09/01/2018

Mulheres se unem contra machismo no mundo nerd

 

"Precisamos parar de chamá-los de trolls. Os homens que atacam mulheres aqui – aqueles dentro e fora dos quadrinhos – são assediadores em série, abusadores e perseguidores”, criticou a editora-assistente da linha X-Men da Marvel Comics, Christina Harrington, em uma série de mensagens no Twitter que trouxeram à tona, mais uma vez, os ataques de alguns dos super-vilões mais tóxicos do chamado “universo nerd”: o machismo e a misoginia.

Ávida leitora de quadrinhos desde os cinco anos de idade e trabalhando em uma das duas gigantes do setor, Harrington foi criticada e ameaçada após divulgar na rede social uma foto trivial tomando milk shake com outras colegas de trabalho. A enxurrada de comentários, essencialmente masculinos, variaram de críticas à produção da editora e ao feminismo a insinuações de estupro contra Harrington e as demais.

O caso, que ocorreu no final de novembro de 2017, revela como muitos espaços de discussão e produção da chamada cultura nerd/pop, que engloba quadrinhos, séries, filmes e jogos, ainda são refratários às mulheres – ainda que elas correspondam a uma fatia importante dos consumidores e fãs. Em um dos maiores eventos sobre quadrinhos nos Estados Unidos, a Comic-Con, elas são metade dos 130 mil frequentadores. Elas também são 40% das leitoras das HQs da Marvel. No Brasil, pelo segundo ano consecutivo, mulheres e meninas foram maioria (53,6%) entre os gamers.

No cinema, pela primeira vez desde 1958, os três filmes com maior saldo de bilheteria nos Estados Unidos tiveram protagonistas mulheres. São eles Star Wars - O Último Jedi, A Bela e a Fera e Mulher-Maravilha. O ano que se encerrou, aliás, foi o da queda de abusadores poderosos e da explosão de denúncias e investigações contra o assédio e a violência sexual no meio cinematográfico. Muitas mulheres ainda não se sentem bem-vindas em eventos, fóruns ou grupos de discussão, no entanto. A situação não é nada nova: há anos as fãs, escritoras, desenhistas e gamers denunciam episódios de silenciamento, desqualificação e assédio sofridos simplesmente por serem mulheres nesse meio. Há também níveis preocupantes de racismo e homofobia.  Em reação, muitas optaram por expressar suas opiniões em grupos exclusivamente femininos, além de criarem e consumirem sites especializados de cultura pop voltados também para mulheres.

"O universo nerd é cercado de machismo e preconceito. Há uma diferença na recepção do público quando você é uma mulher que gosta da cultura nerd/pop e emite sua opinião na internet sobre uma determinada obra, e quando você é um homem e opina sobre a mesma obra", resume Isabelle Simões de Souza, responsável pelo site brasileiro Delirium Nerd, que nasceu como um blog colaborativo com viés feminista interseccional.

Uma das situações mais comuns, relata, é a sabatina sofrida por mulheres ao falarem que apreciam uma determinada produção. "Se você diz que gosta de Star Wars, por exemplo, é comum alguns homens perguntarem detalhes específicos da franquia, apenas com a intenção de verificar se você é 'fã de verdade'", conta. Para Souza, tal situação, dificilmente constatada em uma discussão entre homens, é um reflexo da lógica machista de muitos, que preferem acreditar que o interesse pela obra existe para "agradar o namorado" ou "chamar a atenção" – e não por se tratar realmente uma fã.  Ela cita como exemplo os comentários agressivos recebidos pela autora de uma resenha do filme Liga da Justiça no Delirium Nerd. Nele, ela pontuava os motivos pelos quais não gostou da produção. A reação masculina foi afirmar que a autora "não entendeu o filme".  "Nós, mulheres, temos de ser especialistas nas obras nerds, enquanto os outros amigos desses caras não passam pela mesma concessão do merecimento da carteirinha nerd", afirma. "A insegurança é tamanha que ele não aceita que uma mulher saiba mais. Sofri essa misoginia durante 20 anos, mesmo sabendo muito sobre heróis, mais do que muitos homens que conheço", lembra a jornalista Gabriela Franco, editora-chefe do Minas Nerds, site dedicado a discutir a temática de um ponto de vista feminista. No Facebook, o site reúne 5 mil mulheres em um grupo de discussão fechado.

