16/12/2017

Suspensão de Del Nero pela Fifa pode implodir a CBF

 

A Fifa baniu Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, de todas atividades do futebol por 90 dias, com possibilidade de se estender por mais 45 dias. Comitê de Ética Independente da entidade anunciou a decisão nesta manhã de sexta-feira (14/12) após uma investigação que se arrasta desde 2015. Del Nero deixa a presidência da CBF e no seu lugar assume o paraense Antonio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, vice-presidente mais velho da confederação nacional.

Mesmo que o banimento por meio da Fifa seja provisório, a saída de Del Nero do futebol pode ser definitiva. Pesa contra o dirigente as denúncias no julgamento de José Maria Marin e mais dois cartolas do futebol sul-americano na Corte de Brooklyn nos Estados Unidos, onde o atual presidente da CBF foi acusado de receber propinas de 6,5 milhões de dólares nos contratos de direitos de transmissão e marketing de campeonatos no Brasil e América do Sul.

Como Del Nero não arreda pé do Brasil desde 2015, portanto não pode ser preso pela Justiça americana, e não há em curso uma investigação no país contra o dirigente, a decisão da Fifa se torna nesse momento o único meio para Del Nero ser banido do futebol. Não por acaso, o dirigente armava nos bastidores da CBF, desde novembro, um plano para convocar nova eleição na entidade em abril de 2018, um jeito de continuar no poder para mais um mandato até 2023 e, por tabela, tentar uma nova reeleição, com mandato até 2027.

Apoiado por presidentes das 27 federações estaduais e boa parte dos 40 clubes (Séries A e B do Brasileirão), seu mandato atual terminaria apenas em abril de 2019. Fora de cena, banido pela Fifa, seu poder de manobra diminui entre os cartolas do brasileiro. A estrutura da CBF, que tem o politico Walter Feldman na secretaria-geral, pode ruir se os clubes iniciarem um movimento contra o atual comando.

Del Nero foi alvo de uma CPI no Senado, encabeçada pelo senador e ex-jogador Romário, que foi abafada por ação da Bancada da Bola, parlamentares que defendem interesses de dirigentes de futebol – entre eles, Romero Jucá e Zezé Perrella.

Entenda o caso Del Nero

Del Nero foi indiciado dezembro de 2015 pelo departamento de Justiça dos EUA por nada mais nada menos sete crimes – três de fraude, três de lavagem de dinheiro e mais um por integrar uma organização criminosa. Assim que os federais americanos confirmaram o iniciamento do dirigente brasileiro, o Comitê de Ética da Fifa abriu uma investigação interna e não deu celeridade ao processo. Mas quando o julgamento do Fifagate começou em Nova York, em novembro, a casa de Del Nero sofreu um abalo considerável. Todas as citações a Del Nero foram enviadas à Fifa e à justiça de Zurique. A situação de Del Nero se complicou com o julgamento de Marin, ex-presidente da CBF, que é julgado junto com o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout, e o ex-chefe do futebol peruano Manuel Burga. Os três são os únicos dos 42 acusados no escândalo de corrupção na Fifa que estão nos Estados Unidos e se declaram inocentes.

O julgamento

O ex-presidente da CBF entre 2012 e 2015 é acusado de sete crimes: três de fraude, três de lavagem de dinheiro e por integrar uma organização criminosa. O governo americano afirma que Marin negociou para receber 6,55 milhões de dólares em propinas relacionadas à concessão dos direitos de transmissão da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores. Mas seu advogado, Charles Stillman, insistiu que não há provas para condenar o ex-dirigente brasileiro. “Marin estava em campo, mas não jogou”, declarou Stillman ao júri.

“Com todo o respeito, Marin era o monarca que fazia os brindes, enquanto Marco Polo (Del Nero) comandava tudo”, acusou Stillman, referindo se ao atual presidente da CBF e que na época era o vice de Marin. Em março de 2012, Ricardo Teixeira, presidente da CBF por mais de duas décadas, anunciou sua renúncia de maneira surpreendente, pressionado pelas denúncias de corrupção.

Del Nero era visto como sucessor natural, mas quem assumiu a presidência foi Marin devido à regra interna da CBF, que outorga o cargo ao vice-presidente de maior idade da entidade. O governo americano afirmou que, após a renúncia de Teixeira, Marin e Del Nero passaram a dividir entre eles as propinas e que as menções “Brasileiro” ou “MPM” nas contas das empresas que pagavam subornos em troca de contratos eram referências a ambos. Stillman não comentou as gravações secretas usadas como prova pela promotoria, nas quais Marin conversa sobre subornos pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil e da Copa América com o empresário brasileiro J. Hawilla. O advogado, porém, afirmou que se seu cliente tivesse algo a esconder, não teria recebido propinas em contas em seu nome nos Estados Unidos.

