15/11/2017

Sete mulheres pioneiras na ciência mundial

 

Quantas mulheres cientistas você consegue citar de cabeça? Em geral, símbolos da ciência costumam ser do sexo masculino, o que não faz justiça a diversas pioneiras que merecem ser lembradas, celebradas e estudadas.

A série #100Mulheres, da BBC, listou algumas mulheres que fizeram - e ainda estão fazendo - história no campo científico.

Marie Curie: primeira pessoa a conquistar dois Prêmios Nobel

A polonesa Marie Curie (1867-1934), que ganhou fama internacional com seus estudos sobre radioatividade, foi a primeira pessoa a conquistar o Prêmio Nobel em dois campos diferentes da ciência.

Em julho de 1898, ela anunciou, juntamente com o marido, Pierre Curie, a descoberta de um novo elemento químico, o polônio - que recebeu esse nome em homenagem ao seu país de origem. No mesmo ano, os dois descobriram o rádio.

Em 1903, Marie Curie ganhou o Prêmio Nobel de Física ao lado do marido e de Henri Becquerel. Oito anos depois, conquistou o segundo Nobel - desta vez, de Química.

Caçula da família, Curie nasceu em Varsóvia, na Polônia. E trabalhou desde cedo para conseguir pagar os estudos. O esforço foi recompensado - ela conseguiu terminar um mestrado em física e outro em matemática, um na sequência do outro.

Após a morte do marido, em um acidente em 1906, Curie assumiu o posto dele como professora - e tornou-se a primeira a mulher a lecionar na Universidade Sorbonne, em Paris.

A cientista morreu, aos 66 anos, vítima de leucemia, causada pela exposição prolongada à radiação durante sua pesquisa.

Peggy Whitson: primeira mulher a comandar a Estação Espacial Internacional

Enquanto a americana Peggy Whitson cursava o último ano do ensino médio, a Nasa selecionava suas primeiras astronautas mulheres. E o que a princípio era um sonho, inspirado nas transmissões do homem pisando na Lua, começava a ganhar contornos de realidade.

Criada em uma comunidade rural do Estado de Iowa, Whitson não sabia exatamente como realizar o sonho de se tornar astronauta, mas seguiu sua paixão pela química e biologia para obter um doutorado.

Cientistas costumam ser minoria em equipes de astronautas, geralmente formadas por militares. Mas, em 1996, Whitson foi selecionada como candidata a astronauta.

A americana, que fez seu primeiro voo para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em 2002, se tornou a primeira cientista a comandar a ISS.

Whitson encontrou na Estação Espacial Internacional um ambiente de pesquisa único. Realizou diversos experimentos - de testes voltados à agricultura até potenciais tratamentos para o câncer e dinâmica de fluidos.

"Eu amo a variedade de pesquisas que estamos conduzindo no espaço. Vai nos ajudar no futuro, quando realmente conseguirmos sair e explorar lugares mais distantes - dentro do nosso Sistema Solar e até mesmo além dele", afirmou à BBC.

Marie Tharp: mapeou o fundo do oceano

Em 1953, Marie Tharp (1920-2006) se tornou a primeira cientista a mapear o fundo do Oceano Atlântico.

Geóloga e cartógrafa oceanógrafa, Tharp deu uma importante contribuição à ciência ao descobrir o Vale do Rift ou Vale da Grande Fenda (complexo de falhas tectônicas causadas pela separação das placas africana e arábica) - que comprovou a teoria das placas tectônicas.

Inicialmente, a descoberta de Tharp não foi levada a sério, nem mesmo por seu parceiro de pesquisa, Bruce Heezen.

Como a presença de mulheres em navios de pesquisa era proibida, ela desenhou os mapas com os dados que Heezen coletava nas expedições.

Apesar das contribuições revolucionárias, o nome de Tharp permanece quase no anonimato - enquanto Heezen recebe sozinho o crédito de grande parte do trabalho que realizaram juntos. Ela sabia que ficaria em segundo plano, mas descarta qualquer tipo de ressentimento e destaca a importância de documentar a cordilheira meso-atlântica.

"Você só pode fazer isso uma vez. Não dá para encontrar nada maior que isso, pelo menos não nesse planeta", afirmou.

Wanda Diaz-Merced: tornou a astronomia acessível

A astrofísica Wanda Diaz-Merced começou a apresentar problemas de visão quando ainda era estudante na Universidade de Porto Rico.

A retinopatia diabética (complicação da diabetes que causa cegueira) comprometeria totalmente sua visão em pouco tempo, mas ela estava determinada a não mudar os rumos de sua carreira.

