02/12/2017

Salvador: Obras de Lina Bo Bardi atrai o mundo para a Bahia

 

Anualmente, turistas vêm a Salvador com um motivo especial: visitar as obras de Lina Bo Bardi. O público é formado, principalmente, por arquitetos, designers e museólogos de todo o mundo quem têm a arquiteta ítalo-brasileira, que morou na Bahia nas décadas de 1960 e 1980, uma referência.

É o caso do professor de Arquitetura da Universidade de Florença, na Itália, Giacomo Pirazzoli. Um estudioso da obra de Lina, ele hoje está no Brasil produzindo um documentário sobre um dos projetos emblemáticos dela: a Casa do Benin e o seu diálogo com a Maison du Brésil, no Benin. Ao lado do presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Nivaldo Andrade Junior, eles ajudaram a desvendar o legado deixado por Lina em Salvador.

  • “Ela sacudiu tudo. Ela mexeu com todas as estruturas”, resume Andrade Junior, sobre a primeira estada de Lina na Bahia, entre 1950 e 1964.

Para começar, Lina foi chamada pelo governador Juracy Magalhães para projetar o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

Diferente do que esperava o governador, Lina queria mesmo era criar um museu de arte popular. Suas primeiras instalações foram no foyer do Teatro Castro Alves (TCA), na época quase destruído por conta de um incêndio. Vendo a movimentação do governo para reformar o equipamento, ela tratou de providenciar um espaço para o seu próprio museu. O ano coincidiu com o da construção da Avenida Contorno. Ela aproveitou que olhos estavam voltados para lá e convenceu o governador a comprar o terreno.

Ali surgia uma das obras mais importantes de Lina no país, o Museu de Arte Moderna (MAM), no antigo Solar do Unhão. Ao contrário do que era feito na época, ela preservou todos os galpões do antigo engenho, só demoliu um para a instalação de uma praça.

“Naquela época, só se preservava a parte considerada nobre dos engenhos, o casarão e a igreja”, explica Nivaldo, acrescentando que ela preservou a parte que lembra o trabalho, como os trilhos.

Marcas

Dentro do Solar, são claras as marcas da arquitetura de Lina, como os grandes espaços vazios. A escada de madeira é icônica. Os degraus são encaixados e não há pregos e parafusos. “O que sustenta são tarugos, parecidos com aqueles usados em carros de boi”, explica Nivaldo.

O museu foi projetado para ser um espaço vivo, com grandes janelas abertas, vista para o mar e ventilação natural. Anos depois, as janelas permanecem fechadas por causa da necessidade da baixa temperatura. Aliás, as janelas foram motivos de briga entre a arquiteta e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Enquanto todas as construções históricas restauradas tinham as janelas pintadas de verde bandeira, Lina as pintou de vermelho”, conta Andrade.

Dessa primeira fase, havia também a Casa do Chame Chame (1964), projetada para um advogado na Rua Plínio Moscoso, na Barra. Com design modernista, ela foi feita no entorno de uma jaqueira. A casa era de formato arrendondado, de cantos curvos, rodeada pela rampa que dava acesso à garagem. Só restaram as fotos. Em 1984, deu lugar a um prédio.

Com o golpe militar, Lina Bo Bardi foi demitida e mudou-se para São Paulo, sob suspeita de ser comunista. Ela só volta na década de 1980, na gestão de Gilberto Gil como secretário de Cultura de Salvador. O plano era fazer projetos para o Centro Histórico, recuperando prédios e criando espaços culturais.

Casa do Benin

Nessa época, é forte a parceria de Lina com outros artistas. Com Lelé e outros arquitetos, criou o projeto da Casa do Benin na Bahia, em 1987. O sobrado, no Pelourinho, vira uma mescla de influências históricas, africanas e modernistas. Segundo explica o professor Giacomo Pirazzoli, a ideia era fazer uma Casa do Benin na Bahia e uma Casa da Bahia no Benim. As duas chegaram a ser projetadas, mas só a brasileira foi executada.

A Casa do Benin tem várias marcas do trabalho de Lina Bo Bardi. Apesar de não ter uma assinatura forte, como as linhas curvas de Oscar Niemeyer, nesse equipamento cultural é possível encontrar pistas do trabalho dela.

Gregório de Mattos

Dessa segunda passagem de Lina Bo Bardi por Salvador, nasceu também o Teatro Gregório de Mattos. O conceito vanguardista do teatro surgiu da convivência em São Paulo com o teatrólogo José Celso Martinez. Ela projetou as reformas do Teatro Oficina e do prédio que homenageia o “Boca do Inferno”.  No teatro não há palco - para mostrar que ele se confunde com o público. Ela criou cadeiras dobráveis para que o público pudesse se mover no espetáculo.

Outra “arte” de Lina Bo está quase do outro lado da rua. Na Ladeira da Misericórdia há um conjunto arquitetônico de cinco casarões, entre os quais duas ruínas, que tem a intervenção da mulher revolucionária. Da ruína de um casarão surgiu o Bar dos Arcos. Ela construiu um restaurante no entorno de uma árvore, mostrando ali a ousadia na concepção de um espaço circular erguido com as placas pré- moldadas de Lelé Filgueiras.

“Lina era uma referência do que todo mundo queria ser quando crescer. Era linda, elegante, inteligente, tinha personalidade”, resume Nivaldo.

