12/11/2017

A vida majestosa da ministra que se tornou “escrava” do país

 

O processo de abolição da escravatura no Brasil foi gradual: começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888. Mas a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB), não gosta de escalas. Ameaçou recorrer diretamente à Princesa Isabel se continuar ganhando “apenas” R$ 33.700 por mês, enquanto a renda média do brasileiro é de R$ 1.226. É uma “escrava”, como ela mesmo se autoproclamou ao querer incorporar aos seus vencimentos mais R$ 30.471,10 que recebe como desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia. Só que escrava de luxo.

Vida de escravo é difícil, dizia a letra de Dorival Caymmi. Que o diga Luislinda. Além de ganhar salário que encosta no teto constitucional do funcionalismo, ou seja, só a nata dos servidores públicos pode desfrutar desse privilégio, a ministra leva uma vida de mordomias à custa do dinheiro público. Além dos R$ 33,7 mil por mês, a ministra tem direito a jatinhos da FAB para viagens profissionais, apartamento funcional em Brasília, carro com motorista e cartão corporativo. Ela ainda recebe diárias do governo federal, quando viaja. Só em 2017, foram mais de R$ 40 mil.

NA CASA GRANDE

Isso tudo já a faz ocupar um confortável lugar no pico da pirâmide social, mas sua declaração de bens de 2014 é ainda mais eloquente ao mostrar que a ministra está mais para casa grande do que senzala. Luislinda é proprietária de uma mansão no condomínio de luxo Porto Busca Vida Resort, localizado na praia privativa de Busca Vida, em Camaçari, na Bahia. Ela adquiriu o imóvel por R$ 750 mil. Hoje, o local está supervalorizado. Um terreno não sai por menos de R$ 1,5 milhão. Casas prontas, que variam de 300m2 a 1.100m2, custam entre R$ 3 milhões e 7,5 milhões. A ministra Luislinda também possui um apartamento em Salvador, comprado por R$ 330 mil, e outro em Curitiba, no alto da Glória, região nobre, adquirido por R$ 350 mil.

Como é possível notar, está mais do que evidente a exploração a que a ministra de Direitos Humanos vem sendo submetida pelo Estado-feitor.

VIAJOU DE GRAÇA

Em junho passado, Luislinda cobrou do governo R$ 10.758,68 por uma viagem de cinco dias a Israel. A viagem foi paga pela Confederação Israelita do Brasil (Conib). Ou seja, ela viajou de graça e mesmo assim quis ressarcimento. Verba extra, dinheiro a mais. Sua assessoria diz que ela devolveu os valores no dia 28 de junho.

Em julho, ela deu outro “aplique” nos cofres públicos: pediu o ressarcimento de despesas durante final de semana em Salvador, onde reside, sem ter tido compromissos oficiais. Ela não trabalhou no final de semana. Na verdade, ela viajou para a capital baiana no dia 27 de julho, uma quinta-feira, em avião da FAB, para representar o presidente da República na posse de um juiz do TRE da Bahia. Na sexta, a ministra visitou uma escola pública. Ficou em casa descansando no sábado e domingo, mas mesmo assim cobrou as diárias por todos os dias, no valor de R$ 1.985,19.

JUSTIFICATIVAS

Ao pedir o aumento salarial, ela explicou que a alta soma se destina a cobrir despesas “necessárias” ao exercício do cargo, como roupas, sapatos, perfumes e maquiagens. “Como é que eu vou comer, beber e calçar?”, disse Luislinda. “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação”, completou a ministra, que deve fazer Isabel se remexer no túmulo.

Com a repercussão negativa do caso, ela voltou atrás, abrindo mão do pedido por mais benefícios, mas ao pedir um salário acima do teto do funcionalismo, Luislinda se desconectou da realidade. Definitivamente, o contribuinte brasileiro não merece ser escravizado pelos privilégios de uma ministra dos Direitos Humanos. Ela parece só olhar para os direitos dela.

A escrava Luislinda

Ninguém sabia até alguns dias atrás quem era essa Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos – sim, acredite ou não, existe tal emprego no Brasil Para Todos: “ministro dos Direitos Humanos”, com direito a carro chapa branca e todas aquelas outras cerejas no bolo que você conhece tão bem. Luislinda, em condições normais, seria mais um caso de alta autoridade que faz a costumeira viagem do anonimato para o anonimato. Mas a ministra resolveu aparecer – e armou um desastre que, a partir de agora, se transforma na história da sua vida. “Luislinda?”, vão dizer no futuro os que ainda se lembrarem do caso. “É aquela que queria ganhar 60.000 reais por mês, porque acha que os 33.000 e tantos que está ganhando são tão pouco que caracterizam trabalho escravo.”

