17/12/2017

Barragens, o problema agora é agua demais

 

Até o mês passado, o grande problema nas 330 barragens baianas (incluindo as grandes, como Sobradinho) era a água pouca.

Agora, com as chuvaradas deste mês, a situação é inversa, é água muita.

Diz Paulo Sérgio Luz, superintendente da Defesa Civil da Bahia, que está empenhado em fazer um diagnóstico da situação. O problema emergiu após o desastre de Mariana, quando órgãos do governo federal começaram a fazer pressão para monitorar com mais rigor as 14.996 barragens do país.

Diz o deputado Zó (PCdoB), que é de Juazeiro, em termos de água, o dezembro de 2017 é um dos melhores dos últimos tempos. E é aí que está o problema: o aguaceiro é consequência do La Niña, fenômeno climático que resfria as águas do Oceano Pacífico e faz chover forte (ao contrário do El Niño) na Amazônia, Nordeste e Sudeste.

É aí que mora o perigo, segundo os especialistas. O La Niña da vez vai ficar até abril. E o rompimento de uma dessas barragens seria tragédia anunciada.

Chuvas na bacia do São Francisco animam técnicos do setor elétrico

Até 1º de janeiro de 2018, a previsão do setor elétrico é que o reservatório de Três Marias, em Minas Gerais, chegue a 19% de seu volume útil; Sobradinho, na Bahia, atinja 10,6% e Itaparica, em Pernambuco, permaneça nos 10%. Os dados, considerados animadores, foram apresentados na manhã desta segunda-feira (4 de dezembro), durante reunião promovida pela Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília (DF), e transmitida por videoconferência para os estados da Bacia do Rio São Francisco.

Atualmente, o reservatório de Sobradinho apresenta apenas 2,8% de volume útil e Três Marias 9,2%. De acordo com apresentação da equipe técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), a estimativa se deve ao fato de o período úmido na Bacia do São Francisco apresentar índices animadores para os próximos dias.

De acordo com coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, outro fator que deve contribuir para os índices pluviométricos na Bacia do chamado rio da integração nacional é a formação do fenômeno La Niña, que consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano e gera uma série de mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura na Terra.

Durante a reunião, o superintendente de Recursos Hídricos da ANA, Joaquim Gondim, anunciou a prorrogação da resolução que instituiu o Dia do Rio, através do qual suspende a captação de água no Velho Chico nas quartas-feiras. “A resolução será publicada ainda essa semana no Diário Oficial da União e deverá prorrogar o Dia do Rio até o final de abril do próximo ano”, anunciou Gondim. “Além disso, nos próximos dias também iremos publicar no Diário a resolução que estabelece o novo modelo de gestão das águas do São Francisco”, completou Gondim.

No final da reunião, o presidente da agência federal, Vicente Andreu Guillo, que encerra seu mandato à frente da ANA, apresentou um rápido balanço das ações desenvolvidas nos últimos oito anos em que esteve na presidência do órgão. “Sei que faltou muito a ser feito, mas preciso destacar que o conhecimento e o envolvimento de todos da bacia do São Francisco é grande e positivo. Administramos no momento de crise hídrica, o que propiciou a todos aprenderem um pouco mais, daí a importância na integração de todos”, resumiu Andreu. “Posso garantir que saio com o dever cumprido”, concluiu ele.

A videoconferência que analisa as condições hidrológicas na Bacia do Velho Chico atende a uma demanda apresentada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e ocorre todas as segundas-feiras, na sede da ANA.

Projeto prevê fim do uso da lata d’água no sertão

“Lata d’água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria...”. O refrão da marchinha de antigos carnavais mantém-se como trilha musical durante todo o ano no semiárido nordestino. Um projeto de inovação, da jornalista e pesquisadora baiana Clara Luz e do engenheiro mecânico David Luz, pode, entretanto, mudar esta realidade: um pequeno contêiner de plástico, com 73 cm de largura, com alça de aço galvanizado, é indicado para substituir as tradicionais latas e baldes usados, principalmente por mulheres e crianças, para transportar água de açudes, cisternas e represas no sertão.

Os primos inovadores apresentaram o projeto em agosto em Salvador, durante a primeira edição da Campus Party, evento tecnológico internacional. A ideia deles, e outros cinco projetos baianos, acaba de ser selecionada pelo Grupo A Tarde, que lançou durante o evento um projeto de apoio à inovação e tecnologia.

Desde então, os projetos vinham sendo analisados pela curadoria da iniciativa que escolheu os seis destaques: Helio Pereira (com o projeto de conversor de energia), Michelle Melo (sistema de limpeza para painéis solares), Alex Correia (projeto Mosquito Zero), Wagner Barreto (Aplicativo D’Maré) e os estudantes do Ceep de Lauro de Freitas, representados por Thiago Alves, Matheus Miler e Sérgio Carneiro (robô antibomba), também assinam os projetos selecionados. Todos foram apresentados esta semana em série de reportagens de A Tarde.

