16/01/2018

Banco Mundial admite manipulação com motivação politica de ranking

 

  • Presidente Bachelet diz que caso é "imoral" e que pedirá investigação. Economista-chefe do banco admite que ranking da instituição foi adulterado por "motivações políticas", prejudicando governo da socialista.

A edição do The Wall Street Journal (WSJ) deste sábado, 13 de janeiro, causou um profundo impacto no mundo da política e da economia chilenas. O economia-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, reconheceu ao jornal que o organismo financeiro, oficialmente subordinado às Nações Unidas, alterou seu ranking de competitividade empresarial e prejudicou o Chile – e, mais especificamente, Michelle Bachelet.

Trata-se do relatório Doing Business, em que a posição do Chile caiu constantemente durante o mandato da socialista (2006-2010), subiu no Governo de direita de Sebastián Piñera (2010-2014) e voltou a cair quando a médica assumiu um novo mandato (2014-2018). Nesses 12 anos, o Chile flutuou entre o posto 25 e o 57.

As variações teriam ocorrido “por motivações políticas”, segundo as palavras de Romer ao WSJ. “Quero pedir desculpas pessoalmente ao Chile e a qualquer outro país ao qual possamos ter transmitido uma impressão errada”, afirmou o economista.

A presidenta Bachelet, que termina o segundo mandato em março, reagiu imediatamente através do Twitter. “Muito preocupante o que ocorreu com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo da posição do Chile, a alteração prejudica a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional”, escreveu a socialista.

“Dada a gravidade do ocorrido, como Governo pediremos formalmente ao Banco Mundial uma completa investigação. Os rankings que as instituições internacionais administram devem ser confiáveis, já que têm impacto no investimento e no desenvolvimento dos países”, afirmou Bachelet, que integra o Sistema das Nações Unidas.

Entre 2010 e 2013, ela liderou a ONU Mulheres em Nova York e, a partir de junho, encabeçará o programa Aliança para a Saúde da Mãe, do Recém-Nascido e da Criança, da Organização Mundial da Saúde (OMS), no lugar de Graça Machel, viúva de Nelson Mandela. Além disso, soube-se há alguns meses que participará de um novo organismo mediador de conflitos internacionais da ONU, ao qual foi convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterres.

O economista-chefe do Banco Mundial disse que os índices de competitividade chilenos serão corrigidos e recalculados. Nos últimos quatro anos, por exemplo, a queda do Chile foi provocada, quase em sua totalidade, pela alteração da metodologia de análise, não por mudanças nas medidas permanentes do ambiente comercial do país. “Com base nas coisas que estávamos medindo antes, as condições comerciais não pioraram no Chile sob a administração de Bachelet”, completou Romer.

O ministro chileno da Economia, Jorge Rodríguez, declarou que a alteração do ranking “é de uma imoralidade poucas vezes vista”. “É um escândalo de grandes proporções, pois o que indica é que teria sido manipulado pelo economista encarregado de sua elaboração (Augusto López-Claros), para que fosse vista uma piora econômica durante o Governo da presidenta Michelle Bachelet, com intenções basicamente políticas”.

Após a entrevista de Romer ao WSJ, o Banco Mundial anunciou em nota que realizará uma investigação para esclarecer os fatos. “Em razão das preocupações e de nosso compromisso com a integridade e a transparência, realizaremos uma revisão externa dos indicadores correspondentes ao Chile no relatório Doing Business.” O organismo, porém, defendeu a imparcialidade da classificação em seus 15 anos de existência, definindo-a como “uma ferramenta inestimável para os países que buscam melhorar seu clima de negócios, acompanhando milhares de reformas”.

López-Claros, o especialista do Banco Mundial acusado de manipular os dados de competitividade do Chile, disse num e-mail à Bloomberg que as acusações de manipulação política “não têm nenhum fundamento” e que a mudança metodológica foi “totalmente justificada e transparente”.

Diretor responsável pela produção do estudo durante o período em questão, Augusto Lopez-Claros está de licença do Banco Mundial. Ele é ex-professor da Universidade do Chile e atualmente é pesquisador na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Segundo Romer, uma análise preliminar indicou que, nos últimos anos, a posição do Chile flutuou não pela piora nas condições do país, mas pela inclusão de novos indicadores para compor a metodologia do estudo.

