12/11/2017

Bahia: Convenção do PSDB debate crise do partido

 

O deputado federal João Gualberto, presidente reeleito para o PSDB na Bahia, até defendeu o discurso de união no partido, mas não descartou que aqueles que apoiam o governo do presidente Michel Temer (PMDB) devem sofrer as consequências dessa escolha. E isso, segundo ele, inclui o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy. “Eu estava conversando com ele aqui, que ele vai pagar as consequências por isso. Mas ele acha que está contribuindo com o Brasil. Embora esteja no Palácio [do Planalto], ele está fora daquela organização criminosa, isso é um fato, ninguém falou nada sobre isso. Paciência. As convicções dele, ele que se responsabilize por elas”, avaliou.

Questionado sobre quais seriam os possíveis reflexos, ele explicou que a principal resposta deve vir do eleitorado. “Ele está no governo, é claro que isso vai colar nele. Se continuar desse jeito, a consequência é essa. A população identifica Imbassahy como ministro atuante do governo Temer. Eu não participaria desse governo de jeito nenhum, mas ele está participando, paciência. Eu não posso mudar isso, já teve uma discussão interna muito grande, mas uma metade não quer que participe, enquanto a outra metade quer que participe”, lamentou.

Gualberto criticou ainda personagens chave do PSDB, que lideraram o movimento de apoio a Temer, incluindo o senador Aécio Neves – que indicou Imbassahy para o ministério – e o senador José Serra – que teria se “auto indicado” para o Itamaraty.

“Eu acho que cada um tem suas convicções. Eu sempre defendi que o PSDB não fizesse parte do governo de Michel Temer. Desde que votou o impeachment, quando se discutia sobre a possibilidade de participar, eu e um grupo grande de deputados defendemos que não deveríamos participar, até porque nós não elegemos Michel Temer. Ele foi eleito pelo PT, pelo PP, e faz parte daquele grupo de partidos. Infelizmente, fomos voto vencido, os caciques que indicaram os ministros sem ouvir os deputados. E a gente continua do mesmo jeito. Se você observar, as votações lá na Câmara são quase uniformes, quem apoia e quem não apoia. Porque o que é importante para o Brasil, a gente vota. Não precisa de cargo nem de emendas pra isso", alfinetou.

Questionado se essa divisão do partido poderia interferir na situação do diretório estadual, contudo, Gualberto minimizou: “Aqui na Bahia está unificado, o Imbassahy faz parte da chapa, teve a mesma participação que na eleição da chapa passada. Aqui está unificado e eu acho que vamos fazer o mesmo no Brasil”.

Imbassahy minimiza disputa no PSDB e sugere que não deixará a sigla: 'Estou na convenção'

Mantendo o tom de seu discurso durante a convenção estadual do PSDB, o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, minimizou a disputa interna pela presidência do diretório nacional da sigla.

"O PSDB tem disputas internas com duas pré-candidaturas, a do senador Tasso Jereissati (CE) e a do governador Marconi Perillo (GO), e vai ser um debate muito profícuo, tenho certeza que ao final vai haver uma convergência", defendeu.

O ministro também avaliou que mesmo que deputados tucanos tenham votado a favor da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), o objetivo dos correligionários é manter a união do grupo.

"Nós estamos aqui proclamando a unidade do PSDB. E essa convenção foi vitoriosa. Ela mostra que, assim como outros estados, a gente vai checar na convenção nacional unido, mais uma vez", despistou, sem responder se isso o teria enfraquecido. Questionado se pensa ou já pensou em deixar o partido, como se sugere nos bastidores, Imbassahy novamente tergiversou: "Eu estou participando da convenção".

Gualberto admite divisão e explica afastamento de Aécio: 'Não somos organização criminosa'

O presidente reeleito do PSDB baiano, deputado federal João Gualberto, fez um discurso inflamando na convenção da sigla que acontece neste sábado (11) em Salvador.

