12/01/2018

Ministério de Temer vira um negócio de família

 

Após encontro com o presidente Michel Temer, no último dia 3, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deixou o Palácio do Planalto para anunciar a nomeação da filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), como nova ministra do Trabalho. Orgulhoso com a novidade, o pai chorou diante dos jornalistas. “É um resgate”, justificou, em alusão ao período em que cumpriu pena de prisão no mensalão. A combinação política e família está longe de ser exceção no ministério de Temer. Pelo contrário, é condição predominante: dos 41 ministros nomeados pelo peemedebista desde maio de 2016, ao menos 21 têm ou tiveram parentes políticos.

Os dados são de levantamento do Congresso em Foco com base em pesquisa do Núcleo de Estudos Paranaenses da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na lista há filho de ex-presidente da República, caso de Sarney Filho (Meio Ambiente), e de senadores, como Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Helder Barbalho (Integração Nacional), marido de vice-governadora, Ricardo Barros (Saúde), e representantes de novas e antigas oligarquias regionais, como Marx Beltrão (Turismo) e Torquato Jardim (Justiça), respectivamente.

“A política brasileira contemporânea é conduzida por unidades familiares. A unidade operacional da política brasileira são as famílias. É uma relação política de caráter familiar. Não passa às vezes por partidos, associações e de grupos de interesse”, explica o professor de Ciências Sociais da UFPR Ricardo Costa de Oliveira, um dos autores do estudo. “A nomeação da Cristiane confirma que política no Brasil é um negócio de família”, acrescenta.

Outros poderes

A prática detectada no Executivo também se reproduz no Judiciário e no Legislativo, como revelou a Revista Congresso em Foco. Pelo menos 319 deputados (62%) e 59 senadores (73%) têm vínculos de sangue com outros políticos. Entre eles, a própria Cristiane, deputada cuja indicação ao ministério está sub judice por causa de suas encrencas na Justiça trabalhista. No Judiciário, juízes e desembargadores costumam passar suas togas para os filhos, também magistrados, advogados ou procuradores.

Se os laços sanguíneos com o presidente do PTB foram determinantes para a nomeação de Cristiane, há casos em que o sobrenome ficou em segundo plano. Conhecido como “rei da soja” na década de 90, Blairo Maggi (Agricultura), por exemplo, repassou esse título ao primo Erai Maggi, que integra o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e já foi pré-candidato a senador. Os primos fazem parte de uma das famílias mais ricas do país, com forte atuação no agronegócio. Roberto Freire, ex-ministro da Cultura, também pode alegar que teve pouca influência familiar. Foi casado com a filha de um ex-senador.

Filho de um ex-interventor de Goiás, sobrinho de um ex-governador do estado, Henrique Meirelles (PSD), um dos ícones do capitalismo nacional, é primo do ex-deputado Aldo Rebelo, comunista histórico e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Titular da Justiça, Torquato Jardim é neto, bisneto e trineto de ex-presidentes da então Província de Goiás, além de primo do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Entre os ministros com parentes na política, sete são do PMDB, três do PSDB e dois PP. DEM, Podemos, PPS, PR, PSB, PSD, PTB e PV, com um nome cada, completam a lista, que ainda tem Torquato Jardim sem partido.

Na conta não estão incluídos nomes que vêm de forte tradição familiar em outras áreas. O general Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), por exemplo, é filho do também general de Brigada Leo Guedes Etchegoyen. Pai de Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Pedro Salomão José Kassab foi presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) por seis mandatos e da Associação Mundial de Saúde.

Familismo

O professor Ricardo Costa de Oliveira diz ao Congresso em Foco que o “familismo” gera impacto no dia a dia do brasileiro. “O impacto é um governo que trabalha para os interesses desses grupos familiares, elitizados, que têm uma visão de reprodução dos poderes sociais e políticos. Representa a manutenção do status-quo do Brasil tradicional. Daí vem o pacote concentração de renda, exclusão social, interesses privados… Esse é o retrato do governo Temer, uma gestão de interesses familiares. Cada ministério atua para beneficiar sua parentela. A tendência é só piorar. Se olharmos o corpo a corpo, cada ministro vai reforçar eleitoralmente as mesmas famílias nas eleições de 2018”, observa o professor, uma das principais referências no estudo da influência das famílias nos três poderes no Brasil.

