10/01/2018

Pressão da Globo sobre Judiciário, sim. Povão, não?

 

Na condição de capitã do mato do golpe de 2016, a Polícia Federal, que falava grosso com a legítima Presidenta Dilma Rousseff, hoje nem fino consegue piar com o impostor Michel Temer. Tornou-se abrigo natural do ideário que inspira em parte a obra “A Elite do Atraso” (de Jessé de Souza) e por assim ser, era muito comum ouvir dentro da Corporação, em todas as suas unidades Brasil afora, que o PT havia aparelhado a instituição. Neste GGN, mostrei por A + B que não só a PF, mas todas as instituições brasileiras estavam aparelhadas ao contrário, ou seja, cultural e instrumentalmente organizada para trabalharem contra aquele partido (e para destruir o projeto por ele representado). Um dos representantes de classe da PF chegou a emitir comunicado dizendo que “estava vigilante quanto à infiltração petista na entidade”. Só isso dá a ideia desse aparelhamento inverso.

O minoritário senso crítico remanescente na PF - composto por delegados da mais alta competência, por vezes perseguidos, e que por razões obvias não podem explicitar suas opiniões - encontra-se hoje sequestrado pelas facções golpistas. Em consórcio de ideias com esse minoritário grupo de policiais que ainda conserva noções de legalidade e direitos humanos, e inspirado numa entrevista do Ex-ministro da Justiça Eugenio Aragão, publiquei neste GGN o quanto membros do Ministério Público Federal vivem mais a serviço do corporativismo do que mesmo a serviço da sociedade. Nessa linha, ficou claro o alinhamento do MPF com a mesma elite do atraso, fato, aliás, marcante no Judiciário, capaz de projetar figuras como Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Bretas, Sejumoro, Carmens Lúcias. Engrossam a lista o juiz que usava o carro apreendido de Eike Batista, o outro que foi “desacatado” por uma guarda de trânsito e mais outro que mandou soltar o filho de uma desembargadora do Mato Grosso -  preso com 129 quilos de maconha...

Consolidado o golpe com participações de membros das facções golpistas instaladas nas três instituições antes referidas, majoritariamente composta pela elite do atraso, logo a seguir veio a notícia sobre o óbvio: “o grande acordo nacional com o supremo e tudo”. Restou, nessa conjuntura, aos integrantes das três armas militares verem-se forçados a prestar continência a um usurpador, cujos crimes (acusações) estão congelados por um parlamento predominantemente corrupto. Sim, faltavam eles, os militares. Ou não faltavam, já que, segundo cochichos com Renan Calheiros, os militares estariam “monitorando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”. Tudo com o apoio da horda de paneleiros que repetia os mantras de guia da mais cínica sabotagem política da história, tendo a Farsa Jato como capitã do mato.

Noutras palavras, com a bênção da elite do atraso e a caterva representante da dita grande mídia, as instituições brasileiras se uniram em favor do golpe. Rasgaram a Constituição Federal e declararam guerra ao povo, contra qualquer coisa que pudesse representar redistribuição de renda, progresso econômico com inclusão e a redenção da sociedade a qual tais instituições deveriam servir. No melhor estilo lugar de pobre é na sarjeta, promoveram a destruição de governos progressistas, lideranças populares, indústria nacional, setores econômicos estratégicos, grandes empresas públicas e privadas, bancos oficiais, cultura e educação e seguem empenhados na extinção de direitos sociais. Abriram mão de preciosidades que sequer são de direita ou esquerda, tais como soberania, dignidade, nacionalidade.

Eis que revisitei uma entrevista do ministro do STF Dias Tofolli. Sim, aquele que, segundo a imprensa, sua esposa (advogada Roberta Rangel) teria recebido (?) pelo menos R$ 300 mil (2008 e 2011) da construtora Queiróz Galvão (envolvida no Petrolão). Pois bem, ele disse que juízes precisavam julgar de acordo ou em consonância ou com o anseio popular. Mas, ao mesmo a TV Globo e seu rancho, alimentados por compinchas da Farsa Jato, se encarregava de alimentar/formar a opinião pública conforme os interesses do golpe de 2016. Algo assim, o juiz não tem prova e de soslaio ou de forma escancarada, pede apoio da imprensa, dá a letra à sorrelfa e a mídia prepara o povo para aceitar a ilegalidade. Fechou o circo.

Rememoro, ainda, outro barnabé do judiciário, um certo ministro Barroso, que afirma que a “percepção social” sobre a corrupção e a realidade nacional continua a mesma e que finalmente o judiciário deixou de ser aquele que só pega menino pobre com cem gramas de maconha. A corrupção tornou-se sistêmica e não se lida mais com falhas pontuais... Claro! Corrupção é irmã siamesa da ganância, que é força motriz do capital, de um sistema no qual 99% da riqueza do mundo está na mão de 1% e a cada um minuto nove crianças morrem de desnutrição. E o mais grave: esse modelo é a grande referência da elite do atraso, cujos representantes fervilham nas instituições que apoiaram o golpe.

