07/12/2017

Quando a política vira escárnio, só a urna resolve

 

Sérgio Cabral virou sinônimo de escárnio. Mas não chegou a esse ponto sozinho. Foi com a ajuda do eleitor do Rio de Janeiro que o PMDB de Cabral tornou-se força hegemônica no Estado. Em 2012, quando Lava Jato era apenas o nome que se dava aos lugares onde se lavavam carros, Eduardo Paes, reeleito prefeito do Rio pelo PMDB, chegou a lançar o nome de Cabral para vice de Dilma Rousseff.

Nessa época ainda brilhavam no dedo de Adriana Anselmo, a mulher de Cabral, os diamantes do anel comprado pelo empreiteiro Fernando Cavendish em Mônaco, num aniversário de madame. Era um achaque, informa agora Cavendish. Não, “foi um presente de puxa-saco”, disse Cabral em depoimento, antes de emendar: “Não sou Adhemar de Barros, rouba, mas faz…” Ai, ai, ai…

Nesta terça-feira, horas antes de Cabral prestar depoimento no Rio, o ministro Gilmar Mendes declarou em Brasília que não se pode considerar todos os políticos corruptos. Verdade. Só os que roubam. Precisamos dos profissionais da política, acrescentou Gilmar. Corretíssimo. Desnecessários são apenas os larápios.

Por ora, o Supremo de Gilmar não condenou nenhum político da Lava Jato. Assim, na Era das malas de dinheiro e dos anéis de diamantes, não resta ao brasileiro senão transformar as urnas de 2018 numa espécie de Juízo Final. Isso, evidentemente, se não quiser continuar fazendo o papel de bobo.

Nanicos charmosos debutam em 2018. Por Ricardo Miranda

Toda eleição tem sua cota de nanicos. Por nanico, pelo menos na percepção que aqui se coloca, retire-se o teor de chacota. Use-se a definição eleitoral clássica. Candidato de partido pequeno ou de aluguel, sem nenhuma chance de se eleger, mas que assume a roupagem de elemento surpresa na campanha, atirando mais à direita ou mais à esquerda, dependendo de quem está na frente.

Alguns tem história, como Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), em 2010, e outros são apenas bobos, como José Alcides Marronzinho (PSP), em 1989, e Pastor Everaldo (PSC), em 2014. Nem seus poucos eleitores devem saber por onde andam. Ainda não está claro qual será o quadro final de candidatos a presidente na eleição de outubro de 2018. Mas, levando-se em conta quem já colocou a cabeça de fora, uma coisa é certa. Eles nunca foram tão charmosos. A começar dos divos da esquerda Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL) e do, digamos, muso do botox, o médico e celebridade Dr. Rey.

A candidatura de Dr. Rey, o “cirurgião das estrelas” é antes de tudo uma piada inocente, que serve, pelo menos, para contrapor a piada de mau gosto que é a candidatura do deputado-capitão Jair Bolsonaro. Alias, não catalogada como nanica porque nanico que é nanico não lidera nem intenção de voto. Rey, que se intitula a única voz da verdadeira direita, foi candidato a deputado federal pelo PSC em 2014, mas, não foi eleito – obteve pouco mais de 21 mil votos. E por onde sairá Dr. Rey agora? O médico brazuca afirma que será candidato pelo PRONA, mas para isso terá que ressuscitar o extinto partido de outro folclórico doutor, o cardiologista Enéas Carneiro, morto em 2007 – talvez o nanico-síntese da categoria, e certamente o mais involuntariamente engraçado desde a redemocratização.

Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, e Manuela D’Ávila, trazem um frescor ideológico à campanha, algo que partidos ranzinzas como o PCO, o Partido da Causa Operária, de Rui Costa Pimenta, e o PSTU, de Zé Maria de Almeida, não conseguiram em outras campanhas. Curiosamente – ou machismo mesmo -, Manuela, deputada estadual gaúcha, é acusada de contribuir para dividir a esquerda, enquanto a candidatura de Boulos é aplaudida e comentada até como um possível plano B, ou C (se o B for Ciro Gomes, do PDT), caso Lula não possa mesmo concorrer, barrado pela Ficha Limpa.

A concentração de nanicos é, obviamente, menor que no ápice de sua espécie, em 1989, quando 14 dos 21 candidatos lançados eram anões eleitorais, tendo somado incríveis 5,5% dos votos válidos no primeiro turno. Daí para frente foi só ladeira abaixo, gravitando em torno de 1% dos votos válidos. As mudanças impostas pela reforma política para as eleições de 2018 complicaram ainda mais as coisas. Partidos de menor estrutura têm considerado compor alianças de olho no pleito de 2022. Isso porque as novas regras podem colocar em risco o futuro das legendas nanicas. Para garantir acesso ao fundo eleitoral, de quase R$ 1,7 bilhão, e ao tempo de propaganda em tevês e rádios daqui a oito anos, as siglas terão de atingir um alcance específico de votos e candidatos eleitos.

