13/01/2018

Bahia: Com mais chuvas, safra de grãos cresce quase 50%

 

Depois de um 2016 marcado por perdas significativas na lavoura, devido à seca causada pelo fenômeno climático El Niño, a Bahia apresentou em 2017 crescimento de 42,6% na produção de grãos em relação ao ano anterior. O aumento da produção, revelado em estimativas divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se deu principalmente em razão das chuvas que caíram, sobretudo, na região Oeste do estado.

A estimativa de 2017, atualizada em dezembro, para a safra baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas (grãos), totalizou 8.078.077 toneladas – em 2016,  a produção foi de 5.665.096 toneladas. Com esse resultado, a Bahia foi responsável por 44,7% de toda a produção de grãos da Região Nordeste em 2017. Outras regiões do estado, contudo, continuam sendo afetadas pela seca.

As estimativas de 2017 indicam recuperação: na safra de 2014, a Bahia produziu 7,409 milhões de toneladas, número que caiu para 5,938 milhões de toneladas em 2015, de acordo com a Secretaria de Agricultura (Seagri).

Dos 34 produtos investigados pelo IBGE na Bahia, 13 tiveram safra maior em 2017: cereais, leguminosas e oleaginosas, feijão, milho, café conilon, soja, sorgo, arroz, milho, amendoim, mandioca, cebola, abacaxi e coco-da-baía. No Oeste da Bahia, as cidades mais produtoras são Barreiras, Luis Eduardo Magalhães, São Desidério e Formosa do Rio Preto.

Na região também há plantação de café arábica e conilon. Enquanto a produção do tipo arábica teve queda de 22,6% em 2017, por conta da estiagem dos últimos cinco anos, a colheita do conilon vem se recuperando após o bom volume de chuvas no ano passado. Segundo a Associação de Produtores de Café da Bahia (Assocafé), as lavouras do Extremo Sul devem produzir mais de 2 milhões de sacas em 2018.

Na liderança

As produções que mais cresceram no estado, segundo o IBGE, são as de feijão 2ª safra (233,83%); milho 2ª safra (150,98%) e café conilon (144,68%). Estima-se que cerca de 90% dos grãos produzidos pela Bahia em 2017 sejam oriundos do Oeste, o que equivale a 7,27 milhões de toneladas. A região produz a totalidade da soja baiana, quase 97% do algodão e 70% do milho. Segundo o Ministério da Agricultura, de janeiro a outubro, o complexo da soja (grão, farelo e óleo) da Bahia exportou 3,6 milhões de toneladas a 1,3 bilhão de dólares. Em 2016, as exportações foram de 2,4 milhões de toneladas. Neste ano, os produtores do grão pretendem ampliar a área produtiva em cerca de 5% – de 1,580 milhão de hectares para 1,6 milhão.

De acordo com analistas, a principal razão para o crescimento é o aumento do índice de chuvas no Oeste, que faz parte da maior fronteira agrícola do Brasil, o Matopiba, composto pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O assessor de agronegócios da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Luiz Stalke, explica que a distribuição das chuvas foi melhor. “A diferença de chuvas nem foi tão grande entre 2016 e 2017: de 900 milímetros para pouco mais de mil. Mas, em 2017, elas foram bem mais distribuídas”, disse.

 “Chuva era o que faltava para termos esse crescimento. Os produtores da região já possuem o domínio da produção, usam tecnologias de ponta. Nós vínhamos de uns cinco anos ruins, sem chuvas, que além de poucas eram mal distribuídas”.

Queda na inflação

O IBGE estimou que a área colhida em 2017 foi de 3.050.718 hectares, mantendo-se em crescimento de 12,1% em relação a 2016, quando havia 2.721.273 hectares de área plantada. Em relação a 2016 (42,6%), o crescimento previsto para a safra 2017 de grãos na Bahia se consolida acima da média nacional, que em dezembro totalizou 240,6 milhões de toneladas, 29,5% maior que em 2016: de 185,8 milhões de toneladas.

A área a ser colhida em 2017 (61,2 milhões de hectares) cresceu 7,2% frente a 2016 (57,1 milhões de hectares). “O aumento da produção este ano foi uma das razões para a queda da inflação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechando o ano em 2,9%, abaixo do piso da meta fixada pelo governo federal, de 3%”, disse André Urpia, supervisor do setor de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia.

A Bahia terminou 2017 como o oitavo estado produtor de grãos do país, responsável por 3,4% da safra nacional. Para 2018, a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de uma redução de 2,1% na colheita total de grãos na Bahia, devendo a safra fechar em 7,9 milhões de toneladas.

BAHIA: EXPORTAÇÕES CRESCEM 19% EM 2017

Exibindo o melhor resultado em três anos, as exportações baianas atingiram US$ 8,1 bilhões, com crescimento de 19% em relação ao ano anterior. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). O resultado apresenta-se melhor do que o observado em 2015 e 2016. Em dezembro as exportações alcançaram US$ 653,4 milhões, superando em 30,9% o resultado obtido em dezembro do ano passado, com destaque para as vendas de algodão, derivados de petróleo, automóveis e petroquímicos.

No ano, a melhora das vendas externas do estado é resultado da expansão mais forte da atividade global, que se refletiu na expansão em 14,8% do quantum exportado pelo estado; das melhores cotações das commodities, que interrompeu a queda dos preços médios dos produtos exportados, resultando em uma valorização média de 3,7% na pauta; e pela forte recuperação da produção agrícola, estimada em mais de 40%, o que fez aumentar em 67% os embarques de soja, carro chefe das vendas de produtos agrícolas do estado.

