12/11/2017

PPS abre as portas para candidatura de Huck

 

O apresentador de TV Luciano Huck participou nas últimas semanas de três reuniões com líderes do PPS para discutir cenários eleitorais e a entrada no partido de membros do movimento Agora!, do qual é participante. Os encontros trataram de eventual candidatura do próprio Huck. Pessoas que participaram das reuniões classificaram as conversas como "iniciais e promissoras".

Embora o PPS pretenda divulgar sua posição em relação à sucessão do presidente Michel Temer apenas em março, durante sua convenção nacional, líderes do partido confiam na filiação do apresentador até o fim do ano.

Huck se reuniu anteontem no Rio, na casa do economista Armínio Fraga, com o deputado federal e presidente do PPS, Roberto Freire, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Outras reuniões com Freire ocorreram em São Paulo e Brasília.

Ao ser questionada, a assessoria de imprensa do apresentador divulgou nota na qual admite as conversas políticas. "Como já foi dito, neste momento Huck não é candidato. Porém, ele está fortemente ligado aos movimentos cívicos do Agora! e Renova. É natural estar conversando com todas as esferas políticas, inclusive com membros de partidos como o PPS. Uma posição pluripartidária. Ele tem muito respeito pelo Freire, Jungmann e Cristovam (Buarque)".

O "flerte" de Huck com o PPS se deu por meio do Agora!, movimento formado por empresários, acadêmicos e profissionais liberais. Segundo o cientista político e coordenador do Agora!, Leandro Machado, Huck chegou até eles há cerca de um mês, por meio do irmão, o cineasta Fernando Gronstein, e tem participado de debates e reuniões, ouvindo e expondo ideias. "Ele se interessou por nosso projeto, que é o de um movimento cívico que pretende reinventar o jeito de fazer política, principalmente evitando essa polarização radical que tem prejudicado o Brasil."

"O que existe de concreto é que membros do Agora! serão candidatos a deputado federal. Por outro lado, não tem nada definido sobre uma candidatura de Luciano Huck. Tampouco sei se ele realmente será candidato", disse.

Machado confirmou que o Agora! tem dialogado com o PPS, mas disse que conversas também estão sendo realizadas com a Rede e o Livres (ex-PSL). O movimento discute internamente se vai lançar candidatos por um só partido ou distribuí-los por diversas legendas. PPS e Rede não negam conversas com o Agora! e outros movimentos. Já o Livres (ex-PSL) afirmou, em nota, que "não houve qualquer contato com Huck. No entanto, se ele for candidato, os dirigentes o consideram um bom quadro".

Entrave

Embora as conversas com o PPS estejam avançando, existem entraves. O principal deles é a ligação de Freire com o governador de São Paulo e provável candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. O presidente do PPS tem uma dívida política com Alckmin.

O governador "puxou" quatro deputados para o seu secretariado e, com isso, permitiu que Freire assumisse um mandato na Câmara. Ou seja, tudo caminhava, tranquilamente, para o PPS apoiar Alckmin em 2018. Além disso, uma parcela pequena do partido quer lançar o senador Cristovam Buarque como candidato a presidente.

Huck afirma ao PPS que decidirá sobre candidatura presidencial até dezembro

Reunido na última quinta-feira com Roberto Freire, presidente do PPS, o apresentador Luciano Huck disse que decidirá no mês de dezembro se irá apenas “participar” ou “competir” nas eleições presidenciais de 2018. Não foi a primeira conversa de Freire com Huck. Eles já tiveram pelo menos três encontros. Freire estendeu o tapete vermelho para que Huck dispute a Presidência da República pelo PPS. Ficaram de se reunir novamente antes do final do ano.