  • Confira a nota da Fifa sobre a punição a Del Nero:

O dirigente Marco Polo Del Nero foi banido de todas as atividades relacionadas a futebol por 90 dias pelo Comitê de Ética independente da Fifa.

O responsável pela câmara de julgamentos do Comitê de Ética baniu provisoriamente o presidente da CBF, Sr. Marco Polo Del Nero, por um período de 90 dias. A duração do banimento pode ser ampliada para um período adicional, desde que não exceda 45 dias

Durante este período, Marco Polo Del Nero está banido de todas as atividades relacionadas ao futebol tanto em nível nacional quanto internacional. A punição passa a valer imediatamente.

A decisão foi tomada após pedido do Comitê de Ética por investigações sobre o Sr. Del Nero, em respeito aos artigos 83, parágrafo 1, e 84, parágrafo 2, do Código de Ética da Fifa.

Escândalo de corrupção motivou o afastamento de Del Nero da presidência da CBF

O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marco Polo Del Nero, foi banido provisoriamente do futebol pela Fifa por 90 dias a partir desta sexta-feira (15). A decisão foi tomada pelo comitê de ética da entidade e pode ser estendida por até 45 dias. Segundo o comitê, o cartola está banido de todas as atividades relacionadas ao futebol no Brasil e no exterior. Ele será substituído na presidência da CBF por Antônio Carlos Nunes, 79, o coronel Nunes. O ex-presidente da Federação Paraense de Futebol é o vice mais velho da entidade, critério previsto no estatuto da confederação para a substituição do presidente.

“A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informa que recebeu nesta sexta-feira (15) a notificação da decisão do Comitê de Ética da Fifa, determinando a suspensão por 90 dias do presidente Marco Polo Del Nero. A entidade informa que, em cumprimento à citada decisão e em linha com seu Estatuto, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima assume interinamente a presidência”, disse a nota emitida pela entidade.

O CHEFÃO

“Marco Polo era quem mandava no show no futebol brasileiro”, disse Stillman. “Os discursos pertenciam a Marin, mas as decisões eram de Del Nero. Ele era visto como quem mandava na CBF.” Del Nero também é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo, que apura irregularidades em convênios firmados pelo dirigente com o governo do Estado de São Paulo quando ele ainda comandava a FPF (Federação Paulista de Futebol). O cartola está na presidência da CBF desde 2015 e tentaria a reeleição no próximo ano. Ele ainda não se pronunciou sobre a decisão da Fifa.

BANIMENTO

A decisão pelo banimento provisório foi tomada pelo grego Vassilios Skouris, presidente da câmara de arbitragem do Comitê de ética da Fifa, seguindo recomendação da colombiana Maria Claudia Rojas, presidente da câmara de investigação do mesmo órgão. Ambos ocupam seus cargos desde maio deste ano.

Segundo o código de ética da Fifa, a punição provisória aplicada a Del Nero pode ser dada quando há indícios de violação do código de ética e “uma decisão definitiva sobre o caso pode não ser tomada suficientemente cedo” ou para prevenir que a pessoa acusada interfira em investigação em andamento no comitê. O dirigente será convocado a fazer sua defesa perante o comitê.

Esta é a segunda vez que Del Nero se afastará da presidência da CBF desde que foi eleito, em maio de 2015. Em dezembro do mesmo ano, após ser indiciado pela Justiça dos EUA, o dirigente se licenciou do cargo.

CONTINUOU MANDANDO

Naquela ocasião, o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), vice-presidente da CBF como representante da região Centro-Oeste, assumiu interinamente o cargo. Em janeiro, coronel Nunes foi empossado como presidente da entidade. O cargo, porém, era apenas protocolar. Nos bastidores, era Del Nero quem continuava mandando na confederação. O cartola voltou a assumir oficialmente cargo em abril do ano passado. Na última segunda-feira (11), a defesa do ex-presidente da CBF José Maria Marin resolveu trazer à tona o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e comparar sua situação à de Marin, durante depoimento.

SEMPRE JUNTOS

“Quase sempre eles [Marin e Del Nero] estavam juntos”, disse o advogado James Mitchell, que defende Marin. Ele interrogava o investigador da Receita Federal americana Steve Berryman, que é testemunha de acusação e depõe desde a última quinta (7).

