12/12/2017

Mourão estava atrás de palanque – e encontrou

 

Desta vez, nem se tratou de concordar, apoiar ou discordar. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, não tinha outra opção senão a de entregar a cabeça do verborrágico general Antonio Hamilton Martins Mourão que em palestra a convite do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), no Clube do Exército há dois dias, elogiou a pré-candidatura presidencial do deputado e capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro (PSC-RJ), voltou a defender a intervenção militar como solução para a crise política e afirmou que o presidente Michel Temer faz do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder.

“É reincidente. Não há outra alternativa”, comentou um dos generais da reserva que apoiaram Mourão quando, em setembro, ele defendera a intervenção militar em uma palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, também em Brasília: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, afirmou daquela vez.

A solução para Mourão foi dada em 24 horas, tempo gasto em decidir que ele seria destituído do cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército e avisar-lhe que seria despachado para a Secretaria-Geral do Exército. E não tinha como ser diferente. Mourão se tornou um problemaço na Força, onde é cada vez maior a insatisfação com a crise econômica e com a situação política.

Basta consultar as redes sociais frequentadas ou mantidas por militares para ter certeza de que o clima está muito ruim e que há uma busca ansiosa por candidatos que representem esse pessoal. Haja visto também o apoio que Bolsonaro vem tendo inclusive entre oficiais que até um tempo atrás olhavam com desdém para as ideias e o discurso do capitão/deputado.

Pessoas que conhecem o general Mourão – que ao Estadão/Broadcast disse que suas declarações são mal interpretadas e que seu afastamento do cargo era uma “movimentação normal” – observam que ele está não com um, mas com os dois pés no palanque. Portanto, essas mesmas pessoas não acham que sejam impensados os discursos dele. A menos de quatro meses de entrar para a reserva, Mourão só está semeando palavras para colher votos em outubro de 2018.

Mulambo sem tropa é botado pra torar. Por Ricardo Miranda

Um bizu pra vocês: depois de mais um cagalhão, o mulambo foi botado pra torar. Traduzindo, da gíria militar: o general Antonio Hamilton Mourão, defensor contumaz da intervenção militar no Brasil, foi afastado do cargo que ocupava no Exército. O militar foi movimentado, neste sábado, 09, para a Secretaria-Geral do Exército, o que equivale a um gulag versão caserna. Segundo um informe interno do Exército, destinado ao público verde-oliva, o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, informará o ministro da Defesa e o presidente da República da decisão. Sim, a informação não está errada, embora o óbvio fosse o contrário, que Michel Temer e Raul Jungmann tivessem ordenado Villas Bôas a defenestrar sumariamente Mourão. Apesar da punição, Mourão vai continuar recebendo remuneração, por ser “oficial de carreira”. E, certamente, seguirá falando besteiras pra quem tiver paciência pra ouvir.

Em palestra promovida pelo grupo de extrema direita Terrorismo Nunca Mais, um certo Ternuma – não confunda com Ternura -, no Clube do Exército, em Brasília, na quinta, 07, o general Mourão afirmou que Temer preside o país aos trancos e barrancos e mediante um balcão de negócios. O general voltou a falar sobre a possibilidade de uma intervenção militar no país, da forma como fazem os golpistas. Lembrando o necessário “elemento moderador e pacificador” das forças Armadas. “Se o caos for instalado… O que chamamos de caos? Não mais o ordenamento correto. E se as forças institucionais entenderem que deve ser feito um elemento moderado e pacificador, agindo dentro da legalidade…”. As reticências dizem tudo, neste caso.

As duras críticas ao seu comandante em chefe, ou seja, ao presidente da República, foram consideradas a gota d’água, mesmo num ambiente de complacência com militares golpistas e no momento em que ganha corpo a pré-candidatura presidencial do deputado-capitão Jair Bolsonaro, outro saudoso da época das fardas, estrelas e torturas.