Hoje, o grande desafio é manter a aparência de democracia e da legalidade. Ninguém entende que Gilmar Mendes, que desenterrou o processo de cassação da chapa Dilma-Temer é o mesmo que salvou Temer. O que vale pra Delcídio não vale pro Aécio, o que vale pra Aécio não vale para parlamentares cariocas. Decisões monocráticas não servem para uns, mas valem para outros. Contudo, a aparência democrática “sobrevive” porque lá está o vice da Presidenta golpeada. Como outrora a ditadura se revestia de legitimidade "democrática" com a dicotomia MDB - ARENA (duas faces da mesma moeda golpista).

É, finalmente, nesse contexto que a grande imprensa (associada ao golpe) tenta cooptar o Exército Nacional, afirmando que este monitora o MST "com atenção", que as mobilizações populares "acenderam o sinal amarelo" e outras notas venenosas. Claro, fazer pressão sobre o Poder Judiciário é monopólio da imprensa golpista. Naquele que, dentre os três poderes, é o menos controlado e impermeável às demandas concretas do povo brasileiro (só tem olhos e ouvidos para as demandas da elite) ninguém esconde a intenção de promover não um julgamento, mas o justiçamento do ex-Presidente Lula.

A imprensa golpista sabe que o povo já tomou consciência de que foi enganado. Agora, tenta impedir que a soberania popular (revelada por pesquisas eleitorais) possa se aliar aos movimentos sociais, aos democratas e aos que desejam um julgamento limpo, baseado em provas, isento de ilações. Trata como “pressão” sobre o Judiciário. Mas, quando essa era formulada pela mídia golpista, incentivada por Sejumoro era legítima. E não havia quem exigisse/ sugerisse a atuação do Exército Brasileiro...

Cuidado golpistas! Exército, Marinha e Aeronáutica são corporações lastreadas na hierarquia e na disciplina e abrigam patriotas. Embora as forças do atraso apostem alto no conservadorismo de tais estruturas, é certo que as lideranças militares não compactuam com a entrega das riquezas naturais do Brasil, nem com a venda a estrangeiros do controle da Embraer, a aniquilação do projeto do submarino nuclear, a doação da base aérea de Alcântara. E, finalmente, mas não menos importante, é certa a grande insatisfação na caserna sua transformação paulatina de força de garantia da soberana nacional numa polícia militar de reserva - o que consiste na mais absoluta subversão do relevante papel que lhe foi conferido pela Constituição Federal.

Huck segue o roteiro da traição de FHC. Por Fernando Brito

Então, vamos achar que tudo é mera coincidência. No primeiro dia do ano, “vaza” o encontro de Luciano Huck com Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, pedindo que seu nome não seja retirado das pesquisas eleitorais. No dia seguinte, Fernando Henrique dá entrevista ao Estadão ensaiando a rasteira em Geraldo Alckmin: “se houver alguém com mais capacidade de juntar [o dito ‘centro” político], que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, temos que apoiar essa pessoa.” E domingo, 7 de janeiro, Luciano Huck vai ao programa do Faustão e diz que não é, mas pode ser, candidato, e jura de pés juntos que “o que o destino e o que Deus esperam para mim vou deixar rolar”.

Modesto, não? Sua candidatura, se sair é uma “esperança” de Deus. Vamos, também – já que estamos num acesso de ingenuidade – acreditar que a “escalação” de Huck para o programa de domingo da Globo, devidamente decorado no “padrão família” pela presença de Angélica, foi feita sem o conhecimento e a aprovação dos “manos” Marinho.

Como é preciso  acordar de manhã, percebe-se que está em curso uma jogada desesperada para criar uma alternativa eleitoral, pois todos os quadros da direita brasileira foram tragados pela campanha de desmoralização que foi um dos instrumentos extremos do quais precisaram lançar mão para destruir a prevalência – ainda que sem traumas –  das forças populares no governo. Um dos, porque o outro, foi a transformação do Judiciário em partido político.

Em tudo, há  um clima de mentira e dissimulação. Ainda não têm certeza do que devem fazer. Mas claramente já mostram o que são capazes de fazer ao Brasil, inclusive entregá-lo a um aventureiro negocista, que fez carreira com “tiazinhas” e sorteios na televisão e circulava na subnobreza das celebridades com seu passaporte televisivo. Um personagem “dirigível” e que, caso venha a ter veleidades de quem acha que tem mesmo o poder, pode ser descartado com um piparote. Como diria Aécio Neves, “alguém que a gente pode matar”, se maiores problemas.

O povo brasileiro, para esta gente que o observa enojado desde suas torres de marfim, é apenas um rebanho a ser levado ao brete. Cozinham, no seu caldeirão, um novo Collor, esquecidos de que, afinal, a memória dos brasileiros tenha se esvaído. Um candidato com a marca da Globo e de Fernando Henrique gravada na testa, porém, tem um significado que dificilmente se poderá esconder.

Bolsonaro e Huck são irmãos siameses, nascidos do casamento da Globo com a Lava Jato. Por Joaquim de Carvalho

Jair Bolsonaro e Luciano Huck têm muito mais semelhanças do que diferenças.

