15/11/2017

Até quando e onde irá a autofagia do PSDB?

 

Em 2016, o biólogo japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o Prêmio Nobel ao mostrar que o processo de autofagia de um organismo não era algo ruim, mas na verdade um processo de autodefesa. As células tratavam de devorar o que nelas havia de danificado para tentar salvar o organismo. Um esforço de reciclagem.

Podem acontecer falhas nesse processo. Se a causa que danifica as células não é paralisada, acontece uma degradação excessiva: as células não param de se autodevorar. Também acontece às vezes de ocorrer mutações dos genes de autofagia, fazendo com que a célula não consiga se livrar de partes defeituosas ou comece mesmo a devorar as partes saudáveis. A ciência trata agora de encontrar mecanismos de controle desses processos autofágicos, estimulando-os ou inibindo-os conforme a necessidade.

O PSDB tem a chance agora de contribuir para o avanço da ciência oferecendo uma possibilidade de se verificar se aquilo que Ohsumi verificou na biologia acontece também na política.

A destituição do senador Tasso Jereissati (CE) pelo senador Aécio Neves (MG) do comando interino do partido foi o auge do louco processo autofágico do PSDB, do qual já falamos mais de uma vez por aqui. Que culminou ainda com Tasso dizendo com todas as letras quais são as diferenças que hoje enxerga ter com Aécio, falando claramente em concessões ao fisiologismo e que o “o PSDB desses caras” não é o seu PSDB.

Tentando aplicar as teorias do Prêmio Nobel à autofagia tucana, vamos ter que acompanhar o que acontecerá agora. Ou o PSDB pode cair num processo de degradação excessiva, no qual suas células não pararão de se autodevorar. Ou pode ser vítima de uma mutação genética que vitime as células saudáveis e não as cancerosas. Ou pode obter a depuração mesmo do organismo, que parece, segundo Ohsumi, ser a razão mesma da autofagia nos organismos.

No episódio da destituição de Tasso, houve uma aliança estranha e incomum para quem acompanha o tucanato há mais tempo. O senador José Serra (SP) deu uma mão a Aécio Neves. Serra, que andava sumido e muitos julgavam mesmo carta fora do baralho, reapareceu forte nos bastidores. O nome escolhido para substituir Tasso Jereissati é Alberto Goldmann, fortemente ligado a Serra.

Serra e Aécio são tucanos que não se bicam desde que Aécio resolveu se lançar, e se eleger, presidente da Câmara. Na ocasião, Serra era o líder do governo Fernando Henrique Cardoso, e havia um acerto para que se apoiasse a eleição de Inocêncio de Oliveira para o cargo, num agrado ao PFL, principal parceiro do governo. Aécio fez uma aliança com o PMDB e costurou à revelia da vontade do governo – e dos acertos feitos por Serra – sua candidatura. Daí para a frente, a relação entre os dois sempre foi fria. Aécio não ajudou muito Serra nas vezes em que ele foi candidato à Presidência, e Serra fez o mesmo quando o candidato foi Aécio.

Agora, os interesses se conjugaram. Aécio está nesse abraço de afogados com o presidente Michel Temer. Os dois apareceram na mesma denúncia do irmão Friboi, Joesley Batista, e colaboram um com o outro para desqualificar e não deixar que as investigações ali contidas avancem e prevaleçam. E Serra recoloca-se com o comando interino de Goldmann no jogo da sucessão, seja como opção de candidato à Presidência, seja para se lançar candidato a governador de São Paulo. De qualquer modo, retorna ao jogo e enfraquece seu maior adversário nesse processo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Há três hipóteses mais visíveis de final para o autocanibalismo tucano. O movimento mantém o PSDB no governo e a construção faz com que Temer tenha participação ativa na sucessão, sendo o candidato tucano o nome apoiado por ele. Prevalece a posição de Tasso Jereissati e o PSDB deixa o governo, fazendo ao final a depuração que ele preconizava. Ou os dois grupos seguem se devorando para infelicidade geral da nação tucana. Talvez seja o caso de Yoshinori Ohsumi voltar seus microscópios para o ninho tucano…

Aécio explode o PSDB em plena estrada das urnas de 2018

Manchete principal de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, edições de sexta-feira, o senador Aécio Neves, ao afastar Tasso Jereissati da presidência interina do PSDB, sem dúvida explodiu a legenda do partido na estrada das eleições de 2018. A sigla foi pelo ar e os estilhaços vão se refletir não só na sucessão presidencial, mas também nas disputas pelos governos estaduais. Um pedaço fica reservado para o pleito de senadores e deputados federais. Afirmando estar sendo pressionado, Aécio não teve coragem para ele próprio reassumir o posto, pois é preciso lembrar que dele foi afastado por nebulosas transações com Joesley Batista.

Aécio terminou investindo Alberto Goldman no comando partidário, sob o pretexto de que escolhia alguém isento para presidir o PSDB até as eleições internas marcadas para 9 de dezembro.

