05/12/2017

Peça teatral percorre ilhas da Baía de Todos os Santos

 

As histórias e canções guardadas nas memórias de mulheres que fizeram a história recente dos dramas e comédias de Madre de Deus, São Francisco do Conde e região. Esse é o ponto de partida da peça Donas – Comédias Que Elas Cantam, com direção de Claudio Machado, direção musical de Jarbas Bittencourt e produção de Ramona Gayão, que será apresentada em Madre de Deus, São Francisco do Conde, Salvador e Camaçari, gratuitamente em praças e áreas públicas, de 07 a 20 de dezembro. A iniciativa integra o projeto Dramas e Comédias – Oficina, Pesquisa e Encenação, viabilizado por meio do Edital Setorial de Teatro 2016, do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, da Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.

Realizado entre os meses de agosto a dezembro de 2017, o projeto “Dramas e Comédias – Oficina, Pesquisa e Encenação” consistiu na realização de uma criação teatral calcada numa pesquisa sobre “As Comédias” apresentadas desde o início de século XX em Madre de Deus e região circunvizinha, bem como na busca por vestígios dessa manifestação em outras cidades da região Nordeste e do Brasil. Para isso, os diretores artísticos e os participantes do projeto, visitaram mulheres e grupos que tiveram atuação ativa nesses espetáculos, realizados nas mais variadas condições pelas ilhas da Baía de Todos os Santos. “Hoje, idosas, essas senhoras mantêm a memória desse modo de fazer teatro, além das suas próprias histórias e as histórias desses lugares” explica o diretor Claudio Machado.

Essas “Comédias”, são assim chamadas, não por se tratar necessariamente de peças cômicas, mas antes, pelo seu carácter teatral e para designar todo tipo de história, seja trágica, dramática, romântica ou cômica. Esses textos dramáticos são ditos de modo musicado, por meio de canções que narram as histórias e cujas melodias ainda são lembradas pelas senhoras da região. O espetáculo que será apresentado sempre no fim de tarde, às 17h30, pegando a transição da luz do dia para a noite, mantém o formato musical das antigas comédias e as melodias originais.

Teatro Documentário

A peça Dona vai mostrar para o público as histórias e encontros que os criadores tiveram ao longo do processo de pesquisa, que teve início em agosto e foi marcado por encontros com mulheres de Madre de Deus, Ilha das Fontes, Ilha Maria Guarda, Ilha do Paty e Ilha de Bom Jesus dos Passos. Com leveza e bom humor, a montagem vai compartilhar a experiência de quem fez e até hoje mantém viva, ainda que em si mesma, a tradição das Comédias, valorizando essa identidade local, que causarão identificação com o público. É um modo de transmitir para os mais jovens, a riqueza do conhecimento das mulheres mais velhas, garantindo que as novas gerações possam conhecer as expressões artísticas da região e quem sabe, criar novas ideias e de interação.

Em cena, estarão as comédias colhidas nos lugares visitados e trechos das entrevistas, através dos corpos, vozes e olhares dos mais de vinte atores que compõem o elenco da peça. Toda criação de figurino, cenário e iluminação foi realizada coletivamente, levando osatores a pensarem, além da interpretação, também em outros aspectos da criação teatral.

Todo material de pesquisa utilizado no processo: entrevistas com as senhoras, anotações pessoais do acervo delas, além das referências dadas compõem a compilação intitulada “Caderno de Comédias: Histórias Cantadas por Elas”, registrando a memória que estava preservada apenas na oralidade dessas criadoras. O material será entregue em espaços de referência das cidades e Ilhas visitadas, para que possam servir para pessoas interessadas.

Sobre o projeto

O projeto Dramas e Comédias contou com três etapas distintas. Na primeira etapa “Oficina” foram selecionados os mais de vinte “Atores-pesquisadores”. Uma turma bastante heterogênea, com uma faixa etária diversa, dos 11 aos 45 anos, que formaram grupos de trabalho para atuação nas diversas áreas de criação do espetáculo e de execução do projeto (produção, direção, atuação, dramaturgia, música, cenografia, figurino, adereços, pesquisa, transcrição, dentre outras). Na segunda etapa “Pesquisa” aprofundamos a pesquisa e a criação dramatúrgica do espetáculo; por fim, na terceira etapa “Encenação”, com duração de dois meses, onde acontece a montagem da encenação e a realização do Circuito Arquipélago com apresentações da peça nas ruas das cidades de Madre de Deus, Salvador, Vila de Abrantes-Camaçari, Ilha de Maria Guarda, Ilha do Paty, Ilha de Bom Jesus dos Passos e na Ilha das Fontes.