O encontro ocorreu na residência do economista Armínio Fraga, no Rio de Janeiro. Foi testemunhado por outras duas pessoas: o ministro Raul Jungmann (Defesa) e Ilona Szabó, diretora do Instituto Igarapé, ONG que atua na área da segurança pública. Armínio, Ilona e Huck integram o Agora!, movimento cívico que tem a pretensão de interferir na política, qualificando-a. Três dias antes, Freire reunira em Brasília a Executiva do PPS. Informou à cúpula partidária sobre seus contatos com Huck. A legenda decidiu franquear os seus quadros para a filiação de integrantes do Agora!, sobretudo Huck.

Freire não fez segredo sobre seu entusiasmo com a perspectiva de lançar a candidatura presidencial do apresentador da TV Globo pelo PPS. Antes mesmo da decisão de Huck, já se esboça uma disputa. Presente à reunião da Executiva, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) reafirmou seu desejo de concorrer ao Planalto. Em conversa com o blog, ele declarou que, se necessário, medirá forças com Huck. A decisão do PPS sobre a candidatura será tomada num Congresso partidário marcado para março.

Cristovam repetiu para o repórter o que dissera para os dirigentes do PPS: “A gente pode participar da próxima campanha de duas maneiras. Uma é olhando apenas a coreografia dos candidatos, como se fosse um grande balé. A outra, que prefiro, é procurando uma proposta para conduzir o Brasil. Essa proposta precisa ter duas vertentes. Primeiro: como retomar uma coesão no Brasil? Somos um país dividido, caminhando para a desagregação. Segundo: como definir um rumo para o 3º centenário da Indepência, que começa em quatro anos? O próximo presidente tem de sinalizar onde estaremos no ano de 2040.”

Huck não está conversando apenas com o PPS. Seu encontro com Freire e Jungmann ocorreu no meio da tarde de quinta-feira. Horas depois, jantou com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Sondou-o sobre sua disposição de compor uma chapa presidencial na condição de vice. Hartung mostrou-se absolutamente receptivo à ideia. O apresentador tem conversado também com Marina Silva, presidenciável da Rede Sustentabilidade.

Ex-presidente do Banco Central na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga tornou-se uma espécie de guru econômico de Luciano Huck. Em privado, revela-se disposto a coordenar a elaboração de um programa econômico caso a candidatura se materialize. O apresentador achegou-se também ao economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no primeiro mandato de Lula.

Os entusiastas de Huck animam-se com seu interesse pela política por enxergar nele potencial para se firmar como uma opção presidencial de centro —uma alternativa à polarização que tem Lula num extremo e Jair Bolsonaro no outro. Imagina-se que a audiência que o apresentador conquistou nas classes C, D e E com seu 'Caldeirão do Huck' pode se converter em votos nas urnas de 2018.

Congresso do MBL terá foco em 2018 e presença de Doria

O Movimento Brasil Livre (MBL) realiza sábado, 11, e domingo, 12 seu 3º Congresso com foco nas eleições de 2018. O evento, que será realizado em um centro de convenções de São Paulo, vai reunir políticos próximos ao grupo, como o prefeito da capital paulista, João Doria, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., o ministro das Cidades, Bruno Araújo - todos do PSDB -, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Segundo um dos coordenadores do MBL, Kim Kataguiri, o objetivo principal do congresso será estabelecer diretrizes para 2018.

"Nossa ideia é ter uma bancada de 15 deputados federais, então é importante que a gente tenha um discurso bem desenvolvido", diz o coordenador. O próprio Kim é cotado para ser um dos candidatos à Câmara. Nas eleições municipais, o MBL elegeu um prefeito e sete vereadores.

O evento será no World Trade Center. Segundo levantamento, só há duas salas no prédio que comportam um evento deste porte - são 1,2 mil vagas. A diária do aluguel varia de R$ 35 mil a R$ 40 mil. Segundo Kim, o evento será bancado com o dinheiro dos ingressos.