HOUVE PRESSÃO?

Em vez de pacificar, o senador mineiro agravou as divergências entre os tucanos. Em primeiro lugar, de quem teria partido a “pressão” alegada por Aécio Neves? Só pode ter sido do presidente Michel Temer, como indica a lógica das hipóteses. Mas Michel Temer é do PMDB e, aparentemente, nada tem a ver com o PSDB.  Tornar-se-ia assim uma interferência extrapartidária.

Enquanto Tasso Jereissati anuncia que disputará o pleito interno de 9 de dezembro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista a Silvia Amorim, O Globo deste sábado, propõe a investidura de Geraldo Alckmin numa tentativa de reunificar as correntes em que se divide a legenda. A divisão, aliás, revela-se inevitável, sobretudo, porque ao destacar o nome de Alckmin, FHC afirmou a Silvia Amorim que seu candidato para presidir a sigla em dezembro é o senador Tasso Jereissati.

No domingo passado 5 de novembro, FHC sustentou a tese de que o PSDB deixe o governo Temer a partir do próximo mês, sob pena de não poder disputar a próxima sucessão para presidente da República.

ROMPIMENTO

É claro que ao anunciar seu apoio a Tasso Jereissati, Fernando Henrique Cardoso praticamente assinou seu rompimento com Aécio Neves. Isso porque Tasso, ao ser substituído, formalizou sua ruptura frontal com Aécio Neves. Por isso, se Tasso vencer a disputa, o resultado será catastrófico para Aécio. E se Marconi Perillo, candidato de Aécio, vencer a disputa, fica evidente a abertura de profunda dissidência que poderá levar os descontentes a ingressarem em outro partido.

De qualquer forma, Aécio Neves sai derrotado do episódio. E vale lembrar que um processo no Supremo corre contra ele e que a devolução de seu mandato, por seis votos a cinco, não se vincula ao fim do julgamento no qual é réu na Corte Suprema.

O telefonema entre ele e Joesley Batista o compromete totalmente. Porque, se fosse em torno de um empréstimo financeiro, não haveria necessidade de entrega do valor em dinheiro vivo. Bastaria um depósito bancário. E por falar em depósito bancário, qual a garantia que Aécio ofereceu a Joesley?

PSDB sairá pela porta da frente, só que deitado

Após exibir sua má reputação numa convenção estadual do PSDB em Minas Gerais, Aécio Neves trocou um dedo de prosa com os repórteres. A certa altura, disse haver no PSDB “um convencimento de todos'' de que está chegando o momento de deixar o governo. Hã, hã… ''Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos'', declarou Aécio. De fato, o tucanato sairá pela mesma porta que entrou. Mas numa posição diferente.

Os tucanos discutem a hipótese do desembarque há quase seis meses. As ameaças soam em ritmo diário desde que o grampo do Jaburu explodiu nas manchetes. Mas seus quatro ministros tucanos a rotina. Cumprem a agenda, levantam da poltrona e saem do ministério no fim do dia. Cumprem a agenda, levantam da poltrona e saem. Cumprem a agenda, levantam e saem. Cumprem a agenda, levantam e saem. Aproxima-se o dia em que os ministros tucanos sairão dos ministérios sem se levantar.

Pressionado, Temer prepara a execução. E os partidos do centrão já se prontificaram a carregar a alça do caixão. Ou seja: o PSDB sairá do governo pela porta da frente, como prevê Aécio, só que deitado.

PSDB faz programa de índio e abre grade eleitoral para global Huck. Por Ricardo Miranda

A saída a fórceps do senador Tasso Jereissati do comando do PSDB, operada por seu colega de partido Aécio Neves, e o acirramento da divisão interna de uma das principais legendas, no poder e na oposição, pós-redemocratização, escancarou a crise no ninho tucano e, como efeito colateral grave, deixou emplumado quem defende um nome heterodoxo para a disputa. Saia ele ou não da família social-democrata. Dentro do PSDB, quem se aliou contra o lado negro da força só vê uma alternativa honrosa: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O prefeito João Doria, que de fenômeno no final do ano passado, ao vencer no 1º turno na capital paulista, passou a justificar o apelido jocoso de “prefake”, tantos foram os erros que cometeu, já é visto uma espécie de emu, aquela ave vistosa que, embora tenha asas, não voa. O caso é que o piti esparrama-penas de Aécio, seja intencional ou não, jogou alpiste na direção do aventureiro global Luciano Huck.

Huck, amigo de Aécio há quase duas décadas – fotos dos dois juntos desde a última campanha presidencial são figurinhas carimbadas no google – não deve sair pelo PSDB. Se José Serra tem dificuldades em aceitar Doria no Palácio dos Bandeirantes – até porque imagina o papel para ele mesmo -, imagine numa eleição casada com Huck concorrendo ao Planalto por sua legenda.

