19/11/2017

Nos estados, PMDB tem caciques envolvidos em crimes de corrupção

 

O PMDB é uma união de caciques regionais, que comandam os respectivos feudos políticos com completa autonomia e que, eventualmente, se reúnem para planejar ações no plano federal. É essa capilaridade que torna o partido essencial para qualquer governo instalado no Palácio do Planalto. Excepcionalmente, o partido vive, agora, seu momento de protagonismo no plano nacional, com Michel Temer. Mas a legenda, que tem a maior bancada da Câmara e do Senado, tem sido alvo da Lava-Jato. Só nesta semana houve operações e prisões no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul. Mas os estragos não ocorreram apenas lá.

O partido está na mira na Bahia, no Ceará, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul, no Pará, em Roraima, em Rondônia, em Goiás, em Alagoas, no Ceará e no Maranhão.

MUITOS ESTRAGOS

É verdade que a Lava-Jato tem provocado estragos em várias legendas. O primeiro a sofrer os impactos da operação foi o PT, culminando com a condenação a nove anos e meio de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença é que, no caso dos petistas, o estrago foi em figuras nacionais. Já no PMDB, embora os investigados também estejam no plano federal, são eles que dão as cartas nos diretórios estaduais.

A situação mais grave, sem dúvida, é no Rio de Janeiro, onde o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso ontem. Também estão presos e condenados o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. E o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, foi denunciado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e só não se tornou réu porque a Câmara rejeitou a denúncia contra ele, o também peemedebista gaúcho Eliseu Padilha e o presidente Michel Temer.

GEDDEL & CIA

A Bahia é outro exemplo. O partido é controlado à mão de ferro no estado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, acusado de, entre outras coisas, de manter um apartamento destinado a guardar R$ 51 milhões em dinheiro vivo. Ele é irmão do deputado Lúcio Vieira Lima. O vácuo no diretório baiano é tão grande que já há quem cogite que o ministro da Secretaria de Governo, o tucano Antonio Imbassahy, deixe o PSDB e filie-se ao PMDB para assumir o controle estadual. Ele nega a intenção e os peemedebistas locais prometem montar barricadas para evitar que isso aconteça.

“O PMDB está parecendo um mingau que estão querendo comer pelas beiradas. Mas não tem problema. Quem estiver no centro desse prato vai conseguir manter o protagonismo da legenda”, desconversa o deputado Carlos Marun (MS). Mas na terça-feira, a 5ª fase da Operação Lama Asfáltica, batizada de Papiros de Lama, decretou a prisão do ex-governador André Pucinelli e do filho dele, Júnior. Ambos foram soltos, mas o escândalo se agravou.

Renan Calheiros é condenado a perder o mandato

A Justiça do Distrito Federal condenou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por improbidade administrativa, atribuindo como pena a perda do mandato e a suspensão de seus direitos políticos por oito anos. O parlamentar, no entanto, pode recorrer da decisão sem ter que deixar o cargo.

A sentença foi assinada pelo juiz Waldemar Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, na quinta-feira passada (16/11), mas foi revelada pela imprensa brasileira somente neste sábado.

O peemedebista, segundo o documento, foi condenado por enriquecimento ilícito e recebimento de vantagem patrimonial indevida. O processo, sob segredo de Justiça, estaria relacionado à pensão supostamente paga com valores ilícitos a uma filha de Renan com a jornalista Mônica Veloso.

Em nota, o senador declarou que vai recorrer com "serenidade" da decisão e se disse "surpreso" com o fato de a sentença ter vindo de um juiz de primeira instância. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Renan ainda lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já analisou o caso e decidiu não levá-lo adiante por falta de provas.

O senador se referia a uma ação, de caráter criminal, enviada ao Supremo que o acusa de uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato, em referência ao mesmo episódio. No ano passado, a Corte decidiu não aceitar a matéria por falta de provas, mas o processo ainda tramita na Justiça.

Em 2015, uma outra ação judicial, de caráter civil, havia sido aberta pelo Ministério Público por improbidade administrativa. Foi esse processo que resultou na atual condenação.

Em 2007, Renan, então presidente do Senado, foi acusado de ter usado sua influência no governo para favorecer a construtora Mendes Júnior, que, em troca, pagava pensão à filha que o senador teve com Veloso, num caso extraconjugal.

O senador sempre negou as acusações e chegou a apresentar notas referentes à venda de gado para comprovar que tinha renda para as despesas com a criança, mas a Polícia Federal encontrou indícios de que elas eram falsas.

Na ocasião, Renan quase teve o mandato cassado em razão do escândalo, mas foi absolvido em votação no plenário. Meses mais tarde, a pressão acabou levando o peemedebista a renunciar ao cargo de presidente do Senado, como estratégia para evitar a cassação do mandato.

O juiz Waldemar Carvalho ainda condenou Renan e a empreiteira Mendes Júnior, bem como o lobista da empresa, Cláudio Gontijo, a pagarem juntos uma multa civil de quase 247 mil reais. Segundo a sentença, esse foi o valor que teria sido repassado pela construtora ao senador.