O segundo Governo de Bachelet foi marcado por transformações estruturais e por um crescimento econômico discreto, de 1,8% em média. Seus críticos acusam a socialista de gerar instabilidade com reformas mal implementadas, como a tributária, e de deixar de lado o crescimento econômico, uma das bandeiras com as quais Piñera foi eleito para o período 2018-2022.

A posição do Chile flutuou do 25° lugar ao 57º lugar desde 2006. Durante a presidência da socialista Michelle Bachelet (2006 a 2010 e 2014 a 2017), a classificação do país caiu. Já nos anos em que o conservador Sebastián Piñera comandou o país (2010 a 2014), o desempenho melhorou – Piñera assumirá a presidência de novo este ano.

O Brasil costuma ficar mal posicionado no ranking. Em 2017, ficou em 125°.

Chile condena manipulação em relatório do Banco Mundial

O governo do Chile classificou neste sábado (13/01) como uma "imoralidade poucas vezes vista" o erro cometido pelo Banco Mundial em relação aos dados do país no ranking de competitividade empresarial Doing Business. A situação teria prejudicado o governo da presidente Michelle Bachelet.

Em declarações ao The Wall Street Journal, o economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, pediu desculpas ao Chile e sugeriu que o problema teve motivações políticas. O ranking mostra uma queda nos indicadores chilenos durante o segundo mandato de Bachelet.

Segundo o jornal americano, Romer admitiu irregularidades no ranking de competitividade empresarial, um dos principais relatórios econômicos do Banco Mundial. A metodologia teria sido trocada várias vezes para modificar os dados de vários países, entre eles o Chile.

Romer garantiu que corrigirá e recalculará o ranking. Na entrevista ao The Wall Street Journal, ele afirma que a posição do Chile foi "especialmente volátil nos anos", uma variação "potencialmente contaminada por motivações políticas no Banco Mundial".

"Quero me desculpar pessoalmente com o Chile e com qualquer outro país que tenhamos transmitido uma impressão equivocada", disse Romer, que reconheceu sua responsabilidade nos problemas.

Crescimento com Piñera, queda com Bachelet

A posição do Chile no ranking caiu durante o governo da socialista Michelle Bachelet. No entanto, o país subiu constantemente no ranking quando o conservador Sebastian Piñera estava no poder, entre 2010 e 2014. Piñera foi eleito mais uma vez no ano passado, devendo assumir novamente a presidência do Chile em março.

"É muito preocupante o ocorrido com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo na situação do Chile, a alteração prejudica a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional", disse a presidente chilena Michelle Bachelet, em mensagem no Twitter.

Bachelet anunciou que pedirá uma investigação completa sobre o caso. "Dada a gravidade do ocorrido, como governo, pediremos formalmente ao Banco Mundial uma investigação completa", escreveu. "Os rankings feitos pelas instituições internacionais devem ser confiáveis, já que impactam sobre os investimentos e o desenvolvimento dos países", acrescentou a chefe de governo.

“Imoralidade”

Em comunicado, o ministro de Economia chileno, Jorge Rodríguez Grossi, afirmou que o caso se trata de uma "imoralidade poucas vezes vista".

Grossi considerou as declarações de Romer "muito francas e honradas", mas avaliou que elas revelam um "escândalo de grandes proporções". "O objetivo era mostrar uma deterioração econômica durante o governo de Bachelet, com intenções basicamente políticas", disse o ministro de Economia do Chile.

O ranking era elaborado pelo economista Augusto López-Claro, que é chileno e teria sido responsável pelas manipulações. Para Rodríguez, isso reforça a possibilidade de uma intenção política.

"Esperamos que a correção do ranking seja rápida, mas o dano já ocorreu. Esperamos que nunca mais manipulem estatísticas com objetivos políticos, principalmente em um órgão como o Banco Mundial", concluiu o ministro.

Chile exige do Banco Mundial investigação por alterações em relatório sobre competitividade

Uma polêmica se instalou no Chile neste sábado, após o economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, ter revelado que o organismo teria alterado dados sobre a competitividade chilena por "motivações políticas".

Romer explicou ao jornal financeiro "Wall Street Journal" que foram feitas alterações no relatório "Doing Business", um ranking que avalia diferentes países no aspecto da "competitividade no ambiente de negócios", que provocaram um desempenho mais baixo do Chile durante o governo da socialista Michelle Bachelet (2014-2018).

