22/11/2017

A revolução científica de Martinho Lutero

 

Há 500 anos nascia o protestantismo, na figura de Lutero. Suas ideias para uma nova igreja cristã, mais liberal e moderna, indiretamente provocaram um desenvolvimento científico sem precedentes na história da humanidade. “Leiam a Bíblia por vocês mesmos”, pregava. “Deus não precisa de intermediários.” Um artigo escrito por Philip Ball, na revista New Scientist, acentua o peso de Lutero no desenvolvimento da ciência moderna.

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero convocou os cristãos a debaterem suas 95 teses canônicas, afixando-as na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, dando início à Reforma com base num pensamento progressista em contraste com o conservadorismo exagerado da Igreja Católica. Coincidência ou não, o Iluminismo nasceu logo depois nos mesmos países onde o protestantismo primeiro ganhou espaço.

Eram tempos de uma Igreja autoritária, controladora, e os padres usavam a fé e a ignorância do povo como ingredientes para se tornarem ricos ou mais ricos. A dinastia papal dos Borgia havia transformado a Igreja Católica num balcão de negócios, em que se trocavam por moedas de ouro indultos para se chegar direto ao Céu ou ficar menos tempo no Purgatório.

Lutero percebeu que a Igreja havia se desviado de seu propósito e passou a pregar que apenas Deus poderia perdoar. Dizia: “Todo homem deve ler a Bíblia por si”, num momento em que poucos sabiam ler ou nem sequer entendiam a importância disso. Vários de seus seguidores logo viraram cientistas e críticos das “verdades” que a Igreja Católica pregava, tais como Johannes Kepler, astrônomo que iniciou o entendimento dos movimentos dos planetas. As pessoas comuns também passaram a enxergar o funcionamento das coisas de forma mais independente.

A Reforma tornou o Norte da Europa mais progressista e menos sujeito à autoridade da Igreja Católica. Iniciou-se a separação Estado-Igreja. O puritanismo, braço inglês da Reforma, deu início ao avanço científico britânico. Cientistas como Isaac Newton foram os primeiros a usar cálculos matemáticos e raciocínio lógico para explicar as leis da natureza.

A ideia de que a ciência não é inimiga da religião se propagou. Muitas das descobertas científicas naquele século e no seguinte foram feitas por religiosos, despertos pela curiosidade libertada por Lutero. Assim foi com Copérnico, um padre cristão que, em 1543, propôs o heliocentrismo, 50 anos antes de Galileu. Em 1600, os bons mapas celestiais eram feitos por padres jesuítas.

Na medicina, houve grandes avanços. Por volta de 1550, o médico Vesalius passou a dissecar corpos e reviu toda a anatomia humana pela primeira vez desde Galeno, na Grécia antiga. Além de descobertas na anatomia e na fisiologia, a ideia de que apenas a hóstia curava fracassou, cedendo espaço para os tratamentos conduzidos por médicos.

No início, nada foi fácil. A chama iniciada por Lutero desencadeou um incêndio científico que saiu do controle dos religiosos. Afinal, Lutero pregava interpretações diferentes, mas não que os cientistas renegassem a Bíblia. Muitos cientistas da época migraram para a Suíça e a Holanda para terem seus estudos publicados, mas vários deles foram perseguidos e mortos tanto por católicos quanto por protestantes. Descartes, que ousou questionar o milagre da transformação da água em vinho, escapou por pouco.

Antes de Lutero, a Renascença dos anos 1400, ela sim, incentivou o pensamento científico como ele é hoje e o surgimento da impressão gráfica de Gutenberg, em 1450, o disseminou. Mas, quando Lutero publicou sua tradução da Bíblia e ela esgotou em menos de um mês, ficou claro que a religião, assim como a humanidade, não seria mais a mesma.

Manuscritos do Mar Morto: quem escreveu os rolos bíblicos mais antigos do mundo?

Esqueletos recentemente desenterrados poderiam ajudar a revelar quem escreveu ou guardou os rolos encontrados entre 1947 e 1956 nas cavernas de Qumran, em Israel.

Os Manuscritos do Mar Morto são considerados uma das descobertas arqueológicas mais importantes de todos os tempos. Os rolos contêm mais de 800 documentos que compõem as primeiras páginas da Bíblia e os ensinamentos do cristianismo, incluindo os dez mandamentos. Os pergaminhos, descobertos entre 1947 e 1956 em 11 cavernas de Qumran (na costa do mar Morto), causaram um sério debate sobre quem ocupou a região.

Em 2017, os cientistas encontraram outra caverna na mesma zona na margem do Mar Morto, onde havia rolos ou pedaços de papiro e couro para escrever. Agora, poderia haver uma forma cientifica de descobrir quem ocupou o assentamento localizado perto das cavernas onde foram encontrados os manuscritos.

Segundo a análise de 33 esqueletos recentemente descobertos em Qumran, em Cisjordânia, a antiga comunidade desta área consistiria em uma seita religiosa de homens celibatários, informa a Science News.

