04/01/2018

Roberto Jefferson emplaca a filha como ministra do Trabalho

 

O presidente nacional do PTB, o corrupto Roberto Jefferson, informou que a sua filha e deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) vai assumir o ministério do Trabalho. Ele se reuniu com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu e disse que o nome de Cristiane Brasil “surgiu” durante a conversa e não foi uma indicação dele próprio.

A nomeação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. Segundo nota à imprensa, a definição de Temer ocorreu após “indicação oficial feita pelo PTB”.

“Eu vim discutir outros nomes, estávamos pensando em três [outros deputados]. Aí roda pra cá, roda pra lá. Então se falou: ‘Roberto, e a Cristiane? Por que não?’ Aí foi da cabeça do presidente: ‘Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro’. Eu falei: ‘presidente, aí o senhor me surpreende, vou ter que consultar”, afirmou Roberto Jefferson.

Segundo ele, após a consulta e a aceitação, Cristiane Brasil concordou em não disputar as eleições deste ano. “Ela ficará ministra até o final [do governo de Temer]”, afirmou. Roberto Jefferson disse ainda que o líder do partido na Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), também concordou com a nomeação e disse que ela tem a “confiança” da bancada.

Durante entrevista a jornalistas em que anunciou o nome da filha para o cargo, Roberto Jefferson, que foi protagonista e o primeiro delator do mensalão há pouco mais de dez anos, se disse emocionado. “É um resgate da imagem, da família. Depois do que aconteceu, mas já passou. Fico satisfeito”, afirmou, com a voz embargada.

Ronaldo Nogueira deixou o ministério no último dia 27 para se candidatar a um cargo eletivo no pleito deste ano. Para concorrer a cargos eletivos a nível nacional, ministros de Estado precisam se afastar do cargo com seis meses de antecedência. Após o convite ao deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) não ter sido confirmado devido a resistências do PMDB do Maranhão, Roberto Jefferson disse que o “imbróglio acabou”. “Não há conflito no PTB, há uma relação muito boa entre mim, os líderes no Senado e na Câmara. A bancada é unida”, disse.

Irmão de Garotinho assume

Com a confirmação do nome da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), que assumirá o Ministério do Trabalho por três meses, até se desincompatibilizar dia 6 de abril, o suplente de deputado federal Nelson Nahin (PSD-RJ) assume a cadeira na Casa. A informação é da Secretaria Geral da Mesa da Câmara dos Deputados.

Nahin é irmão do ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), que esteve preso, juntamente com a mulher, a também ex-governadora Rosinha Matheus, por crimes eleitorais, e deixou a prisão após decisão do ministro Gilmar Mendes.

HABEAS CORPUS

O agora deputado federal Nelson Nahin já foi condenado a 12 anos de prisão por exploração sexual de menor. O político chegou a ficar preso por mais de quatro meses, mas foi solto em outubro do ano passado graças a um habeas corpus. O caso ficou conhecido como “Menina de Guarus”.

Antes de conseguir a vaga como suplente de Cristiane Brasil, Nahim era o primeiro da lista para substituir o “deputado presidiário” Celso Jacob (PMDB-RJ).

Em 2014, o irmão de Garotinho obteve 25.872 mil votos no estado do Rio de Janeiro. Antes, ele chegou a ocupar a presidência da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, município do interior do Rio de Janeiro.

Planalto tenta conter a debandada. Por Helena Chagas

Demissões de ministros em razão de candidaturas eleitorais são fatos normais na política, mas as duas que atingiram o governo Temer em menos de uma semana são bastante estranhas. No mínimo porque Marcos Pereira, do PRB, e Ronaldo Nogueira, do PTB, deixam as pastas do Desenvolvimento Industrial e do Trabalho, respectivamente, para se candidatarem a deputados. E três meses antes do prazo exigido pela lei. Será que avaliaram que ficar no governo, a esta altura, pode tirar mais do que dar votos?

Diante da baixíssima popularidade de Michel Temer e do governo, faria sentido, não fossem as deformações do sistema político vigente, que leva candidatos ocupantes de cargos públicos a se agarrarem com todas as forças aos cargos até o último momento para usar a máquina a seu favor. Deixar um ministério assim, sem mais, contraria a lógica – viciada, é verdade – dos políticos brasileiros.

