09/01/2018

Patrimônio de Jair Bolsonaro e filhos se multiplica na política

 

O deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus três filhos que exercem mandato são donos de 13 imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões, a maioria em pontos altamente valorizados do Rio de Janeiro, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.

Levantamento feito pela Folha em cartórios identificou que os principais apartamentos e casas, comprados nos últimos dez anos, registram preço de aquisição bem abaixo da avaliação da Prefeitura do Rio à época.

Em um dos casos, a ex-proprietária vendeu uma casa em condomínio à beira-mar na Barra a Bolsonaro com prejuízo –pelo menos no papel– de R$ 180 mil em relação ao que havia pago quatro meses antes.

O filho mais velho do presidenciável, Flávio, deputado estadual no Rio de Janeiro, negociou 19 imóveis nos últimos 13 anos.

Os bens dos Bolsonaro incluem ainda carros que vão de R$ 45 mil a R$ 105 mil, um jet-ski e aplicações financeiras, em um total de R$ 1,7 milhão, como consta na Justiça Eleitoral e em cartórios.

Quando entrou na política, em 1988, Bolsonaro declarava ter apenas um Fiat Panorama, uma moto e dois lotes de pequeno valor em Resende, no interior no Rio –valendo pouco mais de R$ 10 mil em dinheiro atual. Desde então, sua única profissão é a política. Já são sete mandatos como deputado federal.

Bolsonaro, 62, tem duas ex-mulheres (está no terceiro casamento) e cinco filhos. Três são políticos: além de Flávio, Carlos (vereador no Rio desde 2001) e Eduardo (deputado federal desde 2015). Ao todo, os quatro disputaram 19 eleições.

Eles apresentam, como o pai, evolução patrimonial acelerada. Com exceção de uma recente sociedade de Flávio em um loja de chocolates, todos se dedicam agora só à atividade política.

Até 2008, a família declarava à Justiça Eleitoral bens em torno de R$ 1 milhão, o que incluía apenas 3 dos atuais 13 imóveis. As principais aquisições ocorreram nos últimos dez anos.

As duas principais casas do patrimônio de Bolsonaro ficam em um condomínio à beira-mar na Barra, na avenida Lúcio Costa, um dos pontos mais valorizados do Rio.

Segundo documentos oficiais, ele adquiriu uma por R$ 400 mil em 2009 e outra por R$ 500 mil em 2012.

Hoje o preço de mercado das duas juntas é de pelo menos R$ 5 milhões, de acordo com cinco escritórios imobiliários da região consultados pela Folha. Ou seja, teriam tido valorização de pelo menos 450% no período.

À época, a prefeitura já avaliava o preço das casas muito acima, no cálculo para o imposto de transmissão de bem. Para a de R$ 400 mil, R$ 1,06 milhão. Para a de R$ 500 mil, R$ 2,23 milhões.

Sem ser informado do caso específico, o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio, Manoel Maia, afirmou que conhece o condomínio de Bolsonaro e que o preço das casas no local não teve variação significativa nos últimos oito anos. "Talvez não tenha valorizado quase nada."

Já levantamento do Secovi-RJ (sindicato das empresas do ramo imobiliário) aponta que houve valorização, mas muito abaixo de 450% –alta de 63% de 2011 até agora.

SUSPEITA

As transações que resultaram na compra da casa em que Bolsonaro vive, na Barra, têm, em tese, indícios de uma operação suspeita de lavagem de dinheiro, segundo os critérios do Coaf (Ministério da Fazenda) e do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci).

A Comunicativa-2003 Eventos, Promoções e Participações adquiriu a casa em setembro de 2008 por R$ 580 mil. A responsável pela empresa, Marta Xavier Maia, disse à Folha que comprou o imóvel num estado ruim, reformou-o e vendeu-o para o deputado quatro meses depois, com redução de 31%.

Ela afirmou que decidiu ter prejuízo porque precisava dos recursos para adquirir outro imóvel.

