prefeito, declarou apoio a Michael. “Parabenizo o vice-prefeito pela coragem em ficar ao lado da população de Correntina quando tudo e todos se voltaram contra eles. Estamos aqui em defesa dos nossos rios e do nosso meio-ambiente”, afirmou. Outro parlamentar que “parabenizou” o ato foi o deputado federal petista Valmir Assunção. “Aquilo lá foi desobediência civil, que é fundamental e necessário realizar em todos os lugares. Quero parabenizar todos e todas que participaram do ato”, disse, em pronunciamento.

Governador reúne grande aparato policial em Correntina

O governador Rui Costa se preparou com um grande aparato policial para enfrentar as manifestações marcadas para amanhã. Ontem chegaram tropas do Choque da Polícia Militar e um ônibus de policiais civis. Hoje foi a vez do helicóptero da PM fazer voos sobre a cidade.

Diz um informante de O Expresso que muita gente já desistiu da manifestação ambiental de amanhã, com temor que o evento se transforme em confronto.

A verdade é que, se o Governador mantivesse 1/3 do número de funcionários públicos no controle da preservação do meio ambiente, nada disso teria acontecido.

Desmatamento no Cerrado foi maior do que o da Amazônia em 15 anos

O Cerrado perdeu 236 mil quilômetros quadrados de mata entre 2000 e 2015. No mesmo período, a Amazônia perdeu 208 mil km2 – bioma duas vezes maior. Esse desmatamento no Cerrado gerou a emissão de 8,16 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa. O volume equivale a 3,6 anos da emissão total do Brasil registrada em 2016. A ocupação desordenada do segundo maior bioma do Brasil tem consequências para o próprio setor do agronegócio. Entre 2014 e 2015, mais de 4 mil quilômetros quadrados das plantações realizadas ali estavam localizados em áreas que não são aptas para a produção agrícola, com padrões irregulares de chuva, por exemplo.

Os dados, divulgados hoje pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na 23ª Conferência do Clima, em Bonn (Alemanha), em evento no Espaço Brasil, mostram como a expansão da agropecuária no bioma tem sido feita sem planejamento territorial adequado, colocando em risco a viabilidade do negócio e a conservação da natureza. O Cerrado cobre 24% do território brasileiro e engloba oito das 12 bacias hidrográficas do país. Metade dele já foi derrubada e a área pode aumentar rapidamente: no Matopiba, área compreendida entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a agricultura tem avançado sobre áreas onde antes havia vegetação natural, quando o padrão era ocupar terras já desmatadas, onde antes havia pasto. “Cerca de 30 milhões de hectares do Cerrado já estão desmatados, sem uso ou com modelos ineficientes de produção. Trabalhar bem essas áreas deve ser prioridade da decisão sobre a expansão da agropecuária nesse bioma”, afirma o pesquisador do IPAM, Tiago Reis, principal autor da avaliação. “Planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente do solo devem reorientar os investimentos, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil.”

Fazenda no Cerrado registra recorde brasileiro na produtividade de trigo

Condições de clima favoráveis, boas práticas e novas cultivares desenvolvidas para a região explicam o bom resultado da cultura do trigo no Cerrado, que registrou nesta safra o recorde de produtividade do País: 139,8 sacos por hectare (sacos/ha), ou 8.388 quilos por hectare (kg/ha) de grãos, enquanto a média nacional é de 46,66 sacos/ha ou 2.800 kg/ha. Esse resultado foi alcançado pelo produtor Paulo Bonato, na fazenda Dom Bosco, em Cristalina (GO). O agricultor atingiu esse recorde de produtividade ao plantar, em 101 hectares de sua fazenda, a cultivar da Embrapa BRS 254. Atualmente, 80% das variedades de trigo cultivadas no Cerrado foram desenvolvidas pela Embrapa. A mais utilizada é a BRS 264, plantada atualmente tanto na safrinha (sequeiro), quanto no sistema irrigado. Calcula-se que cerca de 65% das lavouras de trigo da região façam uso dessa cultivar. Já a BRS 254, que proporcionou os resultados na fazenda de Bonato, ocupa um espaço menor na região, mas possui alta qualidade industrial, elevada força de glúten, excelente estabilidade e é voltada para panificação. Outra cultivar da Embrapa utilizada por produtores da região é a BRS 394.

O produtor iniciou o plantio no dia 8 de maio, e a colheita foi finalizada em 21 de setembro. O custo de produção acabou sendo um pouco maior do que a média: ficou em R$ 3,7 mil/ha, sendo que normalmente esse número gira em torno de R$ 2,8 mil/ha a R$ 3,2 mil/ha. “O custo dele é um pouco maior, pois necessita de mais insumos, mais investimento, mais irrigação, usa mais defensivos, utiliza adubos foliares e micronutrientes”, contou o engenheiro- agrônomo responsável pela área de fomento do trigo da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Claudio Malinski, referindo-se à lavoura de Paulo Bonato.