  • Programação:

Donas - Comédias Que Elas Cantam

Quinta (07) |17h30 -  Ilha das Fontes

Sexta (08) | 17h30 - Ilha do Paty

Sábado (09) | 17h30 - Ilha de Bom Jesus dos Passos

Domingo (10) | 17h30 -  Ilha de Maria Guarda

Quinta (14)| 17h30 -  Nova Madre de Deus

Sexta (15) | 17h30 -  Em frente à Câmara Municipal de Madre de Deus

Sábado (16)|17h30 - Em Frente à Igreja Matriz de Madre de Deus

Domingo (17) | 17h30 - Em frente ao PSF 1, no Suape, em Madre de Deus

Segunda (19) | 17h30 - Candeal, em Salvador

Terça (20) | 17h30 - Em Catu de Abrantes, em Camaçari

Festa de Santa Bárbara representa a força, cultura e a fé do povo em celebração no Pelourinho

Ao raiar do dia 04 de dezembro, já se podia perceber que não seria uma segunda-feira como todas as outras. No horizonte da manhã surgia o branco sobre o qual canta a sambista Claudete Macêdo todos os anos nesta mesma data, e junto com ele, o Pelourinho se pintava de vermelho. A Alvorada de Fogos anunciava que a Festa de Santa Bárbara enfim havia chegado. Conforme acontece há mais de 200 anos, a Missa Campal reuniu milhares de pessoas que mesmo com diferentes crenças e religiões estavam hoje unidas pela mesma fé na figura sagrada que comandando os raios, ventos e trovoadas representa a força e o espírito aguerrido do povo em meio às dificuldades.

Guardiã oficial da Festa de Santa Bárbara, a Ordem do Rosário dos Pretos conduziu a Missa Campal, celebrada pelo padre Lázaro Muniz, que contou um pouco da história da Padroeira dos Bombeiros e dos Mercados e comentou sobre o sincretismo com a figura de Iansã, a quem muitos nesta data atribuem como a representação de Santa Bárbara no Candomblé. “Bárbara se preocupava com as pessoas e ansiava entender o por que das coisas, da natureza, da criação. Quando encontrou os cristãos descobriu uma razão para as suas perguntas e abraçou a fé”. A escolha pela fé selou um destino trágico para Bárbara, pois o seu pai, que tinha outros projetos para ela, irado a entregou para as autoridades da cidade, que proibiam o cristianismo. Bárbara terminou decapitada pelo próprio pai, e conta a tradição que, após ter cometido o ato, o homem foi fulminado por um raio. Daí surge a sua relação com os raios e as trovoadas, uma das características que para muitos devotos a aproximam da figura de Iansã. “É importante lembrar que se fossemos tomar as duas por suas características muito próprias nós encontraríamos pouca relação. Iansã era casada e teve filhos, Bárbara era virgem, a idade era diferente, entre várias coisas. Mas aqui entre nós encontramos toda a razão para poder fazer porque há uma relação muito profunda daquela que é guerreira, defensora da vida, que batalha para defender a fé e iluminar as coisas”, explica o padre Lázaro, justificando porque as manifestações da multidão se misturavam entre “vivas” a Santa Bárbara e “Eparrey Oyá!”.

O culto a Santa Bárbara existe há cerca de 375 anos. A Festa é celebrada há mais de dois séculos e permanece com um forte apelo junto ao povo, abrindo oficialmente o Calendário das Festas Populares. Para a secretária de Cultura, Arany Santana, momentos de dificuldade tornam ainda mais propício ao povo abraçar a fé. “Eu acredito que as mulheres e homens dessa terra veneram a Santa Bárbara porque ela nos dá força para caminhar diante das adversidades, como o racismo, a desigualdade. Sua história inspira especialmente as mulheres negras que trabalham e lutam por suas famílias e por um futuro melhor. Cada ano que passa essa festa se torna maior, assim como a fé das pessoas, que vem em massa celebrar e festejar a ela que nos dá coragem para enfrentar as lutas e desafios” reflete a secretária e filha de Iansã.

A celebração religiosa é marcada por homenagens e ofertas dos fieis. Flores e acarajés são alguns dos itens mais depositados no altar da Missa. A baiana Tereza Conceição, 65, participa do ofertório há 30 anos, desde que começou a trabalhar com a venda de acarajé. “Santa Bárbara que é a dona do acarajé. Então a baiana antes de ir pro ponto tem que se apegar a ela, pedir com fé que alcança”, conta a baiana, que usa uma saia branca com bordados vermelhos identificando a Festa de Santa Bárbara. Já a devota Rosa de Sá por promessa não deposita junto aos outros objetos o pequeno altar com a imagem de Santa Bárbara enfeitada com flores. “Há 12 anos, desde que fui alcançada com a graça de comprar minha casa própria, participo da missa carregando Santa Bárbara em meus braços”, conta.