É evidente que tem caroço nesse angu, talvez mais indigesto do que no do PTB de Nogueira, que hoje está em pé de guerra porque teve sua primeira indicação para substituição no Ministério do Trabalho vetada pelo ex-presidente José Sarney.

O caso do PRB consegue ser mais grave, pois tudo indica haver uma insatisfação mais profunda, sem garantias de que o partido continuará na base governista. E não só o partido. Pereira, em sua saída, pode acabar levando a Igreja de Edir Macedo e a TV Record no ano eleitoral. Nada bom para o Planalto.

Aliás, a primeira coisa que Temer e seus articuladores precisam fazer agora é afastar a forte impressão de que sua base está se esfarelando e que o governo está sendo alvo de uma debandada pré-eleitoral. Nessa situação, Previdência nem pensar. Sobrevivência passará a ser a preocupação.

Para esvaziar Bolsonaro, tucanos querem aproximar Alckmin aos evangélicos

Tucanos de São Paulo preparam uma extensa agenda com evangélicos para o governador Geraldo Alckmin. Os articuladores atuam para que, logo no início deste ano, o presidenciável do PSDB receba cerca de 80 líderes de igrejas pentecostais e neopentecostais em um jantar na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Um dos principais objetivos dos aliados do paulista é minar a influência de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – já identificada pela sigla – nesse nicho do eleitorado.

Alckmin tem mantido encontros frequentes com evangélicos. O pastor Eri Alencar, da Assembleia de Deus Paulistana, e o apóstolo César Augusto, da Fonte da Vida, estiveram com o governador. A ideia é que o tucano também vá a um culto de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. Os evangélicos tucanos defendem que, nas agendas de campanha pelo país, Alckmin inclua as igrejas em seus roteiros.

TESE DE FHC

Ainda que tenha feito deferências ao governador, FHC jogou luz em um fato ao cogitar o apoio do PSDB a um nome de fora do partido na eleição presidencial deste ano: a candidatura do paulista ainda é vista como frágil por setores importantes da política e do empresariado.

Mesmo que de forma involuntária, a fala de FHC ao “Estado de S. Paulo” deu força a integrantes do DEM que tentam viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia (RJ) e também a partidários de Henrique Meirelles (PSD) e até de João Doria (PSDB). Maia e Meirelles querem capitanear o centro. Doria é visto por alguns aliados dos tucanos como um candidato mais competitivo do que Alckmin.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Efraim Filho (PB) diz que “cresce a imagem de Rodrigo Maia como alguém capaz de unificar o centro”. “Não podemos ficar a reboque de disputas internas de outras siglas”, afirma.

Na temporada de caça partidária, deputado vale ouro. Por Helena Chagas

O ano político começa no tranco, com a abertura da temporada de caça partidária – que vai determinar o rumo das alianças eleitorais de outubro e o destino de votações importantes do Congresso. A da reforma da Previdência em 19 de fevereiro, por exemplo, tem tudo para fracassar, sob a lógica de que, em meio à janela das trocas de partido, um deputado candidato à reeleição passou a valer ouro – quase literalmente.

Deputados, senadores e demais detentores de mandato terão o mês de março para trocar livremente de partido sem incorrer na penalidade legal da perdas de mandato. E obviamente só vão tratar disso até lá. Se, em condições normais, porteiras abertas já encorajam o leilão de mandatos, e criam aquele clima de feirão no Congresso, há na atual temporada um agravante: ainda que de forma gradativa, a cláusula de barreira para sobrevivência dos partidos entra em vigor já neste 2018.

Isso quer dizer que os partidos terão que ter pelo menos 1,5% dos votos registrados para a  Câmara dos Deputados, o que não chega a ser muito mas é o bastante para varrer do mapa algumas agremiações menores, tirando-lhes o fundo partidário e o tempo na TV. Nessas circunstâncias, às quais se soma ainda a campanha curta que favorece a eleição e reeleição de quem já tem mandato, os partidos não podem se dar ao luxo de perder deputados candidatos em potencial.

O que equivale a dizer que qualquer ameaça de punição em eventuais fechamentos de questão para obrigar o sujeito a votar na previdência terá a força de um tiro de canhão na água. Não por acaso, os demais partidos aliados ao Planalto não acompanharam ainda o PMDB e o PTB em seu fechamento de questão pró-reforma.