Tem quem esnobe isso. Fundador do Partido Novo, o banqueiro João Amoêdo será o nanico mais rico desta campanha. Trabalhou no Citibank, BBA-Creditansalt, foi vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Atualmente é membro do Conselho de Administração da João Fortes. Na categoria nanico intelectual, inscrevia-se, com pompa e antipatia o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES. Em tese, sairia pelo PSC, ao qual se filiou, já que Bolsonaro decolará pelo Patriotas. Nesta segunda, 04, porém, Paulo Rabello negou o interesse e ainda colocou a culpa na imprensa. “Não existe conversa alguma, zero de conversa”, encerrou.

Dois gatos pingados vindos de outras campanhas presidenciais também podem reaparecer – e, sim, isso é uma ameaça. Levy Fidélix, fundador do PRTB, famoso pelo bigode e por declarações homofóbicas, já disputou a Presidência duas vezes, mas nunca se elegeu sequer síndico do seu prédio. Já Eymael, líder do PSDC, dono do jingle mais sonolento das últimas eleições, quer disputar sua quinta campanha. Eymael já concorreu em 1998, 2006, 2010 e 2014, e, se ninguém o impedir, estará lá de novo no ano que vem.

Mais conhecido, o ex-tucano Álvaro Dias vai sair pelo Podemos, tendo como cabos eleitorais a dupla tetracampeã do Mundo, Romário e Bebeto, tão bem adaptados ao mundo político que largaram sem cerimônia os partidos pelos quais foram eleitos para se lançar na nova legenda. Outro nanico com história, que poderia ser candidato grande, é Cristóvam Buarque, senador pelo PPS.

Cristovam tirou licença do mandato para correr o país com uma espécie de anticandidatura à Presidência – por favor, não o comparem com Ulysses Guimarães ou com o General Euler Bentes -, mesmo sem saber se terá respaldo no partido. O PPS já cogitou apoio a João Doria e Luciano Huck para 2018. Termômetro do prestígio do ex-reitor da UnB redemocratizada, ex-governador do DF e ex-ministro da Educação de Lula, que chegou a disputar a Presidência pelo PDT em 2006, e ultimamente vinha apoiando até a cobrança de mensalidades em universidades públicas. Pensando bem, Cristovam não é nanico. Só encolheu sua biografia.

Entre Lulas, Moros e Bolsonaros: a mídia e a manipulação do pensamento político. Por Raphael Silva Fagundes

É impressionante como a mídia forja uma maneira conveniente de ver o mundo político. Os episódios que marcaram as manifestações políticas populares da semana passada resumem-se ao protagonismo de duas mulheres. A primeira, filiada ao PT de Santa Catarina desde 2002 [1], na quarta-feira, filma o senador Romero Jucá e o acusa de defensor de canalhas e de promover o “grande acordo nacional” que tirou a presidente Dilma Rousseff, agenciou as reformas, o congelamento dos gastos públicos etc.. A segunda, na quinta-feira, ativista do movimento pró-impeachment, Nas Ruas, recebeu voz de prisão do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) por acusá-lo de “estar roubando”.

A cadeia de fatos é elucidativa. Em um dia uma ação do lado petista, no outro uma dos antipetistas. No fim, os dois se coadunam na Lava Jato, pois Jucá é acusado de “estancar a sangria” das investigações, enquanto Pimenta é aquele que tem medo de Moro. A segunda manifestação parece ter sido uma resposta a primeira, como quem pensa: “Precisamos mostrar que também estamos em serviço”. E tudo isso salta das redes sociais para os sites dos jornais de maior circulação do Brasil.

É simplesmente ridículo. A mídia sustenta esse conflito porque sabe que ele é superficial e porque promove uma confusão em dois conceitos básicos da política: estabilidade e mudança. Até a Revolução Francesa, a ideia de “mudança” no sentido do livro V da Política aristotélica, ou seja, da passagem de uma forma de governo para outra, era considerada um mal. No entanto, na era das Revoluções esse conceito passou a adquirir um valor positivo, e se começa, a partir de então, a “ver na mudança o início de uma nova era”.[2] A estabilidade passou a ser negativa e a mudança a nova moda política.

Assim, o principal argumento utilizado pelos grupos que se voltaram contra a Dilma foi o da mudança. As notícias de que Temer iria promover mudanças eram fortes no início, mas, em seguida, após seu estabelecimento no poder, a palavra “reforma”começou a entrar em vigor. No entanto, ambas adquirem um mesmo sentido na mentalidade política do cidadão comum.