Para Mitchell, a conduta da Fifa com Marin, que foi banido da instituição, não foi a mesma com Del Nero, e isso contraria a suposta política de “tolerância zero” da entidade contra corrupção e fraude. Eles frequentavam as mesmas reuniões e estavam sujeitos ao mesmo código de ética, argumentou o defensor.

A juíza Pamela Chen, porém, interrompeu as perguntas, retirou os jurados da sala, ouviu as partes e decidiu que não iria permitir a linha de argumentação, por considerar que ela não prova nada sobre os fatos contra Marin, e que a Fifa e seu posicionamento em relação aos investigados não está em jogo. A magistrada chegou a afirmar que isso só provaria que “Del Nero tem mais amigos em esferas superiores do que Marin”.

NA PLANILHA

Durante julgamento realizado no dia 30 de novembro, José Eladio Rodríguez, testemunha da acusação, que era responsável pela execução das transferências da Torneos y Competencias, indicou que o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto, que antes negociava a compra de direitos de transmissão esportiva para o grupo de TV brasileiro, e Maco Polo Del Nero recebiam propina. Ele se referia a Marcelo Campos Pinto como “MPC” e Del Nero como “MPC”. A testemunha afirmou que quando citava a sigla “MP” fazia uma referência aos dois brasileiros, Del Nero e Marin. Nas palavras dele, eles “eram um só, viviam juntos, sempre os via juntos”.

Essa confusão também aparece nos e-mails de Rodriguez. Numa série de mensagens que mandou como lembrete para seu próprio endereço eletrônico, o ex-executivo da Torneos listava pagamentos a serem divididos entre Marin e Del Nero, entre esses uma transferência de US$ 3 milhões de junho de 2013.

Mesmo suspenso, Del Nero continuará dando as cartas na CBF

Marco Polo Del Nero já vinha preparando havia meses o diretor executivo de Gestão da CBF, Rogério Caboclo, para ser o homem poderoso da entidade no caso de seu afastamento. Com a decisão da Fifa de suspender Del Nero por 90 dias, por suspeitas de crimes de corrupção, o vice coronel Nunes, de 79 anos, é quem assume de direito a CBF. Mas, de fato, quem vai mandar é a dupla Caboclo-Del Nero.

Caboclo é o homem de confiança de Del Nero na CBF. Trabalharam juntos por anos na Federação Paulista de Futebol.

Dias atrás, Del Nero decidiu fazer um convite a todos os 27 presidentes de federações para acompanharem na Rússia a Copa do Mundo do ano que vem, com todas as despesas pagas pela entidade. Na hora de anunciar a cortesia, num almoço na sede da CBF, disse que a ideia tinha partido de Rogério Caboclo.

A deferência soou artificial para vários presentes, tal a distância que a Caboclo faz questão de manter com os representantes das federações estaduais. Ele não é visto com simpatia por esses dirigentes, que o acusam de ser pouco afeito ao diálogo.

Romário comemora suspensão de Del Nero e pede eleição direta

O senador Romário, opositor mais do que declarado ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, posicionou-se via redes sociais sobre a suspensão de 90 dias dada ao dirigente pela Fifa. Romário comemorou o fato, mas ainda não ficou satisfeito. "A minha esperança, como a de muitos brasileiros que amam futebol, é vê-lo banido de uma vez por todas".

O Baixinho recentemente lançou um livro no qual contou os bastidores da CPI do Futebol, da qual foi presidente. A Comissão investigou dirigentes do futebol brasileiro. Romário assinou um relatório paralelo no qual pediu indiciamento de nove pessoas, entre elas Del Nero.

  • O TEXTO DE ROMÁRIO

"A FIFA, finalmente, concluiu que é inadmissível que Del Nero continue a exercer suas atividades no futebol, tanto a nível nacional como internacional. A suspensão, por enquanto, é de 90 dias. A minha esperança, como a de muitos brasileiros que amam futebol, é vê-lo banido de uma vez por todas.

Del Nero já teve seus crimes desmascarados juntos com o de outros corruptos como José Maria Marin, já preso nos EUA, e Ricardo Teixeira, ainda solto no Brasil. Eles usaram a CBF para enriquecer ilicitamente.

É hora de iniciarmos uma campanha por eleições diretas na CBF, ampliando o colégio eleitoral para além das federações, clubes de todas as séries e atletas também precisam ter direito. Hoje a eleição é uma fraude, cartolas corruptos se mantêm no poder na base da compra de votos.