Diferente do discurso mais contido do ministro Antônio Imbassahy, Gualberto admitiu que há um racha entre os membros da sigla e falou sobre o afastamento do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

“Temos um problema hoje de partido dividido? Temos. Porque nosso partido não é uma organização criminosa, não é uma seita. Nosso partido não tem dono, não tem coronel. É um partido de pessoas que pensam no Brasil”, defendeu. O tucano citou ainda a gravação feita por Joesley Batista, sódio da JBS, que levou ao afastamento de Aécio.

“Ele foi afastado da presidência logo depois da divulgação da fita, diferente do PT, que elegeu uma ré, a [senadora] Gleisi Hoffman, como presidente do partido. Nós somos diferentes”, garantiu.

Ainda assim, Gualberto reforçou que o PSDB ainda é um partido forte, com nomes capazes de disputarem a Presidência da República em 2018: “[Os outros partidos] Não têm sequer um candidato com condição de disputar a eleição para o próximo ano. Nós temos vários”.

“Nós temos os melhores nomes para a Presidência do Brasil. Quem são os outros? Não é possível que vão votar em um condenado. A esquerda vai ter quatro candidatos, nenhum vai passar de 10%”, previu. Por fim, o tucano sugeriu que já pode ter um nome favorito entre os que devem disputar a candidatura pelo PSDB: Gualberto disse que "acredita" no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

"Veja o estado de São Paulo como está hoje, completamente diferente da média dos estados brasileiros. Eu sei da dificuldade que vocês têm no interior da Bahia", comparou.

Imbassahy pede que PSDB fique 'firme e unido': 'Saberemos encontrar a convergência'

Em seu discurso durante a convenção estadual do PSDB baiano, o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, defendeu a união da sigla, que passa por uma divisão interna entre aqueles que querem permanecer na base do presidente Michel Temer (PMDB) e aqueles que defendem o desembarque do grupo.

A disputa entre correligionários levou o presidente tucano afastado, senador Aécio Neves (MG), a destituir o seu substituto, o senador Tasso Jereissati (CE), colocando um aliado à frente da Executiva Nacional.

Ao falar na convenção, Imbassahy defendeu que os tucanos sigam “firmes, unidos, e saberemos encontrar a convergência”. Ele também citou dados econômicos para demonstrar os resultados positivos obtidos por Temer.

“Eu quero destacar o meu papel no governo do presidente Michel Temer, um papel que muito me honra, que é de articulação na política. E é fundamental nesse momento de transição que nós tenhamos estabilidade na política”, defendeu, ao citar indicadores como PIB, taxa de juros e produção industrial.

“Votamos tudo no Congresso Nacional, não perdemos uma votação sequer, graças à capacidade de articulação do presidente, do seu conjunto de líderes, e todos que queriam um Brasil melhor”, completou.

Imbassahy se esquiva sobre sua saída do governo e diz que convenção não vai discutir o assunto

O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB) não quer comentar sobre ser alvo da ira do “Centrão” que pressiona para que o presidente Michel Temer (PMDB) para que o tire do governo. Na manhã deste sábado (11), em entrevista ao BNews, o tucano se recusou a responder se a pressão do bloco arrefeceu ou tende a crescer nos próximos dias: não tenho nenhum comentário.

Imbassahy ainda reforçou que a convenção não discutirá a saída da legenda do governo Temer, como defendem o atual presidente do partido na Bahia, João Gualberto, e o deputado federal Jutahy Jr. “A convenção não vai tratar disso. A convenção vai discutir da unidade, das linhas programáticas, pensando no país”, limitou-se.

O ministro acredita que o presidente Temer vai ter “sabedoria” ao avaliar a manutenção dos ministros tucanos, após o senador Aécio Neves destituir o senador Tasso Jereissati – defensor do desembarque do PSDB - do comando interino do partido, mas ponderou a questão. “Não se está levando essa questão agora em conta e temos que aguardar o desenvolvimento interno do PSDB. Está se aproximando do ano eleitoral, prazo de desincompatibilização. Tudo isso o presidente vai fazer avaliação com sabedoria pensando no país”.

