18/11/2017

Como o aquecimento global pode mudar 5 cidades no mundo

 

Pouco antes das negociações sobre mudanças climáticas começarem na 23ª Conferência do Clima (COP23) em Bonn, na Alemanha, a ONU alertou que as últimas projeções de aquecimento global apontam uma elevação de 3,2ºC até 2100 - muito acima do objetivo de limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC.

Mas, por trás dos números, quais seriam as consequências de um mundo mais quente? Como diz o próprio nome, o aquecimento global ocorrerá no mundo inteiro, mas os impactos irão variar de um lugar para outro. A DW mostra o que um aumento de 3ºC significaria para cinco cidades mundo afora:

Nova Orleans, EUA: mais tempestades e inundações

Se a temperatura global aumentar 3ºC, o futuro de Nova Orleans será incerto. A relação entre as mudanças climáticas e tempestades está apenas começando a ser entendida, mas o aumento do nível do mar e temperaturas da superfície dos oceanos mais quentes sugerem que a cidade provavelmente experimentará mais eventos meteorológicos semelhantes ao furacão Katrina até o fim do século. A temporada de furacões excepcionalmente hiperativa em 2017 pode ser um prenúncio preocupante dos eventos climáticos que estão por vir. De acordo com Bridget Tydor, urbanista do Conselho de Esgoto e Água de Nova Orleans (SWBNO), a cidade americana está trabalhando duro na manutenção de diques e no preparo para a remoção de um grande número de pessoas, se necessário. "Como vimos e aprendemos, a proteção ou mitigação contra desastres não é a única parte do quebra-cabeça", afirma Tydor, que também é membro da delegação americana da Governos Locais por Sustentabilidade (ICLEI) dos EUA que foi à 23ª Conferência do Clima, em Bonn. "Nós também temos que nos adaptar e ter construções e infraestrutura mais sustentáveis para suportar eventos de chuva mais intensos ou até furações."

Paris, França: ondas de calor e poluição

Um aumento de temperatura de 3ºC tornaria as ondas de calor mais comuns - inclusive no local de nascimento do Acordo de Paris. Um estudo recente da World Weather Attribution (WWA) sugere que temperaturas de mais de 40ºC no verão poderiam ser a norma em toda a Europa até 2050. Grandes cidades como Paris também têm que lidar com a poluição do ar, que é acentuada por ondas de calor prolongadas - e vice-versa. Um estudo de 2017 aponta que, combinadas, ondas de calor e partículas de poluição agravam umas as outras, representando um risco significativo para a saúde humana. Não precisamos esperar até o fim do século para ver o impacto do tempo quente nos centros urbanos. A França foi especialmente atingida pela onda de calor europeia em 2003, quando Paris registrou uma série de mortes. Mais recentemente, a onda de calor Lúcifer causou calor excessivo no sul da Europa. Paris já está tentando lidar com um futuro mais quente, começando pela proibição de veículos a diesel no centro da cidade, que deve entrar em vigor em 2030.

Cidade do Cabo, África do Sul: seca

À medida que as temperaturas aumentam, o risco de seca segue o mesmo caminho - não apenas nas regiões naturalmente áridas, mas também nas que dependem de chuvas sazonais. A Cidade do Cabo está atualmente em meio à sua pior seca em 100 anos. Johannes Van Der Merwe, membro do comitê de finanças da prefeitura da cidade na COP23, afirma que a cidade está respondendo à crise atual construindo mais aquíferos e estações de dessalinização, além de restringir o uso da água. Porém, a cidade precisará se adaptar no longo prazo à escassez de água. "Quando parti da Cidade do Cabo, há cerca de uma semana, os níveis das barragens estavam em 38%", afirmou Van Der Merwe. "Muitas vezes falamos que [esse patamar] é o 'novo normal'." A crescente população da cidade só tornará as coisas mais difíceis. Atualmente, a região metropolitana da Cidade do Cabo tem 3,7 milhões de habitantes, mas a população está crescendo 3% ao ano. "Você pode ser uma cidade bem governada e segura, mas, se não houver água, então você tem um problema", frisa Van Der Merwe.

