13/01/2018

Temer acredita que eleitor votará pela continuidade

 

O presidente Michel Temer diz acreditar que o eleitor brasileiro vai votar na “segurança e na serenidade” em outubro, o que não apenas ajuda a desenhar o perfil dos candidatos à Presidência com chances de vitória como leva a uma conclusão: “As pessoas estão cansadas de tudo isso (a confluência de crises) e vão querer a continuidade, a manutenção do nosso programa de governo, que está recuperando a economia e a tranquilidade. Ninguém quer aventura”, afirma.

Em conversa no Palácio do Jaburu, residência oficial, Temer elogiou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu preferir que o ministro Henrique Meirelles (PSD) continue na Fazenda a disputar a eleição e opinou que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tende a disputar a reeleição à Presidência da Câmara, mas “só tem a ganhar” ao se movimentar pela sucessão presidencial.

“SEM RESSENTIMENTOS”

Segundo Temer, Alckmin preenche os requisitos de “segurança e serenidade”. Quanto à falta de apoio do governador nos piores momentos do presidente, nas duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, Temer relevou: “Não sei exatamente porque, mas nunca fui rancoroso. Ele (Alckmin) deve ter tido os motivos dele, e isso passou”. Ambas as denúncias – uma sob acusação de corrupção passiva e outra por obstrução da Justiça e organização criminosa – foram barradas pela Câmara no ano passado.

Ao se dizer “amigo do Geraldo há muitos anos”, ele relatou que tem falado sempre com Alckmin e que ambos tinham até combinado voltar juntos do Fórum de Davos, na Suíça, no dia 25, mas o governador lembrou que é o dia do aniversário de São Paulo e ele não poderia se ausentar da festa.

Para Temer, é o oposto: é conveniente estar fora do País no dia 24, data em que está marcado o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Ele, porém, decidiu ir a Davos, entre os dias 22 e 25, porque deve integrar o seleto grupo de chefes de Estado e de governo com direito a discurso no Congress Hall, o auditório principal do fórum, com cerca de 1,5 mil lugares.

PRESENÇA EM DAVOS

Além do brasileiro, que vai falar da evolução e dos indicadores positivos da economia desde a crise de 2015 e 2106, devem discursar ali também o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os líderes da Índia e, possivelmente, da Argentina.

“Será uma excelente chance para mostrar aos grandes investidores do mundo tudo o que estamos fazendo no Brasil”, disse ele na conversa com o Estadão, em que falou também sobre a pré-candidatura de Maia, que, aliás, vai assumir a Presidência enquanto ele estiver na Suíça. “O Rodrigo está se movimentando muito, mas ainda acho que a prioridade dele é se reeleger para a Presidência da Câmara, que é um cargo excepcional. De qualquer forma, ele não tem nada a perder, só a ganhar. E é aquela história, ‘se colar, colou’”, disse o presidente, enfatizando que não tem candidato.

REFORMA É PRIORIDADE

Para Temer, “a sucessão presidencial só começa a partir de março” e a prioridade é aprovar a reforma da Previdência na Câmara em 19 de fevereiro. Ao ser questionado se já tem os 308 votos necessários, a resposta é de pronto: “Ainda não, mas vamos ter”. Segundo ele, há sinais de que deputados antes refratários à proposta começam a se dizer mais flexíveis, por três motivos: a proposta final está enxuta, a população começa a entender a sua necessidade e os candidatos querem se livrar desse debate na campanha. Ele, porém, reclamou da Justiça, que suspende as propagandas do governo pró-reforma, mas não as das corporações contrárias a ela.

Outro argumento para deixar a eleição para março: “O ambiente ainda está muito confuso. Por exemplo: o MDB (seu partido) vai ter candidato? Um candidato próprio ou alguém que migre de outra sigla?” Esse poderia ser o caso de Meirelles, hoje filiado ao PSD. Temer elogiou “a inteligência e a capacidade política” do ministro, mas admitiu: “Ele seria um grande presidente, mas, para mim, é claro que é muito melhor que fique na Fazenda”.

FÁCIL, FÁCIL

Outros dois ministros-chave do governo também não confirmaram se saem ou ficam: Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) e Raul Jungmann (Defesa), que têm boas chances de ficar. Com um sorriso, Temer desmente as versões de que terá dificuldade para substituir os pelo menos 13 ministros que vão se desincompatibilizar para concorrer em outubro: “Você nem imagina! Todo mundo quer ser ministro!”.