O Cofeci aponta que configura ter "sérios indícios" de lavagem de dinheiro operação na qual há "aparente aumento ou diminuição injustificada do valor do imóvel" e "cujo valor em contrato se mostre divergente da base de cálculo do ITBI", o imposto cobrado pelas prefeituras. Desde 2014, operações do tipo devem ser comunicadas ao Coaf – a unidade que detecta operações irregulares no sistema financeiro.

No mercado, é comum a prática irregular de colocar na escritura valor abaixo do real, com o objetivo de driblar o imposto de lucro imobiliário. Desta forma, registra-se um valor de aquisição menor, com pagamento por fora. Outra intenção da fraude é fazer com que o comprador não oficialize um aumento patrimonial incompatível com seus vencimentos. O Coaf não se pronuncia sobre comunicações recebidas, por questões de sigilo legal.

O presidenciável recebe hoje salário bruto de R$ 33,7 mil como parlamentar (líquido de R$ 24 mil), além de soldo –segundo o Exército, um capitão da reserva na situação de Bolsonaro recebe cerca de R$ 5.600 brutos.

O valor real dos imóveis de toda a família – cinco em nome de Jair Bolsonaro, três de Carlos, dois de Eduardo e três de Flávio – representa cerca do triplo do que a família declarou à Justiça. Não há ilegalidade. A lei exige apenas o informe de bens.

OUTRO LADO

A Folha procurou Bolsonaro e seus três filhos desde a tarde de quinta-feira (4) e encaminhou 32 perguntas para as assessorias dos quatro.

Apenas as de Flávio e Carlos responderam, mas de forma genérica.

Flávio afirmou que estava em viagem ao exterior e que ficaria à disposição quando retornar ao Rio, dia 17.

A assessoria de Carlos disse que seu patrimônio é modesto e igual há vários anos.

A Folha enviou 13 questionamentos a Jair Bolsonaro, entre os quais se ele considera o patrimônio de sua família compatível com os ganhos de quem se dedica exclusivamente à política. O deputado não respondeu.

Em 2015, a Procuradoria-Geral da República recebeu uma denúncia questionando os valores informados por Bolsonaro em relação às suas duas casas da Barra.

Apenas tendo ouvido a defesa do presidenciável, o então procurador-geral, Rodrigo Janot, mandou arquivar o expediente dizendo que valores eram os mesmos do Imposto de Renda. Janot alegou se tratar de denúncia anônima sem "elementos indiciários mínimos" de ilícito.

A advogada Marta Maia, dona da empresa que vendeu com deságio a casa de Bolsonaro, negou irregularidades.

"Foi tudo feito com depósito em conta", disse. Ela afirmou que revendeu o imóvel com prejuízo de R$ 180 mil porque tinha interesse em outro. "Meu negócio é esse. Pegar uma casa em condições ruins, reformar e revender."

Precisamos falar sobre Jair Bolsonaro. Por Fernando Duarte

Precisamos falar sobre Jair Bolsonaro. A afirmação parece o prelúdio de uma campanha publicitária do Ministério da Saúde contra uma doença. Sim, os casos envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro são uma chaga social brasileira.

Segundo colocado nas pesquisas de opinião que medem os possíveis presidenciáveis em 2018, o agora filiado ao PSL está nas rodas de conversas das mais diversas classes sociais.

Aparece como o grande defensor da moralidade, bastião da família tradicional brasileira e nome mais honrado para liderar o país a partir de 2019.

Ledo engano.

Bolsonaro é um ser que deveria provocar asco em qualquer cidadão com consciência do papel que possui na sociedade.

Dois exemplos: Ao falar que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada, por ser “feia”, o parlamentar deveria ter sido alvo de ojeriza da maior parte da população. Não aconteceu.

No contexto em que Maria do Rosário representava a esquerda e a defesa dos Direitos Humanos (pasta da qual ela foi ministra), parcela expressiva da população achou que a declaração dele não foi nada demais.

