15/12/2017

O Segredo dos Deuses: quem é quem na investigação da TVI

 

“O Segredo dos Deuses”, a primeira série informativa da televisão portuguesa, revela uma rede de adoções ilegais de crianças portuguesas levadas para o estrangeiro por bispos da IURD. À medida que os 10 episódios vão sendo revelados, conheça os principais intervenientes deste enredo:

Igreja Universal do Reino de Deus

É uma denominação cristã, evangélica neopentecostal, fundada em 9 julho de 1977 no Brasil. Chega a Portugal em 1989, compra o cinema império em Lisboa e em 1995 tenta comprar o Coliseu do Porto, o que acaba por causar uma enorme reação popular nas ruas da cidade. Esta pessoa coletiva religiosa defende a teoria da prosperidade e, em Portugal, declara, mais de 30 milhões de euros/ano em ofertas, livres de impostos. Até hoje, nunca divulgaram o número de fiéis que têm no nosso país. A IURD garante que tem 9 milhões de fiéis espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastores. A Universal tem sido ao longo dos tempos alvo de críticas, controvérsias e de muitos processos judiciais. O seu fundador e líder Edir Macedo Bezerra é um dos homens mais poderosos do mundo, considerado como o pastor mais rico do Brasil, com um património superior a mil milhões de dólares. Edir Macedo é dono de um banco no Brasil, do grupo e da TV Record, a segunda maior emissora de televisão no Brasil.

Edir Macedo Bezerra

Líder máximo e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Nasceu a 18 de fevereiro de 1945. Começou como vendedor de lotaria e atualmente é um dos homens mais ricos e influentes no Brasil. Bispo evangélico, fundou a IURD em 9 de julho de 1977 no Brasil. Casou em 1971 com Ester Bezerra, com quem teve duas filhas biológicas - Cristiane Cardoso (1973) e Viviane Freitas (1975) – e adotou Moisés Bezerra. Em 1990, compra a rede Record de televisão e em 2013 o Banco Renner. O PRB surge como o braço político ligado à IURD e conquista terreno no Brasil. Chegou a estar preso em 1992 e atualmente responde num processo que está em investigação em S. Paulo, em que está acusado de charlatanismo, formação de quadrilha para lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A TVI sabe que também está a ser investigado pelo FBI, em Nova Iorque. Líder carismático defende a vasectomia e o aborto.

Lar universal

Através de uma associação de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, foi criado o lar de crianças, que abriu portas a 23 de maio de 1994, na Rua do Zaire, em Camarate, tendo mudado de instalações em 1997, para a Avenida Almirante Gago Coutinho, Lisboa. O lar fazia parte da Obra Social da IURD e funcionou ilegalmente até 2001. Curiosamente, a própria Segurança Social e alguns tribunais encaminharam para lá crianças, que acabaram por desaparecer. A maioria dos menores chegou pelas mãos de fiéis e mães desesperadas que procuravam ajuda. Posteriormente, o lar dificultava a visita aos filhos e promovia o abandono das crianças, que seguiam para serem adotadas por bispos e pastores da igreja.

O lar funcionou ilegalmente sete anos, sem qualquer fiscalização da Segurança Social. Aqui, contornava-se o normal processo de adoções em Portugal e as crianças que os bispos adotavam eram escolhidas por fotografias.

Bispo Alfredo Paulo

Foi um dos bispos principais da igreja universal até 2011. Esteve à frente da IURD em Portugal e na Europa entre 2002 e 2009. Foi expulso da IURD por ter sido infiel à mulher e, quando saiu, descobriu que o seu nome estava em muitas das empresas ligadas à igreja. Hoje, tem um canal de youtube onde denuncia a hipocrisia da cúpula da IURD. Tem milhares de seguidores, na sua maioria ex-fiéis da IURD. Vive escondido e muda frequentemente de morada por se sentir ameaçado. A TVI entrevistou-o na Suíça, onde estava refugiado na altura. No Brasil, a IURD avançou com mais de 80 processos contra si em vários estados e é defendido por um advogado que também é um ex-crente da IURD. É casado com Teresa Paulo e o bispo Macedo obrigou-os a adotar Lucas, um recém-nascido com 16 dias, no Brasil.