  • Semelhança #1: Os dois adotam o discurso da negação da política partidária, mas, na prática, sempre estiveram ligados à política tradicional.

Bolsonaro troca de partido como trocava de coturno quando era militar — um mau militar, nas palavras do general Ernesto Geisel. O partido a que se filiou para disputar a presidência é o minúsculo PSL, uma agremiação que tem servido de língua de aluguel em diferentes pleitos Brasil afora. Seu presidente é Luciano Bivar, falido nos negócios nos anos 90 e bem sucedido como presidente do Sport.

Acumulou fortuna enquanto o clube, sob sua direção, negociava jogadores. Há cerca de quatro anos, confessou ter subornado a CBF para que o volante do Sport Leomar fosse convocado para a Seleção Brasileira, em 2001, quando Leão era o técnico e Antônio Lopes, o coordenador. Por conta de sua atuação nos bastidores, ganhou o apelido de Eurico Miranda do Nordeste. Ao anunciar a filiação ao PSL, Bolsonaro explicou: — O Bivar é de um partido pequeno. Ele sabe disso, não é maldade nenhuma. Dificilmente, o Bivar sozinho sobreviveria à cláusula de barreira. Eu, sem partido, também não seria candidato. Nós estamos fazendo um casamento.

Dirigindo-se aos repórteres, disse: — Igual quando você casa com a Dona Maria. Vocês ganham e perdem também. Se vocês quiserem tomar cerveja e jogar futebol toda tarde, talvez ela não queira mais. Então a gente ganha e perde. Em outras palavras, partidos não servem para nada.

Luciano Huck não é filiado a partido político ainda, mas sempre se deixou mostrar vinculado a Aécio Neves, o cacique do PSDB. Frequentava as festas que Aécio realizava na Casa de Pedra, de sua prima, em Belo Horizonte, e de cerimônias oficiais, como a inauguração da Cidade Administrativa, na capital mineira, e a despedida de Aécio do governo do Estado.

Em 2014, um amigo comum, José Júnior, do AfroReaggae, postou a foto de Aécio e Huck juntos, com a informação: “Quando o Aécio Neves me convidou para coordenar o programa de governo para juventude, a primeira pessoa que eu liguei foi o Luciano Huck, que me deu toda força e falou para que eu abusasse na ousadia das formulações ainda mais se o Aécio vencesse as eleições.”

No programa do Faustão, Huck desqualificou a política partidária: “O que estou fazendo e vou continuar fazendo é tentar mobilizar uma geração inteira, que não importa da onde vem, a classe social, o credo, a religião, se é de direita, de esquerda, eu não acredito mais nisso, eu acredito nas pontes, na construção, não acredito mais na divisão, acredito na soma, o único jeito de resolver o país é somando. O que eu venho fazendo, e não queria fazer isso pelos partidos políticos, eu acho que eles estão derretendo, a gente tem que ocupar de novo. Então, eu optei por fazer isso pelos movimentos cívicos”.

  • Semelhança # 2: Bolsonaro e Huck falam de corrupção como se fossem vestais no lupanário. Na realidade, não é bem assim.

Bolsonaro está na lista de Furnas, o esquema de corrupção que desviou recursos da estatal para um grupo de políticos liderados por Aécio Neves, na eleição de 2002. A autenticidade da lista, elaborada pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, foi confirmada pela perícia da Polícia Federal, mas até hoje ninguém foi punido pelo desvio.

Luciano Huck foi acusado de se apropriar de uma faixa do mar em Angra dos Reis, inventando um projeto de maricultura para impedir a aproximação de turistas à sua ilha particular. Para não se condenado, fez acordo com o Ministério Público Federal e foi obrigado a pagar uma indenização a uma ONG com atuação no meio ambiente e a frequentar algumas de suas reuniões.

A diferença entre os dois é de estilo.

Huck já assinou artigo em que reclamou da violência, quando teve um Rolex furtado em São Paulo. E conclamou os cidadãos de bem a uma campanha para encontrar solução. Não cogitou mudanças estruturais para melhorar a distribuição de renda.

Bolsonaro é mais franco, mas no fundo ambos querem a mesma coisa. O militar da reserva defende o armamento da população e carta branca para os policiais agirem — o que significa matar ainda mais.

Tanto Bolsonaro quanto Huck surfam na onda que surgiu do casamento da Globo com a Lava Jato. A pretexto de combater a corrupção, essa aliança procura destruir a política. Ambiente perfeito para a eleição de um outsider, alguém que pareça não ter nada ver com a coisa. São arremedos de construção erguida sob os mesmos alicerces podres.

Luciano Huck é a aposta da direita para vencer Lula, já que o ex-presidente, ao contrário do que dizem analistas como Merval (da Globo), vence fácil Bolsonaro. Luciano é o mesmo que Bolsonaro, mas parece diferente. Um Doria versão nacional. Como ocorreu em São Paulo em 2016, a intenção é enganar o Brasil em 2018.

 

Fonte: Por Armando Rodrigues Coelho Neto, no GGN/Tijolaço/DCM/Municipios Baianos

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