30/11/2017

Salvador: Aos 96 anos, sambista Riachão faz shows na Caixa Cultural

 

Clementino Rodrigues, o popular Riachão, ainda surpreende com sua disposição e vitalidade para se apresentar por quatro noites seguidas em shows que celebram sua carreira. A leva de espetáculos começou nesta quarta-feira, 29, e vai até o dia 2 de dezembro, na Caixa Cultural. O público fica admirado com a energia do veterano sambista ao subir em cima do palco, mas ele não nega uma certa insatisfação.

"Eu sempre gostei de brincar, pular, sambar e jogar capoeira. Minha vida inteira foi assim. Depois desse caso que contei, estou vivendo sem sambar", conta Riachão. O tal "caso" que ele menciona aconteceu há 10 anos, quando uma mulher que dizia ser sua fã o convidou para um almoço, e, segundo o sambista, o enfeitiçou e o deixou doente.

Riachão é um homem cheio de crenças e sua palavra de ordem é a alegria, mas sente saudade do tempo em que tinha o samba do pé. "Reclamo porque não era assim. Se você assistir uma gravação de shows antigos, eu estou sambando com dona Ivone Laura, com Beth Carvalho, e hoje não faço mais isso", diz Riachão.

Mas o tom de lamentação não dura muito e logo ele faz planos para a nova apresentação: "Sambar eu não posso mais. Eu vou cantar. Eu canto a noite inteirinha. A alegria está no meu coração. Peço à Deus para continuar me dando força e alegria para continuar fazendo esse pouco. Minha vida é isso, alegria e samba", conclui.

Em conversa com A Tarde vestindo sua clássica boina branca e toalha no pescoço, o sambista lembra de como suas composições surgiram e afirma que elas são enviadas a ele por Jesus. "Eu não escrevo nada. Todas as minhas músicas, Jesus que manda", diz Riachão.

Baleia da Sé

O sambista fala do momento em que surgiu a letra de Baleia da Sé, lembrança tão viva em sua memória que parece ter acontecido recentemente, mas o episódio foi no final da década de 1950, quando empresários norte-americanos decidiram fazer uma exposição pública de uma baleia embalsamada dentro de uma carreta na Praça da Sé, no centro de Salvador.

Segundo Riachão, na Bahia ninguém sabia o que era carreta e nem baleia naquela época. Com a letra da música na ponta da língua e pronto para cantar, Riachão finaliza a história que originou sua primeira gravação, já que naquela época as emissoras de rádio não faziam gravações comerciais. A música Baleia da Sé fez bastante sucesso principalmente entre as crianças.

Riachão - 95 anos

Após passar pelas cidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, num total de 10 apresentações neste ano, o espetáculo Riachão – 95 anos de samba, que tem realização assinada pela Trevo Produções, chega a Salvador. O sambista se apresenta com a banda Bambas de Sampa, criada em 2014 exclusivamente para acompanhar Riachão em uma apresentação.

O grupo é formado por novos talentos da cena musical de samba em São Paulo e desde então vem acompanhando o artista em diferentes projetos. Idealizado por Paulinho Timor, Os Bambas de Sampa ainda contam com as vozes de Flora Popovich, Mariana Furquim, Paula Sanches e Fabricio Alves além de Caé e Renato (violão); Koca Pereira, Miró Parma e Cacá Sorriso (percussão); André Piruka (cuíca), Marcelo Homero (surdo), Cadu (pandeiro), Gregory Andreas (cavaquinho

Riachão conheceu os integrantes do grupo em São Paulo. "Gostei muito deles e eles gostam muito de mim. Por conta da alegria deles e de outros amigos aqui na Bahia, eu me alegro também", diz o músico.

Para o repertório do show, Riachão revela que uma música que não pode faltar é Cada Macaco no seu Galho. Conhecida pelo refrão que diz Chô Chuá, cada macaco no seu galho... é um dos maiores sucessos do sambista e tornou-se popular nas vozes de Gilberto Gil e Caetano Veloso, que relançaram a canção no disco Expresso 2222.

Mas apesar da popularidade, Riachão confessa que a sua composição preferida é outra. "Eu escolho Somente ela. Considero o máximo de felicidade musical. Considero essa música o mundo do amor. Essa não pode faltar em nenhum show meu", garante.

Ao todo, são 13 composições que fazem um recorte da sua trajetória e confirmam a grandeza e importância da sua obra, com canções gravadas por nomes de peso da música brasileira, de Beth Carvalho a Cássia Eller.