Daca, Bangladesh: aumento do nível do mar

Com uma população de 14,4 milhões de pessoas, Daca é a quarta cidade mais densamente povoada do mundo - e um dos lugares mais vulneráveis ao aumento do nível do mar. Um aumento da temperatura média global de 3ºC faria com que o nível dos oceanos aumentasse de dois a quatro metros nos próximos três séculos. Mas uma análise de 2013 mostra que as marés em Bangladesh estão aumentando pelo menos dez vezes mais rápido que a média mundial, o que deve significar um aumento de quatro metros em 2100. Isso faria com que ao menos 15 milhões de pessoas deixassem áreas rurais mais baixas e se mudassem para cidades como Daca. Muthukumara S. Mani, economista do departamento de desenvolvimento sustentável para o Sul da Ásia do Banco Mundial, identificou áreas que se tornarão "pontos cruciais" de mudanças climáticas nas próximas décadas. "Definitivamente, Daca é muito vulnerável às mudanças climáticas e precisa estar preparada", afirmou Mani à DW. "O que acontecerá em Daca também dependerá muito do que acontecerá em outros lugares de Bangladesh. Se as coisas começarem a piorar, as pessoas começarão a migrar para Daca, e isso vai piorar a situação", frisou a especialista. Daca está situada apenas quatro metros acima do nível do mar, e altas taxas de pobreza significam que a cidade tem capacidade limitada para se adaptar às mudanças climáticas. "É difícil planejar com antecedência, considerando os recursos limitados que o governo tem agora", afirma Mani.

Norilsk, Rússia: derretimento do permafrost

O derretimento do permafrost é um sintoma frequentemente ignorado das mudanças climáticas, mas seus impactos já estão sendo sentidos em algumas cidades do mundo localizadas mais ao norte. Um estudo de 2016 aponta que cidades na Sibéria construídas sobre o permafrost - solo ou sedimento congelado por mais de dois anos consecutivos - estão em perigo de, literalmente, entrar em colapso devido ao aquecimento global. Norilsk, na Rússia - a cidade mais ao norte do mundo e que tem uma população de mais de 100 mil habitantes - está situada em uma zona de permafrost contínua. Estudos demonstraram que as temperaturas na Rússia ártica estão aumentando mais rapidamente que no resto do mundo. No ritmo atual, pode ser que os edifícios em Norilsk consigam suportar de 75% a 95% menos peso até os anos 2040. Os moradores já estão relatando um aumento súbito de danos e rachaduras nos prédios à medida que o solo sobre eles se descongela.

Aquecimento global ameaça Patrimônios Nacionais

Aquecimento global ameaça Patrimônios Nacionais, conforme publicação no site da Deutsche Welle. A matéria cita patrimônios os mais diversos como a Mata Atlântica, no Brasil; a Estátua da Liberdade, nos USA; e até o Vale da Lua, na Jordânia.

  • Vamos à lista:

A Mata Atlântica

Segundo a DW “é um dos paraísos protegidos pela Unesco. E já enfrenta ameaças como o desmatamento, a caça indiscriminada e a ocupação irregular. Localizada próximo ao litoral, a região também corre riscos com enchentes, secas, deslizamentos de terra e outros eventos climáticos potencializados pelo aquecimento global”.

A Floresta Tropical de Bwindi, Uganda

Para a DW “quase a metade dos gorilas que ainda vivem livres na natureza em todo o mundo estão em Uganda. São cerca de 880 animais. Mas o aumento da temperatura leva a população que vive em áreas vizinhas à floresta a ocuparem áreas mais frescas. Para os gorilas sobra menos espaço para viver. O contato também aumenta os riscos de disseminação de novas doenças”.

Lago Niassa, Malaui

“Altas temperaturas fazem com que a água do gigantesco lago Niassa evapore. O período de chuvas tem se tornado mais curto e a seca se estende cada vez mais. Com isso, o lago tem cada vez menos água. Este é um problema tanto para o ecossistema quanto para os pescadores que vivem do que retiram do lago e as empresas que oferecem mergulhos para turistas”.