Exposição Navio Negreiro é destaque na programação na primeira semana de dezembro nos espaços culturais

E mais uma vez a diversidade toma conta da programação dos espaços culturais administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Passando por espetáculos de dança, tributo ao rei do pop, peças teatrais de Shakespeare e exposição de artes visuais, a primeira semana de dezembro garante ótimas atrações, com classificação livre atendendo a todos os públicos.

E a programação já começa movimentada! Amanhã (02), o Centro de Cultura Adonias Filho e, na segunda-feira (04), o Centro de Cultura de Alagoinhas abrem suas portas para receber a “Exposição Navio Negreiro”. Com obras de Hansen Bahia, inspiradas pelo poema Navio Negreiro de Castro Alves, a mostra é composta por vinte xilogravuras e promove um encontro entre a obra do artista e o poema de Castro Alves. A entrada é gratuita.

A programação do Centro Cultural de Guanambi começa com o grande “Tributo a Michael Jackson”. Depois do grande sucesso em 2015, o espetáculo retorna neste sábado e domingo (02 e 03) aos palcos. O enredo conta a história do rei do pop desde sua infância, com grande número de bailarinos e a participação de artistas locais no ramo musical e teatral. O ator Ricardo Walker marca presença como convidado especial, ele que é considerado o maior cover de Michael Jackson da atualidade. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$15 (meia).

Já no Cine Teatro Lauro de Freitas, na terça-feira (05), acontece a Mostra Lauro + Dança, o evento é a culminância do projeto “Lauro + Dança”, uma parceria com o Balé Teatro Castro Alves (BTCA), com o objetivo de apresentar aos pais, familiares e convidados dos alunos, bem como a comunidade de Lauro de Freitas o que foi desenvolvido durante o ano pelos alunos das oficinas de Iniciação ao Ballet Instrumental e de Ballet Instrumental e Preparação Corporal para Dançarinos. O evento é gratuito.

A Casa de Cultura de Mutuípe promove a “Oficina de Flores Artesanais” na próxima quarta e quinta-feira (06 e 07). Os participantes aprendem a cortar e montar as flores de papel, formar arranjos e aproveitar a natureza morta. As inscrições são gratuitas.

Centenário do Mestre João Pequeno de Pastinha é celebrado no Forte de Santo Antônio Além do Carmo

Em comemoração ao centenário do mestre João Pequeno de Pastinha, o CECA (Centro Esportivo da Capoeira Angola) promove uma série de homenagens ao maior capoeirista de tradição da Bahia, que terá início nesta sexta-feira, 01 de dezembro, às 18h, no Forte da Capoeira, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo. O evento de abertura terá uma mesa redonda com a presença de Dona Mãezinha, esposa do capoeirista, e Mestre Morais, seguido de uma mostra de vídeo e apresentação musical do Mestre Ciro.

O propósito da homenagem ao Centenário é promover a capoeira como pura expressão popular, um saber ancestral da cultura de matriz africana deixada pelos negros aqui escravizados. A Capoeira foi trabalhada pelo Mestre Pastinha em sua essência como um símbolo de resistência, uma forma de luta por liberdade e dignidade gestada nos corpos africanos. O movimento da capoeira enfrentou as consequências do racismo que marginalizou e até proibiu a prática, mas não apagou sua existência, a capoeira manteve-se viva e permanente, e através da ginga e mandinga de seus praticantes resiste.

Hoje, graças aos trabalhos de Pastinha em parceria com os investimentos do aluno do Mestra Pastinha, João Pequeno, atual Mestre, abre no Forte de Santo Antônio Além do Carmo a Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola e lá continua até hoje a desenvolver a Capoeira na forma em que lhe foi ensinada por seu Mestre, deixando sempre claro em sua fala, “Enquanto houver Capoeira o nome de seu Pastinha não desaparecerá”.

  • PROGRAMAÇÃO

DEZEMBRO DE JOÃO

Centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha.

DIA: 01/12/2017

HORARIO: 18h

LOCAL: Salão do forte Santo Antônio

CERIMONIA DE ABERTURA DO DEZEMBRO DE JOÃO

Mostra de vídeos e Mesa com convidados(as)

DIA: 09/12/2017

HORARIO: 19h30

LOCAL: CECA MATRIZ

Convidada Profª Vanda Machado RODA EM MEMÓRIA A PASSAGEM DO MESTRE JOÃO PEQUENO

DIA: 10/12/2017

HORARIO: 15h

LOCAL: Salão Nobre da Capoeira Angola João Pequeno - Pernambués

RODA DE CAPOEIRA ANGOLA COM O MESTRE CIRO

DIA: 15/12/2017

HORARIO:

LOCAL: UFBA

HOMENAGEM AO TÍTULO DE DOUTOR HONORES CAUSA DO DR. MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Abertura com a Orquestra do N’Zinga

DIA: 15/12/2017

HORARIO:

LOCAL: Praça do Santo Antônio Além do Carmo

ATIVIDADE CULTURAL

Mostra do vídeo: O velho capoeirista (Pedro Abib) e Roda de capoeira

DIA 26/12/2017

LOCAL: CECA MATRIZ

PARABÉNS MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

16h: Oficina de Capoeira Angola (Profª Nani de João Pequeno)

19h: Roda de Capoeira Angola - SEMEANDO (Mestre Jogo de Dentro)

21h: Confraternização

DIA 27/12/2017

LOCAL: CECA MATRIZ

 

 

Fonte: Correio/SecultBa/Municipios Baianos

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