16/12/2017

Conheça a policial que detonou Bolsonaro na rede social

 

A policial civil Mariana Lincoln Von Sohsten Rezende não tinha nem nascido quando As Panteras fez sucesso na televisão e, por isso, ela não vê muito sentido quando alguém a compara com uma das detetives que, na ficção, eram implacáveis com o crime. Mas as semelhanças existem: ela é bonita e quem a conhece diz que seus olhos brilham quando sai de trás da mesa, onde conduz inquérito como escrivã no primeiro distrito de Osasco, e vai para a rua em diligência com os investigadores. Perdeu a conta das pessoas que prendeu, mas não se esquece de como ficou com a boca seca, o coração acelerado e as mãos suadas ao trocar tiros em operação para prender traficantes. Em Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo, um investigador foi baleado ao seu lado. Ela continuou atirando e houve baixas do outro lado. “Já matou alguém?”, pergunto. “Não sei, prefiro não saber”, acrescenta.

Matar e morrer faz parte do roteiro de quem escolheu ser policial, e, no caso dela, só a vocação explica. Filha de empresário, que também é professor universitário, Mariana é de uma família tradicional de Osasco, na Grande São Paulo, e pertence à classe média, média alta. Formou-se em Direito e entrou na polícia, aprovada em concurso. A mãe era professora de Português quando, aos 50 anos de idade, para incentivar uma amiga que queria ser policial, prestou concurso para investigadora. A mãe de Mariana passou, a amiga não, e como o salário de investigadora era mais alto do que o de professora, foi para a polícia, apesar de ter 1m50. Ficou nove anos lá até se aposentar, sempre em trabalhos internos. Já Mariana, aprovada para um cargo onde a rotina é o trabalho interno, gosta mais é de sair para diligências, o que é perfeitamente legal em se tratando de investigações relacionadas aos inquéritos em que atua.

“Amo ser policial”, diz ela, que tem um Instagram com 25 mil seguidores, onde posta muita foto relacionada a seu trabalho. Por isso, não é exagero dizer que se tornou musa na profissão. Há algumas semanas, ela foi com o marido para Curitiba, onde ele disputou e venceu a final de um campeonato mundial de luta marcial. O marido (é segundo casamento dela), é professor de luta marcial, nas modalidades Taekwondo e Hapkidô. Quando uma seguidora da capital paranaense soube que ela iria para lá, insistiu para que ficassem hospedados na casa dela. “Ela e o marido (os dois policiais) nos trataram como se fôssemos da família, muito gentis”, diz. Mariana conta que a decisão de publicar um post em que detona Bolsonaro foi o resultado de um incômodo de dias, semanas, talvez meses, com alguns seguidores na rede social pedindo a ela que se posicionasse. “O cara (Bolsonaro) é um doente, faz mal ao Brasil, mas tem gente que não conhece nada de polícia e acha que ele vai resolver. Não vai. Eu tinha que publicar. Se não publicasse, não seria eu”, afirma.

O post de Mariana viralizou, e ela recebeu apoios e críticas. “Muitos policiais me apoiaram. Incrível. Eu diria a maior parte. Quem me criticou é gente que não é policial, mas pensa que é. Ou gostaria de ser. Vigilante, segurança, gente que não sabe que, para combater o crime, não é preciso ter carta branca para matar. A polícia já mata, e muito, e, pior, morre também. E o crime só aumenta. Policial sem energia é como arma descarregada, mas o que precisamos é de inteligência e condições adequadas para investigar”, afirma.

Um bolsominion cometeu a imprudência de postar na página dela: “Cala a boca, sua anta, tu já viu policial sem uma .40 na cintura prender ladrão? Então cala sua boca o retardada!! Mulher sem uma arma é o mesmo que uma criança, mulher não impõe respeito!! Se toca o criatura escrota”, disse. Mariana respondeu: “Eleitor do Bolsonaro não decepciona nunca, né!? Preconceituoso, mesquinho, e quando entra numa discussão sadia não tem argumentação fundamentada. Você é um doente”, escreveu, e fez um desafio, que o valentão não aceitou: “Vem aqui conversar comigo e fala na minha cara que uma mulher não tem capacidade de ser Policial (com P maiúsculo mesmo) nem usar uma arma de fogo, seu merda”.