A presidente chilena exigiu hoje uma investigação do Banco Mundial sobre o assunto: "Dada a gravidade do ocorrido, solicitaremos formalmente ao Banco Mundial uma investigação completa. Os rankings administrados pelas instituições internacionais têm que ser confiáveis, já que têm impacto no investimento e desenvolvimento dos países", publicou Bachelet em sua conta no Twitter.

Romer pediu desculpas por ter manipulado "de forma injusta e enganosa" a lista, e anunciou que os números serão corrigidos.

O economista-chefe do BM afirmou que a metodologia usada na elaboração do ranking foi alterada em diversas ocasiões, fazendo com que, nos últimos quatro anos, a competitividade do Chile tivesse resultados negativos.

"Estas revisões podem ser particularmente relevantes para o Chile, cuja posição no ranking tem sido especialmente volátil nos últimos anos e foi potencialmente afetada por motivos políticos da equipe do Banco Mundial", diz Romer na reportagem do jornal americano.

A notícia causou polêmica no Chile, onde foi amplamente divulgada pela mídia local.

"Muito preocupante o ocorrido com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo na posição do Chile, a alteração abala a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional", disse Bachelet.

O ministro da Economia, Jorge Rodríguez Grossi, classificou o ocorrido como "um verdadeiro escândalo", já que a alteração, que prejudica apenas o Chile, constitui "uma verdadeira fraude".

De acordo com Romer, durante o governo de Bachelet, a competitividade caiu do 33º lugar em 2015 para 120º um ano depois, pelas mudanças constantes na forma de medir o índice, e não pelas medidas econômicas adotadas pelo governo chileno.

Em meio a este cenário, o investimento estrangeiro no Chile caiu cerca de 40% em 2017, o pior nível desde 2006.

O empresariado chileno sempre foi crítico do governo Bachelet, ante uma série de reformas sociais e econômicas que coloca em prática, o que criou um clima de desconfiança no mercado.

Os empresários não esconderam seu apoio ao multimilionário de direita Sebastián Piñera, duro crítico da política econômica de Bachelet e que venceu as eleições presidenciais do ano passado.

Segundo o jornal americano, o ex-diretor do grupo responsável pelo relatório é o chileno Augusto López-Claros, ex-professor da Universidad de Chile, atualmente ligado à Universidade de Georgetown.

"É curioso que o chefe do escritório que fazia este índice seja chileno (...) É de uma imoralidade poucas vezes vista", criticou o ministro Grossi.

Economista do Banco Mundial nega irregularidades em relatório de competitividade sobre o Chile

O economista que foi responsável por elaborar um ranking de competitividade do Banco Mundial que gerou polêmica no Chile negou que tenha havido irregularidades no processo de avaliação do país, minimizando uma denúncia feita pelo economista-chefe do BM, Paul Romer.

"Todo o processo foi realizado em um contexto de transparência e abertura", afirmou o economista boliviano Augusto López-Claro, em declarações publicadas neste domingo pelo jornal chileno "El Mercurio".

López-Claro, que, em um primeiro momento, foi divulgado como sendo chileno, viu-se envolvido na polêmica depois que Paul Romer disse ontem ao "The Wall Street Journal" que a metodologia de elaboração do ranking foi alterada em diversas ocasiões, resultando em que, nos últimos quatro anos, a competitividade chilena tenha registrado resultados negativos, o que teria sido provocado "por motivações políticas". Isto teria provocado a queda do Chile no ranking durante o governo de Michelle Bachelet.

"De 'fake news' a 'fake statistics'", manifestou o chanceler chileno, Heraldo Muñoz, afirmando que a imagem do Chile havia sido manchada irremediavelmente.

O economista boliviano reconheceu que, nos últimos quatro anos, os indicadores do ranking estiveram sujeitos a mudanças significativas de metodologia, que aconteceram após consultas realizadas dentro e fora do Banco Mundial.

Em sua defesa, López-Claro descartou uma orientação política nos resultados do ranking. Ele explicou que a queda do Chile se deveu aos investimentos menores registrados nos últimos anos, e ao fato de sua legislação ter "uma série de características que incorporam restrições contra as mulheres".

López-Claro é responsável pela elaboração do ranking desde 2011, mas tirou um ano sabático. A revelação de Romer provocou comoção no Chile e motivou a presidente Bachelet a exigir do BM uma investigação. O banco anunciou que fará uma revisão externa dos indicadores correspondentes ao Chile no relatório Doing Business.

 

Fonte: El País/Deutsche Welle/AFP/Municipios Baianos

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