PSDB se tornou um partido sem rumo, que busca o estelionato eleitoral

Ulysses Guimarães e Tancredo Neves costumavam dizer que a política é a arte de construir consensos a partir das divergências. Dessa prática eles fizeram a sua profissão de fé. Na política, enfrentaram a ditadura, cada um a seu modo, sempre na tentativa de construir o consenso. Tancredo aceitou as regras do regime para acabar com ele. Uniu-se a dissidentes e venceu a eleição realizada no último Colégio Eleitoral dos militares. Não assumiu a Presidência porque adoeceu e morreu. Mas deixou em seu lugar o vice José Sarney, que seguiu sua orientação e convocou a Assembleia Constituinte de 1987/88, responsável pela Constituição atual, a mesma Constituição que deu a Ulysses a condição política de dizer que tinha “ódio e nojo à ditadura”.

ESTARRECIDOS

Se estivessem vivos, certamente Ulysses e Tancredo estariam estarrecidos com o que está acontecendo com o PSDB. Como é que um partido que tem todas as condições de construir o consenso em torno de um candidato de centro, com possibilidade de sair vitorioso na disputa pela sucessão de Michel Temer, pode arrumar uma crise interna grave como a atual, que pode até levar ao primeiro grande racha da legenda?

A impressão que se tem é de que o PSDB é formado por amadores da política, mais preocupados com um pequeno detalhe aqui, outro ali, com o que o eleitor do PT pensa dele hoje, do que com o que o eleitor dele pensa sobre o futuro do País.

Duas eleições recentes, uma no Brasil, outra na França, deveriam servir de lição para o PSDB numa hora tão importante quanto a atual.

RIO E FRANÇA

Em primeiro lugar, a eleição para a prefeitura do Rio. O centro político se dividiu em pelo menos quatro candidaturas. Com isso, os extremos, representados pelo vencedor, Marcelo Crivella, do PRB, e por Marcelo Freixo, do PSOL, passaram para o segundo turno. Caso Pedro Paulo, do PMDB, e Carlos Osório, do PSDB, tivessem se unido, eles poderiam ter chegado a cerca de 25% dos votos, cerca de sete pontos porcentuais acima de Freixo. Disputariam o segundo turno com Crivella com chances totais de vitória. Como não construíram o consenso, ficaram no meio do caminho.

Em segundo lugar, vejamos o exemplo da eleição para presidente da França. Emmanuel Macron, o vitorioso, percebeu logo no primeiro turno que o centro estava esvaziado. Deu um jeito de ocupar o lugar dos partidos tradicionais desse campo, entre eles o Socialista, de François Hollande, e o Republicanos, de Nicolas Sarkozy. Ao mesmo tempo que avançava sobre o eleitor de centro, Macron trabalhava para isolar os extremos, comandados por Jean-Luc Mélenchon, da esquerda, e Marine Le Pen, da direita. Passou para o segundo turno com Le Pen, como queria, o que lhe garantiu uma vitória esmagadora.

PROFISSIONALISMO

Se o PSDB fosse um partido formado por profissionais, e não por figuras vaidosas ocasionais que se arruinaram politicamente por suspeitas de envolvimento em escândalos cabeludos, como o senador Aécio Neves (MG), o partido estaria nesse momento trabalhando para formar uma grande frente de centro. Com isso, teria todas as chances de isolar eleitoralmente o ex-presidente Lula, de um lado, e o deputado Jair Bolsonaro, de outro.

Mas isso não acontece porque o PSDB é um partido sem identidade e sem rumos. Tem quatro ministérios no governo Michel Temer, mas se envergonha disso. Defende no programa partidário reformas estruturais e o equilíbrio fiscal, mas tenta esconder isso do eleitor. Em outras palavras, tenta o estelionato eleitoral.

Quem chegou à mais interessante conclusão sobre a canoa furada que é o PSDB hoje foi o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (SP): “Enquanto não começarmos a remar para o mesmo lado, continuaremos todos batendo com os remos uns na cabeça dos outros”.

 

Fonte: Agencia Estado/BlogdoJosias/Municipios Baianos.

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