Na verdade, ninguém propõe uma mudança efetiva. E a mídia, ligada aos interesses dos grandes investidores, inventa, por meio de um inebriante espetáculo, um “aprofundamento do antagonismo entre os que querem e os que não querem a mudança”. Os petistas se defendem afirmando que a verdadeira mudança era os progressos realizados nos últimos doze anos, já os não-petistas (que abrange o grupo do PSDB e a extrema direita) acreditam que a mudança ou são as reformas, ou o fim da corrupção.

Os dois pólos defendem a manutenção do mercado como gestor da economia, o que nos comprova que o que vivenciamos não passa de uma briga entre neoliberais. Não há nenhuma proposta de mudança, pelo menos em relação a política econômica implantada no Brasil desde o governo de FHC. No entanto, como diz o saudoso Paulo Freire, educador que refletiu sobre a mudança, “na medida em que este organismo [esse conflito entre mudança e estabilidade] cresce, se instaura um clima de ‘irracionalidade’, que gera novos mitos auxiliares para a manutenção do status quo”.[3] E assim vivemos entre Lulas, Moros e Bolsonaros.

Pensar como classe

Só há uma maneira de nos libertar dessa dimensão que a mídia nos jogou: deixarmos de pensar como povo e passarmos a pensar como classe. O modelo democrático ocidental, inspirado nos EUA e na França, criou “uma cidadania passiva, uma coleção de cidadãos – ‘o povo’ – concebido como um massa de indivíduos atomizados [...] e isolados com uma identidade política divorciada de suas condições sociais, especialmente no que se refere a seu pertencimento de classe”, destaca a cientista política Ellen M. Wood.[4]

Desta maneira, as classes dominantes se misturam aos membros das classes desprivilegiadas colocando os seus interesses como carro chefe da mudança. Ingenuamente nos empenhamos na mudança das partes sem nem mesmo questionar a totalidade. As classes dominantes apresentam os seus artistas e jornalistas para nos dizer sobre racismo, sexismo e liberdade religiosa propondo, assim, uma harmonia entre as “raças”, gêneros e religiões porque sabem que a luta de classes não é uma busca por harmonia, mas pela queda violenta da classe exploradora. Há um temor da burguesia (que se vê como classe) em assistir a transformação das massas em classe para si. Por isso manipulam a educação e calam os movimentos sociais classistas.

As classes dominantes impõem uma visão de mundo para que as classes oprimidas não façam uma reflexão autônoma de sua realidade objetiva. Para que não percebam que a amargura de suas vidas nada tem que ver com os interesses dominantes. Que suas necessidades estão para além de PT, Moro ou da liberação do porte de armas para o cidadão de bem. Que o racismo sofrido pela diarista que pega um ônibus lotado para ir trabalhar em nada se assemelha com o racismo sofrido por uma pop star. As classes dominantes preferem ter Lula ou Bolsonaro como inimigos a ver os trabalhadores organizados enquanto classe.

Já disse Noam Chomsky: “Há muitas divisões na sociedade atual - religiosa, de todo tipo. Mas a divisão fundamental é a divisão de classes, e uma das razões para a raiva que vemos hoje no mundo se dá porque nenhuma instituição e nenhum partido político está realmente representando os interesses da classe que representa grande parte da força de trabalho”.[5]

Far-se-á de tudo para desviar a nossa atenção desse fato, enquanto isso novas crises virão, centenas de explicações para elas serão forjadas, mas nenhuma irá atingir o cerne da questão: a necessidade da verdadeira mudança que é a suplantação do sistema.

Vespertinas: artilharia de Temer aponta para 2019

O jogo esquentou I.

Os últimos movimentos do Governo Federal, como a entrevista de Henrique Meirelles à Folha de S. Paulo (segunda, 4) e os movimentos para aprovar a reforma da previdência, indicam que o presidente Michel Temer não pretende entrar nas eleições de 2018 como figurante. O grupo, liderado pelo trio Michel Temer, Eliseu Padilha & Moreira Franco, chegou ao poder para lá ficar.

O jogo esquentou II.

No dia seguinte à entrevista do ministro da Fazenda, o senador Romero Jucá, um dos spallas do Governo Temer no Congresso Nacional, referendou a estratégia. “O resultado da ação do governo na economia agregará votos. Duvido que na hora H os partidos da base não queiram usufruir disso”, previu.

O jogo esquentou III.

O raciocínio estriba-se numa máxima da política: se a economia vai bem (leia-se: inflação, emprego e renda) os eleitores acomodam-se com o governante da vez. Fernando Henrique Cardoso e Lula sabem disso.

O jogo esquentou IV.

