15/11/2017

Bolsonaro é um blefe e o País não têm candidato que mereça o voto

 

Há dias em que a gente acorda bem, mas em outros dias nem sente vontade de levantar. Para quem trabalha em jornalismo de política e de economia aqui no Brasil, as notícias são sempre lamentáveis e desalentadoras, é preciso ter uma extraordinária capacidade de resistência. O fato concreto é que os governantes, os parlamentares e as autoridades  parecem viver num mundo à parte, em uma espécie de Ilha da Fantasia, estão pouco se preocupando com o interesse público e com uma melhor qualidade de vida da população. Esta é a nossa realidade.

O pior é saber que não há solução à vista nem a prazo. As insanidades administrativas já ficaram tão enraizadas, as mordomias tão sedimentadas, os privilégios tão estratificados e os penduricalhos salariais tão arraigados e legalizados que realmente não há possibilidade de reverter essa situação em futuro próximo.

INTERVENÇÃO MILITAR

Diante dessa realidade, há quem defenda uma intervenção militar, para reorganizar os três Poderes, moralizar o país e reduzir as desigualdades sociais. Existem motivos para tanto, reconheça-se. Mas acontece que os militares nada podem fazer, porque todas essas revoltantes irregularidades estão dentro da lei ou foram legitimadas pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, tornaram-se “direito adquirido”.

Por exemplo, José Dirceu, que nunca trabalhou nem teve carteira assinada, já se aposentou com o teto do INSS (cerca de R$ 5,5 mil) e agora vai ganhar aposentadoria na Câmara, de mais R$ 9,6 mil), porque tem “direito adquirido”.

Há milhares de ex-parlamentares na mesma situação de Dirceu, generosamente “aposentados”. No Congresso atual, com 594 integrantes, apenas um, o senador José Reguffe (sem partido-DF), abriu mão da aposentadoria e paga sua contribuição ao INSS, como qualquer trabalhador brasileiro. Reguffe também rejeitou o fabuloso plano de saúde familiar e a cota parlamentar, que lhe permitiria contratar 50 assessores. Mas é a única exceção.

TUDO DOMINADO

Temer não tem nada de bobo e já acalmou os militares, que terão reajuste salarial em 2018, enquanto os servidores civis ficarão com salários congelados até 2019. A decisão de prestigiar as Forças Armadas saiu até barato —  custará apenas R$ 4,6 bilhões, bem menos do que o “investimento” que Temer fez nos deputados, calculado em R$ 5,7 bilhões na primeira denúncia, e mais R$ 12 bilhões na segunda denúncia, além de cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo. Além disso, os militares também ficaram de fora da proposta de reforma da Previdência, demonstrando que nem todos os brasileiros são iguais.

Para quem defende a intervenção militar, a alternativa passou a ser a eleição de Jair Bolsonaro, o capitão que queria fazer atentados a bomba para exigir reajuste salarial dos militares e ainda defende ardorosamente a tortura a presos políticos, vejam como a ironia da vida é impressionante.

BOLSONARO ELEITO

O capitão-candidato ainda a escolher partido, mas certamente conseguirá uma bela coligação. Tem chances concretas de ser eleito, mas isso é diferente de um golpe militar. Como presidente, terá de se curvar ao Congresso e ao Supremo. E todos sabem que os três poderes estão apodrecidos. Portanto, os “direitos adquiridos” continuarão prevalecendo. Os integrantes da máquina pública continuarão vivendo na Ilha da Fantasia e o presidente Bolsonaro nada poderá fazer nem terá condições de mandar torturá-los, porque os militares estão guardados por Deus e contando o vil metal, como dizia Belchior, em sua insanidade lógica e racional.

E quanto ao maior problema brasileiro, a dívida pública? O que fará o presidente Bolsonaro? Vai realizar a auditoria determinada pela Constituição? Vai consultar a economista Maria Lúcia Fatorelli, considerada uma das maiores especialistas do mundo, que auditou as dívidas do Equador e da Grécia? Você realmente acredita nisso?

‘Financial Times’ e ‘The Economist’ resistem aos esforços de Bolsonaro ser “liberal”

As publicações londrinas “Financial Times” e “The Economist”, vozes tradicionais do mercado financeiro global, resistem aos esforços de Jair Bolsonaro para se apresentar como representante liberal. O jornal sublinhou que seus “oponentes temem uma volta aos dias sombrios”, pois ele “invoca passado brutal”.

A revista diz que a retórica de Bolsonaro é “ainda mais indecorosa” do que a de Donald Trump, que o candidato procura criticar.

Villas Bôas novamente descarta intervenção e não fala nada sobre Bolsonaro

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde. Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.

Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como “inaudita”. Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.

SEM TUTELA

Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. “O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada”, declarou.

O comandante falou também sobre o emprego – e limitações – das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.

E chamou ainda de “alarmistas” os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.

A DOENÇA

Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença. “Me fortalece e me anima”, diz, complementando, no entanto, “que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo”.

O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido “muitas manifestações de solidariedade e apoio”.

Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo. Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais “linha-dura” e ícones dos “intervencionistas” – como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército – assumam o comando da Força.

PERFIL IDEAL

Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.

“Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função.”

Sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.

UNIÃO

“O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário”, afirma.

Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.

“Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964… O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito”, diz, acrescentando que eram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. “O Exército estava na eminência de rachar.”

AMADURECIMENTO

Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. “Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise.”

Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.

“Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade”, afirma.

FALTA EDUCAÇÃO

“Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro.”

“Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro.”

 

Fonte; Tribuna da Internet/Jornal GGN/BBC Brasil/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!