Além desse caso, Renan ainda é investigado em ao menos oito inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato, e responde a outros três casos perante o Supremo Tribunal Federal.

Luciano Huck prefere o PPS e, se for candidato, terá de deixar a Rede Globo. Por Pedro do Coutto

Reportagem de Raphael Di Cunto, Valor, edição de quinta-feira, revela que o apresentador Luciano Huck manifestou sua preferência por ingressar no PPS, num gesto que decepcionou a expectativa do DEM que havia lhe oferecido legenda. Entretanto,  Huck acentuou que espera o apoio do partido de Rodrigo Maia dentro de uma coligação com o PPS. A possibilidade da articulação, de acordo com Di Cunto, gira em torno de uma candidatura à presidência da República em 2018, mas é possível, penso eu, que Huck termine sendo candidato a deputado federal ou a senador. Nitidamente, o objetivo do PPS e do DEM é unir a popularidade do apresentador à campanha eleitoral do próximo ano.

Entretanto, a questão envolve também sua permanência na Rede Globo. Isso porque em nota divulgada pela Veja que está nas bancas e pela Folha de São Paulo de terça-feira, a Rede Globo afirmou que espera, até o final de dezembro, que os integrantes de seu elenco informem se vão ser ou não candidatos às próximas eleições, ou se pretendem participar de campanhas políticas.

DESLIGAMENTO

Se as respostas forem afirmativas, os componentes do elenco da emissora terão seus vínculos com ela desligados. A Rede Globo acentuou também que a medida já se encontra prevista há vários anos no seu regulamento interno e que, por isso, não está colocando o tema apenas em relação a Luciano Huck.

De qualquer forma, ao manifestar preferência pelo PPS, Huck a meu ver está respondendo indiretamente ao aviso que tacitamente recebeu a partir do momento que foram divulgadas informações sobre o posicionamento da Globo em relação à participação política daqueles que lá trabalham.

É possível que, em consequência da decisão da Globo, Luciano Huck deixe de interessar ao PPS, ao DEM ou a quaisquer outras legendas. Porque uma coisa é apresentar um programa de alta audiência, outra é não mais ocupar o espaço tão importante no sistema de comunicação pública. Mas esta é outra questão, embora faça parte da realidade humana conduzindo a convergência de interesses e objetivos.

CONDICIONANTES

Apesar de tais interesses de convergência serem comuns à natureza humana, as empresas possuem condicionantes próprias que lhe são assegurados pela legislação.

As pesquisas realizadas até agora para Presidente da República apontaram entre 3 a 5% das intenções de voto para Luciano Huck dentro de um questionário no qual seu nome constava. Um índice bastante significativo, sobretudo para quem nunca percorreu os caminhos políticos. Foram pesquisas estimuladas pelo Datafolha e pelo Ibope. Pesquisas estimuladas são aquelas em que os entrevistadores apresentam aos entrevistados uma relação de nomes. Pesquisas espontâneas são aquelas em que os entrevistadores perguntam simplesmente às pessoas entrevistadas a tendência de seu voto.

Nas pesquisas espontâneas, Huck não teve pontos assinalados. Isso é natural. Tanto assim que o Ministro Henrique Meirelles, que já admitiu a possibilidade de vir a ser candidato, na pesquisa espontânea também não saiu do 0%.

HÁ MUDANÇAS

De qualquer forma as declarações de Luciano Huck ao Valor trazem reflexo ao quadro sucessório. Tanto assim que o Ministro Mendonça Filho, titular da Educação, figura entre os políticos do DEM que realizam contatos com Huck convidando-o a ingressar na legenda. Isso não implica num insucesso quanto ao salto do apresentador na esfera política. Tanto assim que Mendonça Filho pretende insistir, sobretudo porque, entre as articulações nos bastidores, foi levantada a hipótese de Luciano Huck ser candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin.

Raphael Di Cunto acrescenta que Huck dialoga também com Marina Silva, da REDE. Além disso, Huck é também cogitado a vice de Bolsonaro pelo PSC.

Todos esses convites e articulações se desenvolvem partindo do princípio de que o apresentador permanecerá nas tela da Globo. Telas que atingem diariamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras.

Huck está vivendo a pressão de ser candidato, diz presidente do PPS

Ao mesmo tempo que abre as portas do PPS para a candidatura do apresentador e empresário Luciano Huck disputar o Palácio do Planalto em 2018, o deputado Roberto Freire, presidente da sigla, mantém uma ponte segura com o governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB. O tucano, que é um aliado histórico, "puxou" quatro deputados para o seu secretariado e, com isso, permitiu que Freire assumisse o mandato na Câmara.

"Temos que começar a discutir uma candidatura única das forças que fizeram oposição aos governos lulo-petistas. O Alckmin é um dos nomes que pode representar essa unidade. Ele tem um diferencial, que a experiência de um governo com capacidade de diálogo". Freire, porém, faz questão de ressaltar que o PPS porém também pode fazer "a escolha pelo novo".