Em tradução simultânea, fica claro que Temer só pensa naquilo, não vai apoiar Meirelles nem ninguém, porque vai apoiar a si mesmo. Aliás, para que um presidente precisa de uma equipe de marquetagem trabalhando diariamente no palácio e sem direito a férias? Gostaríamos de saber, até porque quem paga os altos salários desses marqueteiros é o povo. 

Meirelles insiste na candidatura e atrapalha as manobras para reeleição de Temer

A entrevista do ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, era tão importante que o jornal escalou três repórteres do primeiro time: Geralda Doca, Leticia Fernandes e Paulo Celso Pereira. A entrevista foi pedida pelo próprio Planalto, que vem se entendendo às mil maravilhas com a cúpula do grupo Globo, desde o jantar secreto oferecido ao presidente Michel Temer na casa de Roberto Irineu Marinho no Rio de Janeiro, dia 4 outubro.

De lá para cá, as coisas melhoraram para o governo e para o mais poderoso grupo de comunicação do país, porque o faturamento publicitário aumentou espantosamente, com uma campanha massiva que vem beneficiando a mídia inteira em geral, numa pré-estreia da disposição do Planalto para o ano da sucessão, apesar da crise econômica.   Até o Ministério da Defesa está anunciando na TV Globo, acredite se quiser, embora não tenha recursos para alimentar os recrutas.

CANDIDATO ÚNICO

O objetivo da reportagem de página inteira, publicada na última sexta-feira, dia 5, era preparar o terreno para a candidatura de Temer à sucessão. O ponto principal consistia na defesa do lançamento de um candidato único da atual base aliada. Escalado para a missão, Moreira Franco soube passar a mensagem do Planalto, ao dar o recado sem citar nomes. Mas essa linguagem metafórica nem sempre funciona. Como poucos entenderam, torna-se necessário haver tradução simultânea. Confira o que Moreira disse:

 “Nós fizemos uma primeira reunião, em que estavam os presidentes de partidos, do PR, do PRB, do PSD, do PTB, e o Rodrigo Maia que representava o DEM. Segundo os cálculos a grosso modo, aquele núcleo tem um potencial de eleição de algo em torno de 300 deputados federais. E creio que, se não a metade, um pouco mais, um pouco menos da metade do tempo de televisão. Se essas forças se unem, se nós conseguirmos ter um programa de governo comum e tivermos a possibilidade de um candidato… e esse candidato não pode ser imposto, tem que ter a naturalidade da sua capacidade de convencimento, de confiança para que possa representar esse conjunto. Eu creio que há possibilidade de termos candidato. Nas conversas que tenho tido com o presidente e outros companheiros, essa questão eleitoral não entrou ainda na nossa pauta. Nós estamos todos mobilizados para a Previdência. E pela razão que eu falei, porque na campanha, quem vai definir o rumo da prosa é a Previdência”, disse o ministro.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Moreira Franco disse que a atual base aliada, com mais da metade do tempo do horário eleitoral, tem condições de fazer maioria no Congresso e eleger o novo presidente. “Esse candidato não pode ser imposto, tem que ter a naturalidade da sua capacidade de convencimento, de confiança para que possa representar esse conjunto”, ressalvou, ao traçar um perfil que só pode ser do presidente Temer.

Em seguida, para disfarçar, teve a desfaçatez de dizer que “nas conversas que tenho tido com o presidente e outros companheiros, essa questão eleitoral não entrou ainda na nossa pauta”, embora em Brasília todos saibam que no Planalto não se fala em outra coisa, a não ser na reeleição.

Os repórteres insistiram, perguntando se Temer será candidato, e Moreira mentiu mais uma vez: “Não é a intenção, não creio. Mas a eleição não está ainda na nossa agenda”.

CLIMA DE DESESPERO

A verdade é que, no planejamento da reeleição, o Planalto esqueceu de combinar com os russos, e a insistência de Meirelles está levando o palácio à loucura. O pior é que ninguém tem intimidade para pedir que o ministro desista da candidatura, até porque ele não dá intimidade a ninguém.

