15/11/2017

O que as pessoas costumam falar pouco antes de morrer?

 

Quando uma pessoa está prestes a morrer, do que ela costuma falar? A BBC News entrevistou enfermeiras especializadas em cuidados paliativos e de pacientes com câncer do hospital da Universidade Royal Stoke, no Reino Unido, para saber o que ocupa a mente de pessoas em estado terminal e quais são seus desejos derradeiros.

"Alguns pedem seu drink favorito", diz a enfermeira Dani Jervis. "Às vezes, elas só querem uma xícara de chá", afirma Carina Lowe, que trabalha no mesmo hospital.

Outra enfermeira se recorda de uma paciente idosa que estava internada em uma ala de cirurgia bastante movimentada. "O marido dela também ficou doente, e eles só queriam que suas camas ficassem juntas", diz Angela Beeson. "Deitados um ao lado do outro, de mãos dadas, vi eles cantando juntos. Os dois morreram naquela ala, com dez dias de diferença um do outro."

Sem medo

Naturalmente, é esperado que o período logo antes da própria morte, quando uma pessoa está ciente de que não lhe resta muito tempo, seja de muita tristeza na maioria das vezes. No entanto, esse estágio final não é inteiramente marcado por  sentimentos ruins, conta a enfermeira Louise Massey. "Ver a alegria no rosto de uma pessoa quando ela está morrendo e seu cachorro vem visitar é algo que não tem preço", diz ela.

Esse tipo de situação não é incomum, como se recorda a enfermeira Nicki Morgan: "Já tivemos uma vez um border collie e um pastor alemão deitados na cama com um senhor, esse era seu desejo final".

A enfermeira Massey leva na memória o caso de um paciente que, há muitos anos, estava morrendo e apenas parcialmente consciente. "Ele disse que estava feliz de morrer, porque havia tido um vislumbre do céu, que era um lugar maravilhoso e que não tinha mais medo de partir."

Premonições

Uma das enfermeiras ouvidas pela BBC conta que, com frequência, ocorrem coincidências que alguns interpretam como premonições. "Pessoas já disseram: 'Completo 80 anos em algumas semanas. Vou ter minha festa de aniversário e depois eu vou partir'. E, estranhamente, vimos isso acontecer", recorda-se Morgan.

Mas e quanto a arrependimentos? Há muitos? Ou os pacientes deixam isso para trás? "Lembro de uma pessoa me dizendo que a vida é muito curta e que devemos fazer o que nos deixa felizes", afirma Jervis.

A enfermeira Morgan diz que é muito comum as pessoas nesta situação pensarem em suas aposentadorias. "Com frequência, as pessoas trabalharam muito, determinaram uma data para se aposentar e pensam que ficaram doentes justo neste momento e não tiveram tempo suficiente para aproveitar e fazer as coisas que gostam"

Lowe se lembra de sobre um episódio que ocorreu há pouco tempo com ela: "Uma coisa que foi dita para mim bem recentemente é que o processo de morrer não é como na TV ou no cinema".

'Boa morte'

Por sua vez, Jervis diz acreditar ser possível ter uma experiência que pode ser descrita como "uma boa morte". "A comunicação é essencial", afirma.

Massey concorda: "Isso pode significar não sentir dor, ter a família ao lado, pode ser o local onde querem morrer".

As enfermeiras têm alguns conselhos que acreditam que podem ajudar neste que é o único momento inescapável da vida: a morte.

"Se há algo que você quer fazer, corra atrás disso", diz Jervis. "Falamos de todos os outros assuntos hoje em dia, mas viver também significa falar sobre a morte. Quais são seus objetivos na vida? O que é importante para você?", afirma Massey.

A enfermeira Beeson fala que seu trabalho acabou por completo com seu medo da morte e mudou sua postura diante do assunto. "Falo disso abertamente com a minha família", diz. "Precisamos planejar com antecedência os cuidados que receberemos."

5 HISTÓRIAS CABULOSAS DE PESSOAS QUE TIVERAM EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

1. O índio curandeiro que teve duas EQMs

Quando tinha 9 anos, o índio curandeiro norte-americano Alce Negro (1863-1950) teve um colapso depois que suas pernas, seus braços e seu rosto começaram a inchar. Nesse momento, ele viu dois homens surgirem das nuvens dizendo: “Vamos, o seu avô está te chamando”. Ele relata que sentiu um pesar muito grande por deixar seus pais, mas que subiu ao céu até chegar a uma porta multicolorida.

Lá ele encontrou nada menos que seis antepassados, que lhe deram poderes de cura e sabedoria. Duas semanas se passaram até Alce Negro recobrar a consciência na Terra, e ele demorou a contar o que havia passado. Foi preciso a ajuda de um curandeiro para ele “resgatar” tudo o que havia experimentado na sua primeira Experiência de Quase Morte (EQM).

Mais tarde, na juventude, Alce Negro saiu em turnê pela Europa com o lendário Buffalo Bill (1846-1917). Porém, ele adoeceu e ficou novamente entre a vida e a morte. Ele conta que seu espírito viajou através do Atlântico até sua terra natal, nos EUA, em um trajeto repleto de cavalos, águias e gansos migratórios.