Um estágio na Nasa deu a Diaz-Merced a oportunidade de trabalhar com um método chamado "sonificação de dados". Por meio dessa técnica, as informações enviadas pelos satélites eram traduzidas em ondas sonoras - em vez de gráficos visuais, formato usado normalmente pelos astrônomos.

Diaz-Merced continuou desenvolvendo o software, permitindo que astrofísicos interpretem os dados com mais precisão e tornando essa área acessível a uma série de pesquisadores excluídos no passado.

Ela trabalha atualmente no Departamento de Astronomia para Desenvolvimento da África do Sul, abrindo espaço na ciência para uma geração de estudantes cegos.

"Para esse campo da astronomia, que eu amo tanto, não quero ver nenhuma segregação. Quero que as pessoas tenham oportunidades iguais para mostrar seu talento", disse à BBC.

Quarraisha Abdool Karim: inovação na prevenção da Aids

Quarraisha Abdool Karim, epidemiologista especializada em doenças infecciosas, passou mais de 25 anos estudando como o vírus HIV, causador da Aids, se espalhou na África do Sul, e seu impacto nas mulheres.

Em 2013, Karim ganhou a Ordem de Mapungubwe, maior honra da África do Sul, por suas contribuições inovadoras.

Ela trabalhou de perto com mulheres de todas as comunidades sul-africanas para realizar testes de prevenção do HIV.

Atualmente, Karim é diretora científica da Caprisa, centro de investigação da Aids na África do Sul, e atua como conselheira das agências da ONU.

Soyeon Yi: primeira astronauta da Coreia do Sul

Em 2008, Soyeon Yi fez história ao se tornar a primeira astronauta da Coreia do Sul, tendo competido com outras 36 mil candidatas pela vaga.

"Não é comum ser a primeira na história entre as mulheres", diz Yi, confiante de que seu sucesso pode inspirar outras mulheres a entrar para o mundo da ciência.

Quando olhou para baixo e viu a Terra do espaço, ela conta que se sentiu muito grata pelas oportunidades que teve na vida e pela "linda dádiva" que é nosso planeta.

Rajaa Cherkaoui El Moursli: papel-chave na descoberta do Bóson de Higgs

Na infância, a física nuclear Rajaa Cherkaoui El Moursli leu a biografia de Marie Curie diversas vezes - as conquistas da polonesa inspiraram a jovem marroquina ao longo de sua educação.

Mas El Moursli teve que superar diversos obstáculos para seguir carreira na ciência.

"O primeiro desafio foi convencer meu pai a me deixar ir para a França, para Grenoble, fazer faculdade", relembra.

"Naquela época, a sociedade marroquina ainda era muito conservadora e a maioria das meninas não podia deixar o país antes de casar."

El Moursli ganhou prêmios por seu papel na descoberta (e prova) da existência do Bóson de Higgs, a partícula responsável pela criação da massa no universo.

Ela também é responsável pelo primeiro mestrado em física médica no Marrocos.

O que é o #100Mulheres?

A série #100Mulheres, da BBC (100 Women), indica 100 mulheres influentes e inspiradoras no mundo anualmente. É responsável pela criação de documentários, reportagens especiais e entrevistas sobre suas trajetórias, abrindo espaço para histórias com mulheres como personagens centrais.

Você só usa 10% do cérebro? Conheça 6 mitos sobre a mente

O cérebro humano é estudado há séculos, mas ainda se sabe muito pouco a respeito deste "supercomputador".

A complexidade do órgão acabou estimulando o surgimento de diversas crenças populares sobre a mente.

  • Selecionamos a seguir uma lista de seis mitos que costumam ser propagados:

1 - Você usa apenas 10% do cérebro

Uma simples ressonância magnética pode acabar com essa teoria. Cientistas já provaram que nós usamos mais de 10% do cérebro ao executar simples tarefas – como falar.

A origem do mito pode estar relacionada ao estudo clássico de William James, The Energies of Men (1908), no qual o psicólogo afirma que utilizamos apenas uma pequena parte da capacidade mental. No entanto, ele não especifica a porcentagem.

Outra explicação pode ser a falta de compreensão em relação ao complexo campo da neurociência. Os neurônios da massa cinzenta são responsáveis pelo poder de processamento do cérebro e correspondem a uma em cada dez células cerebrais.

As outras células, conhecidas como células gliais (massa branca), oferecem apoio e nutrição aos neurônios, mas não ajudam no poder de processamento. A teoria de que seria possível aproveitar as células gliais e capacitá-las para desempenhar o papel do neurônio é pura fantasia. Então se alguém disser para você "usar todo o seu cérebro", responda que você já está fazendo isso.

