10/01/2018

O Brasil e a corrupção sistêmica no seu dia a dia

 

O Brasil é um país sui generis. Seu povo tem sido roubado desde que foi descoberto, mais só a partir da ascensão de um partido de origem nas esquerdas ao poder é que a direita brasileira descobriu a roubalheira. O mais interessante é que desde o descobrimento do país que a nação sempre foi governada e roubada por esta mesma direita que falsamente se utiliza dos meios de comunicação para bradar pela moralidade.

Se alguém tiver o cuidado de fazer um levantamento na mesma mídia que se diz defensora da moralidade verá que a maioria dos envolvidos em casos de corrupção e malversação dos recursos públicos são políticos e empresários do centro e da direita  que em algum momento para não se afastarem da órbita do poder se alinharam ao partido que hoje tanto condenam.

Claro que o PT ao chegar ao Poder gerou um grande expectativa e decepcionou,  ao jogar na lata de lixo a sua história, o seu discurso de moralidade e em nome de uma falsa governabilidade se aliou ao que há de mais podre no cenário político nacional e,  diante das alianças espúrias, alimentou este cancro que hoje domina a administração pública, que é a corrupção. 

Teve culpa ao aparelhar o Estado, inchando a máquina estatal, ocupando os cargos públicos com o que havia de pior pelas indicações políticas e partidárias, sem levar em consideração  a qualificação profissional, sem observar um item fundamental que está diretamente relacionado com o mérito do candidato e principalmente sem ter a mínima preocupação com o zelo dos bens e do dinheiro público, item este que foi a base da sua ascensão ao poder e fundamentos ideológicos para a criação do partido.

Mesmo diante de toda esta culpabilidade, não devemos e nem é correto jogar toda responsabilidade e culpa da roubalheira que hoje se espalha pela administração publica nacional nos ombros unicamente do PT e de Lula, pois afinal, há muitos outros envolvidos e com valores infinitamente maiores dos citados e que são de partidos opositores sem que a opinião pública se manifeste com o mesmo vigor e ardor como o fazem quando se trata do PT e de Lula e correligionários.

Afinal, Aécio, Temer, Alckmin, Jucá, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Jucá, Rodrigo Maia, Kassab, José Agripino Maia, a maioria dos deputados da bancada evangélica, só para citar alguns nomes  e tantos outros políticos citados pela Lava Jato ou envolvidos em escândalos financeiros e ou malversação dos bens e do dinheiro público, não tem origem e não são de esquerda, pelo contrário tiveram origem e sempre transitaram e até hoje transitam no centro r na direita, principalmente.

Por outro lado, não venham as viúvas saudosistas da ditadura militar falar que naquela época não existia corrupção. Pois a frase mais comum, pelo menos na Bahia, Sergipe e em São Paulo, só para relembrar. Era a famosa “Rouba mas faz”, que tinha como responsáveis por assim serem tachados, o então coronel político baiano ACM, o governador sergipano João Alves Filho e o “impoluto” Paulo Maluf, em São Paulo. Isto sem falar do crescimento relâmpago de empresas que como naquela época, também hoje estão envolvidas em atos de corrupção, como a OAS (na época conhecida como Obras Autorizadas pelo Sogro, em alusão a ACM e seu genro sócio a majoritário da construtora) e a Odebrecht. Sem considerar o enriquecimento de vários políticos, cujas denúncias eram abafadas em razão da rigorosa censura que vigorava à época. Quem não se lembra dos anões do orçamento. Das suspeitas sobre a Ponte Rio – Niterói, da Transamazônica, do caso Delfim, dos desvios dos recursos do INSS e do FGTS, das roubalheiras do então Banco Econômico, do caso Capemi e de tantas outras falcatruas praticadas sobre o manto da ditadura e que a mídia não denunciava naquela época por causa da censura, diferente de hoje, que não denunciam a maioria dos casos ou porque estão envolvidas ou porque há interesses escusos por trás da proteção.

Não é “normal” a política ser o mundo da mentira

Impossível deixar, nesta hora, de lembrar a frase que ouvi, certa vez, de Leonel Brizola: “eu uso as palavras para revelar minhas ideias, não para escondê-las”. Claro, a política tem as suas chicanas, a desconversa, as parábolas, onde curvas são o caminho natural do que se almeja. Em todos os relacionamentos humanos – individuais ou sociais – é assim: a reta não é quase nunca o menor trajeto entre dois pontos. Mas o que estamos assistindo, hoje, nada tem a ver com isso: vivemos mesmo o império da mentira e da hipocrisia descaradas.

