05/12/2017

Primeiro Encontro dos bispos da Bacia do Rio São Francisco

 

Representando as 16 dioceses banhadas pelo rio São Francisco, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Bahia e Ceará, os dez bispos de sua bacia lançaram no dia 3 de dezembro a “Carta da Lapa”, resultado do I Encontro dos bispos da Bacia do Rio São Francisco, realizado em Bom Jesus da Lapa.

  • Segue abaixo na íntegra a Carta dos Bispos do Velho Chico:

À luz do Evangelho, em comunhão com o Papa Francisco e inspirados pela carta encíclica “Laudato Sí”, nós, bispos da bacia do Rio São Francisco, representando onze das dezesseis dioceses, diante do processo de morte em que este Rio se encontra e das consequências que isto representa para a população que dele depende, assumimos de forma colegiada a defesa do Velho Chico, de seus afluentes e do povo que habita sua bacia. Como pastores a serviço do rebanho que nos foi confiado, constatamos, com profunda dor:

(a) o sumiço de inúmeras nascentes de pequenos subafluentes e, em consequência, o enfraquecimento dos afluentes que alimentam o São Francisco;

(b) o aumento da demanda da água para a irrigação, indústria, consumo humano e outros usos econômicos, sem levar em conta a capacidade real dos rios de ceder água;

(c) a destruição gradativa das matas ciliares expondo os rios ao assoreamento cada vez maior;

(d) a decadência visual dos rios e da biodiversidade;

(e) o aumento visível dos conflitos na disputa pela água em toda a região;

(f) empresas sempre fazem prevalecer seus interesses e o Estado acaba por ser legitimador de um modelo predatório de desenvolvimento.

Tudo isso vem gerando a destruição lenta e cruel da biodiversidade do Velho Chico e, consequentemente, sua morte gradativa. Diante dessa triste realidade, enquanto bispos da bacia do Rio São Francisco e pastores do rebanho que nos foi confiado, propomos:

1. Sermos uma “Igreja em Saída”: Ir ao encontro do povo e, como pastores, convocar os cristãos e as pessoas sensíveis à causa, para juntos assumirmos o grande desafio de salvar o rio da morte e garantir a vida humana, da fauna e da flora que dele dependem;

2. Sermos uma “Igreja Missionária”: Realizar visitas às nossas comunidades, missões, peregrinações, romarias e estabelecer um diálogo aberto com as pessoas para que entendam e assumam, à luz da fé, o cuidado com a “Casa Comum”, particularmente, a defesa do nosso Rio;

3. Sermos uma “Igreja Profética”: Elaborar subsídios educativos sobre meio-ambiente e o modo de preservá-lo. Utilizar os meios de comunicação, rádios, periódicos diocesanos para levar ao maior número de pessoas a boa nova da preservação da vida;

4. Sermos uma “Igreja Solidária”: Reforçar as iniciativas populares de recomposição florestal, recuperação de nascentes, revitalização de afluentes; incentivar a ética da responsabilidade socioambiental capaz de gerar um modo de vida sustentável de convivência com a caatinga, o cerrado e a mata atlântica; defender políticas públicas para implementação do saneamento básico, apoio à agricultura familiar, manutenção de áreas preservadas, a exemplo dos territórios das comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, etc.

5. Finalmente, declaramos nossa posição em defesa do “Repouso Sabático” para os nossos biomas a fim de que possam se reconstituir. Particularmente, uma moratória para o Cerrado, por um período de dez anos. Durante esse período não seria permitido nenhum projeto que desmate mais ainda o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, biomas que alimentam o Rio São Francisco e dele também se alimentam.

6. Nesse sentido chamamos as autoridades federais, os governadores, prefeitos, deputados, senadores, o Ministério Público, para que assumam sua responsabilidade constitucional na defesa do Velho Chico e do seu povo.

Que São Francisco, padroeiro da Ecologia e do Rio que traz o seu nome, nos inspire a cuidar da Criação. Que o Bom Jesus da Lapa, de cujo Santuário provém a água da torrente, abençoe e dê vida ao nosso Velho Chico e ao povo do qual ele é pai e mãe. Bom Jesus da Lapa, 1º Domingo do Advento de 2017.

Bispos Participantes

Dom José Moreira da Silva – Bispo de Januária (MG) Dom José Roberto Silva Carvalho – Bispo de Caetité (BA) Dom João Santos Cardoso – Bispo de Bom Jesus da Lapa (BA) Dom Josafá Menezes da Silva – Bispo de Barreiras (BA) Dom Luiz Flávio Cappio, OFM – Bispo de Barra (BA) Dom Tommaso Cascianelli, CP – Bispo de Irecê (BA) Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM – Bispo de Juazeiro (BA) Monsenhor Malan Carvalho – Administrador Diocesano de Petrolina (PE) Dom Gabriele Marchesi – Bispo de Floresta (PE) Dom Guido Zendron – Bispo de Paulo Afonso (BA)

Chuvas na bacia do São Francisco já elevam nível dos reservatórios

O registro de chuvas no chamado ‘período úmido’ na bacia do Rio São Francisco deixa os técnicos animados, mas ainda preocupados. Durante a reunião que analisa as condições hidrológicas na bacia, promovida pela Agência Nacional de Águas (ANA), foram mostrados números otimistas. Apesar do registro de chuvas na bacia, a palavra de ordem é manter a prudência com vistas a garantir os níveis dos reservatórios.