Economia de tempo

“O projeto facilita o transporte de água pelas famílias necessitadas do semiárido, que, normalmente, perdem muitas horas por dia equilibrando na cabeça baldes de até 20 litros”, diz David Luz. O projeto deles é mesmo uma verdadeira mão na roda para quem precisa carregar água no sertão. O contêiner proposto, de 73 cm de largura e 42 de diâmetro, tem capacidade para cinco vezes mais água que pelo método tradicional, dos baldes na cabeça.

O equipamento deve ser puxado no chão mesmo, pela alça de aço, numa estrutura projetada para se ter ainda uma redução do peso, apesar da maior quantidade do volume de água que pode ser transportada. A invenção, por sua vez, ainda tem reflexos positivos na saúde das mulheres, idosos e crianças da região que, devido ao método tradicional, acabam lidando com dores na coluna, entre outras, por conta da tarefa de carregar água na cabeça.

Adaptações

“As mulheres e crianças são responsáveis no semiárido baiano pela coleta de água onde muitas vezes não há infraestrutura confiável ou é totalmente inexistente”, diz Clara Luz, no texto de apresentação do trabalho.

“Para as mulheres, coletar água tem um alto custo, pois reduz consideravelmente o tempo que elas têm disponível para ficar com as famílias, no trabalho ou em tarefas domésticas ou mesmo em atividades de lazer. Para as crianças, prejudica o desenvolvimento escolar e a infância de modo geral”, frisa o documento.

“Perde-se muito tempo em idas e vindas e agressões à saúde”, completa David Luz, lembrando também a possibilidade de maior compartilhamento de água numa comunidade. Ele explica que ainda é possível acoplar três cilindros (contêineres) para que possam ser puxados por equinos, carroças, motos ou bicicletas, com adaptador específico na alça de aço galvanizado.

Com a divulgação do projeto, Clara e David esperam sensibilizar o poder público, organizações governamentais e empresas privadas para a alternativa, considerando os benefícios proporcionados: redução do peso que prejudica a coluna dos indivíduos, melhoria da higiene e saúde da população, mais tempo para atividades econômicas para as mulheres, mais tempo para a educação de crianças e adolescentes, além de tornar os idosos mais poupados da tarefa da coleta de água.

OBRA DA CODEVASF LEVARÁ ÁGUA A MAIS DE 40 MIL PESSOAS NO NORTE DA BAHIA

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf) está implantando em Campo Alegre de Lourdes (BA) o Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA) que beneficiará o município, localizado no extremo norte da Bahia, e comunidades do município vizinho de Pilão Arcado. As obras estão sendo conduzidas pela 6ª Superintendência Regional da Companhia, sediada em Juazeiro (BA).

Quando estiver em plena operação, o sistema beneficiará cerca de 40 mil pessoas em 71 localidades do semiárido baiano. Com vazão média de 90 litros por segundo, o SIAA tem mais de 370 km de adutoras, que vão conduzir água a mais de quatro mil ligações domiciliares.

"Esta é uma obra muito importante para Campo Alegre de Lourdes, na qual a Codevasf se empenhou para poder atender a essa antiga reivindicação do município, que é água de qualidade nas torneiras das casas. A Codevasf está fazendo a sua parte e agora este desejo está perto de ser realizado", afirma Luiz Augusto Fernandes, analista da Codevasf que participou nesta sexta-feira (15) de audiência pública sobre o sistema na Câmara de Vereadores de Campo Alegre de Lourdes.

Além da sede de Campo Alegre de Lourdes, 57 localidades do interior do município terão acesso a água tratada para consumo humano, numa região onde a oferta de água ocorre predominantemente por meio de carros-pipa. A captação do sistema será realizada por flutuante instalado em um braço do rio São Francisco no povoado de Passagem – distrito de Pilão Arcado; na região serão beneficiadas 14 localidades. As obras tiveram início em 2013. Estão sendo investidos recursos federais da ordem de R$ 79,6 milhões.

Cerca de 90% das obras civis do sistema estão concluídas e a expectativa é de que até o início de 2018 o fornecimento de energia esteja estabelecido e tenham início as fases de testes e pré-operação da primeira etapa do sistema, que contempla todas as localidades situadas entre a captação em Pilão Arcado e a sede municipal de Campo Alegre de Lourdes.

Audiência pública

Para explicar à população detalhes sobre a construção e o funcionamento do Sistema Integrado de Abastecimento de Água implantado pela Codevasf, uma audiência pública foi realizada nesta sexta-feira na Câmara de Vereadores de Campo Alegre de Lourdes, numa parceria entre a Companhia, o poder público municipal e a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Técnicos da 6ª Superintendência Regional da Codevasf que fiscalizaram as obras estiveram presentes, assim como autoridades locais e estaduais, representantes de associações de produtores e população em geral.

Também foram levadas à audiência informações sobre cuidados sanitários que a população deve observar ao utilizar a água e recomendações sobre o uso racional dos recursos hídricos. Representantes da Embasa explicaram no evento como o sistema será administrado e como se dará a relação com os consumidores.

 

Fonte: A Tarde/CBHSF/Ascom Codevasf/Municipios Baianos

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