Lucas Paulo

Filho adotivo do bispo Alfredo Paulo, foi criado dentro da igreja universal. Chegou a ser pastor e, quando o seu pai saiu da igreja, foi enviado para o interior das Filipinas, onde passou muito mal. Foi amigo de Filipe e em adolescente ambos se revoltaram contra a vida da igreja. Denuncia a “imagem da familia perfeita” e a utilização dos “filhos dos bispos” para passar a mensagem da igreja e angariara fiéis e dinheiro. Garante que as crianças são usadas pela IURD e que muitas desconhecem que são adotadas.

Teresa Paulo

Mulher do bispo Alfredo Paulo, foi obrigada a adotar por ordem do bispo Macedo. É mãe de Lucas Paulo.

“Maria”

Mãe biológica de Vera, Luís e Fábio. Após uma denúncia de que deixava os filhos sozinhos em casa, a Segurança Social da Amadora retirou-lhe as crianças e entregou-as no lar ilegal da IURD. Jovem mãe, vítima de violência doméstica, tinha dois trabalhos para conseguir alimentar os filhos e irmãos menores que deixava entregue ao pai dos filhos mas este ausentava-se. Vera, Luis e Fábio acabam no lar da UIRD, onde deixou de conseguir vê-los e onde lhe negaram o livro de visitas para assinar. As crianças chamaram a atenção do bispo Macedo e os pais biológicos foram afastados. O lar mentiu ao tribunal e disse que a mãe abandonou lá as crianças e que nunca os foi visitar e, assim, conseguiu que a guarda dos menores fosse entregue a Alice, a secretária do bispo, que levou os irmãos para a filha do líder da IURD, nos EUA. “Maria” foi à polícia duas vezes denunciar o roubo das crianças, mas ninguém a levou a sério. Os relatórios do lar dizem que “Maria” era toxicodependente e seropositiva. A TVI descobriu “Maria”, a mãe que procurava os seus filhos há 22 anos.

“Ana”

Ex-funcionária do lar, escolhida para ser a babysitter de Vera e Luís na casa do bispo Macedo, na Califórnia. Sai de Portugal a 17 de setembro de 1996, como missionária paga pela IURD, mas na realidade era empregada do bispo e babysitter das crianças. Assistiu a maus-tratos dos irmãos e resolveu despedir-se e voltar para Portugal, onde começou a procurar a mãe biológica dos menores.

Viviane Freitas

Filha do bispo Edir Macedo, nasceu no Rio de Janeiro a 18 de janeiro de 1975.  Casou-se com o bispo Júlio Freitas em 1992. Terá tentado adotar no lar da igreja, mas não foi aceite como candidata por não ter idade, nem residência em Portugal. Escolheu os irmãos Vera e Luís por fotografias. Acabaram a viver consigo, durante anos, sem conhecimento dos tribunais portugueses. A escolha da filha do bispo promoveu a separação dos irmãos. Vera e Luís foram afastados do seu irmão Fábio.

Bispo Júlio Freitas

Nasceu na Bahia, em 11 de fevereiro de 1973, marido de Viviane Freitas, a filha mais nova do bispo Edir Macedo, com quem casou em 1992. Enquanto Bispo, era vasectomizado, o que impedia o casal de ter filhos. Acedeu a ficar com Luís e Vera, que garante serem seu filhos adotivos, mas que, formalmente, não lhe são nada à luz da justiça portuguesa que foi enganada.

Vera Andrade

Nasceu a 23 de março de 1992, natural da Venteira, Amadora. Terá sido retirada da sua casa, com os seus irmãos, por uma técnica da Segurança Social que a entregou no lar ilegal da IURD. Quando o Bispo Edir Macedo visita a instituição, é escolhida para ser adotada pela sua filha Viviane. Tem dois irmãos, Luís e Fábio, que também foram levados por Alice Andrade, a secretária do bispo Macedo, para os EUA, em avião privado e sem autorização dos tribunais portugueses. Depois de viver anos com Viviane Cardoso, é devolvida a Alice Andrade, que formalmente é a sua mãe adotiva. Atualmente, é obreira na igreja universal.