“Agora, temos os cenários colocados pela imprensa. Não há dúvidas que vivemos a ‘Sarneyzação’. Nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos, buscando se equilibrar, e, mediante um balcão de negócios, chegar ao final de seu mandato”, disse o general Mourão, na sua palestra intitulada “Uma visão daquilo que nos cerca”. Mourão, o falastrão, também criticou os governos Lula e Dilma Rousseff, do PT. “Um dos candidatos que está aí (Lula), tenho convicção e fé, vai assistir a vida passar em outro lugar”. Numa referência às descobertas da Operação Lava Jato, o oficial disse ainda que ter “as grandes empreiteiras praticamente se assenhorando do Estado” foi um exemplo de quando corporações desafiam os Estados nacionais.

Não havia nada de oculto ou subterrâneo na palestra golpista. Ela foi transmitida ao vivo pelo Facebook por um dos movimentos que organizou a palestra, um certo Bloco Movimento Brasil. Na plateia, militares da reserva e grupos de civis que defendem atuação das Forças Armadas na política. Ou seja, o eleitorado de Jair Bolsonaro.

Como mostrou o divergente Andrei Meirelles, no post “Exército recusa punir general Mourão por ameaça à democracia”, em setembro, Mourão declarara, já naquela época, que, “diante da crise enfrentada pelo país, pode haver uma intervenção militar caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições”. A afirmação foi feita em palestra realizada na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda vez o presidente Michel Temer, por participação em organização criminosa e obstrução de Justiça.

Ou seja, o general precisou defender o golpe duas vezes para ganhar um pito na forma de uma remoção. Não deve parar por aí. Como já mostrou a divergente Helena Chagas, Mourão tem sido incentivado a disputar as eleições do ano que vem. Ele disse que seu domicílio eleitoral é no Distrito Federal, mas que pretende morar no Rio após deixar a ativa. Ele anunciou que irá para a reserva em 31 de março de 2018 – sim, 31 de março. O saudosismo de parte da caserna, e de setores da sociedade civil, com os tempos da ditadura, seria hilário se não fosse patético.

General Mourão deve ser o vice na chapa de Bolsonaro. Por Carlos Newton

A palestra feita pelo general Hamilton Mourão no Clube do Exército, em Brasília, na última quinta-feira, reforça a especulação de que o chefe militar pretende disputar a eleição de 2018 como candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, pelo partido Patriotas (ex-PEN). Ao responder perguntas da platéia, com pedidos para se candidatar, o oficial admitiu essa possibilidade, ao afirmar: “Eu apenas digo uma coisa: não há portas fechadas na minha vida”. O general acrescentou que seu domicílio eleitoral é em Brasília e que passará para a reserva em 31 de março do ano que vem. Depois disso, deverá morar no Rio de Janeiro.

Juridicamente, não há impedimento para que o chefe militar seja candidato. Somente militares da ativa são impedidos de participar de atividades político-partidárias. Para Mourão, a obrigação de o militar se afastar para concorrer a cargo eletivo é “saudável”. No seu caso, basta se filiar ao partido no início de abril, dentro do prazo de seis meses antes da realização das eleições.

APOIO A BOLSONARO

Segundo o jornal Gazeta do Povo, ao ser questionado sobre o presidenciável Jair Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, Mourão afirmou que o deputado federal “é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido nessas falcatruas e confusões”. E acrescentou: “Ele terá que se cercar de uma equipe competente. […] Obviamente, nós, seus companheiros, dentro das Forças, olhamos com muito bons olhos a candidatura do deputado Bolsonaro.”

Os dois são amigos pessoais. Quando Mourão estava no Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, Bolsonaro foi visitá-lo e trocar ideias com ele. Logo depois, o general  foi removido da chefia do Comando Militar do Sul por prestar homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, o primeiro oficial a ser identificado como torturador. Neste episódio, Bolsonaro ficou solidário com Mourão.

“DR. TIBIRIÇÁ”

A tortura a presos políticos é crime previsto pela Convenção de Genebra. O coronel Ustra, que usava o codinome de “Dr. Tibiriçá” e era chefe de operações do DOI-CODI de São Paulo, foi reconhecido nua solenidade por Bete Mendes, então deputada federal do PT paulista. Depois, vários outros ex-presos políticos reconheceram Ustra, entre eles o economista Persio Arida, e o coronel foi condenado pela Justiça como torturador, mas não cumpriu pena devido à Lei da Anistia.

