12/11/2017

Falta interesse público à guerra interna do PSDB

 

Ganha um kit com a íntegra dos áudios e dos vídeos que expõem a ruína moral de Aécio Neves quem for capaz de apontar um mísero sinal de preocupação com o Brasil na guerra que o PSDB trava consigo mesmo em cena aberta. Se Aécio e Tasso Jereissati estivessem liderando facções em litígio por um projeto de políticas públicas capaz de injetar esperança na sucessão de 2018, muito bem. Mas não é disso que se trata. A causa mais visível da encrenca é uma disputa encarniçada pelo poder partidário. Os tucanos arrancam as próprias penas por interesses mais palpáveis do que o etéreo interesse público. Por exemplo: o controle de cofres de ministérios e da caixa registradora que receberá um naco dos R$ 2 bilhões do recém-criado fundo de financiamento eleitoral. Ao anunciar sua candidatura à presidência do PSDB, Tasso comprometeu-se com o aprofundamento da autocrítica e disse que vem aí um novo e rigoroso código de ética do tucanato. Admita-se que a preocupação do senador com a moralidade seja genuína. Neste caso, poderia abrir o inventário dos erros com o fornecimento de uma resposta: por que transformou a agenda criminal de Aécio num processo de desmoralização partidária ao articular a unanimidade dos votos do PSDB a favor da anulação, no plenário do Senado, das sanções impostas pela 1ª Turma do STF ao investigado?

Ao explicar a destituição de Tasso do cargo de presidente interino do PSDB, Aécio declarou que seu objetivo é assegurar que a disputa do correligionário com Marconi Perillo pela presidência do partido “se dê em alto nível.” Em timbre magnânimo, o ex-amigo de Joesley Batista acrescentou: “Me preocupa o PSDB sair da agenda ou da vanguarda das grandes reformas que precisam ocorrer no Brasil para se limitar a uma disputa interna.” Se Aécio estivesse interessado com a altura do nível, teria evitado o rebaixamento do teto do partido, renunciando à presidência. De resto, não pode falar em vanguarda, a menos que pretenta começar pela promiscuidade arcaica que uniu seus interesses penais às conveniências de Michel Temer, seu parceiro de infortúnio. Considerando-se o estágio de degradação da política, a qualquer hora, em qualquer partido político, algo de errado pode estar acontecendo. Isso é parte do jogo. O problema começa quando correligionários se metem em encrencas, como Aécio e outros tucanos, e a legenda finge que não é com ela. No artigo em que defendeu o desembarque do PSDB do governo Temer, Fernando Henrique Cardoso anotou que o PSDB “pode apresentar algum nome competitivo” em 2018. “Mas precisa passar a limpo o passado recente. Deveria prosseguir no mea-culpa […], sem deixar de dar a consideração a quem quase o levou à Presidência.” Quer dizer: pediu complacência com Aécio, que perdeu o Planalto para Dilma Rousseff por muito pouco.

Tasso atendeu aos desejos de FHC, poupando Aécio em sua hipotética autocrítica: “Nos três últimos anos, o que nós vimos foi uma imensa onda escândalos de corrupção envolvendo políticos e empresários em todos os partidos. O nosso, com certeza, foi o que menos sofreu. E menos sofreu porque o nosso partido tem os melhores quadros políticos no Brasil. São aqueles quadros que fazem política com ética, decência, moralidade e espírito público.” Menos de 24 horas depois de ter feito essa declaração, o senador foi destituído por Aécio. E modulou o tom: “O meu PSDB não é o PSDB desses caras.” Em 2005, quando o mensalão mineiro do PSDB escalou as manchtes nas pegadas do mensalão do PT, o tucanato passou a mão na cabeça de Eduardo Azeredo, que presidia a legenda. Nessa época, como agora, os tucanos preferiam apontar os erros alheios. Criticavam a tesouraria petista de Delúbio Soares, anabolizada pelas mágicas financeiras de Marcos Valério, o mesmo parceiro de Azeredo. Desancavam o petista Waldomiro Diniz, que assessorava José Dirceu na Casa Civil e, simultaneamente, fechava negócios esquisitos à sombra.