Tudo o que eles menos querem no mundo é ter que punir um deputado candidato com sua  expulsão da legenda, pois sabem que ele correrá para os braços de outro partido, levando seu potencial de votação futura e, mais grave ainda, sua votação passada, que conta para a distribuição dos recursos do fundo e do tempo eleitoral na TV durante a campanha.

Ou seja, na atual situação, os partidos precisam muito mais dos deputados do que os deputados dos partidos, pois sempre haverá um chinelo velho a espera de um pé doente – e rebelde.

Piada do Ano: “Eu não sou chantagista”, diz Marun sobre a reforma da Previdência

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta quarta-feira, dia 3, em entrevista à rádio Jovem Pan, que a representação apresentada contra ele por uma entidade de servidores na Comissão de Ética Pública da Presidência “não faz parte do rol de coisas” que o preocupam.O articulador político do Palácio do Planalto também voltou a negar que tenha feito uma “chantagem” com governadores, ao declarar que o governo espera que a liberação de financiamento de bancos públicos tenha uma contrapartida por parte dos governantes estaduais por meio de apoio à reforma da Previdência. A declaração polêmica gerou protesto por parte de alguns governadores.

Eles decidiram enviar na última quarta-feira, dia 27, uma carta pública ao presidente Michel Temer com críticas ao que consideraram ser uma pressão por parte de Marun.  “Eu teria exagerado [na fala] se eu efetivamente tivesse condicionado. Não condicionei. Mantenho a posição que vou buscar apoio de todos os agentes públicos, em especial aqueles que tem parcerias com o governo federal, já que com esses temos um diálogo”, justificou o ministro à rádio.

“SEM CHANTAGEM“

“Eu não sou chantagista. Eu continuo conversando, e mantenho essa visão. O diálogo na política é a base de tudo e nós vamos sim nos empenhar no sentido de que a Previdência seja aprovada conversando, sim, com esses agentes políticos, sejam eles parlamentares, que é o foco principal”, disse Marun em outro trecho da entrevista. Ainda na manhã desta quarta-feira, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Tipícas de Estado (Fonacate) – entidade que representa diversas carreiras de servidores públicos – protocolou na Comissão de Ética uma representação contra o ministro da Secretaria de Governo com base na declaração de Marun sobre a reforma da Previdência.

“Eu considero essa atitude, dessa entidade que eu nem sabia que existia… Para proteger privilégios, não falta associação, agora, para trabalhar para o Brasil, são poucos, para cuidar do umbigo surge associação a todo tempo. Essa representação, ou seja, o que for, não faz parte do rol de coisas que me preocupam”, enfatizou o articulador político do Planalto à Jovem Pan.

A Comissão de Ética é responsável por apurar a conduta de integrantes da administração pública federal. Órgão consultivo da Presidência, a comissão não tem poder para punir servidores e ministros, mas pode recomendar ao presidente da República exonerações ou sanções administrativas a integrantes do governo, entre as quais a censura ética, uma espécie de “mancha” no currículo do servidor.

REPRESENTAÇÃO CRIMINAL

Na última quinta-feira (28), a bancada do PT na Câmara informou que apresentou representação criminal contra Marun por conta da declaração sobre a liberação de crédito vinculada ao apoio à reforma previdenciária. Na representação, o PT pede que a Procuradoria Geral da República (PGR) apure se o ministro cometeu crime de corrupção e improbidade administrativa.

“A conduta do ministro incide em delitos inscritos na legislação penal e devem ser coibidas por se tratarem de liberação de dinheiro público em troca de um favor, que seria o apoio na aprovação da impopular reforma da Previdência”, diz trecho da ação protocolada na PGR pelo PT. No documento, o partido pede a abertura de procedimentos civis e administrativos para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tome as medidas necessárias para evitar que as “ameaças do ministro se cumpram”.

Além da representação na PGR, a bancada do PT também apresentou representação ao Banco Central solicitando ao presidente do órgão, Ilan Goldfajn, atue para impedir o que o partido oposicionista considera “uso político” dos bancos públicos.

 

Fonte: Agencia Brasil/Os Divergentes/Site Metrópokes/G1/Municipios Baianos

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