Luís Andrade

Nasceu a 17 de março de 1993. Irmão de Vera e de Fábio, é natural da Amadora e foi, juntamente com a sua irmã, escolhido por Viviane e Júlio Freitas, respetiva filha e genro do bispo Edir Macedo. Foi maltratado nos EUA, ao ponto de a babysitter portuguesa se ter despedido. Num mês, batizou-se e tornou-se pastor da IURD. Acredita que foi abandonado pela mãe biológica e não contacta com a sua mãe adotiva.

"Rita", antiga criança do lar

Era uma das crianças mais velhas do lar da Universal quando os três irmãos Vera, Luís e Fábio lá estavam e recorda-se do que diziam da mãe e de como os filhos foram afastados dela.

Alice Andrade

Nasceu a 4 de março de 1956. É natural de Angola e mãe de duas filhas. Foi, durante uma década, secretária pessoal do bispo Edir Macedo. Enquanto pessoa da máxima confiança do líder da IURD, serviu como testa de ferro para a adoção dos três irmãos que retirou do lar com uma guarda para entregar à filha de Edir Macedo, nos EUA. Viviane escolhe apenas 2 dos 3 irmãos e Fábio, o mais novo, acaba no Brasil, nas mãos de outro bispo importante da IURD. Entrou em rota de colisão com a igreja por causa das crianças e foi despedida da igreja. Acionou a justiça americana e acabou por assinar um acordo de confidencialidade com Edir Macedo e a IURD que a obriga a não divulgar o que aconteceu com os menores que levou do lar e a manter silêncio sobre todos os esquemas financeiros da igreja nos quais participou. Há mais de 4 anos que não vê, nem fala com as crianças que adotou para dar à filha do Bispo Macedo, que acusa de ter “um coração de gelo”. Casou com um americano e hoje vive em Los Angeles, nos EUA.

Ex-funcionária do lar com identidade oculta

Antiga crente da IURD, foi educadora do lar nos anos 90. Na altura, assistiu à partida da babysitter de Vera Luis e Fábio para os EUA. Testemunha que as crianças saíram pela mão de Alice para serem entregues à filha do bispo Macedo na América. Confessa que as crianças eram escolhidas e que muitas foram adotadas por bispos e pastores e levadas para o estrangeiro.

O Segredo dos Deuses: A serie da TVI sobre adoções ilegais da IURD

Vinte e dois anos depois, a mãe biológica de três irmãos - Vera, Luís e Fábio - e a babysitter que tratou deles reencontram-se. “Maria”, nome fictício, vai saber por “Ana” que um dos seus filhos faleceu há dois anos. "Este meu filho foi-me tirado... Eu nunca vi este meu filho andar, eu nunca o vi dar os primeiros passos...", desabafa Maria, falando de Fábio. "Maria" vivia na Amadora, ao lado de uma IURD, e, um dia, alguém denunciou que as crianças - de 3 anos, 2 anos e 9 meses, respetivamente - ficavam sozinhas em casa enquanto a mãe ia trabalhar. A Segurança Social retirou-lhe os filhos e enviou-os para um lar ilegal da igreja. "Eu não estava a entregar os meus filhos a ninguém. Eu pedi às assistentes sociais: ajudem-me, metam-nos numa creche porque eu tenho trabalho, ajudem-nos para eles ficarem em segurança, mas sempre foi recusada uma ajuda." Foi dito a "Maria" que podia ver os filhos aos fins de semana e que este seria um "processo gradual" até que os pudesse ter de volta. Em setembro de 1995, as crianças entram no lar. A mãe só os viu uma vez. Depois, desapareceram. “Ana” trabalhava no Lar da Obra Social da Igreja Universal do Reino do Deus quando foi escolhida para tratar de três irmãos que foram levados para os Estados Unidos e ilegalmente afastados dos pais, que foram impedidos de os visitar.