Vale da Lua, Jordânia

“Gargantas estreitas, penhascos e uma vista espetacular são alguns dos pontos altos deste patrimônio mundial. Mais de 45 mil pinturas rupestres, algumas com até 12 mil anos, são uma atração turística. Mas a água na região está ficando ainda mais escassa devido às mudanças climáticas e ameaça animais e plantas que vivem nesta área”.

Ilhas Chelbacheb, Palau

“Não é surpresa que as 400 ilhas Chelbacheb recebam mais de 100 mil turistas por ano. Os vilarejos antigos, lindas lagunas e recifes de corais fazem de lá um paraíso no Oceano Pacífico. Ainda assim, com a temperatura do mar subindo e a água ficando mais ácida, os corais são danificados e ficam brancos, causando seu extermínio”.

Ilha de Páscoa, Chile

“As estátuas Moai na ilha chilena atraem a cada ano 60 mil visitantes. A erosão da costa e a elevação do nível do mar ameaçam as estátuas”.

Estátua da Liberdade, Estados Unidos

“A Estátua da Liberdade sofre com tempestades cada vez mais fortes e o aumento do nível do mar. Em 2012 , o furacão Sandy danificou a infraestrutura da ilha onde fica a estátua. Alguns acreditam que é apenas uma questão de tempo até que a estátua em si seja avariada”.

Cartagena, na Colômbia

“A colombiana Cartagena de Índias fica a apenas 2 metros acima do nível do mar. Principalmente o belo centro histórico e portuário da cidade, fundada em 1533, estão ameaçados”.

Veneza, na Itália

“Embora o fenômeno da “acqua alta” não seja novidade em Veneza, ele está ocorrendo com cada vez mais frequência. E como um dos pontos mais baixos da cidade é a Praça de São Marcos, esta área especialmente turística é uma das mais comprometidas. Em longo prazo, o aquecimento global tende a agravar o problema”.

Fiorde Ilulissat, Groenlândia

“Os icebergs derretem e se partem. Quando o permafrost, o solo permanente gelado, descongela, desaparecem com ele também os sítios arqueológicos. Turistas visitam o fiorde para vivenciar o “Marco Zero” da mudança climática. Para o gelo, o efeito é devastador, mas isso não impede mais e mais pessoas de irem até lá para ver icebergs antes que desapareçam para sempre”.

Aquecimento global põe em risco produção de café latino-americano

O aquecimento global ameaça as áreas mais favoráveis para o cultivo de café na América Latina, maior produtor do mundo, e, segundo o cenário mais pessimista, sua produção pode ser reduzida em 90% até 2050, de acordo com um estudo. “O café é um produtos alimentícios mais preciosos do mundo e precisa de um clima propício para o seu cultivo, assim como de abelhas suficientes para sua polinização”, explica Taylor Ricketts, professor do Instituto Rubenstein sobre o meio ambiente da Universidade de Vermont, coautor deste estudo publicado nesta segunda-feira na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). “É o primeiro estudo que mostra como o aquecimento do planeta afetará o ambiente das plantas de café e as abelhas de uma forma que penalizará duramente os produtores”, contextualiza o pesquisador.

Os melhores cafés são os mais ameaçados. O arábica, muito cultivado na América Latina, aguenta mal as flutuações de temperatura, umidade e sol, enquanto o robusta, que serve sobretudo para fazer café solúvel e é produzido principalmente na África, é um pouco mais resistente. Conforme o cenário de um aquecimento moderado ou elevado (mais de 2 graus Celsius) até 2050, a produção de grãos se reduziria de 73% a 88% nas áreas mais favoráveis para o cultivo, sob o efeito combinado do desaparecimento de uma parte das abelhas e dos arbustos. O mesmo modelo sugere uma diminuição da diversidade das abelhas de 8% a 18% nessas regiões.

As perdas mais importantes de produção estão previstas na Nicarágua, em Honduras e na Venezuela. O estudo identifica também as áreas onde a população e a diversidade de abelhas provavelmente aumentará, principalmente na América Central. Os pesquisadores também preveem um aumento do cultivo de café em México, Guatemala, Colômbia e Costa Rica, em regiões montanhosas onde as temperaturas favoreceriam as plantas de café e as abelhas selvagens.