O tucanato não se deu conta de que, assim como o PT flertava com o risco da desmoralização ao tolerar Delúbios e Waldomiros, o PSDB também comprometia o seu futuro ao tratar com “consideração” quem merecia punição. Ficou entendido que não havia inocentes na legenda. Condenado, Azeredo continua filiado ao partido. Nenhum correligionário jamais ousou representar contra ele no conselho de ética da legenda. Gravado num diálogo vadio com Joesley Batista, delatado por Marcelo Odebrecht e Cia., investigado em nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal, pendurado nas manchetes de ponta-cabeça, Aécio Neves é tratado com “consideração”. De novo, verifica-se que só há no mundo dois tipos de tucanos: os culpados e os cúmplices. Antes de se tornar porta-voz do desembarque, FHC dizia coisas assim: ''Diante da circunstância brasileira, depois do impeachment [da Dilma], o que temos que fazer é atravessar o rio. Isso [o governo Temer] é uma ponte. Pode ser uma ponte frágil, uma pinguela? Tudo bem. Mas é o que tem. Se você não tiver uma ponte, você cai no rio. Não adianta fazer muita especulação.'' Beleza. A ponte balançou quando Temer foi delatado pela turma da JBS. Ruiu quando Temer entrou para a história como primeiro presidente da República denunciado criminalmente um par de vezes. O que fez o PSDB? Desperdiçou a sua hora. Caiu no rio. Contra esse pano de fundo, há duas possibilidades: ou o PSDB começa a se levar a sério, agindo dez vezes antes de pensar, ou o debate que incendeia a legenda no momento terá o peso de uma lápide.

O PSDB rumo ao precipício em 2018, agarrado a seus quatro ministérios

O PSDB deu mais um passo na direção do precipício. O dedaço de Aécio Neves radicalizou o processo de autofagia do partido. Agora os tucanos correm o risco de enfrentar um cisma a menos de um ano das eleições presidenciais. Com o filme queimado pela Lava Jato, o senador mineiro foi para o tudo ou nada ao destituir Tasso Jereissati do comando provisório da sigla. A intervenção implodiu as pontes que restavam entre a ala governista e o grupo que defende o rompimento com o Planalto.

Há poucos dias, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avisou que o PSDB precisava se decidir: ou deixava o governo ou assumia de vez o papel de coadjuvante em 2018. Os aecistas parecem ter escolhido a segunda opção. Preferiram continuar agarrados a seus quatro ministérios.

GUERRA E GOLPE

O clima agora é de guerra fratricida. Os aliados de Tasso definem sua degola como um “golpe” articulado com Michel Temer. “Foi um ato covarde, violento e indigno. Aécio mostrou que não tem limites para alcançar seus objetivos espúrios”, ataca o senador Ricardo Ferraço. “Já estávamos passando por um desgaste brutal. Agora estamos vendo o PSDB cometer um harakiri”, acrescenta. O senador Cássio Cunha Lima, que também defendia a permanência de Tasso, reforça a metáfora do suicídio partidário. “Se deixarmos que o governo interfira na nossa eleição interna, será o fim do PSDB”, afirma.

FICANDO PARA TRÁS

Depois de perder quatro eleições presidenciais, os tucanos pareciam ter caminho aberto para voltar ao poder em 2018. Em vez de aproveitar o vento a favor, o partido se enroscou na impopularidade de Temer e nos rolos de Aécio com a polícia. Perdeu espaço para Jair Bolsonaro e outros aspirantes ao papel de Anti-Lula. Hoje os dois presidenciáveis do PSDB não conseguem ultrapassar os 8% das intenções de voto. O encontro com as urnas pode ficar ainda mais ingrato. Basta que a convenção da sigla, no mês que vem, termine com a debandada dos derrotados.

PSDB purga o pecado do golpe. Por Tereza Cruvinel

Nas últimas horas o senador Aécio Neves foi posto no pelourinho, tomando chibatadas de todo lado, de adversários, companheiros de partido e apoiadores. Os desatinos maiores têm sido cometidos é por ele mesmo, como este último, de destituir o senador Tasso Jereissati da presidência interina do partido para tentar evitar o desembarque tucano do governo. Além de Alckmin, FHC também não foi consultado. No “pinga fogo” de ontem na Câmara, o deputado Rocha (AC) chegou a pedir que ele deixe o PSDB para não continuar a envergonhar o partido. Mas o inferno do PSDB não é obra exclusiva de Aécio. É a consequência da participação dos tucanos no golpe e no governo de Michel Temer. Constatado o tamanho e a gravidade do erro, a tentativa de corrigir o rumo produziu esta fratura exposta.

