04/01/2018

Salvador: Forte de São Diogo recebe concertos gratuitos

 

O Espaço Carybé de Artes, no Forte de São Diogo (Porto da Barra), será palco de concertos gratuitos nos meses de janeiro e fevereiro, através do projeto Verão com as Cameratas. A iniciativa levará ao equipamento cultural, administrado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), apresentações de quatro grupos da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba): Opus Lúmen, Quarteto Novo, Bahia Cordas e Quadro Solar. Os concertos ocorrerão nos dias 3 e 10 de janeiro; e em 21 e 28 de fevereiro, sempre às 17h30.

O Verão com as Cameratas tem o intuito levar as apresentações para fora do teatro, aproximando a música clássica e erudita com a diversidade de expressões culturais presentes no Espaço Carybé de Artes. A ideia também é aproveitar a movimentação de baianos e turistas na orla de Salvador para promover a ocupação artística no Forte de São Diogo. Com concertos sempre no fim de tarde, o público poderá apreciar não apenas a música, mas também o pôr do sol no Porto da Barra e a projeção mapeada das obras de Carybé.

Terno de Reis passa por últimos preparativos para festa do dia 5

Nos fundos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro da Lapinha, o paroquiano Andrei Nascimento, 18 anos, preparava nesta terça-feira, 2, os estandartes e adereços coloridos para o desfile de ternos da Festa de Reis. Na próxima sexta, 5, após a missa das 18h, a procissão será guiada pelo Terno Anunciação, que pertence à paróquia da Lapinha.

Puxador deste grupo, Andrei explica que o desfile partirá da igreja até a Soledade, de onde retornará para a matriz, com o objetivo de convidar os outros ternos que participarão da festa.

Durante o desfile, os mais de 100 integrantes do Anunciação, que estarão fantasiados e segurando os estandartes coloridos, deverão entoar músicas de convite aos outros ternos que participarão da festa. Uma estrofe da canção diz que o grupo da paróquia da Lapinha “chegou anunciando os outros ternos que virão”.

Desvalorização

Além do Anunciação, a festa deve contar com o desfile de seis a 12 ternos. Segundo pároco da igreja da Lapinha, Edilson Conceição, esses grupos pertencem a paróquias soteropolitanas e igrejas de municípios do Recôncavo Baiano e da Ilha de Itaparica (Grande Salvador).

Durante os preparativos para a Festa de Reis, Andrei mostrou identificação e entusiasmo com o evento que é praticado no Brasil desde o século XVIII.

Ele acredita que essa tradição, no entanto, não é valorizada pelo poder público e comunidade. “Eu cresci participando deste evento. É uma pena que não temos nenhum apoio”, disse o puxador do Terno Anunciação.

Segundo ele, a verba para a apresentação na festa depende de doações de feis da peróquia e de moradores da comunidade da Lapinha. Para Andrei,  fatores como a falta de apoio financeiro a ternos, além da violência, característica das festas de largo, contribuem para a desvalorização do desfile de Reis. “Nem sempre os ternos que partem de outras cidades  têm dinheiro para pagar o translado e hospedagem”, afirmou.

Assim como Andrei, o padre  Edilson, reconheceu a Festa de Reis como elemento cultural da cidade e queixou-se da falta apoio para promover o evento. “Gasta-se  dinheiro com grandes eventos , mas não  valorizam as festas populares, que estão na identidade brasileira”, opinou.

Programação

Antes de começar a secular cerimônia religiosa católica, a paróquia da Lapinha promove, até amanhã, sempre às 19h30, o tríduo preparatório para a Festa de Reis.

Realizado desde a noite de  ontem, o tríduo apresenta subtemas referentes a um dos presentes que, de acordo com escritos da Bíblia, o menino Jesus teria recebido dos três reis magos, durante o seu nascimento.

Com o título “Mirra, Jesus Salvador pelo martírio”, o encontro de hoje fará uma referência à mirra, uma planta amarga, que segundo o padre Edilson, significa as adversidades da vida.

Amanhã, o fiel que comparecer à paróquia assistirá à liturgia denominada “Ouro, Jesus é rei”. O ouro, conforme explica o padre, seria uma representação da perfeição divina.

O padre antecipa que, como na sexta-feira haverá o desfile de Reis, a programação de liturgias continua no sábado. Às 6h está prevista uma alvorada de fogos, seguida de Missa às 7h30.

Para encerrar os festejos da festa de Reis, uma missa solene será presidida pelo bispo auxiliar, dom Marco Eugênio Galrão, às 19h30.