 

O estudo destaca a importância dos bosques tropicais, habitats importantes para as abelhas e outros polinizadores chave. Cerca de 91% das zonas mais férteis para cultivar o café na América Latina se encontram hoje em dia a menos de dois quilômetros de um bosque tropical.

Aquecimento global é uma grave ameaça à saúde, aponta revista The Lance

Poluição, ondas de calor, epidemias, desnutrição... Um novo relatório do "The Lancet" avalia os efeitos do aquecimento global na saúde humana de forma perturbadora. O aquecimento global tem um custo enorme para a nossa saúde e, como enfatizou, em 2015, a Comissão de Saúde e do Clima (Commission for Health and Climate) do The Lancet, pode estragar os últimos 50 anos de progresso da medicina no mundo. Agora, um novo relatório publicado na respeitada revista britânica na terça-feira, dia 31 de outubro, confirma a tendência alarmante. O relatório, que é a primeira edição de “The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change" (Contagem Regressiva The Lancet: Acompanhando o Progresso na Saúde e nas Mudanças Climáticas), analisa os efeitos das ondas de calor, da poluição e da proliferação de insetos vetores de epidemias em grande escala, acompanhando 40 indicadores. A “Contagem Regressiva The Lancet” resulta de um projeto conjunto de 24 organizações de pesquisa e instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial. O objetivo é publicar um relatório a cada ano até o ano de 2030.

Os números falam por si. Entre 2000 e 2016, o número de pessoas vulneráveis expostas às ondas de calor disparou. Em 2015, a taxa aumentou em 125 milhões, afetando 175 milhões pessoas, com inúmeros riscos importantes, tais como insolação e agravamento de condições cardíacas ou de insuficiência renal pré-existentes.

De acordo com o relatório, apenas a poluição por carbono contribuiu para mais de 800.000 mortes prematuras na Ásia neste mesmo ano. Os efeitos das ondas de calor e da seca na produção agrícola e no abastecimento de alimentos também causam preocupação. A revista The Lancet estima que o aumento de temperaturas causou uma queda de 5,3% na produtividade dos trabalhadores em áreas rurais desde 2000, colocando as populações agrárias carentes em risco de não conseguirem se sustentar. O relatório também destaca o aumento alarmante da desnutrição no mundo. De acordo com os cálculos dos pesquisadores, cada grau a mais pode resultar em uma diminuição de 6% e 10% na produção de trigo e de arroz, respectivamente.

Epidemias também foram objeto de atenção no relatório.

A incidência de certas doenças, como a dengue e o chicungunha, em breve, pode aumentar muito, devido ao clima mais quente e à proliferação de mosquitos vetores. Os pesquisadores estimam que a capacidade vetorial para a transmissão da dengue já aumentou 9,4% desde a década de 50. Esta é uma observação preocupante, porque as consequências para a saúde poderiam ter sido diminuídas se políticas ambiciosas de mitigação e adaptação tivessem sido postas em prática durante a década de 90, após as primeiras advertências da ONU e do IPCC sobre o estado do planeta. Os pesquisadores foram cautelosos nas suas conclusões nesta primeira edição. Isto é particularmente significativo, uma vez que os efeitos das alterações climáticas na saúde pública também contribuem para o aumento da desigualdade no mundo, afetando as populações mais vulneráveis primeiro.

Porém, os pesquisadores também veem o lado bom da situação, com o aumento geral da consciência nos últimos cinco anos e, em particular, com o acordo de Paris, de 2015. "Pode ir de uma grande ameaça para a saúde a maiores avanços no campo da saúde durante a próxima década", afirma o professor Anthony Costello, diretor da OMS, que co-dirigiu o relatório. Os autores também pediram uma aceleração da "transição para uma sociedade com baixo consumo de carbono".

 

Fonte: Deutsche Welle/ Marsemfim.com/Correio do Povo/La Croix International/Municipios Baianos

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