A começar pelo julgamento de Lula, construído com desavergonhados – além dos métodos – cronograma, para afastá-lo do processo eleitoral. A reportagem de ontem da Folha, sobre a “atropelada” que o TRF-4 deu em sua pauta  para antecipá-lo e “limpar a área” da disputa eleitoral de 2018 é a confirmação de que tudo se move ali impulsionado pela política e, ao menos em parte do tribunal, sem qualquer preocupação, sequer, com o decoro.

Não é só aí o clima de falsidade se evidencia. O desavergonhado “esquenta” da campanha de Luciano Huck – que jura que não é, diz que pode ser, quem sabe, mas se comporta como candidato – passou a se fazer já não sob o patrocínio discreto da Globo, mas com a despudorada utilização da emissora para promovê-lo, como se viu no “Domingão do Faustão”.

É evidente que o espetáculo não se faria sem deliberação dos irmãos Marinho, em completa e flagrante contradição com o que, oficialmente, dizia a emissora há dois meses, afirmando que exigiria uma definição sobre candidaturas de seus funcionários. Não consta que, dois dias depois do “cirquinho” do Faustão, alguém tenha procurado a Globo e pergunte: “e aí, como fica aquilo que vocês disseram sobre candidaturas?” A genial inspiração do Aroeira, na charge que “filo” para o post resume a preparação do novo Aécio, de mentirinha.

Mente-se, mente-se, mente-se e a fila incluiu Fernando Henrique Cardoso e seu “apoio” a Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia e seu “não serei candidato” enquanto articula o que nega, a fé evangélica de Henrique Meirelles e a “desistência” de João Doria Jr. Projetos, planos para o Brasil? Zero. A reforma da previdência que, se vier, vem antes. Mais nada.

A Lava Jato, focada desde o início em destruir Lula e o PT foi devastadora para o conservadorismo, que tem de apelar para farsas que, mesmo com o apoio unânime da imprensa, cada vez menos ilude a parcela lúcida e esclarecida da população. A outra, já nem sabe eles o que fazer, está entregue à besta-fera Bolsonaro, a quem tentam, talvez tardiamente, destruir, depois de terem-no criado.

Lobista do metrô indicava conta no exterior de Serra

Os detalhes do esquema de propinas da Odebrecht ao senador José Serra (PSDB-SP) foram detalhados pelo delator Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht de 2002 a 2008. Ele relatou pagamento de propina de R$ 23,3 milhões em 2010, como contrapartida à liberação, pelo governo paulista, de R$ 170 milhões em créditos devidos a uma empresa do grupo Odebrecht, em 2009. Os R$ 29,1 milhões restantes teriam sido transferidos como caixa dois eleitoral para as campanhas de 2002, 2004, 2006, 2008 e 2012, segundo Novis.

A conta onde da propina teria sido fornecida pelo lobista José Amaro Ramos, descrito por Novis como amigo de Serra. O delator disse que recebeu das mãos de Ramos "o número da conta para a qual seriam destinados os recursos destinados a José Serra". Amaro Ramos manteria relação com governo e empresas da França, e teria aproximado a Odebrecht de grupo empresarial daquele país na década de 90, segundo Novis.

Pedro Novis afirmou também que Amaro Ramos teria sido credenciado pelo próprio José Serra a receber os R$ 4,5 milhões para a campanha eleitoral de 2006 - fato que o tucano nega. José Amaro Ramos foi citado em investigações que apuram ilícitos em contratos do governo de São Paulo para o Metrô. O nome dele chegou a constar de documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que pediu para ouvi-lo. O pedido de oitiva, no entanto, foi esquecido em um escaninho da Procuradoria da República de São Paulo, de acordo com um investigador.

Loures tenta proteger Temer em depoimento e se cala sobre a mala de dinheiro

Peça central no escândalo que atingiu o governo Michel Temer no ano passado, o ex-assessor presidencial e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) disse em depoimento à Polícia Federal que não tinha relação de amizade com o presidente, mas uma relação “profissional, respeitosa, administrativa e funcional, visto que o presidente era seu chefe”. Rocha Loures depôs nos dias 24 e 27 de novembro no inquérito que investiga a edição de um decreto, em maio de 2017, que mudou as normas para o setor portuário e teria beneficiado a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP).

NADA SOBRE A MALA

O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso e é o único ainda aberto que tem Temer como alvo. O ex-deputado foi filmado em maio do ano passado recebendo uma mala com R$ 500 mil de um executivo da J&F, que controla a JBS. A Procuradoria-Geral da República acusou Temer de ser o destinatário final do dinheiro – a denúncia, sob acusação de corrupção passiva, teve seu prosseguimento suspenso pela Câmara. Sobre a mala, Rocha Loures ainda não deu declarações.

