21/01/2018

Médicos estão perto de testes para todos os tipos de câncer

 

Cientistas dizem que estão mais perto de criar um exame de sangue universal, capaz de identificar todos os tipos de câncer. Estudo conduzido com 1.005 pacientes por uma equipe da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, testou um método que detecta oito tipos de proteínas e 16 mutações genéticas comuns em quem já foi diagnosticado com a doença. O teste foi capaz de identificar oito tipos de câncer e foi considerado bem-sucedido em 70% casos.

Especialistas no Reino Unido classificaram os resultados como "extremamente animadores". Mas ainda há dúvidas se é possível detectar um câncer em estado inicial com esse tipo de exame de sangue.

Tumores normalmente liberam vestígios minúsculos do DNA alterado na corrente sanguínea. O exame, chamado de "Cancerseek" ("procura do câncer", em tradução livre), foi capaz de identificar as alterações na maioria dos pacientes que tinham sido diagnosticados com a doença no ovário, fígado, estômago, pâncreas, cólon, pulmão, esôfago e na mama, mas que não sofriam de metástase.

Integrante da equipe que conduziu o estudo, Cristian Tomasetti, da escola de medicina da Universidade Johns Hopkins, disse à BBC que o diagnóstico precoce é crucial para reduzir o número de mortes por câncer.

Segundo ele, os resultados são animadores, porque podem potencialmente identificar a doença mais rapidamente.

Arma contra o diagnóstico difícil

Quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as chances de tratá-lo com sucesso.

Os pesquisadores estão animados porque alguns dos tipos de câncer identificados a partir do exame de sangue são de difícil diagnóstico.

Cinco dos oito tipos pesquisados nesse estudo, por exemplo, dificilmente são identificados com ultrassom.

O paciente com câncer no pâncreas normalmente apresenta poucos sintomas, e a doença é detectada tardiamente - nesse caso, uma média de quatro em cada cinco pessoas morrem depois do diagnóstico.

Os pesquisadores agora tentam descobrir se é possível identificar as mutações antes de aparecerem os primeiros sintomas.

Segundo Cristian Tomasetti, descobrir tumores enquanto eles ainda podem ser removidos por meio de cirurgias faz aumentar as chances de sobrevivência.

O teste agora está sendo realizado com pessoas que ainda não foram diagnosticadas com câncer. A expectativa é poder avaliar a possibilidade de identificar a doença em uma fase bem inicial.

A esperança é que o exame de sangue possa complementar outros testes, como mamografias no caso do câncer de mama e colonoscopia no caso de câncer no intestino.

"Imaginamos que um exame de sangue como esse possa ser feito uma vez por ano", diz o cientista.

Exame universal

Os achados do estudo foram divulgados pela publicação científica Science e tratados como novidade porque o método desenvolvido identifica tanto proteínas quando DNA modificado geneticamente.

Aumentar a possibilidade de, em um único exame, identificar um número cada vez maior de mutações e de proteínas vai permitir detectar também uma maior quantidade de tipos de câncer.

E, por isso, cientistas acreditam estar no caminho certo para um exame de sangue universal, que seria capaz de indicar qualquer tipo da doença.

O oncologista Gert Attard, que comanda uma equipe no Instituto de Pesquisas do Câncer em Londres, avalia que a pesquisa tem um enorme potencial.

"É extremamente animadora. Pode ser o Santo Graal: um exame de sangue capaz de diagnosticar câncer sem a necessidade de outros procedimentos como ultrassonografia ou colonoscopia."

Attard disse que "estamos muito perto" de usar exames de sangue para identificar a doença, uma vez que já "temos a tecnologia".

No entanto, ele alerta para o fato de ainda haver incertezas em relação ao que fazer depois do diagnóstico. Em alguns casos, o tratamento pode ser ainda pior que viver com a doença, em especial quando ela não coloca a vida da pessoa sob um risco imediato.

Homens, por exemplo, podem desenvolver câncer de próstata mais lentamente quando monitorados do que quando submetidos a um tratamento.

"Quando nós detectamos um câncer de uma forma inesperada, não podemos ter certeza de que todo mundo vai precisar de um tratamento", afirma Attard.

Paul Pharoah, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, tem uma postura mais cautelosa em relação à descoberta.

Ele disse que mais estudos são necessários para avaliar o resultado desses exames de sangue em casos nos quais a doença está em fase inicial.

"Demostrar que um teste é capaz de detectar câncer em estágio avançado não significa que o exame vai ser útil identificar a doença quando os sintomas ainda são iniciais, e muito menos casos em que estão em estágio pré-sintomáticos", diz Pharoah.

"O nível de sensitividade de câncer em estágio 1 nesse estudo foi de apenas 40%."

O custo do exame, segundo os pesquisadores, é de aproximadamente US$ 500 (R$ 1,6 mil) por paciente.

Mulheres que trabalham à noite têm maior risco de câncer, diz estudo

As mulheres que trabalham à noite regularmente na Europa e na América do Norte têm 19% mais risco de desenvolver câncer do que aquelas que trabalham durante o dia, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (8/1).  Este aumento de risco não foi observado nas mulheres que trabalham de noite na Austrália e na Ásia, segundo o estudo publicado na revista científica Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention.

"Nosso estudo indica que o trabalho noturno é um fator de risco para os cânceres comuns em mulheres", disse o autor do estudo Xuelei Ma, oncologista do West China Medical Center da Universidade Sichuan em Chengdu, China.