Todos, entretanto, são responsáveis pela derrocada do partido que foi fundado por herdeiros da luta pela democracia, como FHC, Covas, Richa e Montoro. Em 1988, eles se rebelaram contra os descaminhos (pautados pela corrução e o fisiologismo) tomados pelo PMDB que todos abrigara na resistência à ditadura. Depois governaram o país por oito anos. Todos são responsáveis, ainda que Aécio, ressentido com a derrota em 2014, tenha sido o principal artífice da união com o PMDB e o DEM para derrubar Dilma e entronizar Temer no Planalto. Havia resistência interna ao impeachment mas os demais dirigentes cederam ao revanchismo de Aécio e evitaram um debate interno, corajoso e franco, sobre as consequências do embarque no golpe. Pelo contrário, ajudaram a calar os integrantes da bancada que tentaram se opor.

Todos sabiam que, apesar dos discursos trovejantes a corrupção de petistas, ele e outros também poderiam ser alcançado pela Lava Jato. Ninguém disputa, ou disputava, eleições neste país sem ajoelhar-se e beijar a cruz na relação promíscua com os donos do dinheiro. Apostaram na impunidade mas Aécio, por mais encalacrado, enroscou-se definitivamente com Temer e sua turma para salvar a pele. Entrou para a turma do Jaburu e deixou os interesses do PSDB em segundo plano, queixam-se os tucanos.  Apontada a necessidade de deixarem o governo, Aécio foi para o tudo ou nada dentro do partido, destituindo Tasso.

Nunca vi um partido lavar sua roupa suja no plenário da Câmara com tanta falta de cerimônia como ontem. O discurso de Rocha foi curto e grosso. “O senador Aécio Neves envergonha o PSDB. Chegou a hora de ele deixar o partido, tomar seu rumo para não nos envergonhar mais”. Daniel Coelho, de Pernambuco, também fez um discurso vigoroso, informando que nem Fernando Henrique foi previamente consultado sobre a destituição de Tassso, que teria sido arquitetada com Temer e os peemedebistas. O deputado Marcus Pestana, aliado de Aécio, tomou sua defesa, alegou a isonomia necessária na disputa interna,  num discurso com voz trêmula. Não é fácil justificar tantos desatinos. 

Purgam os tucanos o pecado de terem atentado contra a democracia que ajudaram a construir. Purgam o pecado da hipocrisia, por terem derrubado Dilma em nome da moralidade, para levarem ao  poder um governo de corruptos. Aliás, os dois principais partidos do golpe estão sendo igualmente castigados. Segundo a última pesquisa Datafolha, na preferência atual dos eleitores o PSDB tem 4%, o PMDB 5% e o PT, 18%. O PMDB não terá candidato a presidente, mesmo tendo a Presidência, e corre o risco de desaparecer em alguns estados. A diferença é que o PMDB nunca teve projeto político. Seu objetivo sempre foi alcançar a máquina do Estado para dela se servir, não para viabilizar qualquer programa. Por isso, diferentemente dos tucanos, que ainda têm o que perder, eles se entendem, não largam o osso e não brigam entre si.

Aécio  recupera o poder para amarrar o PSDB a Temer

Tasso Jereissati se aproxima dos jornalistas e inicia sua entrevista coletiva dizendo, em tom de brincadeira: “estou desempregado”. Senador pelo Ceará, fazia pouco mais de uma hora que ele havia sido oficialmente destituído do cargo de presidente interino do PSDB. Com uma simples canetada, Aécio Neves, senador por Minas Gerais e presidente que estava licenciado da legenda havia seis meses, tentou dar três golpes políticos: 1) amenizar as críticas que parte do tucanato faz constantemente contra o Governo Michel Temer (PMDB); 2) interferir no processo sucessório do partido, que em um mês elege sua nova diretoria e; 3) garantir que ao menos dois dos quatro ministros do partido sigam em seus cargos. Ele quer defender principalmente os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades).