2. Mito grego ou primeiro relato de EQM da humanidade?

O “Mito de Er” é um conto que o filósofo Platão escreveu no livro “A República”. Ele narra a história de um guerreiro deixado para morrer em um campo de batalha, mas que acabou sobrevivendo. Er passou por campos misteriosos, na companhia de um grande grupo: almas que “subiam” ou “desciam”, de acordo com o julgamento que recebiam de suas ações na Terra.

Depois, Er foi para um local em que os mortos passavam por um sorteio para determinar suas novas vidas. Ele, inclusive, bebeu a água de um rio que apagava as memórias da vida passada com o intuito de seguir adiante. No meio disso, porém, ele foi mandado de volta para o mundo dos vivos.

Apesar de ser oficialmente um conto ficcional, muitos pesquisadores das EQMs acreditam que ele pode ter algum tipo de verdade, já que reúne 8 de 16 aspectos clássicos de uma EQM moderna. Isso inclui o caminho em direção à luz no fim de um túnel, o purgatório, o encontro com algum falecido, a revisão da própria vida e o regresso forçado ao corpo. O “Mito de Er” pode ser o relato mais antigo de uma EQM.

3. EQMs e o islamismo

Para o islamismo, existe o Barzakh, que é uma espécie de um sono profundo no qual a alma entra enquanto aguarda a ressurreição e o julgamento final. Não se sabe exatamente o que acontece nesse estado, mas os fiéis acreditam que pode ocorrer uma espécie de prévia da sua condenação eterna ou ascensão ao Paraíso.

Na literatura ocidental, há poucos relatos de EQMs de pessoas islâmicas. Tem a história de uma egípcia que sofreu um grave acidente de carro e teria visto o trono de Deus. Nele estaria escrito “Laillahah illalah, Muhamadan Rasussululah”, algo como “Não há Deus senão Deus, e Maomé é o seu mensageiro”.

Outra história fala de uma mulher chamada Suleman que sofreu uma pancreatite aguda e supostamente morreu. Ela relata que foi para um lugar multidimensional, passando pela sexta dimensão, muito próxima do que ela chamou de “realidade absoluta da Luz Divina”. Lá ela teria visto gente do calibre de Mahatma Gandhi e Martin Luther King.

E não para por aí: em um lugar ainda mais iluminado, estariam Noé sentado sozinho, Moisés batendo um papo com Jesus, Krishna trocando ideias com Buda e Maomé ao lado da Virgem Maria! Especialistas dizem que as experiências em vida de Suleman podem ter influenciado nessas visões.

Outro fato curioso é em relação ao estudo de pessoas que passaram por terremotos: um evento desses no Paquistão, por exemplo, não registrou nenhuma EQM, enquanto um sismo na China teve até 40% dos sobreviventes relatando alguma experiência de pós-vida. Estudiosos da área acreditam que os fiéis muçulmanos possam ter medo de contar algo do tipo por ser uma afronta aos ensinamentos do Islã.

4. A visão hinduísta das EQMs

No hinduísmo, as EQMs são relatadas como sendo mais burocráticas do que no Ocidente. Isso foi concluído através de uma pesquisa do final dos anos 70, feita por Karlis Osis e Erlendur Haraldsson. Os seguidores dessa religião relatam encontros com Yamraj, o deus dos mortos, yamdoots, que são os mensageiros desse deus, e Chitragupta, que é o responsável por consultar um livro com os karmas positivos e negativos de cada pessoa.

O relato de Vasudev Pandey é assustador: ele foi arrastado por dois indivíduos até a presença de uma figura negra e nua, mais tarde identificada como Yamraj. Em tom de fúria, ele teria dito: “Eu lhes disse para trazer o jardineiro Vasudev, já que nosso jardim está secando. E vocês trouxeram o aluno Vasudev!”. Pandey acordou em sua cama, cercado de familiares e amigos – incluindo o tal jardineiro Vasudev, que faleceu no dia seguinte.

Outro homem conta que tentou escapar desse “purgatório” e, por isso, teve suas pernas cortadas na altura do joelho. Quando descobriram que seu nome não estava na lista dos mortos, ele foi ordenado a recolocar seus próprios membros e voltou à vida! Ao contrário das EQMs ocidentais, em que a própria pessoa faz uma revisão de sua história, nas experiências hindus sempre existe alguém lendo um livro com esses registros.

5. As EQMs judaicas

No judaísmo moderno, muitos fiéis não acreditam em uma vida após a morte. Porém, nas gerações mais antigas existem casos interessantes de EQMs, normalmente relatando o julgamento da pessoa que quase morreu.

No Talmud, um dos mais sagrados livros judaicos, existe a história de um homem que faleceu e retornou à vida. Ele conta que “do lado de lá” não existe o conceito de status social, apenas algumas figuras sábias e alguns mártires são mais reverenciados. Um segundo relato fala que o próprio Deus ordenou que ele voltasse à Terra.

Já nos textos do Zohar, um homem teria ganhado 22 anos a mais de vida depois que o exército celestial teria ouvido os lamentos de seu filho. O pedido para que a graça acontecesse foi feito para ninguém menos do que o próprio Deus!

 

Fonte: BBC Brasil/Megacurioso.com

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