A Missa Campal trouxe cânticos entoados pelo Coro da Rosário dos Pretos, além da participação da sambista Claudete Macêdo, cuja participação é sempre aguardada e reverenciada na festa, e Mariene de Castro, que ainda fará show no Largo do Pelourinho à noite. A cantora revela que apesar de já ter frequentado muito a Festa, está retornando após cerca de cinco anos ausente. “Estou muito feliz e grata por participar, por cantar aqui hoje. É emocionante ver a Bahia vermelha e branca, reverenciando esta Santa que nos dá tanta força para seguir todos os dias, e ver o sincretismo, o verdadeiro Axé da Bahia”, afirma.

Após o encerramento da Missa, o Cortejo seguiu pelo Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Rua da Misericórdia descendo pela Ladeira da Praça, levando Santa Bárbara até o quartel do Corpo de Bombeiros localizado na Barroquinha, onde foi reverenciada pela comunidade e pelos bombeiros militares, que a tem como Padroeira. O Cortejo seguiu pela Baixa dos Sapateiros, até retornar para a Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Além de Mariene de Castro, que fará show às 18h, atrações como Jorginho Commancheiro, Partido Popular e Viola de Doze realizam apresentações no Largo do Pelourinho.

Diretor Teatral Daniel Hertz realiza workshop no Teatro Vila Velha

A experiência de estar só em cena. A relação do ator com a palavra dirigida ao público. Sua razão e sua necessidade. Estar só e acompanhado. Acompanhado de quem? No workshop “Dirigindo Monólogos”, Daniel Hertz aprofunda a visão do ator sobre a cena não naturalista. O evento acontece no Teatro Vila Velha – entidade apoiada pelo Fundo de Cultura através do edital de apoio a ações continuadas de instituições culturais – e está com inscrições abertas na plataforma Sympla.

O domínio do ritmo, conhecimento da energia (contenção, explosão, suave, vigoroso, etc.), redimensionamento do espaço real de uma situação, formam um leque de exercícios e técnicas para se ter uma melhor abordagem sobre o atuante e conseguir buscar uma expressão não naturalista para explorar a questão:  de quem estamos acompanhados em cena, sem ficar só no discurso conceitual do termo.

Daniel Herz é diretor, professor, ator e autor. É fundador e diretor artístico da Companhia Atores de Laura. Dirigiu também outros espetáculos fora do grupo, tais como “Zastrozzi” (de Georg F. Walker), “Geraldo Pereira, um escurinho brasileiro” (de Ricardo Hofstetter), “Nós no tempo” (de Marcius Melhem), “Otelo da Mangueira” (de Gustavo Gasparani), “Tom e Vinícius” (de Daniela Pereira e Eucanaã), “A importância de ser perfeito” (de Oscar Wilde com adaptação de Leandro Soares), As Bodas de Fígaro, com tradução de Barbara Heliodora,dentre outras grandes produções. Em 2016, dirigiu a ópera Mozart e Salieri (de Rimsky-korsakov) no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2017 dirigiu Ubu Rei, de Alfred Jarry, no Teatro Oicasagrande com Marco Nanini, Rosi Campos e os Atores de Laura no elenco. Também em 2017 dirigiu Perdoa-me por me traíres, de Nelson Rodrigues.

Entre os prêmios e indicações que recebeu destacam-se, Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem na categoria melhor direção pelo espetáculo “Romeu e Isolda”, Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem nas categorias de melhor direção, melhor texto e melhor espetáculo por “Decote”, Prêmio Qualidade Brasil na categoria de melhor direção por “As artimanhas de Scapino”, indicação para o Prêmio Shell de melhor direção pelo espetáculo “As artimanhas de Scapino”, indicação para o Prêmio Shell de melhor direção pelo espetáculo “Adultério”,  Prêmio Orilaxé  de melhor direção pelo espetáculo “O filho eterno”. Indicado para o Prêmio Cesgranrio demelhor direção pelo espetáculo “As Bodas de Fígaro” e para o Prêmio Cepetin de melhor direção pelo espetáculo “Fonchito e a lua”. Indicação para o Prêmio APTR e Prêmio FITA de melhor direção pelo espetáculo “A importância de ser perfeito”, de Oscar Wilde.

Workshop Dirigindo Monólogos

Local: Teatro Vila Velha

Endereço: Passeio Público, S/N, Campo Grande - Salvador - BA

Datas: 15 e 16/12

Horário: 14h às 18h

Idade: a partir dos 18 anos.

Inscrições: www.sympla.com.br

Informações: (71) 3083-4600

 

 

Fonte: SecultBa/Municipios Baianos

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