Autores do estudo “Prosopografia familiar na Operação Lava Jato e do Ministério Temer”, Ricardo Costa e os também professores José Marciano Monteiro (UFCG), Mônica Helena Harrich Silva Goulart (UTFPR) e Ana Crhistina Vanali (UFPR) veem na política brasileira um padrão.

“A mesma centralidade na hereditariedade, reprodução de capitais sociais familiares, escolarização de elite, trajetórias dentro da elite estatal, relações familiares e políticas decisivas para as carreiras da grande maioria dos atores pesquisados em suas biografias, cargos e itinerários ideológicos tradicionais, preferencialmente à direita política e conservadores”, avaliam.

“Ministros de Temer não são membros da ‘classe média’, ou apenas técnicos e gestores, quase todos são membros, ou casaram, com importantes famílias políticas presentes ao longo da história nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos os nomes aqui listados pertencem ao 1% mais rico, quando não ao 0,1% mais rico e sempre revelam a característica ‘familiar’ do sistema judicial e do governo no Brasil, presentes em todas as suas regiões”, ressaltam os pesquisadores.

Trapalhada no Trabalho

O governo não esperou uma semana para cometer a primeira trapalhada do ano. Em pleno recesso, o Planalto conseguiu abrir uma crise no Ministério do Trabalho. O caso comprova a vocação de Michel Temer para escalar as pessoas erradas nos lugares errados.

Ao tomar posse, o presidente transformou a pasta em feudo do PTB, o partido de Roberto Jefferson. Sua primeira escolha foi Ronaldo Nogueira, um obediente deputado e pastor evangélico. Ele se notabilizou ao editar a portaria que afrouxou a repressão ao trabalho escravo.

Investigado pela Controladoria-Geral da União, o pastor aproveitou as festas de fim de ano para sair à francesa. O PTB indicou um deputado do Maranhão para substituí-lo. Faltou pedir a bênção de José Sarney. Aos 87 anos, o imortal mostrou que ainda manda e vetou a escolha.

Sem força para contrariá-lo, Temer teve que engolir o veto. Chamou Jefferson e ofereceu o cargo à sua filha Cristiane Brasil. Mais um erro. O presidente se tornou refém do ex-deputado, que chorou e proclamou o “resgate” da família. Sete dias depois, a herdeira virou saco de pancadas e corre o risco de não tomar posse.

A deputada já havia sido delatada pela Odebrecht, sob acusação de receber R$ 200 mil em caixa dois. Agora sabe-se que ela também foi condenada pela Justiça Trabalhista por não respeitar direitos básicos de um empregado. É como se o governo tivesse escolhido um devastador de florestas para o Ministério do Meio Ambiente.

A liminar que suspendeu a nomeação é questionável. Mais uma vez, o Judiciário driblou a separação de Poderes ao anular um ato do Executivo. Mesmo assim, o governo poderia encurtar a crise se tivesse feito o dever de casa: examinar a ficha da escolhida antes de publicar sua nomeação no “Diário Oficial”.

No mínimo, isso evitaria o vexame desta terça. Na hora marcada para a posse, servidores recolhiam cadeiras e explicavam aos convidados que a cerimônia estava cancelada.

João Leão sobre ser ministro de Temer: De jeito nenhum eu toparia este convite

Após surgir a informação de que havia a possibilidade de João Leão assumir o Ministério da Saúde do governo Temer, o próprio vice-governador, que acompanhou os cortejos da Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (11), afirmou que esta notícia "não tem nada de verdade".

