14/01/2018

Tendências que influenciarão a educação, em 2018

 

A tecnologia chegou para ficar na educação, mas não é a única tendência que tomará conta das salas de aula. Um currículo mais flexível, que inclua metodologias ativas, para incentivar a participação e o engajamento dos estudantes nas atividades, é o caminho apontado por especialistas para alcançar os objetivos de aprendizagem.

O Correio ouviu especialistas, mapeou as 10 principais tendências e explica como elas podem ajudar a fazer a educação dar certo em 2018. Nas próximas páginas do especial, as reportagens aprofundam algumas delas e indicam soluções para tornar o ensino mais atraente.

1. Flexibilização do currículo

A doutora em pedagogia pela faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Edileuza Fernandes da Silva aponta a flexibilização do currículo escolar como uma das tendências para a educação. “O intuito é abrir espaço para trabalhar os temas emergentes da sociedade, entre eles, os direitos humanos, a igualdade social, a sustentabilidade, as questões de gênero e a tecnologia”, afirma. Para a pedagoga, os temas destacados fazem parte da vida dos estudantes e precisam ser contemplados pela grade curricular das escolas. Ainda de acordo com Edileuza, existe a possibilidade de o ensino ser adaptado a características individuais. “É preciso repensar o processo didático e diversificar as abordagens de avaliação a fim de atender às necessidades específicas de cada aluno”, defende.

2. Uso coerente da tecnologia

Cada vez mais, o ensino tradicional virá aliado ao uso das novas tecnologias de informação e comunicação. O objetivo é colocar em prática a teoria aprendida em sala de aula. Os estudantes são, por exemplo, estimulados a acessar a internet por meio de celulares, tablets ou notebooks para realizar pesquisas acadêmicas. Com isso, estimula-se o desenvolvimento do pensamento crítico, a capacidade de argumentação e incentiva-se as atividades em grupo. Para essa estratégia se tornar realidade, os professores precisam se capacitar e saber explorar as ferramentas tecnológicas. Também é essencial que as escolas forneçam a infraestrutura necessária.

3. Incentivo à solidariedade

Em 2018, não há mais espaço para preconceitos. A solidariedade deve ser contemplada pelo currículo escolar para ser praticada pelos alunos. A criança e o jovem precisam perceber o contexto em que estão inseridos. O papel das escolas é o de desenvolver metodologias de ensino que contribuam para a formação ética e social dos estudantes. “É necessário que as instituições capacitem os jovens para que eles saibam conviver em harmonia com outras pessoas, aprendam a ser tolerantes”, destaca a doutora em pedagogia Edileuza Fernandes da Silva.

4. Ampliação dos espaços escolares

A aprendizagem deve transpor as barreiras da sala de aula. Ela pode continuar a ocorrer em espaços escolares convencionais, mas também toma conta de lugares não convencionais, como pátios, corredores, jardins, quadras de esportes, salas de cinema e laboratórios. Especialistas em pedagogia e em educação afirmam que, para tornar o ambiente de ensino mais dinâmico e favorecer atividades em grupo e debate, é necessário reorganizar a turma em rodas de conversa  ou em outros formatos que fujam das tradicionais carteiras enfileiradas.

5. Exercício de diálogo e de escuta

“É preciso praticar um diálogo em que as pessoas saibam se expressar, e que também percebam a necessidade de escutar diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto”, defende Patricia Mota Guedes, gerente de pesquisas e desenvolvimento da Fundação Itaú Social. Para ela, o ensino e a aprendizagem não devem ocorrer de maneira individual, mas, sim, em conjunto com a turma. “Diferentemente de um formato tradicional de debate — que quem ganha é quem fala mais e tem melhor capacidade de argumentação —, é necessário ter um aproveitamento da atividade, no caso, estimular os alunos a refletirem sobre o tema proposto”, afirma a especialista.