Pressionado por Temer e pela facção governista do PSDB, Aécio indicou o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para suceder Tasso. A justificativa oficial para o afastamento foi de que era necessário haver um equilíbrio de armas entre os dois candidatos ao cargo de presidente da legenda, Tasso e o governador de Goiás, Marconi Perillo. A eleição interna ocorrerá no dia 9 de dezembro. “O meu papel será exatamente esse, o de garantir a isonomia, o equilíbrio da disputa”, disse Goldman, replicando o discurso de Aécio. O novo interino diz que foi surpreendido pela missão. Baseado em São Paulo, ele veio às pressas na manhã desta quinta-feira para Brasília para se reunir com Aécio e preparar a virada de mesa na legenda.

Indagado sobre a razão de ter sido substituído, Tasso diz que havia “divergências profundas” entre ele e Aécio e que, claramente, o senador mineiro não é favorável à sua candidatura. Tasso também afirmou que Aécio estava sendo pressionado e que pediu para ele renunciar ao cargo interino. O que se negou a fazer. “Ele não me queira como candidato. Portanto, eu preferia que ele me afastasse, do que eu pedir, para ficar bem nítida as nossas diferenças. Foi então, que ele me mandou o ofício, me afastando”, afirmou o senador cearense. Tasso assumiu interinamente o PSDB em maio porque Aécio foi flagrado em uma investigação em que negociava o recebimento de 2 milhões de reais com o delator e réu confesso do crime de corrupção, Joesley Batista, da JBS. O senador chegou a ser afastado das funções parlamentares pelo Supremo Tribunal Federal, mas conseguiu reverter essa decisão. O curioso é que o próprio Tasso foi um dos que se empenharam no plenário do Senado para ajudar a salvar o mandato de Aécio. Desde que assumiu a direção interinamente em maio, Tasso defendia o rompimento do partido com o Governo Temer. Em mais de uma ocasião, dizia que o “PSDB desses caras, não é o meu PSDB”. Em agosto ele assumiu a produção de um programa político em rede de TV aberta no qual escancarou as críticas mostrando que o Brasil vivia um “presidencialismo de cooptação”. Foi a primeira ferida aberta entre os grupos pró e contra Temer. De lá para cá os embates se ampliaram. Houve interferência nos diretórios do PSDB de Pernambuco, do Maranhão e da Bahia. Na Câmara, o racha se evidenciou quando metade da bancada votou a favor da abertura de investigação criminal contra Temer e a metade foi contrária. Isso, em duas votações.

Essa é a terceira vez que o senador mineiro interfere no diretório nacional. Em dezembro do ano passado, ele conseguiu obter votos da Executiva para prorrogar o seu mandato na presidência da legenda até maio de 2018 – seu mandato acabaria em maio de 2017. A segunda intervenção ocorreu há seis meses, quando Aécio indicou Tasso para a função.

Membros de grupos que pregam o rompimento com o Governo e são apelidados de “cabeças-pretas”, criticaram Aécio e disseram que ele cedeu ao fisiologismo. “Rasgaram e jogaram no lixo a história do PSDB. Tenho certeza que haverá resistências interna e externa”, afirmou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE). “Esse partido foi construído sobre o lema: longe das benesses do poder e próximo do pulsar das ruas. Hoje com essa decisão de Aécio e de Temer, o que se vê é longe do pulsar das ruas, mas bem próximo da ‘nhaca’ do poder”. Aliados de Aécio reagiram. Um deles, Marcus Pestana (PSDB-MG), disse que se esperava que o senador Tasso fosse líder de todos os tucanos, não de uma facção. “É totalmente legítima a decisão. Goldman tem autoridade por durante 30 dias coordenar a legítima disputa entre Marconi Perillo e Tasso Jereissati”. Apesar de ter provocado um terremoto entre seus correligionários, Aécio se negou a responder aos questionamentos de jornalistas. Indagado sobre a decisão, ele se limitou a fazer um pronunciamento no qual sintetizou o ofício que enviou a Tasso o informando sobre o afastamento dele e a assunção de Goldman.