Na postagem seguinte, ela postou uma foto, em que uma mão com unhas bem feitas, aliança, anel, coloca uma pistola na mesa, ao lado do distintivo da polícia, um boné em cima de uma caveira e uma caneca cor de rosa. E escreve: “Segue o baile”.

Mariana sempre chamou sua atenção por opiniões fortes. “Gostei muito do PT no passado, por causa da ideologia, de ver aquela gente lutando por coisas justas. Acho que o PT se perdeu um pouco, mas continuo de esquerda, digamos assim, porque sonho com o Brasil menos desigual”, afirma.

Ela é amiga de Márcia Abreu, ex-mulher do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, do PT, e por causa dela, em 2004, aceitou ser candidata a vereadora. Estava filiada ao PTB, coligado ao Partido dos Trabalhadores, e só fez parte da chapa para atingir a cota das mulheres. Não fez campanha e, ainda assim, teve quase 300 votos. “Não sou política, nunca fui, mas pela amizade que tinha e tenho com a Márcia fiz parte da chapa”, conta.

Aos 38 anos, ela diz que a vida dela se divide em trabalhar na delegacia, cuidar das duas filhas e do marido e ir a barzinho com ele e os amigos sempre que pode. Não decidiu ainda em quem vai votar em 2018 para presidente, mas já sabe em quem não votar, em hipótese alguma. “Não voto no doente, esse não fez nada pelo Brasil, engana as pessoas, propaga o ódio. Estou fora”, diz.

Após dar carta branca para PM matar, Bolsonaro recua e diz que é para "não morrer"

Um dia após dizer que daria "carta branca" para a PM matar, o presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), 62, recua e diz em discurso em Manacapuru (85 km de Manaus), que a autorização será para ele "não morrer".  "Eu não quero dar carta branca pro policial matar, eu quero dar carta branca pro policial não morrer. E, se para não morrer, tem de matar, que faça o seu serviço", disse.

Após atender a dezenas de pedidos de selfies e de posar para uma foto com seguidores diante da igreja da praça, Bolsonaro deu entrevista a uma rádio local, onde atacou ambientalistas e defendeu a desburocratização das licenças ambientais. O ex-capitão do Exército disse que uma licença para uma usina hidrelétrica pequena deveria durar "não mais do que uma semana, e não três, quatro, seis anos".

O presidenciável defendeu que o programa Minha Casa, Minha Vida seja repassado para as prefeituras, falou em aumentar os investimentos em pesquisa e afirmou que não dá para conciliar combate à violência com direitos humanos. "Não dá pra fazer política de combate à violência, de segurança pública, tendo ao lado direitos humanos. Ou achar que todo mundo deve ser tratado igualmente mesmo quando está fazendo a coisa errada."

VETO

A Marinha vetou a presença de jornalistas durante uma visita de Bolsonaro a um navio-hospital, nesta sexta-feira (15), em Manacapuru (85 km de Manaus).  A visita ocorreu no início da manhã. Para chegar ao navio, parado no meio do rio Solimões, Bolsonaro teve de usar uma lancha militar. Em seguida, discursou para algumas dezenas de apoiadores em uma praça da cidade. Em nota de esclarecimento, a Marinha informou que Bolsonaro é um dos parlamentares que apresentaram emenda parlamentar para financiar as operações de assistência médica da Força Armada.  "Assim, a visita do deputado tem caráter institucional e demonstrativo, cujo propósito é o de apresentar como esses recursos são aplicados', afirma a nota.

Segundo a Marinha, essa atividade já foi realizada com outros parlamentares e que apenas a tripulação do navio e a comitiva de Bolsonaro participariam da visita.  Desde o início da noite de quinta-feira (14), a reportagem questionou a assessoria de imprensa do 9º Distrito Naval, mas não houve resposta até as 11h locais (duas horas a menos do que São Paulo).

O que Ronaldinho e Bolsonaro têm em comum? Por Pedro Breier

Notícia esdrúxula do dia: Ronaldinho vai se filiar ao partido de Bolsonaro (atual PEN e futuro Patriota) e concorrerá ao Senado por Minas Gerais.