O Lar da Igreja é a peça central desta série que conta em exclusivo como operou em Portugal uma rede internacional de adoções ilegais. Mas antes é preciso conhecer esta igreja e o seu líder. A IURD começou em Portugal  numa pequena garagem, na Estrada de Benfica, e em pouco anos conseguiu comprar o cinema Império, em Lisboa. Hoje em dia, faz mais de 30 milhões de euros por ano, em ofertas, livres de impostos. Foi também em 1994 que fundou uma obra social, da qual fez parte o lar Universal, uma instituição ilegal, sem licenciamento da Segurança Social, que recebia crianças através de entregas diretas de fiéis, mas também de tribunais e da própria Segurança Social. Um lar que serviu os propósitos de uma igreja cuja ideologia passa pela vasectomia de bispos e pastores. Alfredo Paulo, ex-bispo da IURD, conta à TVI que foi obrigado a fazer uma vasectomia numa clínica clandestina. Como as filhas de Edir Macedo - Cristiane e Viviane - casaram com bispos da IURD, também não podem ter filhos.  É aí que, num breve período da sua história, na década de 90, Edir Macedo incentivou à adoção, uma ordem que se tornou mundial. "O bispo começou a incentivar a adoção, ao ponto de impor, no meu caso, que eu adotasse. Nem eu, nem a minha esposa queríamos adotar", conta Alfredo Paulo, que adotou Lucas Paulo, com apenas seis dias, no Brasil.

E é neste lar, em Portugal, que esta história se inicia. Uma história de mães devastadas, filhos levados para o estrangeiro, e segredos com mais de 20 anos. Uma história que só poderia ser conhecida duas décadas depois. Quando ex-funcionários da IURD deixaram a igreja, mas guardaram documentos e provas e conseguem agora testemunhar, sem medo, como foi organizado este esquema, que envolve o líder máximo da igreja, a filha, Viviane, uma mãe e três irmãos. Uma história que começa tragicamente com um lar e uma fotografia de três irmãos, Luís, Vera e Fábio. Uma fotografia entregue a Edir Macedo que os achou perfeitos e os escolheu para "entregar" à filha. "As mães acreditavam que deixavam ali os filhos de forma provisória". As jornalistas da TVI que investigaram a rede de adoções ilegais da IURD em Portugal questionam a Segurança Social sobre a colocação das crianças no lar ilegal referido na série informativa "O Segredo dos Deuses". "Não entendo como é que a Segurança Social colocava crianças neste lar ilegal. Houve crianças entregues pelas avós, que eram fiéis da IURD, a IURD também fazia evangelização nos bairros sociais e dizia para entregarem as crianças naquele lar", contou Alexandra Borges.

A Segurança Social revelou que participou esta alegada rede ao Ministério Público, que também já abriu um inquérito sobre o caso. "A Segurança Social finalmente assume que o lar é ilegal, mas não explica por que enviou para lá as crianças", disse Judite França, relembrando que "as mães acreditavam que deixavam ali os filhos de forma provisória". Presente no mesmo debate, na TVI24, a juíza do tribunal de menores de Cascais Florbela Sebastião e Silva referiu que "o tribunal não fiscaliza as instituições". "Para uma criança ser colocada numa instituição, tem de haver um juízo de ela estar em perigo e quem indica ao tribunal essa instituição é a Segurança Social." Também o procurador do Ministério Público Mello Breyner afirmou que esta "realidade" teve de ser construída pela Segurança Social ao tribunal. “Há aqui uma série de elementos que falham completamente. Tudo aponta para que as crianças tenham sido retiradas do lar e levadas para o estrangeiro, uma violação flagrante das normas da adoção internacional.” Segundo o mesmo procurador, mesmo havendo uma adoção legal, esta pode ter razões ilegais que a justificam. “Desde logo o facto de os pais quererem visitar os filhos e não poderem. Tudo o resto é uma realidade que é ficcionada ao tribunal. A coisa mais natural do mundo em qualquer adoção do mundo é chamar os pais para serem ouvidos, que não foram.” A juíza Florbela Sebastião e Silva admite que, neste caso, a colocação da criança no estado de adotabilidade "parece estar viciada ou corrompida". A jornalista da TVI Alexandra Borges explicou que o tribunal autorizava as crianças a viajar com "uma protetora" ao estrangeiro, mas não que fossem viver para fora de Portugal em definitivo.