Bonato utilizou nesse plantio 190 quilos de sementes por hectare. “Noventa e seis por cento germinaram”, comemora o produtor. Uma grande preocupação dele foi com o controle da brusone do trigo. Além de aplicações preventivas de fungicidas, ele também utilizou produtos que fornecem resistência maior à doença: “Credito essa produtividade a um conjunto de fatores: manejo adequado, cuidado em trocar o ativo dos fungicidas utilizados, ênfase aos aspectos nutricionais. E o clima que realmente ajudou muito. É uma grande satisfação produzir tão bem. Os produtores rurais da região já conhecem bastante a cultura do trigo. Eles sabem conduzir bem a lavoura, fazem boas adubações com tratos culturais muito bem adequados. Somando-se a tudo isso, a genética do trigo é muito boa, e em 2017 contamos com a ajuda do clima, já que o frio fez com que o trigo desempenhasse seu potencial genético mais a contento”, analisou Claudio Malinski.

O frio de fato foi um grande diferencial. O produtor Vilson Baron, do grupo Agro Aliança, também conseguiu produtividades elevadas nesta safra com o trigo. Ele plantou em sua propriedade, em Água Fria de Goiás (GO), 114 hectares da BRS 264 e 80 hectares da BRS 254. Conseguiu produtividades de 127 e 131 sacos, respectivamente. O início do plantio se deu na primeira semana de maio e a colheita começou no dia 10 de setembro.

O produtor usou cerca de 200 quilos de sementes por hectare, e o custo de produção ficou em R$ 2,2 mil/ha, ainda sem contabilizar custos operacionais de plantio, pulverização, colheita e transporte. “Nossa média histórica está bem expressiva, estamos sempre na casa de 120 sacos”. Segundo Baron, o que muda normalmente é mesmo o clima. “Quando chove muito no mês de maio, temos problema com a brusone. Como este ano quase não choveu, pode-se dizer que foi quase perfeito para o trigo.”

Na Fazenda Capão da Onça, também em Água Fria de Goiás, o cultivo do trigo tinha ficado de fora há oito anos, voltando nesta safra para compor a rotação após a soja e o feijão sob pivô. O resultado surpreendeu os sócios Leomar Fontana, Joel Pes e Sergio Zimmermann, com a produtividade média de 129,3 sacos/ha, em 90 hectares, com a cultivar BRS 264. “O clima ajudou bastante a cultura do trigo, e houve até um longo período de frio nos meses de junho e julho, que permitiu às plantas apresentarem todo o potencial”, confirmou Leomar Fontana. A produção foi comercializada a R$ 800 a tonelada. Já no Moinho 7 Irmãos, em Uberlândia (MG), a expectativa é abastecer 60% da moagem com trigo mineiro. A produção no estado foi de 230 mil toneladas, um crescimento de 5,2% com relação ao ano passado. Na avaliação da responsável por suprimento do Moinho, Isabel Alves, o volume de grãos foi considerado bom e capaz de abastecer o moinho até o início de 2018. “A qualidade é aceitável pela indústria, mas houve muitas variações no pH. Recebemos desde trigo básico a melhorador, o que está exigindo mais esforço na segregação”, explicou.

Um pouco de história

A cultura do trigo já teve no passado, nas décadas de 1940 e 1950, uma importância maior na região. “Goiás e Minas Gerais já produziram muito trigo, mas os trabalhos foram descontinuados e os produtores deixaram de cultivá-lo assim que cessaram os incentivos do Governo. Culturas como milho e feijão tinham um retorno econômico maior e acabaram tomando espaço do trigo”, conta o pesquisador Júlio Albrecht, responsável pelo programa de desenvolvimento de cultivares de trigo da Embrapa Cerrados (DF). A triticultura de sequeiro no Cerrado foi iniciada em 1975, na região do Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba/MG (Padap). Em 1978, foram cultivados aproximadamente 13 mil hectares, que produziram em torno de 16 mil toneladas — sendo 88% trigo de sequeiro. Em 1979, foi indicado o plantio do trigo irrigado em várzeas, em altitudes acima de 600 metros, fundamentado pelos dados de pesquisa de trigo conduzidos pela Embrapa Cerrados em Minas Gerais e nos resultados das lavouras na região central do estado.

Em 1982, com a criação do Programa de Financiamento de Irrigação (Profir), a Embrapa Cerrados divulgou recomendações técnicas para o cultivo do trigo com irrigação. Esse programa governamental contava com o apoio da Embrapa. “Para conseguir o financiamento do equipamento de irrigação, era obrigatório o plantio do trigo no sistema de produção. O objetivo foi propiciar a disseminação da irrigação por pivô central abrindo nova perspectiva à agricultura irrigada e, com isso, expandir as culturas do trigo e do feijão”, contou Albrecht. Segundo ele, a expansão do trigo não foi maior por causa da dificuldade na comercialização da produção. No ano seguinte, em 1983, como resultado do trabalho de pesquisa da Embrapa Cerrados, foram lançadas duas novas cultivares de trigo para a região do Brasil Central: BR 9 Cerrados e BR 10 Formosa. A produtividade desses materiais ficava em torno de três a quatro toneladas por hectare. Em 1985, foram lançadas a BR 12 Aruanã e a BR 16, essa última voltada para o cultivo de sequeiro. Já em 1987, duas novas cultivares para a região do Brasil Central foram colocadas no mercado: BR 33 Guará e BR 39 Paraúna. Nessa época, o trigo ocupava cerca de 10 mil hectares da área plantada no Cerrado.