Para o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, Rocha Loures era “homem de total confiança, verdadeiro “longa manus” de Temer – o que o ex-assessor presidencial negou no inquérito que investiga o decreto dos portos. “[Rocha Loures disse] Que encontrou-se pela primeira vez com o presidente Michel Temer quando o declarante ocupou o cargo de chefe de gabinete de [Roberto] Requião, em 2003 e 2004 [no Paraná]; […] que possuía uma relação de trabalho amistosa, não podendo afirmar que fosse uma relação de amizade”, segundo o registro do depoimento tomado pelo delegado da PF Cleyber Malta Lopes.

“SÓ EM CASOS EXCEPCIONAIS”

“[Rocha Loures relatou] Que também não possuía por hábito efetuar ligações diretamente ao presidente Michel Temer […] também, habitualmente, não trocava mensagens via celular com o presidente, à exceção de eventual necessidade do gabinete, quando o assunto requeria urgência.” Rocha Loures afirmou à PF que não mantém relações nem recebeu doações do setor portuário para suas campanhas à Câmara (em 2006 e 2014), mas que conhece representantes dessa área, como os executivos da Rodrimar, desde 2013, quando houve a tramitação da Lei dos Portos no governo Dilma Rousseff. Naquele período, ele era assessor de Temer na Vice-Presidência.

Sobre o decreto dos portos, editado por Temer em maio de 2017, Rocha Loures disse que só soube da matéria no início do ano passado, quando era assessor especial da Presidência e tomou conhecimento da minuta do texto, enviado à Casa Civil pelo Ministério dos Transportes. Ele negou que tenha atuado para favorecer interesses da Rodrimar na elaboração do decreto e disse “que não tem conhecimento se o presidente da República possui qualquer relação com o setor portuário, em especial com qualquer empresa do grupo Rodrimar e outras concessionárias baseadas no Porto de Santos”.

GRAMPEADO

Em interceptação telefônica feita pela PF com autorização do Supremo, Rocha Loures foi grampeado em 8 de maio de 2017 conversando com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, sobre o decreto dos portos. No diálogo, ele insistia para que o Planalto incluísse no decreto uma regra que beneficiasse empresas portuárias que conseguiram concessões antes de 1993.

“Por orientação até do ministro [da Casa Civil Eliseu] Padilha e por conta da exposição que isso pode trazer para o presidente… Essa pauta pré-93 foi fechada aqui que não vai passar, tá?”, respondeu Gustavo Rocha, principal assessor jurídico do Planalto. “Minha preocupação é expor o presidente em um ato que é muito sensível… Eu acho que já vai causar uma exposição pra ele. Esse negócio vai ser questionado”, continuou.

A PF também apreendeu, em 18 de maio de 2017, na Operação Patmos, deflagrada após a delação da JBS, uma série de papéis sobre o setor portuário, inclusive sobre a Rodrimar, em endereços ligados a Rocha Loures.

Se persistir nesta linha de defesa suicida, Loures está liquidado e vai cumprir longos anos de prisão. Ele simplesmente está inocentando Temer e assumindo a culpa pelo crime da mala da JBS (que não tinham nenhum interesse em suborná-lo) e também pela corrupção do setor portuário, no qual jamais atuara antes. Sua fidelidade a Temer é patética e revela que Rocha Loures é um idiota perfeito, tipo Marcos Valério.

Temer: uma nova denúncia da PGR não é impossível. Por Tereza Cruvinel

A qualquer momento, porque o prazo inicial de 60 dias já expirou, o ministro do STF Roberto Barroso encaminhará à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o resultado das diligências por elas pedidas no início de outubro, no inquérito sobre o decreto dos portos, que envolve Michel Temer, Rocha Loures,  o homem da mala da JBS, mais Antônio Celso Grecco e Rodrimar Ricardo Conrado Mesquita, dono e diretor da Rodrimar, empresa beneficiada com a prorrogação de sua concessão no porto de Santos por mais 35 anos. Se as respostas deles não forem satisfatórias, Dodge pode surpreender e apresentar uma nova denúncia contra o ocupante da Presidência. Ela surpreendeu o governo, em outubro, quando pediu as diligências que estão em curso em sua fase final, e naquela época explicou: "A fase inquisitorial tem como objetivo a completa elucidação dos fatos. Seu resultado será a base da formação do juízo de convencimento do MPF, resultando, ao final, em denúncia ou arquivamento".

