14/01/2018

Salvador: Aluguel de imóvel para Carnaval chega a R$ 20 mil

 

O Carnaval só vai começar em fevereiro, mas os preparativos para o aluguel de imóveis para a temporada já estão em curso desde o ano passado. Para quem vai alugar sua casa ou apartamento, o tempo está chegando ao fim, e a oferta de imóveis é alta.

Dentre os preços praticados para o aluguel durante a festa, corretores citam entre R$ 4 mil e R$ 20 mil para as áreas mais próximas da folia. O preço aumenta de acordo com área e número de quartos dos imóveis. Fatores como ar-condicionado, cama, e boa conservação do local valorizam o espaço perante os demais, e uma vista privilegiada para as ruas com passagem de trios pode chegar a dobrar o valor do imóvel, como é o caso dos apartamento de R$ 20 mil.

A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da prefeitura divulgou que são esperados cerca de 800 mil turistas para a festa, que começa no dia 8 de fevereiro e contará com sete circuitos de programação com blocos, camarotes e trios sem corda. Os corretores de imóveis, no entanto, têm observado uma queda na procura por imóveis para aluguel nos últimos anos.

"A procura caiu vertiginosamente de uns 3 anos para cá, especialmente em 2017. Vários imóveis ficaram sem ser alugados", conta Consuelo Leal, diretora de eventos do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-BA) e especialista em aluguel por temporada. Ela crê em uma recuperação de 20% a 30% em relação ao ano passado, mas se mostra pessimista em relação aos preços, que devem continuar caindo.

Já o corretor e avaliador de imóveis Antônio Linhares viu uma queda de 60% a 70% no número de clientes em relação ao ano passado. Ele acredita que o crescimento do Carnaval de rua em outras cidades, junto à crise econômica, tem diminuído a procura dos turistas por Salvador.

"Temos um Carnaval mais caro aqui, e os turistas do sudeste, os mais frequentes, têm preferido ficar em sua região". A diminuição no número de blocos saindo este ano nos circuitos Dodô (Barra - Ondina) e Osmar (Campo Grande - Avenida Sete) também estaria afastando os turistas, segundo o corretor de imóveis Pedro Ortega.

Apesar do cenário desfavorável observado pelos profissionais da área, o número de residências disponíveis para locação tem aumentado cada vez mais. "A crise fez com que várias pessoas alugassem seus imóveis. Elas preferem sair de casa e ganhar um dinheiro extra, e assim a concorrência aumenta", afirma Pedro Ortega. A possibilidade de se alugar o próprio espaço através de plataformas como o Airbnb e a OLX também atraiu mais locadores.

Tempos mais difíceis

Kátia Cidreira, proprietária de um apartamento em Ondina, próximo ao circuito Dodô, alugou seu apartamento por R$ 6 mil. "Antes eu costumava alugar por R$ 7 mil, R$ 8 mil, agora está mais difícil. Tenho amigos que nem conseguiram alugar ainda", conta. Kátia notou também uma demora maior para fechar negócio. Enquanto antes era comum encontrar locatários entre maio e setembro, este ano ela só assinou contrato em outubro.

Nos locais próximos ao circuito Osmar, no Campo Grande, os preços praticados são menores, dependendo do tamanho e das condições dos apartamentos. O local vem enfrentando a diminuição no número de blocos há mais tempo, tendo esvaziado nos últimos anos. "Hoje é uma área mais procurada por pessoas de Salvador e da Bahia", conta Consuelo.

O casal Regiane e José Raimundo Bartilotti, donos de um apartamento na Vitória, ainda não conseguiram alugar o local. "Depois que o Carnaval foi se deslocando mais para Barra-Ondina se tornou mais difícil alugar, e a cada ano passamos mais dificuldade. Até pessoas que sempre alugavam com a gente passaram a preferir lá", conta Regiane.