O excepcional ano de 2017 para a agricultura refletiu-se nas exportações do setor que foi o destaque principal da pauta em 2017.  As vendas do agronegócio baiano subiram 28%, para US$ 3,83 bilhões, com destaque para soja, celulose e algodão. O setor fechou o ano representando 47,5% do total das vendas externas do estado, próximo ao recorde alcançado em 2015 quando a participação alcançou 50,3%.

No setor de manufaturados, cresceram principalmente as exportações de produtos químicos/petroquímicos, que somaram US$ 1,54 bilhão e crescimento de 33,6% e de automóveis - alta de 34% para US$ 620 milhões.

A China continuou sendo o maior comprador de produtos baianos no ano passado. Em 2017, o país asiático comprou US$ 2,13 bilhões da Bahia (26,4% do total), seguida pelos Estados Unidos com US$ 1,08 bilhão (13,4%), pela Argentina com US$ 986,8 milhões (12,2%) e pelos Países Baixos com US$ 564,7 milhões ou o equivalente a 7% das exportações estaduais.

Importações

Com a melhora das expectativas para economia, as importações baianas passaram a registrar crescimento desde agosto, alcançando no ano US$ 7,2 bilhões e crescimento de 17% em relação a 2016.

Os desembarques foram puxados pelo crescimento das compras de combustíveis e lubrificantes (29,7%) e bens intermediários (25,9%). O destaque negativo ficou para os bens de capital (recuo de 10,3%), sinalizando um cenário de recuperação ainda lenta e incerta dos investimentos.

O incremento das compras externas no ano deveu-se, além do aumento nas compras de combustíveis, ao incremento em 18,2% do quantum importado, principalmente de matérias primas como minério de cobre, fertilizantes, e insumos para a indústria química; do aumento das compras de peças e acessórios para indústria automotiva na esteira da melhoria do seu desempenho; e da baixa base de comparação, já que 2016 foi marcado por forte retração da atividade econômica.

A Argélia terminou o ano de 2017 como maior país vendedor para a Bahia. No ano passado, as importações do país africano somaram US$ 1,03 bilhão, basicamente de nafta, seguido pelos Estados Unidos com US$ 832,8 milhões (combustíveis, fertilizantes, químicos e bens de consumo) da Argentina com US$ 727 milhões (automóveis, trigo, malte) e da China com US$ 600,4 milhões (células solares, automóveis, bens de consumo e máquinas e equipamentos).

Com os resultados apurados no ano, a Bahia acumulou um superávit de US$ 867,1 milhões em sua balança comercial, com a corrente de comércio (soma das exportações e importações) chegando a US$ 15,26 bilhões e crescimento de 18,1% sobre igual período de 2016.

BAYER E EMBRAPA PESQUISAM PLANTAS DANINHAS RESISTENTES A HERBICIDAS

Em média, 15% da produção mundial de grãos é perdida devido à existência de plantas daninhas nas lavouras, pois essas espécies competem com a cultura por água, luz e nutrientes. Atualmente, no mundo, estão registradas 252 espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas – no Brasil, pesquisas indicam 44 espécies, cerca de 20% do total, apontam dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Por conta dessa problemática, Bayer e Embrapa uniram esforços para estudar a resistência de plantas daninhas em clima tropical e propor estratégias de manejo para reduzir o potencial de perdas causadas por essas plantas.

A parceria entre as duas empresas começou em 2014 e tem duração de cinco anos. Estudos sobre o comportamento de agentes polinizadores na soja e sobre a resistência de fungos (ferrugem asiática e mancha alvo) aos fungicidas disponíveis ao mercado, estão em andamento em projetos separados dentro da parceria. Pesquisas sobre plantas daninhas resistentes em ambiente tropical e avaliando os sistemas de cultivo é inédito, pois em estudos anteriores não foram avaliadas as características dos sistemas de produção no Brasil.

Entre as frentes que serão estudadas estão: gestão de dados; coleta georeferenciada; estudo das plantas daninhas resistentes; caracterização da resistência e da dose letal; desenvolvimento de estratégias de manejo em sistemas produtivos de algodão, milho, soja e trigo.

“Com essa parceria, queremos assegurar a sustentabilidade na produção de alimentos, fornecendo ao produtor ferramentas disponíveis para o controle de diferentes plantas daninhas que afetam o cultivo e ameaçam sua produtividade e rentabilidade”, afirma Renato Luzzardi, gerente de Alianças da Bayer para a América Latina.

O estudo contará com ensaios a serem realizados nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Uma equipe de 12 renomados pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo (MG) atuará nessas áreas contando com o apoio de especialistas da Bayer voltados para o controle de plantas daninhas, manejo de resistência e desenvolvimento de herbicidas.

“As parcerias em pesquisa e desenvolvimento com empresas privadas como a Bayer são estratégicas para a Embrapa. São elas que possibilitam, dentre outros fatores, o desenvolvimento de soluções calcado nas demandas reais da agropecuária brasileira. O ineditismo da iniciativa em ambiente tropical é demonstração inequívoca da capacidade conjunta de inovação que Embrapa e Bayer demonstram”, afirma Celso Luiz Moretti, diretor-executivo de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa.

 

Fonte: Correio/Ascom Seagri/Municipios Baianos

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