Como a mãe foi afastada dos filhos que o bispo escolheu

Edir Macedo,  visitou em 1995 o lar da instituição em Camarate, onde viviam os três irmãos Vera, Luís e Fábio, e escolheu as crianças para a sua filha Viviane, cujo marido não podia ter filhos, por ter feito a vasectomia que Edir tinha exigido. “Recordo-me do Edir Macedo ir visitar o lar. Estava lá o Luís e a Vera e as crianças lá, quando apareciam pessoas estranhas ou diferentes, que não eram de lá, agarravam-se a essas pessoas. O Edir vira-se para a Ester [esposa] e diz: ‘Aqui estão umas crianças boas para o Júlio e a Viviane’. E então começaram a brincar com as crianças, a tentar conhecer as crianças”, contou à TVI “Ana” (nome fictício), ex-funcionária do lar e babysitter. O bispo Edir levou então fotografias das crianças para a Califórnia, para a filha Viviane aprovar a escolha. Recorde-se que, já na lei da época, era proibido os casais escolherem as crianças que queriam adotar. O ex-bispo da IURD Alfredo Paulo confirma que a família de Edir Macedo adotou em Portugal, “aproveitando-se do facto da IURD ter acesso ao lar das crianças”. “Essas crianças foram adotadas no lar e não seguiram os trâmites que deveriam seguir”, assegurou. Após a escolha, para afastar “Maria”, a mãe biológica de Vera, Luís e Fábio, era preciso construir uma “história”. Uma história que a Santa Casa da Misericórdia fizesse chegar ao Tribunal de Família e Menores e que levasse a que estas crianças ficassem libertas rapidamente para a adoção. Foi fácil: o Lar da Universal desacreditou esta mãe, apelidando-a de seropositiva e toxicodependente, sem que nunca lhe fosse feita uma análise sanguínea. Hoje em dia, “Maria” é dadora de sangue, o que seria impossível caso alguma vez tivesse sido toxicodepente. Ou seropostiva, claro.

Afastar “Maria” era essencial para que se cumprisse a vontade de Edir Macedo: levar aquelas crianças para os Estados Unidos para a filha Viviane. Desacreditada, enganada, “Maria” era constantemente impedida de visitar os seus filhos. Depois de os ver poucas vezes no Lar da IURD, as desculpas tornaram-se um hábito: os filhos não estavam porque tinham ido passar o fim-de-semana com uma funcionária ou porque tinham outras atividades. Certo é que “Maria” assinou o livro de visitas apenas uma vez: um livro que desaparecia de cada vez que “Maria” chegava à porta do Lar. O livro de visitas é fundamental para atestar do interesse dos pais pelos filhos. Se os pais biológicos não o assinassem durante seis meses, as crianças ficavam disponíveis para adoção. "Naquela altura, era-nos dito que os pais não podiam assinar o livro. Era negado, não tínhamos ordem para dar o livro aos pais", garante à TVI "Ana", ex-funcionária do lar. E “Maria” nunca os abandonou. Chegou a ir à polícia para que a ajudassem. Um pedido sem efeito. “Maria” deixou de conseguir ver os seus filhos e numa foi ouvida em tribunal, conforme mandava a lei. Num ápice, estava provada a tese de abandono e rapidamente o Lar sugeriu que uma pessoa ficasse com a guarda das crianças; uma pessoa que diziam ter uma relação com estes irmãos; uma pessoa que mal os conhecia e que tinha uma única missão: levá-los para os Estados Unidos e entregá-los à filha do bispo Edir Macedo. E assim fez, mesmo que não houvesse autorização para que vivessem fora do país e o tribunal continuasse a permitir as visitas dos pais.

 

Fonte: TVI/Municipios Baianos

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