6. Qualidade na saúde física e psicológica

A saúde física e mental dos alunos é fundamental para garantir o aprendizado. Para Patricia Mota Guedes, o Estado precisa participar desse quesito. “A criação de programas governamentais teria como público-alvo as crianças e adolescentes de baixa renda e que fazem parte de um contexto social violento. São jovens que vivem sob estresse e moram em lugares perigosos”, argumenta Patrícia, que alerta ainda para o impacto negativo que esse contexto social pode causar no desempenho escolar. “É uma tendência importante para o desenvolvimento e o bem-estar do sujeito”, completa.

7. A vez dos games

A gamificação é outra tendência para a educação nos próximos anos. Segundo Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), por meio de jogos de tabuleiros, cartas ou de games, é possível avaliar as principais habilidades dos alunos, pois o feedback é instantâneo. “É cultural no Brasil proibir o uso da tecnologia em sala de aula, o que é um erro. Os estudantes podem usar as ferramentas tecnológicas para aumentar os conhecimentos deles”, afirma.   

8. Power pupils em ação

Os power pupils, estudantes empoderados e agentes de transformação, são crianças e jovens que estão tomando conta das salas de aula. A diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido, afirma que é necessário aproveitar a potencialidade desses alunos. “Os docentes precisam ter um olhar sensível para esses estudantes e não criar apenas máquinas de ‘jovens brilhantes’, mas, sim, aproveitar ao máximo a potência de cada aluno. É necessário criar metodologias que canalizem o empoderamento dessas pessoas”, alerta a especialista em inovações em educação.

9. Metodologias ativas

Estratégias que incentivem a participação dos estudantes também são tendência na educação. Um exemplo são as aulas invertidas, nas quais os alunos já vêm para a sala de aula com um conhecimento prévio sobre o assunto a ser abordado. “Os professores lançam perguntas e os estudantes precisam assistir a vídeos, ler textos em casa, previamente preparados ou selecionados pelos professores. Nesse caso, a aula se torna um momento de tirar dúvidas, fazer descobertas e trocar informações”, afirma o doutor em ciências da educação Júlio Furtado. O especialista ainda ressalta outra metodologia que tem ganhado destaque nas escolas, a baseada em projetos. A proposta é levar para a sala de aula problemas e desafios e oferecer meios para que eles sejam resolvidos. Furtado comenta ainda sobre a metodologia colaborativa, em que os estudantes são motivados a debater e a trocar informações.

10. Empreendedorismo

Incentivar o empreendedorismo nas escolas vai além de formar futuros empresários, significa desenvolver habilidades como criatividade, autonomia, responsabilidade, além da capacidade de resolver problemas e de inovar. “São características e competências que serão muito úteis ao longo da trajetória escolar e acadêmica, bem como para o ingresso no mundo profissional. Trabalhando-as desde criança, você consegue fomentar essas habilidades”, observa o mestre em administração Gilberto Porto. Ele explica que, no ensino de empreendedorismo, os alunos são motivados a buscar soluções para problemas do dia a dia, a desenvolver projetos e, até mesmo, criar produtos.

Tendências da tecnologia para o ensino em 2018

A rápida evolução da tecnologia muitas vezes assusta. Tente imaginar como era sua vida há dez anos, por exemplo, e você poderá notar o número de rotinas e facilidades diferentes que possuímos agora em relação ao passado.

No que diz respeito à educação, a equação é a mesma: inovações surgem e são, gradativamente, adaptadas e empregadas em sala de aula. Algumas das ideias mais tradicionais do ensino começam a sofrer mudanças e o advento de novos recursos tem boa parte da responsabilidade pelo processo.

Nesta virada de ano, conheça algumas das tendências da tecnologia para o ensino nas quais você deve ficar de olho em 2018.

Protagonismo do smartphone

O smartphone como dispositivo cada vez mais presente em todos os âmbitos na sociedade também está transformando os processos educacionais. Apps, sites, ambientes virtuais e outras iniciativas que tenham acesso fácil pelo celular passarão a ser privilegiadas e têm potencial de impacto perante os estudantes.