Segundo o dirigente, ainda não há martelo batido sobre uma possível entrada de Huck na legenda. O apresentador faz parte de um movimento, o Agora!, que planeja lançar candidaturas independentes dentro de partidos no processo eleitoral.

O movimento está conversando com o PPS em vários estados: Rio de Janeiro. São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

"O PPS trabalha com afinco por essa interação com o Agora!. Faz tempo que avaliamos que o tempo dos partidos está acabando. Somos um pouco a representação do passado, e eles do futuro", disse Freire.

O presidente do PPS também falou sobre a pressão da Rede Globo. Em comunicado interno divulgado na semana passada, o canal pediu aos funcionários que comunicassem com antecedência o canal sobre a intenção de participar do processo eleitoral. A emissora tem por hábito fechar a grade de programação do ano seguinte em dezembro. Esse é um dos motivos para pressionar o apresentador a se definir.

"Apesar de toda a pressão, quando eu decidi entrar na política foi uma decisão solitária. É uma mudança de vida de muito grande. O Huck está vivendo essa pressão", disse Freire.

Quando o deputado é questionado se o apresentador está preparado para governar o Brasil, a resposta está pronta: "Ele faz parte desse movimento com o qual temos identidade. É uma celebridade, mas tem boa formação.

Huck não é um simples apresentador".

Sobre outros cenários ventilados pelo PPS, o presidente da sigla não inclui apoiar um candidato ungido pelo governo Michel Temer. "Nós temos independência em relação ao governo Temer. Não é esse o caminho que estamos vislumbrando. Mas, se a economia registrar crescimento 2018, o governo certamente terá protagonismo na sucessão".

Em uma das frentes ventiladas pelo apresentador, as conversas com DEM teriam "esfriado" por influência do movimento cívico Agora!, do qual Huck é entusiasta e membro.

"Assim como outros grandes partidos brasileiros, o DEM não está muito interessado em renovação", disse um dos coordenadores do grupo e cientista político Leandro Machado, porta-voz e coordenador do Agora!.

Nos últimos encontros com lideranças políticas, Huck tem se feito acompanhar pelo menos por um membro do Agora!. Na última reunião com o presidente do PPS, Roberto Freire, no dia 10, a representante do movimento foi Ilona Szabó de Carvalho, diretora da organização não governamental, Instituto Igarapé. Huck e Agora! têm se movimentado politicamente de forma conjunta - e mesmo se o apresentador não formalizar candidatura, deve chancelar nomes apoiados pela organização.

O Agora! quer lançar candidatos ao Legislativo nas próximas eleições. Entre os partidos procurados estão o próprio PPS, a Rede e os Livres (ex-PSL). Sobre conversas com o DEM, Machado é claro: "No way" (sem chance).

O cientista político descarta o DEM porque o partido "não oferece a possibilidade de candidaturas independentes", disse. Embora faça questão de separar o Agora! de Luciano Huck, Machado também acha "muito difícil" que Huck se filie ao DEM. Dentro do partido o fator Huck perdeu força. A sigla viu a influência do Agora! sobre o apresentador crescer e afastar Huck da legenda. Um membro da direção do partido, que preferiu não se identificar, afirmou que as primeiras conversas com o apresentador foram promissoras. "Ele parecia pragmático. E entendia que só teria chance em um partido que tivesse tempo de TV e fosse tradicional e estruturado", disse.

Políticos fundaram o MFP, Movimento Fora Povo

Os políticos brasileiros fundaram o MFP, Movimento Fora Povo. Todas as pesquisas de opinião informam que a corrupção está na lista dos problemas que mais inquietam o brasileiro. A Lava Jato animava a plateia com a perspectiva de igualar todos os transgressores perante a lei. De repente, o vendaval que ameaçava os corruptos foi substituído pela mesma velha brisa de sempre —a brisa da impunidade.

Insatisfeitos com o foro privilegiado, os políticos agora perseguem a blindagem absoluta. O mais trágico é que eles fazem isso com a ajuda do Supremo Tribunal Federal, que, sob a presidência gelatinosa da ministra Cármen Lúcia, não só lavou as mãos no caso de Aécio Neves, como autorizou o Senado a sumir com o sabonete.

Ao permitir que Aécio recuperasse o mandato e se livrasse do recolhimento domiciliar noturno não pelo peso dos seus argumentos mas pela força do compadrio e do corporativismo, o Supremo acionou um abracadabra que fez aflorar o lado Ali-Babá das Assembleias Legislativas.

A conversão de imunidade em impunidade já livrou a cara de deputados estaduais em Mato Grosso e no Rio Grande do Norte. Vem agora o escárnio do Rio de Janeiro. A melhor arma contra o Movimento Fora Povo é o voto. O instinto de autoproteção dos corruptos transforma as urnas de 2018 numa espécie de raticida.

 

Fonte: Correio Braziliense/Deutsche Welle/Tribuna da Internet/BlogdoJosias/Municipios Baianos

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