"Quando você pergunta porque elas estão nesses grupos, a resposta é a mesma: não dá pra se posicionar em um ambiente misto", conta Dani Marino, editora-sênior do Minas Nerds e pesquisadora do Observatório de Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

"É muito nocivo para a autoestima delas e essas questões são muito discutidas nos grupos fechados. Teve um caso de uma menina esse ano que fez um cosplay [prática de se caracterizar como um personagem] de Mulher-Maravilha e foi super xingada. Ela ficou muito mal, quase desistiu de fazer cosplay", lembra Marino. Gabriela Franco afirma que o projeto nasceu justamente da experiência de sofrer ataques em um fórum misto após uma discussão com outro frequentador do mesmo espaço.  "O cara pegou foto minha e começou a espalhar, foi bem pesado", lembra ela "Se eu me senti ameaçada e frágil, imagine as meninas que querem começar a ler? Elas precisam de um local seguro, onde não se sintam ameaçadas por simplesmente ser uma mulher e fazer uma pergunta. E aí eu criei o Minas Nerds", afirma ela, que trabalha com a temática profissionalmente desde 1997.

O machismo na cultura pop também se expressa na maneira como as personagens femininas são representadas. Além da hipersexualização da heroína ou vilã ser muito mais comum do que a de suas contrapartes masculinas, um dos estereótipos mais frequentes é a existência da personagem no roteiro apenas para motivar o herói masculino ou o uso gratuito da violência contra a mulher como recurso narrativo. "Queremos ver mulheres que também salvam a si próprias e outras pessoas, que trabalham em parceria com os personagens masculinos e que não estão inseridas nas obras apenas para o prazer do olhar masculino, mediante roupas (ou falta delas?) sexualizando seus corpos", afirma Isabelle Souza, do Delirium Nerd. "Mulheres também são consumidoras e apreciadoras da cultura pop e nerd e querem ver personagens femininas bem desenvolvidas e complexas, assim como os personagens masculinos geralmente são", critica.

Para ela, a cultura nerd está, aos poucos, abrindo-se para a diversidade racial e de gênero. "Isso também gera incômodo para aqueles que tem pensamento retrógrado e acreditam que o protagonismo deve ser concedido apenas ao homens brancos".

Um exemplo claro, diz, foi a recepção ao Star Wars: O Despertar da Força (2015), filme criticado pela escolha de uma mulher (Rey, interpretada por Daisy Ridley) e de um homem negro como protagonistas (Finn, interpretado por John Boyega).

Em 2017, a sequência da franquia O Último Jedi também incomodou alguns pela presença de uma personagem asiática: Rose Tico (Kelly Marie Tran). Os ataques à etnia de Rose em uma enciclopédia virtual de Star Wars chamaram a atenção de um dos roteiristas do longa, que classificou os comentários como "chocantes e tristes": "Os fãs de Star Wars precisam ser melhores do que isso".

E como os homens podem fazer sua parte no combate ao machismo no universo nerd?

"Integrando as mulheres de todas as formas, não tomando o lugar de fala e representando devidamente as personagens femininas, evitando o uso de estereótipos, como a objetificação", elenca Gabriela Franco. Isabelle, por sua vez, aconselha que eles leiam críticas escritas por mulheres e, principalmente, ouçam o que elas têm a dizer. "Principalmente quando pontuam sobre o machismo nesse meio e cobram melhores representações femininas nas obras".

Nerds e machismo: por que mulheres não são bem vindas nos fóruns e chans. Por Ana Freitas

Como e por que os chans e fóruns brasileiros se transformaram em centros de treinamento e incentivo à misoginia e ao machismo? 

Eu sabia desde muito nova que eu era diferente. Não extraordinariamente diferente, mas um pouco off. Tinha a ver com a maneira como eu via o mundo, com meus interesses, com como os livros sobre temas considerados esquisitos ou chatos me interessavam mais do que a qualquer amiguinho. Eu tinha uns 7 ou 8 anos, lia sobre quadrinhos, aliens, RPG, Magic, Combustão Humana Espontânea, fiz um curso de HTML e ~webdesign~ aos 10. Em determinado momento, eu descobri: eu era nerd.

Com 'ser nerd', eu tinha todo o pacote de inadequação social, ansiedade e esquisitice gerais. É por isso que eu não entendi, quando comecei a frequentar espaços para nerds na internet, os chans e fóruns, lá pros 14 ou 15 anos, porque eu era tão odiada.

Veja, eu sabia que os meninos ali gostavam das mesmas coisas que eu e que entendiam como era ver a vida com aquele interesse que não cessa, uma curiosidade inquietante. Eu achava que tinha encontrado ali meus iguais. Mas eles chamavam mulheres de 'depósitos de porra' e diziam 'tits or gtfo' e eu logo me senti desconfortável sem conseguir explicar o porque e parei de tentar fazer parte. Se tiver estômago, leia esse verbete da wikinet, uma Wiki da cultura chan, chamado 'depósitos'.