Já sobre as eleições no Estado com a disputa na chapa majoritária, Imbassahy disse que o comando das discussões estará nas mãos do prefeito ACM Neto (DEM).

ACM Neto defende candidatura única de PSDB e DEM para presidente em 2018

O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) defendeu neste sábado (11) que o seu partido seja aliado do PSDB na disputa pela Presidência da República em 2018.

Sem citar nomes, ou qual partido estaria à frente da chapa, o democrata apenas afirmou que se "sente em casa" em meio aos tucanos e que os grupos estarão juntos no próximo ano.

"Acho que devem estar unidos. O nome a gente tem tempo ainda pra definir. Mas eu vou trabalhar pra que o PSDB e o Democratas estejam no mesmo palanque, em torno de um mesmo candidato à Presidência da República", afirmou, durante a convenção estadual do PSDB.

Neto negou ainda que a divisão interna dos tucanos entre os grupos que defendem a permanência e o desembarque do governo do presidente Michel Temer poderia interferir nas alianças costuradas na Bahia.

"Isso aí vai ser superado no dia 9 de dezembro [na convenção nacional do PSDB]. Eu sou dirigente partidário há muitos anos, não tem partido que não passe por suas divisões. De jeito nenhum [isso deve afetar a Bahia]. Só pra se ter uma ideia, ontem, coincidentemente, eu tive reuniões distintas, um momento com Jutahy, outro com Imbassahy, assim como anteontem com João Gualberto. Está todo mundo junto", garantiu.

Pré-candidato ao Senado, Jutahy aponta solução para PSDB: 'Chapa única em dezembro'

O deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB-BA) defendeu uma alternativa para dar fim ao racha interno pelo qual passa o partido, motivado pela disputa de comando e pelo posicionamento em relação à base de Michel Temer.

Presente na convenção estadual da legenda, neste sábado (11), acredita que o PSDB deve buscar unidade. "Fazendo o exemplo da Bahia, chapa única. Temos divergências de posições, mas procuramos a unidade, porque sabemos que em 2018 temos que estar todos remando na mesma direção. (...) Quero chapa única em dezembro", disse, em referência à convenção nacional que ocorrerá no final do ano e, entre outras demandas, escolherá um novo presidente para o partido.

E por falar no pleito de 2018, Jutahy confirmou o interesse tucano em ter o prefeito ACM Neto (DEM) como candidato a governador, bem como a sua pré-candidatura ao Senado. "É desejo do partido a minha candidatura ao Senado. Tenho apoio do diretório, dos convencionais. Sou pré-candidato ao Senado, portanto", acrescentou.

Adolfo Viana diz que é preciso construir a unidade no ninho tucano

As principais lideranças do PSDB da Bahia alinharam o discurso interno na construção da chapa que conduzirá o deputado federal João Gualberto para mais um mandato a frente do partido no estado, contudo, o racha nacional também reflete na realidade local. Para o deputado estadual, Adolfo Viana, o artigo escrito por Fernando Henrique Cardoso deve nortear os tucanos e é preciso construir a unidade no ninho tucano.

"Nosso eterno presidente tem razão. O PSDB é um partido muito grande e é natural que haja divergências, mas elas precisam ser discutidas e resolvidas internamente para que nós possamos chegar unidos nas eleições de 2018. O PSDB tem um projeto para o país e vamos defendê-lo".

Adolfo defende no intramuros a saída do partido da governo Michel Temer, no entanto, acredita que é preciso focar nos problemas atuais e agudos do estado da Bahia. "O governo Rui Costa está fazendo um trabalho temeroso na Segurança Pública. Como deputado estadual estou focado nos problemas da Bahia e eles não são poucos".

O parlamentar afirma também que em 2018 o PSDB vai marchar o prefeito de Salvador na eleição para governador e não esconde que apoia o nome do deputado federal Jutahy Magalhães para compor a chapa em uma das vagas para o Senado. Adolfo será candidato a deputado federal.

 

Fonte: BN/BNews/Municipios Baianos

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