10/12/2017

Amazônia: Noruega reduz pagamento ao Brasil por desmatamento

 

A Noruega reduziu os pagamentos anuais que faz para o Brasil proteger a floresta amazônica em 60%, para US$ 42 milhões, devido a uma elevação do desmatamento em 2016, mas elogiou os sinais de que a destruição diminuiu neste ano, disse o Ministério do Meio Ambiente norueguês nesta sexta-feira.

Os pagamentos anuais são parte de um programa de longo prazo de bilhões de dólares para conter a redução da floresta tropical amazônica e com isso frear o aquecimento global. As florestas são depósitos gigantescos de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa produzido pelo homem, mas estão sendo desmatadas para a venda de madeira e para abrir caminho para fazendas.

A Noruega pagou 350 milhões de coroas, o equivalente a US$ 42,16 milhões, pelo desempenho brasileiro em 2016, informou o ministério. Os pagamentos foram reduzidos em cerca de 60%, tendo por base a média de 925 milhões de coroas pagas no período 2009-2016.

"Quando o desmatamento sobe, os pagamentos baixam", disse o ministro do Meio Ambiente, Vidar Helgesen, em um comunicado. "Estou, porém, satisfeito de notar que as cifras iniciais do desmatamento de 2017 mostram uma redução. Se confirmado, isso levará a pagamentos maiores no ano que vem", disse.

Em junho a Noruega alertou o presidente Michel Temer, durante uma visita, a respeito do corte nos pagamentos. O país, que lucra muito com o petróleo e o gás natural produzidos no Mar do Norte, é o maior doador estrangeiro envolvido na proteção de florestas tropicais, do Brasil à Indonésia.

O desmatamento na Amazônia subiu para 7.989 quilômetros quadrados no período anual encerrado em julho de 2016, ante 6.207 quilômetros quadrados em 2015.

Comunidades do Amazonas relacionam falta de luz a aumento de ataques de morcegos

A população das nove comunidades do Rio Unini, no Amazonas, vive dias de tristeza e preocupação. Uma criança e um adolescente morreram vítimas de raiva humana, possivelmente transmitida por morcegos. Outro adolescente da mesma família está internado em coma induzido com o mesmo diagnóstico.

O tio dos três, Jair Gomes Pereira, atribui o aumento dos ataques de morcego à falta de luz na comunidade e pede que o Poder Público garanta energia elétrica para a região. Ele explica que, para se livrar do morcego, basta acender a luz. "Lá nessa comunidade, o motor de luz deles está quebrado , desde julho,. Foi a época em que o morcego mais atacou. Ele ataca no escuro. A luz de lamparina não funciona porque o próprio morcego apaga a lamparina. Ele dá voos rasantes e apaga.”

Uma força-tarefa atua na região do Rio Unini desde o final de novembro. O chefe do Departamento de Vigilância Ambiental, Cristiano Fernandes, não descarta a possibilidade de que a falta de luz tenha contribuído para o aumento dos ataques de morcego. Um inquérito apura o caso e também aponta para problemas como seca prolongada e focos de calor provocados por incêndios e queimadas.

Isso contribui para o deslocamento de animais e abre a possibilidade de deslocamento de colônias de morcegos, que se aproximam de outras áreas ocupadas por comunidades ribeirinhas e extrativistas, explica Fernandes.

O último levantamento da Secretaria de Saúde do Amazonas identificou na área do Rio Unini 624 moradores, dos quais 367 foram atacados por morcegos nos últimos meses, e a sorovacinação já teve início na fegião. Também farão o esquema de pré-exposição preventiva 257 pessoas que não relataram ter sido agredidas por morcegos .

Com relação à falta de luz nas comunidades do Rio Unini, a reportagem da Rádio Nacional procurou o Ministério de Minas e Energia e a prefeitura de Barcelos, no Amazonas, para obter mais informações, mas não recebeu o retorno até o fechamento desta edição.

Tarântula elétrica azul e besouros aquáticos estão entre espécies descobertas na Amazônia

Pesquisadores acreditam ter descoberto seis espécies de peixes, três de plantas, 15 besouros aquáticos e cinco libélulas completamente novas no Parque Nacional de Kaieteur e o rio Potaro, trecho da floresta amazônica que fica na Guiana.

O levantamento foi organizado pela Global Widelife Conservation e publicado em um relatório conjunto com a WWF, ambas organizações não governamentais internacionais que atuam nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental.

Além dessas 29 espécies que os pesquisadores acreditam não terem sido catalogadas ainda, há outras que talvez não sejam totalmente novas, mas foram observadas pela primeira vez na região.

Entre os achados dos pesquisadores está uma tarântula vista, inicialmente, à noite pelo fotógrafo Andrew Snyder próximo às margens do rio Potaro. A aranha, que exibia uma tonalidade azul cobalto brilhante, estava numa árvore e está sendo chamada de "tarântula elétrica".

O fotógrafo que registrou a imagem da tarântula descreveu em detalhes, em um blog da Global Widelife, como foi o achado inesperado. Ele não descarta a possibilidade de ser uma espécie nova.

"O feixe de luz azul, de fato, não era o brilho do olho de uma aranha, mas sim o dorso de uma pequena tarântula. Passei anos fazendo pesquisas na Guiana e sempre prestei muita atenção às espécies de tarântulas. Eu imediatamente soube que essa era diferente de qualquer espécie que eu havia encontrado antes", relatou.

Os pesquisadores registraram outras imagens que chamaram a atenção, como a de um sapo com bolhas pretas no dorso.

Retrato amplo

Depois de mais de um mês desbravando a Guiana amazônica em 2014 e de anos de análises, os responsáveis pelo estudo afirmam que conseguiram fazer um dos mais completos e amplos levantamentos da fauna e flora do local.

O Parque Nacional Kaieteur e o alto do rio Potaro fazem parte de uma paisagem ainda pouco explorada.

Segundo a Global Widelife afirmou no relatório, a região tem um enorme valor para a conservação ambiental, uma vez que concentra um expressivo número de espécies vulneráveis ou ameaçadas de extinção.

A área explorada pelos pesquisadores abriga animais como o jaguar, o galo da rocha, a mini-rã dourada, provavelmente da espécie Anomaloglossus beebei , e o javali de lábio branco.

Mais de 50% dos pássaros, 40% das libélulas, 30% dos mamíferos e 43% dos anfíbios da Guiana habitam a região onde os pesquisadores coletaram amostras.

"A Guiana é um dos países mais importantes do mundo para a conservação da biodiversidade, com a segunda maior porcentagem de cobertura florestal da Terra", escreveu a Global Widelife Conservation no material de divulgação da pesquisa.

Para a organização, a biodiversidade na região foi naturalmente preservada pela histórica baixa densidade populacional. Ainda há áreas de difícil acesso.

Além disso, os pesquisadores salientam que o estudo também mostra a importância de preservar invertebrados, vitais para manter os balanços dos ecossistemas.

 

Fonte: Reuters/Agencia Brasil/BBC Brasil/Municipios Baianos

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