"Muita criatividade. Algum jornalista que não tinha assunto ou político mal informado que colocou esta nota no sentido de aparecer. Não tem nada de verdade. Absolutamente nada. Nunca conversei com o presidente Michel Temer para ser ministro. Nunca conversei com Cacá Leão. Nunca conversei com Ciro Nogueira. Com ninguém a respeito de ser ministro do presidente Michel Temer. Me honraria muito ser ministro do Brasil mas, por enquanto, eu sou vice-governador e vou trabalhar pela Bahia. De jeito nenhum toparia este convite. Vai ter uma eleição e tenho uma missão. Tenho uma missão a cumprir no governo Rui Costa".

Estou realista sobre aprovação da Reforma da Previdência na Câmara, diz Imbassahy

O ex-ministro de Michel Temer, o deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB), em conversa com jornalistas durante a Lavagem do Bonfim, na capital baiana, nesta quinta-feira (11), afirmou que o partido segue caminhado com o presidente Michel Temer. “A posição é a mesma de manter apoio ao presidente”, disse.

Ainda em entrevista, o tucano comentou sobre a postura de deputados que integram a linha de frente da base do presidente Temer no Congresso e que pressionaram pela sua saída da Secretaria do Governo.

“Eu cumpri uma missão importante, né? Minha tarefa era sugerir, oferecer estabilidade politica, e nós conseguimos. Um grande sucesso. Porque todas as propostas enviadas ao Congresso Nacional foram aprovadas. Inclusive, propostas que às vezes são de difíceis de assimilação no primeiro momento. O sucesso foi absoluto”, pontuou.

O deputado baiano também foi questionado se a Reforma da Previdência seria aprovada pela Câmara dos Deputados. “Ontem o Rodrigo Maia me ligou. Ela está sendo trabalhada. A Previdência precisa ser reformulada, essa consciência está cada vez mais sendo impregnada na sociedade brasileira, com dados, com números. Temos que ter uma Previdência que seja igual para todos brasileiros, o que não é hoje, só deformações. Não é fácil, mas está sendo trabalhado”, disse e acrescentou que está sendo “realista com relação a esse assunto”.

Indagada se existe a possibilidade de deixar o PSDB, Imbassahy foi direto: “eu nunca fiz nenhum movimento com relação a ir pra outro partido”.

Sobre a corrida para Presidência da República, o tucano afirmou que o PSDB definiu que o nome mais forte dentro do partido é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na oportunidade, ele ressaltou que o DEM também tem dois nomes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o prefeito de Salvador, ACM Neto.

“O candidato tem que ter um programa, uma pauta. Muito além de ‘fora isso fora aquilo’. [Um candidato] que traga para os brasileiros um norte”, encerrou.

Arthur Maia diz que reforma da Previdência é necessária e critica 'falta de verdade com o povo'

Presente na caminhada rumo à Colina Sagrada, nesta quinta-feira (11), durante a Festa do Bonfim, o deputado Arthur Maia (PPS-BA) voltou a defender a importância da reforma da Previdência. A matéria tramita na Câmara e deve entrar em pauta de votação após o recesso parlamentar.

"É uma necessidade do Brasil. A decisão de votar contra ou a favor está na consciência de cada deputado. Agora, só lamento que existam muitos deputados que sabem que a reforma é necessária, reconhecem e falam que vão votar a reforma só depois da eleição. Isso é uma grande falta de verdade com o povo, com os eleitores. É um texto que acaba com privilégios", afirmou o relator da matéria, em entrevista ao BNews.

Em um cenário eleitoral para 2018, deputado ainda falou sobre a tática oposicionista de classificar os adversários políticos como "golpistas".  "As últimas eleições para prefeito mostraram a acachapante derrota que o PT teve. O PT hoje é um partido rejeitado pelo Brasil", disparou, confiante que o atual cenário econômico servirá de credencial para novos triunfos do governo.

 

 

Fonte: Congresso em Foco/Folha/BNews/Municipios Baianos

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