Isso foi na adolescência, período pelo qual eu passei ainda sendo um pouco socialmente esquisita, mas bem mais adaptada. Por sorte, sempre gostei de gente e isso facilitou as coisas. Mas durante um tempo eu não superei o fato de que não era aceita em lugares cheios de gente que, eu pensava, eram tão parecidas comigo. Por ser mulher, eu tinha que provar que era realmente fã desse filme ou daquela série, e não só uma 'wannabe'. Por ser mulher, era só meu corpo que importava (no 'tits ou gtfo'), e não o que eu tinha a dizer. Por ser mulher, eu tinha que ouvir que eu não era 'como as outras' - as outras, minha mãe, minhas amigas, minhas primas. Eu era, sim.

Peitos ou ban

Minha experiência não é isolada. Minhas amigas com gostos parecidos têm, todas, relatos semelhantes. E é notório que a internet nerd é um ambiente bastante hostil para mulheres. Ok, a internet é um ambiente bastante hostil para mulheres, ponto, como é o mundo. Mas não me parece coerente: por que meninos tão jovens, frequentemente mais bem informados e ~cultos~ que a média, às vezes tímidos e socialmente inaptos - nerds, na definição - esquecem que mulheres são pessoas como eles? Porque ambientes com esses caras são tão ou mais hostis que outros ambientes na web?

"Mulheres eram vistas de duas maneiras diferentes nos fóruns: ou como oportunistas, para ganhar itens e regalias por exemplo, o que gerava revolta dos usuários, ou com desconfiança, como se fossem homens se passando por mulher para ter alguma vantagem. Foi quando vi iniciar os famosos 'manda foto com papel escrito o nome do fórum pra confirmar', o que virou 'peitos ou ban' hoje em dia... Não consigo imaginar uma mulher neste meio", contou um amigo que frequenta fóruns de games desde o mIRC e preferiu não se identificar, como várias das fontes nesse texto.

Ele me contou também que, com a chegada de apps de pegação, tipo o Tinder, a misoginia nesses espaços mudou um pouco de cara. Agora, rolam tópicos fixos em que os rapazes, depois de saírem com a garota em um desses apps, fazem uma resenha completa da experiência, com direito a 'badges' de acordo com o quão longe ele chegou e fotos da menina.

"Essa mina tá louca!"

Existe um problema com a presença da mulher em todos os espaços online. E não tem a ver com a personalidade do homem, mas com uma cultura da sociedade de isolar e excluir a mulher dos espaços públicos. A mulher, antes confinada ao ambiente domiciliar, passou a usar o espaço público no começo do século 20. E essa conquista não veio de maneira plena, mas foi meio esquisita: éramos divididas entre dois grupos, o das prostitutas e o das mulheres de família. Ou seja, as mulheres precisavam pensar e repensar mil vezes nos seus gestos, nas suas roupas, na sua maneira de se comportar na rua para não ser entendidas como prostitutas - ou como objetos públicos também.

Essa lógica é a que explica nossa falta de liberdade no espaço público, e a internet também é entendida como espaço público. Por isso, ela é transportada pra lá.

Por causa disso, nesses espaços, quando as mulheres se expressarem e questionarem esse essa lógica, elas serão hostilizadas. Porque estão discutindo privilégios, denunciando preconceitos e injustiças, exigindo direitos. Tudo que balança o status quo incomoda quem sempre viveu a vida sem ser incomodado. E daí vem todas a hostilização, as ameaças de estupros, as acusações de "essa mina tá louca".

A cultura machista dos chans

Conversei com o ex-moderador e co-criador de um famoso chan brasileiro. Para ele, a misoginia (ou seja, o ódio puro e simples) contra mulheres nesses espaços acontece porque esses homens não sabem se relacionar com elas. "Os usuários que fazem parte do 'clubinho secreto' são pessoas que têm uma péssima autoestima. Então não conseguem se relacionar bem com outras pessoas, quem dirá um relacionamento amoroso. Nesses imageboards, eles são anônimos, então se sentem à vontade para serem o que quiserem ser e falam com naturalidade o que ninguém em sã consciência falaria se fosse no Facebook", contou ele.

Gus Lanzetta, moderador do Orkutão dos Leleks, o grupo do site Lektronik no Facebook - e que não tolera machismo, homofobia e memes ruins, segundo ele - diz que a inaptidão social é o que leva esses meninos a odiarem tanto as moças. "Acho que é natural o ser humano ser hostil aquilo que lhe é estranho, né? Também acho que a pesada concentração de meninos nesses clubes do bolinha virtuais acaba criando uma identidade de grupo que muitas vezes não se combina com ter mulheres no meio e aí elas ficam sendo tratadas como forasteiras", acredita ele.

Espera aí. Quer dizer que os caras têm problemas em se relacionar com mulheres e acabam punindo as mulheres por isso?

Nerds são mais machistas?

Alguém que já tem uma inaptidão social natural, especialmente com o sexo oposto, tende a a se refugiar em ambientes sociais online, onde essa insegurança e falta de auto-confiança podem ser mascaradas atrás da tela. Esse é o primeiro passo pra gerar comunidades nerds online em que mulheres sejam coisas tão distantes, em um primeiro momento temidas e reverenciadas e, em seguida, mais adiante quando a adolescência avança, odiadas.