2 - Você pode aprender línguas dormindo

Outra crença comum é sobre a capacidade de aprender uma língua durante o sono. Ao deitar, bastaria colocar um CD com aulas de francês, por exemplo, e, pronto! Absorveríamos todo o conteúdo enquanto dormimos.

A eficácia da técnica tem sido contestada, no entanto, desde o experimento de Charles Simon e William Emmons (1956), que não encontrou qualquer evidência de que seria possível aprender algo durante o sono.

Já o estudo de Thomas Schreiner e Björn Rasch (2014) mostrou que ensinar palavras em holandês durante um movimento ocular mais lento ou ao acordar melhora a capacidade de memorizar o vocabulário. Ainda assim, a margem de melhoria foi pequena. Ou seja, os métodos tradicionais ainda são os mais recomendados para o aprendizado de idiomas.

3 - Ouvir Mozart torna a criança mais inteligente

O termo "efeito Mozart" surgiu a partir de um artigo publicado pela Universidade da Califórnia em 1991, que detalhava um estudo feito com 36 estudantes. Os que ouviram Mozart por 10 minutos antes de uma atividade mental – que tinha como objetivo testar uma habilidade visual espacial específica – se saíram melhor do que aqueles que haviam aguardado em silêncio.

Apesar da limitação óbvia da pesquisa, que contou com um número pequeno de participantes – e do fato de que nenhum deles era criança –, o resultado inspirou o surgimento de diversos produtos destinados aos pais e que foram colocados à venda com a promessa de potencializar a inteligência de seus filhos.

Em 2010, uma análise de vários estudos constatou que ouvir música ou outro tipo de conteúdo teria um impacto num curto prazo na capacidade de manipular formas mentalmente, mas não encontrou evidências para sustentar um possível impacto no quociente de inteligência (QI) das pessoas.

4 - Você pensa com o lado direito ou esquerdo do cérebro?

Se você acredita que tem um cérebro "intuitivo", porque usa mais o lado direito, ou "analítico", por acionar mais o hemisfério esquerdo, está enganado. A teoria de que um dos lados do cérebro tem influência significativa na personalidade da pessoa é um mito.

É verdade que algumas funções cerebrais encontram um suporte maior em determinado hemisfério do cérebro. Um exemplo é o idioma, controlado predominantemente pelo lado esquerdo. No entanto, aspectos da comunicação, como a modulação de voz, são guiados por regiões do lado direito. Ou seja, um simples bate-papo provoca reações complexas em ambos os lados.

A tecnologia moderna oferece uma visão mais precisa que contradiz crenças históricas. Um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, divulgado na publicação científica Plos One, examinou cada par de 7.266 regiões do cérebro em mais de mil indivíduos, enquanto eles executavam pequenas tarefas.

O estudo não encontrou, no entanto, evidências claras para sugerir que os participantes estavam usando fortemente o lado esquerdo ou direito.

Como seres humanos, temos tendência a agrupar objetos ou pessoas em conjuntos ou categorias que nos ajudem a organizar e entender o desconhecido. É essa tendência humana que pode ter influenciado a propagação deste mito tão popular.

5 - Álcool mata células do cérebro

Acordar com a cabeça latejando após uma noite de bebedeira pode dar a impressão de que o álcool destruiu milhares de células do seu cérebro, mas a boa notícia é que isso provavelmente não aconteceu.

Grethe Jensen (1993) comparou amostras de neurônios de pessoas que bebiam álcool e que não bebiam. Os resultados não apresentaram diferenças perceptíveis no número ou na densidade de células do cérebro.

Pesquisas sugerem, no entanto, que apesar de o álcool não matar as células, ele pode ter um impacto negativo significativo no comportamento delas, alterando as ligações entre os neurônios no cérebro, o que afeta a forma como as células se comunicam entre si.

Um estudo publicado na revista Neuroscience também descobriu que quantidades moderadas de álcool alteram a produção de novos neurônios no hipocampo de um adulto, um processo chamado neurogênese - o que pode ter efeito na aprendizagem e na memória.

6 - Dano cerebral é sempre permanente

A gente costuma ouvir que qualquer dano cerebral é permanente. Mas um dos feitos notáveis deste órgão é que, em certas circunstâncias, é possível que ele consiga recuperar uma lesão, dependendo da localização e da gravidade.

Uma concussão pode ser uma interrupção temporária das funções do cérebro, mas, desde que não haja traumatismo posterior na cabeça, o cérebro pode se recuperar completamente.

O cérebro também pode se adaptar a lesões ainda mais graves em um processo chamado neuroplasticidade, que se refere à capacidade do cérebro de redirecionar suas funções desativadas por condições mais sérias, como um acidente vascular cerebral.

 

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

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