Não faltarão, porém, legendas dispostas a alugar seu espaço para a publicidade global. Quem já disse “eu quero” foi o PPS, segundo jornais e revistas. O apresentador do Caldeirão participou nas últimas semanas de reuniões com líderes do PPS, como Roberto Freire e o ministro Raul Jungmann, além de satélites partidários, como Armínio Fraga, para discutir cenários eleitorais e a entrada no partido de membros do movimento Agora!, do qual é participante. O tal Agora! não esconde esses contatos. O próprio Huck parou de esconder.

Chamou a atenção, nesse contexto, digamos, global, coluna de Merval Pereira, no Globo de sábado, 11, intitulada “O fator Huck”, dando a candidatura como quase viabilizada politicamente. E como a Globo, pós-William Waack, vê tudo isso? Segundo a coluna Radar, da revista Veja, a cúpula do grupo deu um ultimato, no bom sentido, em Luciano Huck. Ficou decidido que, se ele quiser mesmo abraçar a política, terá que sair da emissora até dezembro. O apresentador já até sonharia com Marina Silva para vice, ainda de acordo com o colunista Maurício Lima, de Veja. Merval Pereira diz que o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, é outro darling do artista global.

Uma pesquisa no site de registro de domínios na internet mostra que LucianoHuck2018.com.br está indisponível. Não se sabe se foi o próprio, o Agora! ou um fã anônimo.

Daqui a um ano, quando estivermos estudando a gênese dessa campanha, e dessa eleição que se anuncia duríssima – e talvez lastimável -, poderemos avaliar se o “Fator Huck”, agora apenas nas sombras, foi uma ventania atoa, uma tempestade passageira que se anunciou como um furacão ou uma catástrofe tão irresistível quanto demolidora na vida política nacional. Huck será, então, mais do mesmo no entretenimento global ou uma experiência político-midiática sem precedentes num país que não cansa de brincar com sua democracia.

Ministro tucano pede demissão, mas Luislinda não abandona a sua “escravidão”‘ 

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), entregou nesta segunda-feira uma carta de demissão ao presidente Michel Temer. No documento, Bruno Araújo afirma que “não há mais” apoio no seu partido para seguir no cargo, mas ressalta ter convicção de que o governo de Temer será reconhecido pelos seus “resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira”. Na tarde desta segunda, o ministro participou, ao lado de Temer, da cerimônia de lançamento do cartão-reforma, no Palácio do Planalto. (LEIA MAIS: ‘Cada um sabe de si’, diz Aloysio, após ministro tucano pedir demissão)

“Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida política, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nesta tarefa. E de modo especial aos pernambucanos, na certeza de que procurei, na nossa mais fiel tradição, desempenhar com zelo a minha missão, ajudando o país e meu querido estado”, diz o tucano, na carta.

FALTAM TRÊS

Desde maio, quando foi revelada a delação da JBS, integrantes do PSDB discutem a possibilidade de deixar o governo. Recentemente, os líderes do partido concordaram com o desembarque, mas não definiram uma data. A legenda ainda tem outros três ministros: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

Para colegas de Bruno Araújo na Câmara dos Deputados, ele, como ex-líder do partido na Casa, sentiu o peso das convenções estaduais do PSDB, realizadas no fim de semana, onde o apoio ao desembarque foi amplamente majoritário. Os parlamentares lembram também que Bruno foi o primeiro a se manifestar pela saída do governo, em maio, quando explodiu a delação da JBS.

“Ontem, na convenção do PSDB no Rio, colocamos na cédula (a pergunta) se era a favor ou contra o desembarque. O desembarque teve o apoio de 97% dos convencionais. O ministro Bruno revela estar antenado e sintonizado com o sentimento amplamente majoritário hoje no partido” — disse o presidente do diretório fluminense, deputado Otávio Leite (RJ).

COM EDUCAÇÃO

O governador de Goiás, Marconi Perillo, candidato a presidente do partido, disse que a saída de Bruno seguiu o que ele vem pregando: o desembarque “com educação”, de forma natural e elegante.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputado, Ricardo Tripoli (SP), afirmou que Bruno Araújo tomou a decisão correta. Tripoli vinha cobrando o desembarque e liderando a ala que queria a ruptura com o governo. “Estou num painel na Alemanha, mas acredito que tomou a decisão correta” — disse. Perguntado se esperava que os demais ministros tomasse a mesma atitude de sair do governo, ele disse: “Espero que sim”.

Já o líder do partido no Senado, Paulo Bauer (SC), divulgou nota para elogiar a gestão do ex-ministro. De acordo com Bauer, ele contribuiu “para que o Brasil vença de forma substantiva as dificuldades que o governo do PT deixou para o país”. O senador ressaltou ainda que o PSDB tem o projeto de oferecer uma candidatura presidencial em 2018.

 

 

 

Fonte: Por Rudolfo Lago, em Os Divergentes/Tribuna da Internet/BlogdoJosias/o Globo/Municipios Baianos

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