05/01/2018

Empresas investigadas financiaram campanha de Cristiane Brasil

 

Nomeada nesta quinta-feira (04/01) para o Ministério do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) teve 93% de sua campanha eleitoral nas eleições de 2014 financiada por empresas hoje investigadas por corrupção.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos R$ 5,4 milhões declarados pela então candidata, cerca de R$ 4 milhões vieram do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, e R$ 1 milhão de outras três empresas investigadas: a Construtora Zadar, a Carioca Christiani Nielsen Engenharia e a Cervejaria Petrópolis.

Cristiane Brasil é filha de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e um dos protagonistas do caso do mensalão. A indicação da deputada para o Ministério do Trabalho aconteceu nesta quarta-feira, após reunião entre o líder do PTB e o presidente Michel Temer. Ela assume a pasta que foi comandada por Ronaldo Nogueira, que pediu demissão há uma semana para se candidatar nas eleições deste ano.

Os valores doados pelo grupo J&F corresponderam a 74% das receitas de campanha da então candidata e incluem R$ 2 milhões doados pela JBS e outros R$ 2 milhões pela Flora, uma das subsidiárias do grupo dos irmãos Batista, que fecharam acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Outros 9% do valor arrecadado, um total de 500 mil reais, vieram da Construtora Zadar, empresa do pai do deputado estadual André Lazaroni (PMDB-RJ) e cujas contratações sem licitação para duas arenas olímpicas são investigadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A então candidata recebeu ainda 350 mil reais da construtora Carioca Christiani Nielsen Engenharia, que foi denunciada na Lava Jato por pagamento de propina para as obras do Arco Metropolitano, do PAC Favelas e da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro.

Também a Cervejaria Petrópolis contribuiu com o valor de 166 mil reais para a campanha de Cristiane Brasil. Em 2017, o Ministério Público Federal instaurou inquérito para investigar a empresa por intermediação de pagamentos ilícitos a pedido da Odebrecht, na forma de doações oficiais.

PF quase dobra número de delegados que miram políticos na Lava Jato

A Polícia Federal (PF) quase dobrou nesta quinta-feira (04/01) o número de delegados responsáveis por investigações da Operação Lava Jato envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a decisão de aumentar o número de delegados de nove para 17, a Polícia Federal pretende acelerar as investigações para concluir os 273 inquéritos sobre políticos com foro privilegiado no STF. Destes casos, 124 são exclusivos da Lava Jato.

Segundo uma fonte ouvida pela agência de notícias Reuters, a decisão foi tomada em meio a desconfianças de que o presidente Michel Temer poderia usar a recente indicação de Fernando Segóvia, como diretor-geral da PF, para barrar a Lava Jato.

A escolha de Segóvia, candidato avaliado pela mídia brasileira como bem aceito no meio político, por Temer, no início de novembro, ocorreu menos de um mês após a segunda votação da Câmara que pôs fim à denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente.

Após assumir o cargo, Segóvia chegou a minimizar o episódio envolvendo o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures, que foi flagrado com uma mala com 500 mil reais. Segóvia também nomeou como número dois da PF um ex-candidato a deputado pelo PMDB e ainda trocou o delegado responsável por uma investigação que envolve o presidente e suspeitas de corrupção no Porto de Santos.

Em entrevista à TV Globo, o diretor de combate ao crime organizado da PF, Eugênio Ricas, afirmou que os delegados escolhidos devem começar o trabalho na Lava Jato até o fim do mês, em Brasília. Os trabalhos serão liderados por Josélio Azevedo de Souza, que é coordenador de combate à corrupção e ao crime organizado.

Temer navega sem rumo e não tem nenhum projeto para governar o país

É o que se constata do episódio cujo desfecho foi a nomeação da deputada Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho. Não por ela em si, mas pelo processo que antecedeu a escolha. Michel Temer não pensa no Brasil. Só pensa em votos, ora para escapar de dois julgamentos de sua conduta pelo STF, ora em busca de votos que deseja arregimentar para o projeto de reforma da Previdência Social. Não tem planejamento estratégico algum. Tampouco se importa com isso. A economia entregou a Henrique Meirelles. Temer representa um desastre para o Brasil e para o povo brasileiro.

Seus ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves estão na cadeia. Acusações não faltam a outros integrantes de sua administração. E ainda há quem pense em obter seu apoio para sucessão presidencial de 2018. Os argumentos só podem repousar sobre a influência fantasiosa do peso de sua máquina administrativa.

IMPOPULAR

Nunca um presidente da República foi tão impopular quanto ele. Nunca um governo foi tão desaprovado pela opinião pública. Eleito duas vezes pelo apoio de Lula, como vice de Dilma Rousseff, somente chegou ao poder pela incompetência da ex-presidente da República.

Como é possível escolher  um ministro do Trabalho, Pedro Fernandes, e em seguida retirar a nomeação, em consequência de uma pressão surpreendente por parte de José Sarney? Isso prova que o atual presidente não ouviu o ex-presidente Sarney antes de formalizar a indicação de um ministro que era escolhido, mas cuja escolha foi barrada por alguém que sequer pertence aos quadros do PTB de Roberto Jefferson. O governo Michel Temer é uma autêntica nau sem rumo que não resiste às ondas da realidade.

CAOS NA SAÚDE

A falta de rumo e organização espalha-se por todos os setores, principalmente o da saúde, o mais sensível de todos. E a desordem não se restringe apenas ao sistema público. Estende-se a unidades particulares, as quais mantêm convênios com os planos de saúde. É o caso, por exemplo, da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, na qual a desorganização predomina até para aqueles que recorrem mediante consultas pagas. Foi o meu caso, ontem, ao fazer um exame de imagem de uma lesão muscular. O exame, depois de uma espera de longas horas, não conseguiu ser totalmente realizado. Faltou comunicação de uma médica que saia de um plantão para outro que assumia seu lugar.