Temer chegou ao poder e construiu uma das maiores bases de apoio da República – senão a maior. Aprovou projetos estruturais de porte em tempo recorde. E, principalmente, venceu duas tentativas de deposição (com denúncias graúdas) com a habilidade de políticos da estirpe de Lula. D’uma tacada, driblou o magarefe Joesley Batista e o acusador Rodrigo Janot.

O jogo esquentou V.

Além disso, tem o establishiment ao seu lado. O mercado o elevará às alturas se aprovar a reforma previdenciária – que, de quebra, conta com o apoio da mídia. Reportagem de 6m20 do Jornal Nacional desta segunda, 4, exibiu um sistema injusto que transfere renda dos mais pobres para os mais ricos.

O jogo esquentou VI.

Decretar o fim antecipado do governo Temer é tão prematuro quanto prever que Lula estará fora do páreo caso o TRF-4 referende a condenação sentenciada pelo sufeta de Curitiba, Sérgio Moro. Temer joga com a melhora da economia, o medo que a dupla Lula-Bolsonaro desperta e, até aqui, a falta de opções viáveis à presidência.

O jogo esquentou VII.

Tudo posto, a batalha para aprovar a reforma das aposentadorias consubstancia-se num marco. A aprovação pode catapultá-lo como player de monta na sucessão de 2018. Derrotado, perde força política.

Viés de alta.

Levantamento da Arko Advice com 218 deputados federais constatou que 57,8% deste grupo não acreditam que a reforma da previdência será aprovada na gestão do presidente Michel Temer. O índice é inferior ao registrado em outubro, de 78,77%.

Henrique Meirelles, o candidato natimorto. Por Altamiro Borges

O ministro Henrique Meirelles, czar da falida economia do covil golpista, segue com seu sonho de disputar a presidência em 2018. Ele ora com pastores evangélicos – alguns deles, famosos corruptores da religiosidade popular –, reúne-se com os líderes da cloaca empresarial e articula nas sombras com os partidos da base fisiológica do odiado Michel Temer.

Considerado o queridinho do “deus-mercado”, ele também ocupa generosos espaços na mídia chapa-branca e rentista. Apesar de tudo, o bajulado “ministro” da Fazenda não decola nas pesquisas – até parece o “pibinho” anunciado com alarde na semana passada. No Datafolha divulgado neste sábado (2), Henrique Meirelles oscila entre 1% e 2% das intenções de voto.

Três fatores, no essencial, explicam as dificuldades do todo-poderoso czar da economia.

Em primeiro lugar, a baixa popularidade do seu chefe, Michel Temer. Segundo o mesmo Datafolha, 71% dos brasileiros rejeitam o presidente ilegítimo. Os milhões gastos em publicidade na mídia mercenária não têm sido suficientes para melhorar a imagem do covil golpista. Apenas 5% consideram o governo ótimo ou bom. Ainda de acordo com a pesquisa, 87% dos entrevistados garantem que não votariam em um candidato apoiado pelo usurpador.

Henrique Meirelles, o mais identificado com esta tragédia, afirma que defenderá o “legado” da quadrilha, o que só serve para aumentar ainda mais a rejeição da sociedade à sua pretensa candidatura presidencial. Um segundo fator reside no desencanto econômico. Os golpistas prometeram que bastava depor Dilma Rousseff para o país voltar a crescer “instantaneamente”. Os ex-urubólogos da imprensa agora são otimistas de plantão e afirmam, diariamente, que o Brasil está melhorando. Mas os brasileiros, que não são “midiotas”, sentem na pele o aumento do desemprego, da inadimplência e da miséria.

Segundo o Datafolha, 60% acham que a inflação vai piorar e 50% avaliam que o desemprego vai crescer ainda mais nos próximos meses.

Henrique Meirelles é o símbolo desta tragédia e ainda é responsável por jogar todo o peso da crise nas costas dos trabalhadores – com as suas contrarreformas trabalhista e previdenciária e outras maldades. Por último, pesa contra a sua ambição presidencial o seu próprio histórico, que não é dos mais palatáveis.

Henrique Meirelles já foi ligado aos agiotas financeiros, como presidente internacional do BankBoston, e serviu ao “ético” empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. Numa das gravações vazadas em junho passado, o atual presidiário trata Henrique Meirelles como “companheiro” e “maleável”, um aspone que sempre atendeu aos interesses da corporação empresarial. Além disso, pesam contra o ministro várias denúncias de corrupção, evasão de divisas e muita grana em paraísos fiscais. Com uma biografia como esta será difícil deslanchar nas pesquisas – vai ficar atolado como o “pibinho” na economia.

 

 

Fonte: BlogdoJosias/Os Divergentes/Caros Amigos/Esquerda Diário/Municipios Baianos

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