Seu marido, José Raimundo, acha que a área pode ser atrativa para um tipo de público que quer curtir a festa sem abrir mão do descanso: "Aqui é perto da Barra e da Ondina, mas é mais sossegado e agradável, muitas pessoas preferem vir para cá", conta.

É o caso do turista brasiliense Augusto Rabelo, que frequenta o Carnaval soteropolitano há sete anos e mantém o blog Somos Carnaval. Já conhecedor da cidade, ele, vê nas áreas próximas ao circuito Osmar um local para descanso e preços mais atrativos: "Quero ficar entre 10 a 12 dias, e tenho encontrado pacotes por R$ 10 mil na Barra e em Ondina. Na Graça, Vitória e Campo Grande tenho achado opções entre R$ 4 mil e R$ 5 mil", conta.

HOTÉIS DEVEM TER LOTAÇÃO MÁXIMA NO CARNAVAL

Após a divulgação dos resultados da ocupação hoteleira durante o Revéillon de Salvador, e que foram considerados bons pela rede turística da cidade, a expectativa de ocupação durante o Carnaval é de 100% da capacidade, 25% do que o Carnaval de 2017. Segundo o relatório, são esperados 770 mil turistas, sendo 700 mil da Bahia e de outros estados, e 70 mil estrangeiros.

“Em 2017 tivemos um incremento de quase 10% na taxa de ocupação, e no Réveillon acima de 25%. Para o Carnaval, grande parte dos hotéis começou a vender desde dezembro. Vários já estão com 100% dos leitos ocupados para três dias de folia. E isso vai aumentar. Vai dar uma média extraordinária, coisa não vista há uns 15 anos”, calcula o ex-presidente da Salvador Destination, Paulo Gaudenzi.

De acordo com Gaudenzi, os investimentos feitos pela Prefeitura, que lançou campanha para promover a capital baiana como destino turístico a gestores do trade nacional, foi essencial para esse crescimento.“O prefeito entendeu, desde o primeiro ano, que o momento de lançar o Carnaval no Brasil era ponto fundamental para que os reflexos surgissem no aumento da ocupação hoteleira e no número de viagens a Salvador. Isso deu a chance das agências operadoras de turismos montarem pacotes específicos para esses eventos. Tivemos um crescimento fantástico nos últimos três anos”, avaliou.

A expectativa da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), é de que a movimentação econômica no Carnaval, incluindo a pré-folia, com o Fuzuê e Furdunço, chegue na casa do R$ 1,7 bilhão, 15% a mais do que no ano passado.

Carnaval de Salvador deve movimentar R$ 1,7 bilhão

A movimentação econômica durante a festa de Carnaval em Salvador é estimada em R$1,7 bilhão. O dado foi apresentado na manhã de hoje (12), pelo prefeito ACM Neto. Segundo a prefeitura, durante o período do Carnaval, os turistas nacionais chegam a desembolsar cerca de R$ 4,915 mil, enquanto que os baianos costumam gastar cerca de R$ 1,7 mil e estrangeiros R$ 3,5 mil.

A festa deve atrair cerca de 770 mil turistas para a cidade. Desses, 400 mil oriundos do interior, 300 mil de outros estados (com destaque para Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Sergipe e Minas Gerais) e 70 mil estrangeiros, principalmente argentinos, franceses, chilenos, alemães e uruguaios.

“Serão mais de mil horas de música. Os números do setor hoteleiro apontam para uma ocupação 25% superior ao Carnaval de 2017. Sendo bem conservadores, deveremos ter uma ocupação dos leitos acima de 90%”, anunciou o prefeito. Somente no pré-Carnaval, nos dias 3 e 4 de fevereiro, são esperadas um milhão de pessoas nas ruas, entre baianos e turistas. Nesses dias, acontecem o Fuzuê e o Furdunço, respectivamente, no circuito Orlando Tapajós (Ondina-Barra).

 

Fonte: A Tarde/Bania Econômica/Toda Bahia/Municipios Baianos

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