Este é o retrato verdadeiro da administração brasileira que foi levada a falência pelas ações diretas e indiretas lançadas no vazio pelo Palácio do Planalto.

No vazio só não: o apartamento de Salvador estava cheio de malas contendo 51 milhões de reais. Esta é a prova mais forte de um sistema criminoso que une os corruptos e divide o povo brasileiro.

“Costuras” políticas fazem do PDT o campeão no apoio a governos estaduais

O PDT, legenda que na esfera federal faz oposição ao presidente Michel Temer (MDB) e lançou o nome de Ciro Gomes como candidato ao Planalto em 2018, tem filiados ocupando 22 secretarias estaduais em 13 unidades da federação. É o partido que mais cargos de primeiro escalão ocupa em governos de outros partidos. No Ceará e na Bahia, são aliados do governo do PT. No Pará, apoiam o PSDB.Também firmaram alianças com governadores do PSB, do MDB, do PP e do PCdoB.

 

A conclusão é resultado de um levantamento da Folha que apurou o perfil e a filiação partidária dos 547 secretários dos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal. Ao todo, são 180 secretários filiados ao mesmo partido do governador, 180 filiados ou indicados por partidos aliados e 184 sem filiação partidária.

RANKING DOS “CAMALEÕES”

Depois do PDT, completam o topo do ranking de cargos em primeiro escalão em governos aliados MDB, PSB, PSDB e PSD, nesta ordem. Os dados do levantamento apontam para uma capacidade camaleônica dos partidos em apoiar governos de diferentes linhas ideológicas.

Peemedebistas (hoje emedebistas) são parceiros do PT no Piauí e em Minas, a despeito da firme oposição no plano nacional desde a eclosão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A recíproca acontece em Sergipe, onde petistas são aliados do governador Jackson Barreto (MDB). O PDT firmou a maioria de suas alianças com governos de esquerda, mas também tem parcerias com o PSDB no Pará e no Paraná e cargo no primeiro escalão do governo do MDB no Rio de Janeiro.

“Cada Estado tem sua característica particular. Em muitos casos, a nomeação é mais da relação pessoal do filiado com o governador do que uma aliança institucional entre partidos”, afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

LICENÇA

Os secretários estaduais pedetistas Thiago Pampolha (da pasta de Esporte do Rio) e Edgar Bueno (de Assuntos Estratégicos do Paraná) licenciaram-se da sigla para assumir ou permanecer no cargo. Por outro lado, o partido trouxe para os seus quadros, nos últimos meses, secretários estaduais que não tinham filiação partidária no Acre, no Espírito Santo e em Alagoas.

Neste último, o PDT está em um típico caso de “um pé em cada canoa” –aderiu ao governo Renan Filho (MDB) e ocupa cargos na gestão do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), provável adversário do governador em 2018.  A presença dos partidos no primeiro escalão também reflete a força da legenda na negociação por cargos.

Em muitos casos, o espaço conquistado nos governos aliados é maior do que o tamanho com que o partido saiu nas urnas. É o caso do PCdoB, que, com uma bancada de 12 deputados federais, ocupa dez secretarias em seis governos aliados.

PARCERIAS E COMPOSIÇÕES

Além da parceria com os governos petistas, o PCdoB também compõe com governadores como Renan Filho (MDB), de Alagoas, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, e Robinson Faria (PSD), no Rio Grande do Norte. A maior parte das pastas ocupadas pelo partido, contudo, tem baixo orçamento.

“A gente procura colaborar com os governos em áreas que temos afinidade, como esporte, cultura e direitos humanos”, afirma o deputado federal Daniel Almeida (PC doB-BA). Na Bahia, o partido tem a pasta do Trabalho e Esporte, além da secretaria de Políticas para Mulheres.

Outro exemplo é o PPS, que tem uma bancada de apenas nove deputados federais, mas teve força para emplacar cargos de primeiro escalão em oito governos –mais do que o DEM, que tem 30 deputados federais.

FORÇA NA CÂMARA

Outras siglas com maior bancada na Câmara, como PR, PRB e PSC, têm menos força nos Estados e baixa presença em secretarias. Em três casos, o principal partido aliado possui mais secretarias do que o do próprio governador, tornando-se uma espécie de “sócio majoritário” da gestão de outra legenda.

No Ceará, por exemplo, comandado pelo governador petista Camilo Santana, o PDT ocupa quatro secretarias, incluindo algumas estratégicas como Fazenda e Infraestrutura. O PT, por sua vez, ocupa três pastas. O protagonismo pedetista é resultado das costuras para a eleição de 2014, quando os ex-governadores Cid e Ciro Gomes apadrinharam a candidatura de Santana.

O mesmo acontece em Santa Catarina, onde o MDB ocupa cinco secretarias, enquanto o PSD do governador Raimundo Colombo ocupa quatro. No Espírito Santo, o PSDB tem mais secretarias que o MDB, partido do governador Paulo Hartung. Há ainda casos de secretários filiados a partidos adversários de seus respectivos governadores.

ADVERSÁRIOS “UNIDOS”

No Ceará, o tucano Maia Júnior assumiu a secretaria de Planejamento do governo petista de Camilo Santana e tem implementado medidas de contenção de despesas e equilíbrio fiscal, bandeiras históricas do PSDB. Ainda há um emedebista como secretário no governo Tião Viana (PT) no Acre e um filiado ao PCdoB no primeiro escalão da gestão de Pedro Taques (PSDB-MT)

 

Fonte: Deutsche Welle/Tribuna da Internet/Folha/Municipios Baianos

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