Viúvas do tucanato choram, de novo, a morte de um grande amor

Já foi duro para os colunistas da grande imprensa a desilusão com aquele que “ia unir o Brasil”, com uma base parlamentar avassaladora que aprovaria todas as reformas que o mercado queria, que entendia de romance e “era até um senhor bonito”. Hoje, o berreiro já não era pelo “senhor que nos ajuda”, mas pelo namorado de muitos anos, o querido tucanato.

Recolhi alguns trechos do chororô dos jornais de hoje, a começar com a fúria da colunista Eliane Cantanhêde com Aécio Neves, por ter rasgado os últimos farrapos dos punhos de renda dos tucanos:

“O senador Aécio Neves virou o queridinho do eleitorado anti-PT e anti-Lula e chegou bem perto de virar presidente da República em 2014, mas virou uma alma penada assombrando o PSDB, partido cujas tendências suicidas vêm piorando desde que Fernando Henrique desceu a rampa do Planalto. Piorando, aliás, com ajuda do próprio Aécio.

Com que autoridade Aécio pode pôr o dedo na cara do também senador Tasso Jereissati e destituí-lo da presidência interina do PSDB? O passado o condena, depois de ter-se aliado oportunisticamente a Lula contra José Serra, em 2002 e 2010, e contra Geraldo Alckmin, em 2006. E o presente não deixa pedra sobre pedra na sua construção política.”

Mas, em nome da verdade, sobra também para Tasso, de quem diz que “age como bom e velho “coronel” do Ceará, cheio de certezas e de mandonismo”.

Míriam Leitão, que poelo PSDB engoliu aquele grosseiro “não fale bobagem” de José Serra, fala sem piedade do senador mineiro:

 Com um gesto apenas, Aécio entregou vários recados: que o PSDB não é um partido, é um feudo com dono; que a impunidade subiu-lhe à cabeça; que a proposta de renovação do partido e a autocrítica foram enterradas; que o afastamento do senador, quando ele entrou em apuros por receber dinheiro de um empresário investigado, era puro teatro. Ele era o verdadeiro presidente da tucanolândia, tanto que teve força para destituir o seu suposto substituto e nomear outro para o lugar. Se o partido precisava de mais um sinal de decrepitude, ele foi entregue ontem pelo senador que deveria estar ocupado em explicar as entregas de dinheiro de Joesley Batista feitas através do primo.

Merval Pereira, a quem já citei no post anterior, já nem chora as lágrimas que lhe correram após a vitória que escapou por um triz em 2014:

Tudo indica, porém, que o partido está ferido de morte e, pior do que da primeira vez em 1988 [data da criação do PSDB], os dissidentes não têm para onde correr, pois não há tempo para criar um novo partido e nem parece à disposição uma legenda para abrigá-los até abril, data limite para os que quiserem se candidatar a algum cargo em 2018.

Ricardo Noblat (aliás, ilustrando o post sem nenhuma metáfora, com a silhueta de um homem com um revolver apontado à cabeça)  diz que:

  • “ao invés de se fingir de morto vivo, pois é isso que ele é,  Aécio reagiu com o ato inconsequente de destituir Jereissati da presidência do partido. Com isso, voltou à boca do palco de onde se afastara inconformado. E mostrou outra vez de que lado está e ficará. Está do lado dos que resistem às mudanças, dos que querem manter a política como ela sempre foi, e dos que ainda insistem em se agarrar a um governo de fachada”.

Veremos como transitarão, a confirmar-se a candidatura de Luciano Huck, para apoiar o candidato que, segundo Merval, tem condições de “fazer uma campanha populista”, porque “distribui casa e conserta carro”. Sem se preocupar em apresentar uma agenda ao país, envolto em sua eterna indecisão hamletiana sobre ser ou não ser governo e usado como bunker por um presidente mais preocupado em manter o foro privilegiado que com a reputação da sigla que comanda, o PSDB pode deixar de ser, em 2018, uma alternativa de poder. Mesmo tendo, hoje, os dois nomes mais aceitos pelo “establishment” para a sucessão de Temer. E toda essa pororoca de infortúnios, diferentemente das do PT e do PMDB, foi autoimposta. Os tucanos agem como adoradores de Jim Jones. O PSDB histórico acabou-se com Aécio-2014, que o tornou o PSDB histérico e golpista.

 

Fonte: BlogdoJosias/Folha/Brasil 247/El País/Tijolaço/Municipios Baianos

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