A datação por radiocarbono dos ossos encontrados em Qumran, apresentada pelo antropólogo Yossi Nagar da Autoridade de Antiguidades de Israel, revelou que os corpos tinham cerca de 2.200 anos de antiguidade desde que foram enterrados. Esta é uma idade muito próxima da estimada dos textos antigos: considera-se que eles foram escritos entre 150 a.C. e 70 d.C.

Outras descobertas surpreendentes dissiparam as noções anteriormente existentes que sete dos corpos encontrados na zona pertenciam a mulheres. Segundo Nagar, depois de reexaminar os ossos, que se encontram agora na França, os pesquisadores chegaram à conclusão que seis dos sete indivíduos anteriormente rotulados como mulheres eram realmente homens. Também foram desenterrados os restos de várias crianças em Qumran.

O especialista israelense identificou 30 dos indivíduos encontrados como definitivamente ou provavelmente homens, de acordo com fatores tais como a forma pélvica e o tamanho do corpo. No momento da sua morte, teriam entre 20 e 50 anos ou mais, estimou Nagar.

"Não sei se essas foram as pessoas que escreveram os rolos do Mar Morto da região de Qumran", disse Nagar. "Mas a grande concentração de homens adultos de diferentes idades enterrados em Qumran é semelhante à que foi encontrada nos cemitérios ligados aos mosteiros bizantinos."

Uma das teorias mais antigas e conspirativas afirma que os membros de uma antiga seita judaica celibatária, os essênios, viveram em Qumran e escreveram os Manuscritos do Mar Morto, escritos em hebraico, aramaico e grego, ou que cuidavam desses documentos religiosos, legais e filosóficos.

No entanto, nos últimos 30 anos, foram propostas outras teorias que sugerem que pastores beduínos, artesãos e soldados romanos foram possíveis habitantes de Qumran e que teriam escrito os pergaminhos.

Monges budistas chineses “descobriram” a América mil anos antes de Colombo

É claro que a história oficial ocidental nunca registrou o fato, mas, a bem da polêmica, foi o monge budista chinês Hui-shan que em 499 regressou à China e fez ao então imperador um detalhado relato da viagem ao Fu-Sang (que vem a ser a América Central e, mais precisamente, o México). O registro se encontra no “Liang Shu: Anais da Dinastia Liang”: “Antigamente estes povos não viviam conforme as Leis de Buda. Aconteceu que durante o segundo ano da Grande Luz dos Sung (458) cinco monges peregrinos chegaram a este país (Fu-Sang) e propagaram a religião do Buda e, com ela, os livros sagrados e as sagradas imagens. Eles ensinaram ao povo as regras de vida monástica e mudaram seus costumes” – diz o registro.

Esse texto veio a lume em 1761, através do pesquisador francês J. de Guignes. De lá para cá, sobre o assunto sucedem-se livros e centenas de artigos de natureza científica.

MESMOS SÍMBOLOS

O famoso Alexandre Von Humboldt, em 1816, escrevia sobre as “surpreendentes analogias” nos simbolismos de culto entre astecas e budistas, na forma dos monumentos, nos calendários, na divisão do tempo em épocas e as cosmogonias. Falava inclusive nas “semelhanças bastantes notáveis na hierarquia eclesiástica”, nas autoridades religiosas etc.

Havia os que discordavam de tais teorias, achando tudo um absurdo, e entre estes estava o cientista Adam Lucien que, mesmo julgando as afirmações de Humboldt de pura fantasia, reconheceu, em 1875, no 1º Congresso Internacional de Americanistas, realizado em Nancy, a importância da ação missionária do budismo nos primeiros séculos da era cristã. “É certo que no século V, numerosos monges budistas cumpriram, por motivos exclusivamente religiosos, viagens tão longas e muito perigosas como a do monge budista Hui-shan que chegou às costas da Califórnia”.

MAIAS E INCAS

Em 1922, durante o XX Congresso Internacional de Americanistas, no Rio de Janeiro, o pesquisador chinês Toung Dekien declarou, entre outras coisas, que “Quetzalcoalti, figura lendária dos astecas seria um monge budista chinês” visto que, na antiguidade, alguns monges usavam barba. E a representação desse deus asteca é com pelos no rosto. Dekien disse ainda: “Do mesmo modo, missionários budistas foram divinizados como Votan, chefe fundador dos Maias (na Guatemala) e como Bochica, entre os Incas do Peru”.

Os dados acima estão na obra de Walter Gardini “Influências de Ásia en las Culturas Precolombinas”, publicada em 1978, em Buenos Aires pela editora Depalma.

EM LINHA RETA

A polêmica é boa! Se observarmos um mapa mundi veremos que da China pelo Oceano Pacífico, se chega em linha reta às costas da América.

Os monges budistas, conscientes da recomendação do próprio Buda (Sidarta Gautama|), seguiam o princípio expresso por ele no último Sutra, pronunciando pouco antes de falecer: “Ide, ó monges, e bendizei as massas, levai a felicidade por compaixão a todo o mundo, ide pelo bem estar e alegria de todos os seres (…) ide e difundi o ensino que é belo no seu início, belo na sua metade e belo no final”.

Curiosamente lembra o que disse Jesus: “Ide e pregai”… mas isso é assunto para outro artigo.

 

Fonte: CartaCapital/Jornal do Brasil/Municipios Baianos

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