Durante a reunião promovida pela agência federal em Brasília e transmitida por videoconferência para os estados inseridos na bacia do Velho Chico, a equipe técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) anunciou que apesar do previsto de precipitação nessa semana ser de 45 milímetros (mm), foi registrado o índice de 25mm. Mesmo assim, o índice é animador. O motivo da precipitação inferior ao previsto está na seca do solo, que segue ainda muito severa. Para os próximos dias, há o registro da formação de uma frente fria, que ficará estacionária e deverá provocar chuvas em Minas Gerais. “Os sistemas meteorológicos estão comemorando. Praticamente toda a bacia receberá chuva nos próximos sete dias. A previsão é de pelo menos 30mm”, informou o coordenador-geral de Operações e Modelagem do órgão, Marcelo Seluchi.

Ainda conforme sua explanação, a previsão para Sobradinho (BA) e Três Marias (MG) é de uma precipitação de 30mm. São chuvas consideradas dentro da normalidade. “A previsão para dezembro é muito melhor que a de outubro. Naquele mês, as chuvas demoraram a cair na bacia. O que falta é a umidade do solo atingir um índice melhor para contribuir com essa chuva”, acrescentou Seluchi. Ele acredita, na próxima semana, em estimativa de chuvas para os primeiros dias de 2018.

Ainda na reunião, que acontece semanalmente, a equipe do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou dados que apontam que já houve previsão pior para a bacia em anos anteriores. Além disso, as premissas para armazenamento dos reservatórios até 1º de janeiro aponta para uma prática de 80 metros cúbicos por segundo (m³/s) em Três Marias, e de 550 m³/s tanto em Sobradinho (podendo ser elevado) quanto em Xingó. Em Três Marias, a previsão é de um armazenamento de 20%; em Sobradinho, de 7,1%, tendo saído de quase zero, e em Itaparica (PE), 10%.

Elevação de defluência

Ainda essa semana haverá reunião entre a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e o ONS para analisar a possibilidade de elevação da defluência em Sobradinho. Em virtude do calendário natalino, ficou definido que as próximas reuniões para analisar as condições hidrológicas da bacia do São Francisco devem ocorrer nos dias 4, 11 e 18 de dezembro. Depois disso, somente no dia 8 de janeiro do ano que vem. Entretanto, o Cemaden deverá enviar os dados das análises nas terças-feiras seguintes, seguidas das explicações técnicas.

Seca no Rio São Francisco provoca pressão alta em moradores de AL

O Nordeste brasileiro, um pequeno vilarejo no litoral de Alagoas se transformou no símbolo dos efeitos da seca na saúde da população.

O posto de saúde está sempre cheio, e de cada dez pacientes, oito sofrem de hipertensão.

"Eu mesmo passo tão mal, que de vez em quando eu estou na emergência, com a pressão muito alta", disse a pescadora Joélia de Souza Santos.

Dona Lindinalva, mãe de Joélia, adoecia pouco. Mas, há três anos, a pressão começou a subir demais.

"É uma doença que é perigosa, né? Para matar um é num instante ", contou a aposentada Lindinalva de Souza Santos.

Um mal que assusta os moradores do povoado Potengy, em Piaçabuçu, onde vivem cerca de 900 pessoas. Em nove anos, o número de moradores, e a proporção de pessoas mais velhas, ficaram estáveis, mas a quantidade de hipertensos no povoado saltou de apenas 54 para 104.

Os médicos que atendem a população daqui não têm dúvida. A grande quantidade de sal na água está fazendo aumentar os casos de hipertensão. É pressão alta por causa da seca do rio São Francisco.

O rio perdeu a correnteza em direção ao mar, por causa da vazão mais baixa da história. Nas represas de Sobradinho, na Bahia, e Xingó, entre Sergipe e Alagoas, a vazão atual é de 550 metros cúbicos por segundo.

A cada seis meses, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas fazem uma medição da quantidade de sal no São Francisco. E o último resultado é preocupante.

"Próximo ao Potengy, no fundo, chegou a quase 27 gramas por litro.  Ou seja, o limite tolerado de salinidade é no máximo meia grama por litro", explicou o oceanógrafo da Ufal Paulo Petter Medeiros.

A água que abastece o povoado é puxada do rio para duas caixas e segue para as casas sem passar por tratamento. Por isso, quem usa água para beber e para cozinhar consome uma quantidade muito grande de sal.

A agente de saúde Suely Soares acompanha de perto o drama desses moradores.

"Você imagine uma pessoa de 14 anos ter a pressão de 18 por 13, 17", disse.

Por causa da pressão alta, a estudante Cristiane dos Santos, de 16 anos, quase teve complicações sérias no parto de Gabriel.

"Eu não sabia que por causa da água podia morrer, eu e meu bebê", contou.

O médico Diego Calumby também desabafa: "A gente pede para ter o controle do sal, mas a água que eles vêm usando é uma água salgada. Água para cozinhar, muitas vezes para beber, para fazer o próprio café, certo? Então, assim, vem sendo cada vez mais difícil controlar a pressão da população."

A Secretaria de Saúde de Piaçabuçu disse que os hipertensos estão sendo orientados em relação ao consumo da água e da alimentação e que fornece hipoclorito de sódio para tratar a água. Sobre o problema no abastecimento, a prefeitura informou que pediu apoio à Companhia de Saneamento de Alagoas e ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Um reservatório maior vai ser construído nessa região.

 

Fonte: Por Editores RECOs/BlogdoCarlosBrito/G1/Municipios Baianos

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