Só quando mudarmos esse quadro conseguiremos ver a arrecadação da CBF ir para onde deve: investimento no futebol de base, em jovens atletas, em estrutura. Enfim, o futebol deve favorecer o social e não enriquecer o bolso de alguns engravatados".

Coronel Nunes volta ao comando da CBF

Como Marco Polo Del Nero foi suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa nesta sexta-feira, quem volta à cena para comandar - pelo menos de nome - a CBF é o Coronel Nunes. Eleito em 16 de dezembro de 2015 como um dos vices da entidade, Antonio Carlos Nunes, de 79 anos, precisou deixar para trás problemas de saúde em um passado recente.

Nunes, que dirigiu a CBF no começo de 2016 (quando Del Nero tirou licença), chegou a ficar internado com problemas no coração e pneumonia logo ao voltar dos jogos da Seleção na Austrália, em junho. Ele inspirou cuidados intensos e deixou os colegas dirigentes preocupados.

Mas o retorno ao poder se dá em um momento no qual o Coronel não conta com tanto prestígio assim. Antes da notícia da suspensão de Marco Polo, ele não era um dos favoritos, pelo que o LANCE! apurou, a permanecer como um dos vices da CBF na próxima eleição. Há quem veja um distanciamento grande dos outros presidentes de federação e também das atividades da CBF. Mas isso fica em segundo plano, porque a própria realização da eleição em abril virou uma incógnita com a punição a Del Nero.

Nunes, no entanto, esteve em setembro no Ministério do Meio Ambiente para "vender o peixe" da Copa Verde, competição organizada pela CBF que envolve times do Norte e Centro-Oeste do país. Em março deste ano, ele conseguiu eleger sucessor na Federação Paraense, entidade que passou a comandar em 1998.

O Coronel Nunes foi eleito em 2015 com 44 votos a favor do candidato único, três contra, três votos em branco e cinco abstenções.

Dono de umas tiradas que quebram o protocolo, ele já falou que Jorginho, à época no Vasco, era o melhor técnico do Brasil. O Coronel Nunes, inclusive, não esconde as paixões pelo Cruz-Maltino e pelo Paysandu. Desde que se mudou para o Rio, ele já foi várias vezes a São Januário assistir às partidas do time.

De volta ao comando da CBF, ele vai poder repetir a mensagem proferida na primeira vez que pisou na Conmebol como representante do futebol brasileiro: "Nunes. CBF. Brasil".

Hobby de novo presidente da CBF é jogo de palavras cruzadas

Com a saúde debilitada e sempre deixado de lado nas principais decisões da CBF, o novo presidente da entidade, coronel Antônio Nunes, 79 anos, passa boa parte do tempo na sede da confederação tentando preencher páginas de jogos de palavras cruzadas. Tem sempre em sua bolsa alguns desses coquetéis e os recebe de presente de vários colegas, dirigentes e funcionários da própria CBF, de federações estaduais e de clubes.

Ele não gosta de ‘colar’ e consultar nas últimas páginas dos coquetéis as respostas que por ventura não tenha encontrado para formar as palavras. Às vezes, leva horas ou mesmo dias para ‘fechar’ uma página. Mas, de vez em quando, pede ajuda a quem está próximo para tirar alguma dúvida.

O coronel já foi flagrado várias vezes cochilando em sua sala, debruçado sobre um coquetel de palavras cruzadas. Ele mesmo se diverte quando consegue finalizar o passatempo ao concluir que lhe faltavam apenas poucas palavras fáceis de se formatar com as dicas disponíveis.

Com a suspensão imposta pela Fifa a Marco Polo Del Nero, envolvido em denúncias de corrupção apuradas pela Justiça dos EUA, o coronel passa a ocupar o cargo máximo do futebol brasileiro. Ele é ex-presidente da Federação de Futebol do Pará e assumiu em 2015 uma das vice-presidências da CBF, da Região Sudeste, numa manobra do grupo de Del Nero, a fim de evitar que Delfim Peixoto, então o vice mais idoso da CBF, assumisse a presidência em eventual saída de Del Nero.

Delfim vinha defendendo publicamente punição exemplar a todos que tivessem se beneficiado ilicitamente de cargos na CBF. Ele morreu em novembro do ano passado, na Colômbia. Era um dos passageiros do voo da Chape.

 

Fonte: Chuteira FC/Folha/Terra.com/Lance/Municipios Baianos

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