O Samba atual

Riachão sabe que as coisas mudaram e ele gosta do que tem sido feito. Como canta em Chô Chuá, ele reafirma: cada macaco no seu galho. "Meu jeito é a antiguidade, a jovem guarda está aí com o jeito deles de sambar e brincar, então eles têm o público deles, que gosta das músicas deles, e fico muito feliz de ver essa turma brincando. Se é alegria, eu concordo".

Ainda sobre o repertório, tem uma canção que todo ano ganha uma nova versão quando Riachão faz aniversário. "Sempre quando chega meu aniversário, Jesus manda esse verso: Com Deus / estou feliz mais uma vez / estava com 95 / agora 96 / 96 / parabéns / se Deus quiser malandro / vou chegar a 100", canta com toda alegria de quem quer chegar aos 100 anos cantando o samba da velha guarda. Vitalidade, disposição e alegria para isso não faltam. Alguém duvida?

  • Serviço

Riachão – 95 anos de Samba

Onde: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro)

Quando: Quarta, quinta, sexta e sábado, 20h

Quanto: R$ 10 e R$ 5 / 12 anos

Mateus Aleluia faz show em homenagem aos Tincoãs

O compositor e cantor Mateus Aleluia apresenta um show em homenagem ao grupo Os Tincoãs, no próximo dia 6 de dezembro, na sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. A trajetória do trio vocal será relembrada com espetáculo musical e lançamento de livro-memória que vai contar com a presença do ex-integrante Badu, que há 36 anos não reencontra Mateus Aleluia.

O show “Nós, Os Tincoãs” vai contar com as participações de Saulo e Margareth Menezes. Os ingressos estão à venda e custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). A apresentação está marcada para às 20h. Logo após o espetáculo musical, terá o lançamento do livro e o relançamento dos três principais discos do grupo no foyer do TCA.

Pela primeira vez, após 40 anos do lançamento do último trabalho, os fãs poderão comprar os CDs dos álbuns Os Tincoãs (1973), O Africanto dos Tincoãs (1975) e Os Tincoãs (1977). Na plateia, foram convidados os filhos angolanos de outro integrante, Dadinho, que nunca vieram ao Brasil.

O espetáculo contará com os músicos Alex Mesquita, Maestro Bira Reis e Luizinho do Gêgê e terá direção musical de Mateus Aleluia Filho. A cenografia será assinada por Gringo Cardia.

Com a formação inicial de Erivaldo, Heraldo e Dadinho, Os Tincoãs interpretavam no final da década de 50 apenas boleros. O grupo ganhou projeção, no entanto, quando passou a cantar a música dos terreiros de candomblé, das rodas de capoeira e do samba de raiz.

Nesta época, meados dos anos 60, Erivaldo saiu e entrou Mateus Aleluia. Nascia ali uma expressão musical que viria para modificar a música religiosa afro-brasileira.

  • SERVIÇO

Nós, Os Tincoãs

Data: 06 de dezembro

Local: Teatro Castro Alves

Horário: Show às 20h na sala principal do Teatro Castro Alves

Lançamento livro-memória após show no foyer do TCA

Valor: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

Vendas: Bilheteria TCA e www.ingressorapido.com.br

Jards Macalé faz show no Café-Teatro Rubi

Jards Macalé volta a Salvador para apresentações nestas sexta-feira (1º) e sábado (2), às 20h30, no Café-Teatro Rubi do hotel Sheraton da Bahia. No repertório, Macao traz clássicos de sua obra como “Farinha do Desprezo”, “Movimento dos Barcos”, “Gotham City” e “Vapor Barato”. Os ingressos custam R$ 80.

Violonista primoroso, o artista carioca reafirma no show sua importância como músico, compositor e intérprete, sempre ligado aos principais nomes da vanguarda cultural.

A obra de Macalé, além das suas interpretações, também ganhou versões de artistas importantes da MPB como Gal Costa, Nara Leão, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Frejat, Luiz Melodia e outros.

Referência na música brasileira, Jards teve sua vida e obra retratada nos filmes “Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal”, de João Pimentel e Marco Abujamra, e “Jards”, de Eryk Rocha, ambos premiados no Festival do Rio, além do curta “Tira os Óculos e Recolhe o Homem”, de André Sampaio. Macalé também atuou em “Big Jato”, filme de Claudio Assis, e compôs a música que encerra o longa em parceria com o DJ Dolores.

  • SERVIÇO:

O QUÊ: Jards Macalé

ONDE: Café-Teatro Rubi – Sheraton da Bahia Hotel

QUANDO: 1 e 2 de dezembro (sexta e sábado), às 20h

QUANTO: R$ 80

 

Fonte: A Tarde/ G1/Bahia.ba/Municipios Baianos

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