As Forças Armadas brasileira condenam a prática de tortura, mas ainda há uma pequena facção que tenta justificar os excessos cometidos no regime militar, quando houve não somente supliciamento de presos políticos, mas também bárbaros assassinatos e ocultação de cadáveres. O general Hamilton Mourão e o deputado Jair Bolsonato integram essa ala minoritária das Forças Armadas brasileiras.

Magno Malta usa CPI para se cacifar como vice de Bolsonaro

Presidente de uma CPI no Congresso pela quarta vez, o senador Magno Malta (PR-ES) tem um desafio pela frente: conseguir adiar o fim da comissão no Senado que investiga maus-tratos a crianças e adolescentes. O prazo acaba neste mês e sua intenção é prorrogá-lo até o fim do primeiro semestre de 2018. Isso porque as reuniões do colegiado têm sido usadas como uma espécie de "palanque" eleitoral para o senador, ligado à bancada evangélica, e cotado para ser vice em uma eventual chapa presidencial do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) - de malas prontas para o Patriota. "Isso é coisa das redes sociais", diz Malta quando questionado sobre a dobradinha. Ele admite, porém, afinidade de ideias com o vice-líder nas pesquisas de intenção de voto. "Nós somos amigos, defendemos a família, a Pátria, acreditamos em um País que canta o Hino Nacional", afirma o senador. Fotos dos dois juntos estão nas redes sociais tanto nas de Malta quanto nas de Bolsonaro.

A atuação do senador na CPI da Pedofilia, concluída em 2010, o tornou uma espécie de celebridade nas redes sociais, sobretudo em grupos de direita. Desde então, tem usado o tema como uma das principais bandeiras e na CPI dos Maus-Tratos repete a estratégia que lhe garantiu a reeleição há sete anos. "Está detectada uma movimentação mundial e com foco no Brasil a partir dos museus. Eles descobriram que poderiam abrir caminho para a legalização da pedofilia no mundo, incutindo na mente das pessoas a partir da arte", afirmou o senador em uma das primeiras reuniões do colegiado, ainda em outubro, quando pegou carona nas polêmicas envolvendo a exposição Queermuseu, em Porto Alegre, e a performance La Bête, em São Paulo, para promover a CPI. As duas mostras foram acusadas nas redes sociais de incentivar a pedofilia. "A enxurrada de denúncias de pedofilia foi muito grande quando criamos a CPI. E o que acabou contaminando o debate foi que os casos das exposições tiveram reações muito fortes da sociedade", diz o senador José Medeiros (Podemos-MS), relator da CPI.

Pessoas ligadas às duas mostras foram convocadas a dar explicações e vídeos com declarações de Malta enfrentando os depoentes foram difundidos por simpatizantes do senador, sempre com milhares de visualizações.

A principal polêmica da CPI até agora, porém, ocorreu quando Malta levou um presidiário acusado de pedofilia para depor. O homem chegou algemado e sem advogado ao Senado. Questionado por Malta se já havia sido abusado sexualmente, disse que sim e chorou no meio da sessão.

A estratégia, porém, tem sido esvaziar as reuniões da comissão, que dificilmente consegue reunir o quórum completo, de sete senadores. "O fato central, os maus-tratos a crianças e adolescentes, poderia e deveria ser mais aprofundado e não ficar em alguns casos midiáticos", diz a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), suplente na comissão.

Outros integrantes, em caráter reservado, também criticam o que chamam de "desvirtuamento" da CPI para promoção pessoal de Malta O senador, porém, rebate os críticos e diz que conseguirá prorrogar os trabalhos da comissão. Para isso, afirma já ter 40 assinaturas - são necessárias 27 - para levar a CPI por mais alguns meses.

 

Fonte: Por Monica Gugliano, em Os Divergentes/Tribuna da Internet/Agencia Estado/Municipios Baianos

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