Tem apenas um amigo no governo – o ministro Gilberto Kassab, das Comunicações, que é presidente licenciado do PSD. Na reunião da base aliada que Moreira Franco citou, em  nenhum momento Kassab prometeu pedir que Meirelles desista. Pelo contrário, seu maior sonho é fazer com que Meirelles seja o candidato da base aliada, com apoio do PMDB e espaço à vontade no horário eleitoral.

Rodrigo Maia também esteve na reunião e não concordou com a tese do candidato único. Pelo contrário. Deu entrevista a O Globo logo depois, para afirmar que é “arrogante” a afirmação de que o centro só vencerá a eleição se tiver apenas um nome na disputa. Ora, esta é justamente a tese do Planalto. Ou seja, Maia chamou o próprio sogro de “arrogante”, pois Moreira Franco é casado com a mãe da segunda mulher do presidente da Câmara.

Meirelles decide ignorar ataques de Maia em disputa por candidatura governista

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, decidiu não reagir aos ataques feitos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que partiu abertamente para a disputa pelo posto de principal candidato da base governista à Presidência. Segundo interlocutores do ministro, Maia está adotando como estratégia política buscar um adversário e chamá-lo para brigar. Por isso, a melhor forma de agir é não alimentar essa tática.

“Maia está atrás de um adversário, está chamando para briga. Ele tem que bater em alguém, mas esse não é o estilo do Meirelles. O ministro vai continuar com o mesmo discurso”, disse uma fonte próxima ao ministro. O aumento da temperatura entre Meirelles e Maia ficou claro no debate sobre mudanças na chamada “regra de ouro” — pela qual o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes. Por causa da crise nas contas públicas, na última semana, a equipe econômica chegou a começar a discutir ajustes na “regra de ouro”, na casa de Maia, com o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), que trabalha numa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o engessamento do orçamento no país.

ADIAMENTO

No entanto, logo em seguida, Meirelles disse que o ideal não seria flexibilizar a regra. Maia interpretou isso como uma tentativa da equipe econômica de jogar o assunto no colo do Congresso e afirmou publicamente que não colocaria nenhuma alteração na “regra de ouro” em votação. O presidente Michel Temer teve que chamar Meirelles e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ao Planalto para acalmar os ânimos. E para evitar mais problemas, o tema foi adiado para depois da reforma da Previdência.

Para desgastar Meirelles, o presidente da Câmara também tem dito a interlocutores que o titular da Fazenda deveria se dedicar à sua função de comandar a economia e não perder o foco com a agenda política. Ele também teria classificado Meirelles como um político “analógico”, quando o Brasil precisa de um político “digital”, com capacidade de se comunicar com jovens. No entanto, os interlocutores do ministro lembram que o próprio Maia, apesar de jovem, também não tem um discurso moderno que possa empolgar o eleitorado jovem.

MESMO DISCURSO

Além disso, afirmam essas fontes, Meirelles e o presidente da Câmara estão presos ao mesmo discurso econômico. Além de estarem, como possíveis candidatos, num mesmo patamar: flutuando com cerca de 1% das intenções de voto. “Os dois nadam na mesma raia. Ambos precisam trabalhar, cada um em sua área, pela aprovação da reforma da Previdência, por exemplo”, disse um técnico da área econômica.

Segundo essa fonte, Maia, que gosta de se colocar como um nome do mercado financeiro, vai se empenhar ainda mais pela aprovação da reforma da Previdência na Câmara. Isso poderia favorecer o avanço da agenda econômica e o próprio Meirelles. “Esse discurso do Maia pode até ser bom para o Meirelles, que conseguirá avançar na agenda de reformas”, afirma o técnico. Caso Meirelles opte por não sair candidato, os interlocutores do ministro dizem que ele vai ficar no comando da Fazenda até 31 de dezembro.

BOA IMAGEM

“Se não for candidato, ele vai ficar no cargo e poderá sair do governo se colocando como o ministro que tirou a economia da recessão, que aprovou o teto para os gastos públicos, a reforma trabalhista e provavelmente a reforma da Previdência”, diz um aliado do ministro. Com a pré-candidatura assumida, Maia faz uma maratona de reuniões com os partidos do chamado centrão e com integrantes do mercado financeiro para se viabilizar com o candidato desses dois setores, rivalizando com Meirelles diretamente, e inclusive com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Maia age em duas frentes: aumentou suas viagens pelo país e deve reforçar sua equipe, inclusive de comunicação.