Área na Boca do Rio poderá abrigar “micareta” na capital

Aprovada pela prefeitura no primeiro ano como palco do Réveillon de Salvador, a Arena Daniela Mercury, área demarcada pelo próprio município na Boca do Rio, ao lado do Parque dos Ventos e do antigo Aeroclube Plaza Show, está sendo cobiçada por empresários do setor carnavalesco para receber uma folia fora de época.

A informação foi divulgada nesta terça-feira, 2, pelo prefeito ACM Neto, que convocou uma coletiva de imprensa no primeiro dia após o Festival Virada Salvador para fazer um balanço dos cinco dias de festa.

Sem dar maiores detalhes sobre o assunto, ele contou a jornalistas, na ocasião, que já foi procurado por gestores após o sucesso do evento de passagem do ano – o que, na avaliação do prefeito, significa que a arena foi avalizada como espaço adequado para receber grandes eventos na capital baiana.

“Será um espaço que pode ser aproveitado para [auxiliar na] arrecadação da prefeitura ou pode ser concedido à iniciativa privada. Eu tenho sido procurado por empresários e esse é um ganho para a cidade, um legado que vai muito além dos cinco dias de festa”, disse.

Apesar de evitar se aprofundar no projeto, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, entregou que a festa, pensada por empresários ligados ao setor do Carnaval para acontecer na Boca do Rio, seria realizada em um final de semana do mês de outubro – período que, explicou ele à reportagem de A Tarde, é considerado “muito importante” para o trade turístico.

Iniciativa privada

“É um período ali próximo do dia 12 de outubro, que no sudeste é conhecido como 'semana do saco cheio', onde existe um fluxo de pessoas que viajam pelo Brasil, como se fosse uma miniférias”, esmiuçou o gestor municipal, contando que o objetivo é aproveitar a festa para atrair visitantes. “A ideia surgiu antes da requalificação [feita na Boca do Rio] para o Réveillon, mas é bem possível que agora ela volte a ser apresentada, mais estruturada. E será muito bem-vinda, principalmente se houver recursos da iniciativa privada que ajudem a fazer a festa”, afirmou Edington.

Segundo ele, a prefeitura, que aprova o projeto, gastaria apenas com disponibilização dos serviços públicos. “Um projeto como esse precisa de recurso. A prefeitura gostou muito da ideia, mas ficou aguardando os empresários mobilizarem a iniciativa privada, que bancará tudo”, garante o gestor da Saltur.

Diretor e um dos fundadores da Central do Carnaval, o empresário Joaquim Nery confirmou à reportagem o interesse em usar a região da Boca do Rio para promover, antes do período do verão soteropolitano, o que ele chamou de “uma micareta de Salvador”.

Trabalhada há seis anos pelo setor, conforme estimativa feita por ele, a ideia é utilizar também as vias públicas para a festa, em um circuito entre o antigo Aeroclube e o Jardim de Alah. “É uma oportunidade de criar um calendário a mais para Salvador”, avaliou Nery, ressaltando, porém, que a realização do projeto dependeria da garantia de estrutura e serviços pelos órgãos públicos.

Balanço

Na passagem de 2017 para 2018, detalhou o presidente da Saltur, foram gastos aproximadamente R$ 12 milhões, sendo 60% de recursos da iniciativa privada e os 40% restantes dos cofres do município. Além da cervejaria Ambev, que já patrocinava outros eventos municipais, também entrou na festa, este ano, a Caixa Econômica Federal (CEF).

Nos cinco dias, segundo estimativa da prefeitura, cerca de 2 milhões de pessoas passaram pela Arena Daniela Mercury e outras 10 milhões acompanharam os shows pelas redes sociais.

Quem foi ao local reclamou que o palco bloqueou a visão na hora da queima de fogos, sendo visto apenas por quem estava na praia. Até a cantora Ivete Sangalo, que interrompeu o show para fazer a contagem na hora da virada, comentou que do palco não era possível avistar o show pirotécnico.

No balanço, a prefeitura não divulgou o volume arrecadado com a comercialização de ingressos para os camarotes. Passaportes que davam direito a dois ou mais dias de evento iam de R$ 260 a R$ 1.330. O espaço foi explorado pela iniciativa privada. Ao todo, foram vendidas 6.171 cartelas de estacionamento. Já o fluxo de veículos no entorno foi de 80.604 veículos. Via transporte público (ônibus, táxi e mototáxi), 1 milhão de pessoas foram transportadas, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade. Já a Guarda Municipal registrou 44 ocorrências – um aumento de 175% em relação ao anterior, quando houve 16.

 

Fonte: Tribuna/A Tarde/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!