A nova denúncia, portanto, está no radar da procuradora, e tudo depende agora de que ela seja convencida de que não houve nada de irregular na edição do decreto. Temer já recebeu as 50 perguntas elaboradas pela Polícia Federal, a partir de um completo exame do processo, o que muito contrariou a defesa de Temer, que protestou. Mas Barroso autorizou.

Já Rocha Loures, em seu depoimento sobre o assunto, dificilmente convencerá a procuradora,  pelo menos num ponto. Conforme destacado pelo 247, ele negou que tenha amizade, afirmando que a relação entre os dois era apenas "profissional, respeitosa, administrativa e funcional, visto que o presidente era seu chefe". Não é isso, porém, o que transparece da conversa que Joesley Batista gravou com Temer no Jaburu, que resultou na denúncia de corrupção e obstrução da Justiça rejeitada pela Câmara.  Senão, revisitemos a transcrição da parte em que Temer indica Rocha Loures como novo interlocutor para Joesley, já que o anterior, Geddel Vieira Lima, estava sendo investigado (e depois seria preso).

Joesley: Pra mim falar contigo qual é  a melhor maneira... porque eu vinha falando através do Geddel, através... Eu não vou Ihe incomodar, evidente, se não for algo assim ...

Temer: As pessoas ficam... sabe como é que é...

Joesley: Eu sei disso, por isso é que...

Temer: (ininteligível) Um pouco.

Joesley: É o Rodrigo?

Temer:  O Rodrigo.

Joesley: Ah, então ótimo.

Temer: Pode passar por meio dele, viu? Da minha mais estrita confiança.

O sentido da expressão “pode passar por meio dele, viu?” nunca foi esclarecido. Temer dizia a Joesley para passar o quê por meio de Rocha Loures? Demandas? Recados? Dinheiro? Mas seja o que for, ele definiu Loures como gente de sua “mais estrita confiança”. Isso extrapola uma relação meramente "profissional, respeitosa, administrativa e funcional”, como disse Loures no depoimento.

Vale recordar também a conversa entre Loures e Ricardo Mesquita, quando este último é informado de que o decreto será assinado. Antes, o Secretario de Assuntos Jurídicos advertira Loures de que a inclusão de novas demandas (prorrogação de concessões anteriores a 1993) “seria muita exposição para o presidente”.  Esta última demanda, segundo o governo, não foi atendida, mas a da Rodrimar foi. Olhe a conversa:

Ricardo: "É isso aí, você é o pai da criança, entendeu?"

Rodrigo Rocha Loures: "É... a ideia é que, se o governo for tomar uma decisão, nessa ou naquela direção..."

Ricardo: "Tenha que ser valorizado, valorizado, né?"

O que significa “ser valorizado?” Será o reconhecimento (em valores) do papel de Rocha Loures. A procuradora terá sua conclusão.

Ao responder às perguntas elaboradas pela PF, Temer pode calar-se e pode até mentir, porque não estará sob juramento.  Mas elas são embaraçosas.  As três últimas apontam diretamente para a suspeita de corrupção passiva. São elas:

48. Autorizou que Rocha Loures fizesse tratativas em nome de Vossa Excelência com empresários do setor portuário visando recebimento de valores, em troca de melhores benefícios para o setor, inseridos no decreto 9048/2017? Se sim, explicar as circunstâncias.

49. Vossa Excelência recebeu alguma oferta de valor, ainda que em forma de doação de campanha eleitoral, formal ou do tipo caixa 2, para inserir dispositivos no novo decreto dos portos, mais benéficos para empresas concessionárias do setor? Se sim, explicitar as circunstâncias e quais providências tomou.

50. Solicitou que Rocha Loures, João Baptista Lima Filho ou José Yunes recebessem recursos em nome de Vossa Excelência, em retribuição pela edição de normas contidas no novo decreto dos portos, de interesse e mais benéficas para empresas concessionárias de terminais portuários públicos e privados? Se sim, apresentar justificativas e detalhar circunstâncias.

É claro que ele Temer vai negar tudo que está insinuado nas perguntas. Mas o problema é outro: Dodge ficará convencida de que não houve nada de irregular num decreto pelo qual a Rodrimar e outras empresas vinham fazendo gestões junto a Temer desde 2013, quando ele dizia ser apenas um vice decorativo? Convencida, arquivará o processo. Do contrário, pode mostrar que, como o antecessor Rodrigo Janot, sabe manejar arco e flecha. 

 

Fonte: Tijolaço/Jornal do Brasil/Folha/Brasil 247/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!