Uma aula presencial que tenha como complementos informações num app mobile, por exemplo, pode capturar bem mais a atenção do aluno contemporâneo. A adaptação dos sistemas pedagógicos começa a se tornar cada vez mais necessária.

Realidade aumentada e realidade virtual

A realidade aumentada, recurso popularizado recentemente nos celulares pelo game Pokémon Go, é uma opção bastante interessante para inclusão e assimilação na educação. Conteúdos que podem ser acessados através de visitas em locais específicos ou com códigos especiais, podem gerar experiências únicas de aprendizado, inclusive em ambientes externos à sala de aula.

Já a realidade virtual permite o emprego de simulações realistas de imersão, fazendo o estudante “visitar” outras épocas ou localidades, por exemplo.

Atenção às redes sociais

Acompanhando os smartphones, as redes sociais e mídias digitais são cada vez mais utilizadas e representam uma grande fonte de interação entre os alunos e as instituições de ensino. Todo e qualquer recurso desse contexto que apresente efeitos positivos deve ser aproveitado.

Paralelamente, uma atenção maior ao que é postado, compartilhado e curtido nas redes é necessária para o ensino contemporâneo, com a finalidade de traçar o perfil do estudante e conhecer suas características.

Discos virtuais e armazenamento na nuvem

Inovações como a possibilidade de armazenamento na nuvem de arquivos, bem como seu compartilhamento, são muito bem vindas no ambiente educativo. Aplicações como o Google Drive e Dropbox permitem que vários dados e informações sejam disponibilizadas remotamente via web, acessíveis a um clique e passíveis de colaboração.

Os usos nas experiências de ensino são incontáveis.

Inovação na educação: 4 tendências para 2018

Concorrência acirrada entre as instituições de ensino, evolução tecnológica crescendo a passos largos, estudantes ávidos por uma vaga na universidade e famílias cada vez mais exigentes com relação à qualidade do ensino. O momento atual requer novas ferramentas, outros olhares e diferentes maneiras de pensar a educação.

É preciso inovar, elaborar novos parâmetros e diversas formas de ensinar. Para isso, apresentamos 4 tendências capazes de orientar projetos pedagógicos e garantir a inovação na educação. Vamos às sugestões:

1. Gamificação

Você sabe o que é gamificação? É a tendência de usar jogos digitais para atrair pessoas, engajando os jogadores em algum processo de aprendizado. No caso da educação, são jogos que utilizam de personagens, prêmios (bônus), pontuação e níveis de dificuldade para ensinar determinado assunto.

Nas instituições de ensino superior, é comum ver o uso de games em cursos de graduação como Computação, Arquitetura, Engenharia, Biologia, Medicina, Administração e tantos outros.

Além de atrair a atenção dos estudantes, a gamificação trabalha habilidades como espírito de equipe, criatividade e flexibilidade. A todo o momento, o aluno é posto à prova, de forma a desenvolver aspectos como a tomada de decisões em ambientes considerados ‘hostis’ (de crise) e a resolução de problemas.

2. Ensino híbrido

Já pensou em transformar o professor em aluno e o aluno em professor. Essa é a premissa do ensino híbrido, uma modalidade que vem ganhando força entre as instituições de ensino.

A ideia central é fornecer aos alunos um material digital antecipado sobre a aula para que ele estude. A sala de aula seria um espaço para tirar dúvidas e o professor interviria apenas no sentido de propor projetos interdisciplinares.

Além de gerar maior interação dos estudantes, é uma forma de fazê-los aprender a matéria de forma leve e divertida.

3. Storytelling no EAD

Imagine explicar um determinado tema partindo do modelo de uma aula tradicional? Agora, imagine esse mesmo tema trabalhado de uma forma totalmente diferente, utilizando recursos como cenas do cotidiano, imagens, vídeos, trilha sonora, infográficos e textos atraentes. Pronto! Você conquistou seu objetivo: manter o estudante atento.

Usar a arte de contação de histórias nas práticas de educação à distância tem surtido um efeito positivo entre os alunos, especialmente em tempos de evolução tecnológica.