Apesar de essas duas últimas cultivares lançadas possuírem resistência a algumas doenças, boas características agronômicas e apresentarem produtividades superiores às das cultivares testemunhas, os pesquisadores, na época, buscando obter materiais com ainda mais produtividade e com maior tolerância especialmente a doenças como a mancha-amarela e mancha- marrom, iniciaram o programa de cruzamentos na Embrapa Cerrados. “Para aumentarmos a produtividade, tínhamos que criar maior variabilidade. Por isso, iniciamos o programa de cruzamentos para, assim, selecionarmos materiais no ambiente de Cerrado”, explicou Albrecht.

Mudança de rumo

Até 1990, todos os programas de melhoramento de trigo buscavam principalmente produtividade e resistência a doenças. O fator qualidade industrial para panificação não era prioridade para os produtores. Isso ocorria porque, até então, todo o trigo produzido era comercializado pelo Governo. Essa realidade mudou com a privatização da comercialização do trigo nacional. “Tivemos que mudar o foco da pesquisa para desenvolver materiais com qualidade industrial para panificação, alta força de glúten e alta estabilidade, além da produtividade. Até então, a qualidade industrial para panificação não era o foco do trigo brasileiro”, afirmou o pesquisador Júlio Albrecht. Outro fator que forçou a reestruturação dos programas de melhoramento, segundo ele, foi a surgimento na região da brusone no trigo, doença identificada pela primeira vez em 1993. Em 1995, foram lançadas pela Embrapa Cerrados para a região do Cerrado as primeiras cultivares com excelente qualidade industrial para panificação, alta força de glúten e estabilidade: Embrapa 22 e Embrapa 42. “Por muitos anos, a Embrapa 42 foi considerada uma das melhores cultivares de trigo em termos de qualidade industrial cultivadas no Brasil”, contou Albrecht. Segundo ele, com essas duas cultivares, os produtores já começaram a obter produtividades mais elevadas, em torno de seis toneladas por hectare de média.

Nessa época, os moinhos começaram a reclamar que o trigo produzido na região era muito forte, com alta força de glúten e que não dava para fazer biscoito nem macarrão. Então, para atender a essa demanda, foi lançada em 2005 a cultivar BRS 207, com alto potencial de produtividade, indicada para os estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal e com qualidade industrial para produção de biscoitos e massas. No entanto, por ser um trigo com força de glúten menor, os moinhos queriam pagar menos ao produtor, que reagiu e passou a não mais plantar essa cultivar.

A joia da coroa

A partir de 2005, a Embrapa Cerrados desenvolveu as cultivares que são as mais cultivadas pelos produtores atualmente. A primeira delas foi a BRS 254, cultivar com alta qualidade industrial para a região do Cerrado. Ela possui elevada força de glúten, excelente estabilidade e é voltada para panificação. “Em seguida, veio a joia da coroa”, contou Albrecht, referindo-se à BRS 264. “Essa cultivar proporcionou a expansão do trigo no Cerrado, em função da sua qualidade, precocidade e alta produtividade. É um trigo altamente produtivo e o mais precoce do Brasil. Por suas características, acabou proporcionando uma grande expansão da área plantada com trigo na região do Cerrado”, destaca. A mais recente cultivar de trigo para o Cerrado foi lançada em 2015: a BRS 394. Segundo Albrecht, ela tem potencial para se tornar a mais nova “joia da coroa”. Ele destacou que, já no primeiro ano de cultivo, o produtor de semente Genésio Muller, na região do PAD/DF, alcançou 7.500 kg/ha. “Acreditamos que, à medida que os produtores forem conhecendo melhor a nova cultivar e aprimorando o manejo, eles alcançarão até 9.000 kg/ha de grãos.” Além da BRS 394, em 2015 também foi lançada a BRS 404, considerada uma das melhores alternativas para cultivo de sequeiro no Cerrado. O desenvolvimento desse material foi realizado em conjunto pela Embrapa Trigo (RS) e Embrapa Cerrados (DF). A BRS 404 possui alto potencial de produtividade e boa qualidade industrial para panificação. Outra característica importante é a sua tolerância à brusone, o que permite um melhor manejo da lavoura para reduzir os custos de produção.

 

Fonte: Bahia.ba/ Assimp IPAM Amazônia/Jornal O Expresso/Municipios Baianos

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