A ministra queria somar o seu salário de desembargadora na Bahia aos vencimentos que tem à frente o ministério. Não pode, embora seja praticado abertamente de norte a sul em nosso Brasil brasileiro por um monte de gente que manda mais do que ela. Mas há certas coisas que não dá para fazer nem em Brasília. Dizer-se vítima de “trabalho escravo” ganhando mais de 30.000 reais por mês, e pedir que o erário público lhe pague o dobro do que já está pagando, é uma delas.

Não deu certo. Todo o mundo ficou sabendo, porque foi publicado na imprensa, e Luislinda teve de desistir subitamente do requerimento que havia feito. Porque desistiu, se achava que tinha razão? Afinal, ela foi capaz de escrever uma petição com mais de 200 páginas exigindo os seus 60.000. É coisa muito pensada, que levou tempo e deu trabalho para fazer – só de pensar na obrigação de ler um negócio desses a pessoa já fica exausta. Se considerava a si mesma tão cheia de razão, tinha de insistir no seu pedido – no mínimo, para não incentivar essa turma que, segundo a pregação corrente na praça, quer abolir a abolição da escravatura. Mais: se o governo não iria atender ao seu grito de revolta, ela teria, pelo menos, de pedir demissão do cargo.

Que esperança. Luislinda continua lá, com salário de escrava e tudo, porque no fim das contas é isso o que lhe interessa: ficar. É a atitude clássica do mandarim brasileiro. Se faz alguma coisa escondido e ninguém percebe, beleza. Se ficarem sabendo e der confusão, Suas Excelências caem fora.

O ministério ocupado por Luislinda, em si, já é uma trapaça gigante. Direitos Humanos? Como, num governo que gasta mais de 1 trilhão de reais por ano, não há ninguém para cuidar disso? Precisa de ainda mais gente? É engraçado: quando mais imprestável é alguma coisa no serviço público, maior é a tendência de seus responsáveis se meterem em casos assim. A ministra só é diferente numa coisa, apenas uma, da manada de promotores, procuradores, juízes, desembargadores (ela tem esse cargo, aliás), ministros dos tribunais regionais, superiores e supremos, marajás variados, etc.: quase todos eles violam sem o menor constrangimento a lei do teto salarial e saem ganhando sempre. Luislinda, no fundo, é apenas mais uma prova, agora apresentada de uma forma francamente patética, do mundo de demência em que vivem os altos funcionários deste país. Passam a acreditar, com empenho fanático, que a realidade é aquela que vivem, e que o pagador de impostos tem a obrigação de prover o bem estar que decidem ser indispensável para si próprios. A psiquiatria chama isso de “desordem delusional” – o conjunto de alucinações e crenças psicóticas através das quais o indivíduo nega a realidade ao seu redor e constrói um universo artificial onde tudo existe em função de seu interesse pessoal. É um distúrbio ilusório grave. Parece que não tem cura.

Luislinda fala em “escravidão”, mas leva vida de luxo com dinheiro público

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB), chamou a atenção na semana passada por, ao pedir que o governo acumulasse seu salário de desembargadora aposentada ao de ministra, fez referência do seu trabalho à escravidão. No entanto, a revista Isto É fez um levantamento da vida bem luxuosa que a ministra tem usando, inclusive, dinheiro público.

Além dos R$ 33,7 mil por mês, a ministra tem direito a jatinhos da FAB para viagens profissionais, apartamento funcional em Brasília, carro com motorista e cartão corporativo. Ela ainda recebe diárias do governo federal, quando viaja. Só em 2017, foram mais de R$ 40 mil.

Em sua declaração de bens de 2014, Luislinda aponta a propriedade de uma mansão no condomínio de luxo no Porto Busca Vida Resort, localizado na praia privativa de Busca Vida, em Camaçari. Ela adquiriu o imóvel por R$ 750 mil. Hoje, o local está supervalorizado. Um terreno não sai por menos de R$ 1,5 milhão. Casas prontas, que variam de 300m2 a 1.100m2, custam entre R$ 3 milhões e 7,5 milhões.

A ministra Luislinda também possui um apartamento em Salvador, comprado por R$ 330 mil, e outro em Curitiba, no alto da Glória, região nobre, adquirido por R$ 350 mil.