Nas conversas, Maia diz que está “entusiasmado” e que seu nome é “para valer”. Nos próximos dias, Maia vai reforçar seu discurso na área econômica. Egresso do mercado financeiro, a agenda do presidente da Câmara é recheada por encontros com investidores e presidentes de empresas. A ideia, segundo um aliado, é reforçar conversas com grandes nomes da economia. Um dos interlocutores frequentes é o economista Marcos Lisboa.

Na política, as aparências enganam muito. Quem fomenta essa suposta briga entre Meirelles e Maia é o Planalto, que tenta se livrar dos dois para fortalecer a candidatura de Temer à reeleição, uma realidade cada vez mais concreta. Maia e Meirelles não são inimigos e podem até se juntar contra Temer. Acredite se quiser. A política tem dessas coisas. (C.N.)

Alckmin procura fazer coalizão com legendas médias para evitar candidatura isolada

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), começa o ano eleitoral com a meta de formar alianças nacionais para a disputa pelo Planalto com ao menos cinco legendas. Com dificuldade de fazer acordos com MDB, do presidente Michel Temer, e DEM, do deputado Rodrigo Maia, que também tem se colocado como opção, o tucano mira, no atual cenário, em partidos considerados médios, como PR, PSB, PTB, PPS, PV e Solidariedade. A aliados, Alckmin tem dito que o primeiro objetivo é evitar uma candidatura isolada.

Com o cenário aberto para a chegada de novos postulantes ao cargo, o governador praticamente já descarta a tese de que as forças políticas de centro devem convergir para um único nome. Mas considera que três candidatos podem ser demais, em referência às pretensões de Maia e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). Sem saber ao certo com quem vai disputar votos, o tucano faz contas. Calcula quanto tempo de TV cada um dos partidos potencialmente aliados pode lhe render.

TEMPO CONTADO

Alckmin quer conquistar ao menos quatro minutos, ou um terço dos 12 minutos e 30 segundos de cada bloco – o PR e o PSB, por exemplo, podem somar 45 segundos cada à campanha tucana no rádio e na TV. Apesar de reconhecer o poder que as redes sociais têm para atrair ou afastar eleitores, Alckmin ainda aposta que é um bom tempo no rádio e na TV que pode levá-lo à vitória no pleito de outubro.

Aconselhado por aliados, o governador tem incrementado seus perfis no Facebook, Instagram e Twitter com fotos pessoais e vídeos informativos, mas ainda duvida que um número alto de seguidores, como os quase 5 milhões que soma o deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no Facebook, possa ser decisivo em uma campanha presidencial. A interlocutores, o governador costuma dizer que “fã-clube” ajuda, mas não elege ninguém.

Nesta quarta-feira, dia 10, após participar do leilão de concessão do Trecho Norte do Rodoanel, Alckmin usou o termo “reforma de Estado” para explicar suas medidas à frente do governo de São Paulo. Seguindo a estratégia de se colocar como um defensor das reformas necessárias para o País crescer, o governador afirmou que o “governo não pode ser o provedor de tudo nem o executor de tudo”, tem de planejar, regular e fiscalizar, mas buscar o apoio da iniciativa privada para ver as obras saírem do papel com mais agilidade.

BOMBA FISCAL

“É necessária para o País uma reforma de Estado. O País vive uma grande crise fiscal, mais do que isso, há uma bomba fiscal, o governo não tem recursos para investir e somos um País continental, onde falta tudo em termos de infraestrutura e logística. Essa é uma das razões para o ‘custo Brasil’ ser tão elevado”, disse. Alckmin atribuiu ainda o atraso na conclusão do Trecho Norte do Rodoanel à falta de recursos federais.

A previsão de entrega da primeira fase (sem a ligação com o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos) ficou para julho, quando o planejado era abril. “Estamos tocando a obra praticamente sozinhos. Do total, um terço (do custo) deveria ter vindo do governo federal, mas os recursos não vieram. No ano passado investimos R$ 1,5 bilhão na obra e só R$ 154 milhões, ou seja, 10% vieram do governo federal. É a primeira vez que isso acontece”, disse o governador, que não atribui o problema a questões políticas ou eleitorais. “Pode ser falta de recursos.”

 

Fonte: O Globo/Tribuna da Internet/Folha/Agencia Estado/Municipios Baianos

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