Ao dizer que bateria em dois homens que visse se beijando, Bolsonaro deveria ter sido criticado por desrespeitar minorias e por conclamar a homofobia. Não foi o que aconteceu.

Para homofóbicos e integrantes de um tradicionalismo que não encontra amparo nas discussões modernas, ele se tornou um “mito”.

É a formação do “Bolsomito” que deveria estar em discussão.

São as razões para que uma figura nefasta, com ideias tão retrógradas ganhe espaço no processo democrático brasileiro.

E não é uma questão de desrespeito ao grupo que pensa como ele.

Os ideais dele deveriam até ser debatidos, porém num espaço de diversidade que o próprio parlamentar rechaça.

O que incomoda é que, num contexto de racionalidade mínima, não parece haver debate quando se trata do deputado federal por sete vezes cujo trabalho mais relevante foram declarações polêmicas.

Bolsonaro é o tal do “mito” para os defensores dele.

Na verdade, tudo é um jogo de cena feito por ele para uma plateia afeita por um conservadorismo cego – que prefere manter os próprios privilégios a aceitar que existem pessoas diferentes, grupos diferentes e que o respeito é um caminho melhor do que o radicalismo patético.

Isso sem falar nos conceitos de macroeconomia ou mesmo de economia “defendidos” por ele.

Se houver alguma entrevista esclarecedora dele, com algum conteúdo diferente da retórica presunçosa que o acompanha, aceito indicações.

Precisamos falar sobre Bolsonaro.

Essa chaga começa a se espalhar, até mesmo pelo interior da Bahia. Basta cruzar cidades interioranas para ver dezenas de outdoors em uma campanha eleitoral antecipada travestida de apoio a um projeto de nação. Saibam, desde já, que esse projeto de nação não é o mesmo que o meu.

Após deixar PSL, Livres vai decidir destino em 10 dias

Dirigente do Livres na Bahia, a jornalista Priscila Chammas revelou ao Metro1, na tarde desta segunda-feira (8), que o movimento selará o seu destino em aproximadamente 10 dias.  O grupo decidiu abandonar o PSL nacionalmente após o anúncio de que o deputado federal Jair Bolsonaro (ainda no PSC-RJ) será o candidato do partido a presidente da República na eleição de outubro.

“Pior do que ter sido Bolsonaro, poderia ser qualquer outro, até um que a gente gostasse, o problema foi a traição. Luciano Bivar [presidente nacional do PSL] tinha um acordo com o Livres, um projeto que inclusive começou com o filho dele, Sérgio, há dois anos, para que a gente renovasse o partido. Tudo ia muito bem, tanto que o último programa de TV só teve o pessoal do Livres, quem controlava a comunicação era o Livres, nós já tínhamos 12 diretórios pelo Brasil e estava quase certo que, com o ingresso dos ‘cabeças pretas’ do PSDB, a gente viraria a chave nacionalmente depois da janela, em março, Aí, o Luciano pegou um projeto de centenas de pessoas, inclusive do próprio filho, e jogou no lixo”, reclamou Priscila.

Segundo o cronograma definido pelo movimento, entre as próximas quarta (10) e segunda-feira (15), os colegiados estaduais irão conversar com outras legendas e terão que mandar um relatório à direção nacional para que cada conjuntura local seja avaliada. No dia 19, o movimento vai decidir para onde vai.

“Alguns já se ofereceram, mas nós colocamos como condicionante que os partidos têm que acolher o Livres como movimento, não as pessoas. Existem três possibilidades: o Livres se tornar apartidário nessas eleições e cada um escolher o seu caminho; migrar em bloco para algum partido ideológico; ou ocupar um partido pequeno, como fizemos com o PSL. Recebemos algumas ofertas e estamos estudando”, afirmou a dirigente.

Casada com o presidente estadual do Novo, Gabriel Venturoli, Priscila Chammas defende que o movimento se integre à sigla, mas admite que outros correligionários preferem ser acolhidos pela Rede.

 

Fonte: Folhapress/BN/Metro 1/Municipios Baianos

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