"Nos surpreendeu ver a associação entre o trabalho noturno e o risco de câncer de mama só entre as mulheres da América do Norte e da Europa", acrescentou. "É possível que as mulheres desses lugares tenham níveis mais altos de hormônios sexuais, que foram associados positivamente com cânceres relacionados com hormônios, como o câncer de mama", acrescentou.

A revisão incluiu 61 estudos anteriores sobre o tema, com 3,9 milhões de participantes da América do Norte, Europa, Austrália e Ásia, e mais de 110.000 cânceres. Pesquisas anteriores mostraram que o trabalho noturno pode alterar os ritmos cardíacos, provocando mudanças hormonais e metabólicas, que podem aumentar o risco de câncer, diabetes e depressão.

Ausência de bactéria aumenta as chances de desenvolver câncer de mama

Alterações na população de bactérias que habitam o corpo humano já foram associadas ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como estômago, pele, cólon, fígado e pulmão. Agora, um estudo da Faculdade de Medicina Lerner da Clínica Cleveland, nos Estados Unido, constatou que a microbiota também pode estar relacionada ao câncer de mama, o mais frequente em mulheres no Brasil e no mundo, depois do câncer de pele não melanoma. Os pesquisadores descobriram níveis insuficientes de um gênero bacteriano chamado Methylobacterium no tecido da mama de mulheres com o tumor. Nas saudáveis, a quantidade circulante desse micro-organismo é normal.

Estudos anteriores examinaram a relação entre a microbiota intestinal e o risco de câncer de mama, sugerindo que as bactérias das vísceras podem regular os níveis de estrógenos, impactando no surgimento do tumor. Porém, esses trabalhos não investigaram o papel dos micro-organismos que vivem no tecido das mamas. Foi esse material que interessou, agora, a equipe do Instituto de Medicina Genômica de Cleveland.

Charis Eng, presidente da instituição e principal pesquisador do estudo, explica que análises tanto do leite materno quanto do tecido das mamas mostram que essa é uma região com microbiota única e diversa, com algumas espécies derivadas da locomoção de micro-organismos da flora intestinal. “Além de modular o sistema imunológico, essas bactérias da flora desempenham papel vital no metabolismo do estrógeno. Perturbações nesse sistema influenciam os níveis de produção do hormônio de seus metabólitos”, explica.

Segundo Eng, essa relação é tão forte que o aumento no uso de antibióticos foi associado ao crescimento da incidência de câncer de mama em uma pesquisa anterior envolvendo 2 mil mulheres. “Os níveis locais de estrógeno, além dos que circulam na corrente sanguínea, também desempenham um papel no metabolismo desse hormônio. O que continua desconhecido é o papel dos micróbios do tecido das mamas no metabolismo local do estrógeno no surgimento do câncer, e se bactérias de outras partes do corpo, fora dos intestinos, são afetadas pelos distúrbios imunológicos associados ao câncer de mama”, diz.

Para investigar essa questão, a equipe da Clínica de Cleveland examinou amostras de tecido das mamas de 78 mulheres.

Dessas, 57 haviam feito mastectomia e 21 eram saudáveis e se submeteram à cirurgia nos seios por questões estéticas. Os pesquisadores também coletaram bactérias do trato urinário e da cavidade oral dessas mesmas participantes. “A simples comparação do tecido do carcinoma invasivo e do tecido saudável não revelou grandes diferenças na diversidade do conteúdo microbiano”, conta Hannah Wang, pesquisadora da equipe e autora do artigo científico, publicado na revista Oncotarget.

Ao analisar o tecido da mama das participantes, porém, o resultado foi outro. “Identificamos que pacientes de câncer e mulheres saudáveis têm uma microbiota significativamente diferente, uma diferença caracterizada, em especial, pela redução da Methylobacterium nas mulheres doentes”, diz o pesquisador. Os resultados também mostraram níveis elevados de bactérias do tipo gram-positivo, como Staphylococcus, Corynebacterium, Propionibacteriaceae e Actinomyces, nas participantes com carcinoma.

De acordo com Charis Eng, é preciso realizar mais pesquisa para confirmar e compreender o papel desses micro-organismos no câncer de mama. Contudo, ele destaca que, além de ter sido o primeiro trabalho a examinar tanto o tecido da mama quanto amostras de diferentes partes do corpo para encontrar variações na composição bacteriana de mulheres saudáveis e com câncer, esse é um dos maiores estudos que examinou a microbiota em pacientes de câncer de mama. “Nossa esperança é encontrar um biomarcador que nos ajude a diagnosticar essa doença de forma rápida e fácil”, diz. “E, em nossos sonhos mais ousados, esperamos intervir antes que o câncer se desenvolva, prevenindo o tumor com probióticos ou antibióticos.”

Remédio contra câncer de mama é considerado terapia inovadora

O medicamento Kisqali para o tratamento do câncer de mama obteve o estatuto de "terapia inovadora" da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), anunciou nesta quarta-feira (3/1) o grupo farmacêutico suíço Novartis.

Quando utilizado em combinação com terapia endócrina oral para pacientes com câncer de mama avançado HR+/HER2-, apresentou "eficácia superior", de acordo com o estudo clínico de fase III Monaleesa-7 dedicado a essa droga, informou a empresa. O câncer de mama antes da menopausa é o câncer mais mortal entre as mulheres com entre 20 e 59 anos.

A FDA concede o estatuto de "terapia inovadora" para acelerar o desenvolvimento e testes de novas drogas para doenças graves ou potencialmente mortais "se o tratamento demonstrar um avanço substancial em relação ao tratamento disponível em pelo menos um critério médico significativo", indicou Novartis em sua declaração.

 

Fonte: BBC Brasil/Correio Braziliense/AFP/Municipios Baianos

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