No meio do teatro do absurdo que virou a política nacional, buscar alguma ordem em meio ao caos é tarefa inglória.

Mas no caso Ronaldinho-Bolsonaro este colunista vai aproveitar seu conhecimento de causa (sou gremista) para apontar o que une a insólita dupla: o oportunismo.

Ronaldinho é cria das categorias de base do Grêmio. Chegou a dizer, no início da carreira, que jogaria até de graça pelo clube. Nos fim dos anos 90 explodiu para o futebol. Com atuações antológicas, especialmente em clássicos e jogos decisivos, seu valor de mercado era altíssimo.

Entretanto, Ronaldinho assinou um pré contrato com o PSG para sair de graça do clube, ao fim do seu contrato. O Grêmio recorreu à Fifa e arrancou uma indenização mixuruca do clube francês. A torcida ficou revoltada com o craque.

“O meio do futebol é isso aí mesmo, todo mundo só quer saber de dinheiro”, você deve estar pensando, com certa dose de razão. Entretanto, Ronaldinho leva a obsessão doentia por grana a patamares inacreditáveis.

Em 2011, já no fim da carreira, ele decidiu voltar a jogar no Brasil. Negociou com o Grêmio a sua volta para casa. A transação foi dada como certa. Chegaram a armar o palco para a festa de recepção a Ronaldinho no velho estádio Olímpico. Alguns gremistas, animados com a possibilidade de um dos maiores jogadores da história voltar a jogar em Porto Alegre, perdoaram a traição do passado e foram ao estádio para saudá-lo.

Ronaldinho e seu irmão/empresário Assis, contudo, estavam promovendo um leilão com outros times. O Grêmio pagaria uma fortuna mensal para contratá-lo, mas o Flamengo ofereceu uma fortuna um pouquinho maior e Ronaldinho não teve dúvidas: deu mais uma rasteira no seu time de origem e acertou com o rubro-negro.

A torcida ficou irada. Ronaldinho é odiado pela metade azul do Rio Grande do Sul até hoje. Eu estava no estádio quando ele foi, com o Flamengo, enfrentar o Grêmio pela primeira vez. Muita gente balançava notas de dinheiro, chamando-o de mercenário.

O tricolor gaúcho ganhou de 4 x 2 e a torcida cantava, em êxtase, os versos de Beth Carvalho: “você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”. Não é à toa que Ronaldinho não sairá candidato no Rio Grande do Sul.

A sanha do ex-atleta por bons negócios é similar à de Jair Bolsonaro, seu futuro companheiro de cédula.

Bolsonaro costumava defender, de forma até coerente com o seu apoio à ditadura militar e pretenso nacionalismo, políticas econômicas anti-liberais. Para ter o apoio do mercado, hoje jura de pés juntos que é liberal de carteirinha.

Votou muitas vezes junto com o PT em relação a questões econômicas. “Compilando o texto das ementas dos projetos em que Bolsonaro e PT votaram igual entre 1999 e 2010, nota-se um predomínio de temas associados à Nova Matriz Econômica – visão intervencionista da economia levada a cabo pelo PT”, diz a reportagem da Folha.

Como o antipetismo virou filão eleitoral depois do golpe, Bolsonaro se vende como anti-petista até debaixo d’água. As redes sociais piraram essa semana com um antigo elogio entusiasmado do suposto anti-esquerdista mor da nação a, vejam vocês, Hugo Chávez:

Portanto, Ronaldinho e Bolsonaro concorrendo a presidente e senador pelo mesmo partido, apesar do aparente nonsense, até que faz sentido. Os mais novos “patriotas” do Brasil são oportunismo em estado puro.

P.S.: Ronaldinho anunciou que está torcendo para o Grêmio no mundial de clubes e foi gloriosamente xingado pelos gremistas nas redes sociais. De fato, não precisamos da torcida de um bolsominion traíra para ganhar do Real Madrid.

 

Fonte:  Por Joaquim de Carvalho, no DCM/Folhapress/ O Cafezinho/Municipios Baianos

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