Mas não é nenhuma contação de histórias. É aquela planejada, sistematizada e em total sintonia com o tema em questão. Além da voz que narra, que deve levar em conta uma entonação própria, itens como a criação de personagens conectados aos alunos e uma narrativa com começo, meio e fim, fazem do storytelling uma referência em termos de inovação no ensino.

4. Mobile learning

Dispositivos móveis com acesso à internet são as principais ferramentas para quem usa o mobile learning, uma modalidade de ensino relativamente nova, que propicia a estudantes e professores o aprendizado por meio da criação de novos ambientes à distância.

Laptop, smartphone, tablet… o meio não importa, o essencial é utilizar de um desses suportes para aprender. Através do mobile learning, é possível usar metodologias como videoaulas (gravadas em estúdio, com curta duração), aplicativos (com questionários interativos e conteúdos multimídia), livros digitais (em PDF ou não), cursos e-learning (treinamentos específicos), redes sociais acadêmicas (interação entre usuários), entre outros.

4 tendências tecnológicas fortíssimas para 2018

O mais legal das tendências é que elas hoje são pautadas por muito trabalho integrado de pesquisa e análise. E tudo, exatamente tudo, como mudanças climáticas, econômicas, culturais, políticas, tecnológicas e até grandes catástrofes podem influenciar no nosso comportamento.

Diante de inúmeras reportagens, artigos e apostas, 4 macrotendências tecnológicas para 2018 proporcionarão avanços e investimentos em tecnologia que já começaram a ser feitos. Vem ver:

Gigantes da tecnologia continuarão investindo em educação

O cenário é um só: com a evolução acelerada da tecnologia, muitas empresas se veem com uma mega dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para acompanhar o ritmo. Com isso, uma das soluções encontradas está sendo investir na capacitação e formação de novos profissionais. Um exemplo interessante é a Estação Hack – primeira escola de programação do Facebook. Curiosamente, a unidade piloto ficará no Brasil, mais especificamente em São Paulo, na Avenida Paulista, e pretende disponibilizar mais 7,4 mil bolsas de estudo por ano. A previsão de inauguração é no fim de 2017.

CNH digital, Carteira digital e rotinas cada vez mais tecnológicas

Recentemente correu pela internet a empolgante notícia que a partir do ano que vem teremos uma versão digital da carteira de habilitação. Parece mais uma facilidade, mas é muito mais do que isso. É um órgão público tomando decisões menos burocráticas – tendência fantástica, sem volta. Em paralelo a esse movimento percebo grandes empresas desenvolvendo produtos que vão chacoalhar muita gente por aí. Há projetos de carteiras digitais que facilitarão não só as compras online, mas também as offline. Contas de água, luz e telefone migrarão de vez da caixinha do correio para o e-mail, com possibilidade de pagamento por lá mesmo. Cartórios iniciaram uma dolorosa, mas necessária transformação digital – descentralizando muitos processos.

Jornada sem ruídos – você entra na loja e faz tudo sem ajuda

Essa vem do varejo, que durante os últimos anos tem testado inúmeras formas de automatizar o atendimento e, ainda assim, proporcionar uma boa experiência para o consumidor. Aparentemente, o modelo de jornada sem ruídos está bem próximo de chegar às lojas físicas. Funciona assim: você entra na loja, baixa o app, escolhe o produto e faz o pagamento no celular sem ter contato com nenhum atendente ou precisar passar em um caixa.  A tecnologia por trás desse sistema é interessantíssima.

Negócios baseados em plataformas

Das 10 marcas mais famosas do mundo, 6 são plataformas – ou seja, estruturas pensadas para integrar produtores e consumidores em um espaço único de criação, curadoria, consumo e intermediação. Nesse modelo de negócios temos gigantes como Apple, Google, Microsoft, IBM, Samsung e Amazon, por exemplo, e tudo indica que é uma tendência que segue não apenas para 2018 como para os próximos anos.

 

Fonte: Correio Braziliense/Universia/Gennera.com/Blog. Nexxera/Municipios Baianos

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