Diárias

Em junho passado, Luislinda cobrou do governo R$ 10.758,68 por uma viagem de cinco dias a Israel. A viagem foi paga pela Confederação Israelita do Brasil (Conib). Ou seja, ela viajou de graça e mesmo assim quis ressarcimento. Sua assessoria diz que ela devolveu os valores no dia 28 de junho.

Em julho, ela se beneficiou do dinheiro público, mais uma vez: pediu o ressarcimento de despesas durante final de semana em Salvador, onde reside, sem ter tido compromissos oficiais. Ela não trabalhou no final de semana. Na verdade, ela viajou para a capital baiana no dia 27 de julho, uma quinta-feira, em avião da FAB, para representar o presidente da República na posse de um juiz do TRE da Bahia. Na sexta, a ministra visitou uma escola pública. Ficou em casa descansando no sábado e domingo, mas mesmo assim cobrou as diárias por todos os dias, no valor de R$ 1.985,19.

Vale lembrar que Ao pedir o aumento salarial, ela explicou que a alta soma se destina a cobrir despesas “necessárias” ao exercício do cargo, como roupas, sapatos, perfumes e maquiagens. “Como é que eu vou comer, beber e calçar?”, disse Luislinda. “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação”, completou a ministra.

Com a repercussão negativa do caso, ela voltou atrás, abrindo mão do pedido por mais benefícios.

Quem sofre mais: a ministra ‘escrava’, o servidor coitado ou o brasileiro comum?

O brasileiro que tem trabalho ganha em média R$ 2.115 por mês. E agradece pela oportunidade de trabalhar no meio do feriadão, algo que não têm os 12,961 milhões de desempregados do país.

O auditor fiscal da Receita Federal, um servidor público, com garantia de estabilidade de emprego, tem salário inicial de R$ 19.211, sem contar o bônus de eficiência de R$ 3 mil. E o presidente de seu sindicato promete ir às ruas contra o que classifica de “atrocidades” do governo – a redução no auxílio-moradia, o adiamento do reajuste do funcionalismo (que impedirá os auditores de receber no mínimo R$ 20.123 em 2018) e o aumento da contribuição à Previdência para quem ganha mais de R$ 5.531.

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que é desembargadora aposentada e aceitou por espontânea vontade o cargo oferecido por Michel Temer, recebe o teto do funcionalismo – R$ 33.763. Ganharia mais, se a Constituição não impedisse. Por isso, julga estar trabalhando sem receber e se sente numa espécie de trabalho escravo.

Luislinda, que diz trabalhar 14 horas por dia, dedicou parte de seu tempo a escrever um requerimento de 207 páginas em que solicita ao governo o desrespeito ao teto constitucional. No documento, ela explica que seu benefício como desembargadora aposentada é de R$ 30.471 por mês, e que o salário de ministra é de R$ 30.934. Para se fazer justiça, acredita Luislinda, seu salário mensal deveria chegar à soma de R$ 61.405. Mas, com o chamado “abate teto”, que impede o contracheque de superar o limite previsto na Constituição, sua remuneração de ministra fica limitada a R$ 3.292.

Quando fala de trabalhar sem receber, Luislinda está se referindo a esses R$ 3.292. Valor que supera a média salarial de todos os servidores públicos brasileiros, que é de R$ 3.272, segundo o IBGE – em sua conta, o instituto considera desde o servidor federal que ganha igual aos ministros do STF até o servente de limpeza que ganha salário mínimo numa prefeitura de interior.

Como se vê, o brasileiro médio, o presidente do Sindifisco e a ministra Luislinda têm visões bem distintas sobre trabalho e remuneração. E, por consequência, veem de forma diferente os efeitos da recessão econômica e da crise das contas públicas.

A ministra Luislinda e a elite do funcionalismo não ganham o que ganham à toa. Estão ali por mérito, na maioria dos casos, e são bem remunerados em razão da importância de seu trabalho para o bom funcionamento do Estado e dos serviços públicos.

Seria aconselhável, no entanto, que olhassem em volta antes de reivindicar o papel de vítimas.

Que olhassem não para os colegas de repartição ou funcionários de outros poderes que ganham mais, nem para os que conseguem na Justiça o direito a receber acima do que permite a Constituição. E sim que observassem a maioria desorganizada e mal remunerada que paga seus salários – caso alguém tenha esquecido, não é o bolso de Temer que sustenta a folha de pagamento do funcionalismo.

O servidor público assumiu para si a missão de servir ao público. Tem direito a uma remuneração justa para isso. Mas não tem direito ao deboche.

 

Fonte: IstoÉ/BNews/Veja/Gazeta do Povo/Municipios Baianos

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