"Claro que, hoje em dia, nem todo nerd é o anti-social estereotipado. Mas ainda tem muita gente que recorre a hobbies como válvula de escape pra problemas com bullying no colégio, na família ou com garotas. Os ambientes digitais são onde essas pessoas têm chance de conversar mais abertamente, tanto sobre o hobby como em off-topic. É um refúgio. Muitos caras que frequentam esses fóruns reproduzem no off-topic as impressões das dificuldades da vida real: que garotos populares são burros e as garotas são interesseiras", analisa Miriam Castro, jornalista especialista em games.

Esse texto, do Daily Beast, escrito por um moço nerd-dos-games, fala sobre como nos videogames, filmes ou quadrinhos, o prêmio do herói é sempre a mocinha linda e sem defeitos. A cultura pop sempre coloca a mocinha como o prêmio final do cara que faz tudo certo, que é legal, heróico, bem sucedido. Só que na vida real, mulheres são pessoas com vontades próprias (uau!), sem obrigação nenhuma de gostar de um cara por causa das conquistas dele ou do quão gentil ou prestativo ele é.

Essa noção, reforçada pelas obras de cultura pop, origina o machismo em eventos nerds e aquela baboseira sobre friendzone, a teoria mirabolante que diz que se um cara é legal com você, você é uma vagabunda se não quiser ficar com ele. De onde eu venho, a gente é legal com as pessoas por educação, não por querer que isso seja retribuído em favores sexuais. Você já parou pra pensar nisso?

A rejeição dos nerds

Não surpreendentemente, esses rapazes não apenas odeiam mulheres, mas também odeiam o feminismo. A justificativa óbvia é que o empoderamento de mulheres os ameaça. Mas acho que é legal mostrar como esses caras, especificamente, se sentem mais ameaçados que a média. Recentemente, um professor do MIT foi muito criticado pelo comentário que deixou em uma discussão sobre machismo e misoginia.

Ele disse que jovens nerds, como ele na adolescência, não se sentiam de maneira nenhuma privilegiados em relação ao sexo feminino, mas sim oprimidos, já que a verdadeira opressão para um jovem como ele era ter que falar com as mulheres e lidar com o desejo que ele tinha por elas. Segundo ele, isso gerava culpa, ansiedade e depressão.

E essa parece ser, de forma geral, uma batalha que muitos desses caras lutam - dá pra notar a mágoa nas entrelinhas desses discursos que chamam as mulheres de tantas palavras horríveis. Mas não dá pra igualar esse tipo de "opressão", esse conflito interno, com o machismo que a mulher sofre - a violência física, os salários mais baixos, a necessidade de se provar duplamente etc etc etc. Porque essa é uma auto-opressão: o nerd sem auto-confiança que não sabe lidar com as moças sofre, sim, mas por causa de algo que ele cria dentro da cabeça dele. E aí, algumas vezes, ele acaba odiando mulheres por isso, sem perceber que foi tudo feito dentro dele mesmo.

Medo imaginário, violência real

Além disso, toda essa ansiedade, a culpa e a auto-cobrança vêm do machismo. O machismo não é o contrário do feminismo. O feminismo em que eu acredito prega a igualdade entre os gêneros. O machismo é uma cultura de opressão que está nas bases culturais da sociedade. A crença subjetiva de que mulheres são seres inferiores não gera só todos os tipos de violência física contra as mulheres, mas também oprime psicologicamente os homens, que são obrigados a seguir uma cartilha bastante restrita pra provar que são masculinos - afinal, ter qualquer característica feminina seria uma vergonha, já que mulheres são inferiores. E é daí que deriva a homofobia, também, e todas aquelas besteiras que dizem que homem de verdade não chora e é um pegador nato, enquanto mulher é fofoqueira e não gosta de futebol.

Esse texto, do mesmo moço nerd-dos-games, fala disso. Ele diz que o medo e a ansiedade gerados pela incapacidade de lidar com o sexo oposto podem resultar em misoginia e ódio ao feminismo, que diz pra caras que nunca tiveram a sensação de ser privilegiado que eles o são. São medos válidos, sim, mas são assimétricos. Tem uma historinha que exemplifica bem. Perguntaram a um grupo de homens e de mulheres: o que você tem medo que o grupo do outro gênero faça? Os homens disseram: temos medo que elas vão rir da gente. As mulheres: temos medo de que eles vão nos matar. O medo que os homens têm é interno, e em alguns casos, inventado pela própria cabeça. Mas suas reações são externas, então o medo que as mulheres têm é externo. A violência é real.

 

Fonte: Por Tory Oliveira, em CartaCapital/ huffpostbrasil.comMunicipios Baianos

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