24/01/2018

Mais de 95% do lixo nas praias brasileiras é plástico, indica estudo

 

Mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras é composto por itens feitos de plástico, como garrafas, copos descartáveis, canudos, cotonetes, embalagens de sorvete e redes de pesca.

Esta é uma das principais conclusões de um trabalho de monitoramento realizado desde 2012, em 12 delas, pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), em parceria com o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), uma associação que reúne entidades e empresas do setor.

As pesquisas sobre a questão do lixo no mar ainda são escassas e incipientes, tanto no Brasil como no exterior. Mas, em termos mundiais, sabe-se que os resíduos sólidos nos oceanos possuem diversas proveniências.

Estima-se que 80% deles tenham origem terrestre. Entre as causas disso estão a gestão inadequada do lixo urbano e as atividades econômicas (indústria, comércio e serviços), portuárias e de turismo. A população também tem parte da responsabilidade pelo problema, devido principalmente à destinação incorreta de seus resíduos que, muitas vezes, são lançados deliberadamente na rua e nos rios, gerando a chamada poluição difusa.

Os 20% restantes têm origem nos próprios oceanos, gerados pelas atividades pesqueiras, mergulho recreativo, pesca submarina e turismo, como os cruzeiros, por exemplo.

No ranking dos países mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16ª posição, segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado em 2015.

Eles estimaram a quantidade de resíduos sólidos de origem terrestre que entram nos oceanos em países costeiros de todo o mundo. Aqui, todos os anos são lançados nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados.

Ainda de acordo com o mesmo levantamento, a China, a Indonésia e as Filipinas são as nações que mais jogam lixo nos oceanos, com até 3,5 milhões de toneladas de plásticos por ano. Esses três países também aparecem nos primeiros lugares de outro estudo, realizado pela ONG americana Ocean Conservancy. Ao lado da Tailândia e do Vietnã, são responsáveis pelo descarte de 60% dos resíduos plásticos encontrados nos mares do mundo.

Resultados

O IO-USP e Plastivida realizaram o levantamento no litoral brasileiro para conhecer em mais detalhes a situação do Brasil.

Ele foi feito em seis praias do Estado de São Paulo (Ubatumirim, Boraceia, Itaguaré, do Uma, Jureia e Ilha Comprida), três da Bahia (Taquari, Jauá e Imbassaí) e três de Alagoas (do Francês, Ipioca e do Toco). No total, foram realizadas seis coletas, inicialmente com intervalos de seis meses e depois de um ano.

"Dessas, as mais poluídas são Boraceia e Itaguaré, Praia do Francês e Taquari", conta o biólogo Alexander Turra, do IO-USP, coordenador do trabalho.

Ele explica que as coletas foram realizadas seguindo um protocolo estabelecido pelo programa das Nações Unidas para o meio ambiente (ONU Meio Ambiente).

"Primeiro, nós limpamos uma área de 500 metros da areia seca, onde a maré não alcança, e das dunas ou restinga, atrás da praia", diz. "Depois, voltamos ao local de seis em seis em seis meses para recolher, identificar e quantificar o lixo nos 100 metros centrais dessa área."

O monitoramento constatou que, em São Paulo, o maior volume se acumula nas dunas ou restingas e é proveniente das atividades de pesca. No Nordeste, o grosso do material é encontrado na areia seca e vem do turismo.

A história que levou à assinatura do convênio entre o IO-USP e a Plastivida começou em 2011, quando foi criado o Compromisso de Honolulu, para discutir a questão de resíduos nos mares em nível global.

Dirigido a governos, indústrias, organizações não governamentais e demais interessados, o documento tem como objetivo servir como instrumento de gestão para a redução da entrada de lixo nos oceanos e praias, bem como retirar o que já existe.

Como consequência desse documento, no mesmo ano, foi assinada a Declaração Global Conjunta da Indústria dos Plásticos, da qual a Plastivida é signatária. Foi para implementar aqui esse compromisso mundial que a associação, como uma das entidades representantes da cadeia produtiva dos plásticos no país, e o IO-USP assinaram o convênio em 2012. A meta é se capacitar e desenvolver estudos científicos para embasar as discussões sobre o tema no Brasil.

Desde então, além do levantamento do resíduos nas praias, a parceria resultou em vários outros trabalhos. "O convênio é um arranjo inovador, que junta a universidade com a iniciativa privada para resolver questões importantes para a sociedade", diz Turra. "Ele visa entender o problema, ver onde ele é mais crítico e verificar se as medidas para combater o lixo no mar estão surtindo efeito."

Além disso, foi criado o Fórum Setorial dos Plásticos Online - Por Um Mar Limpo, para ampliar os debates sobre os caminhos e as alternativas de mitigação para o problema dos resíduos nas praias e nos oceanos.

Trata-se de uma plataforma online, que reúne todas as informações e o conhecimento obtidos desde 2012, além das propostas de educação ambiental, prevenção, coleta e reciclagem. Desse Fórum resultou a Declaração de Intenções, um documento que estabelece os compromissos da cadeia produtiva dos plásticos no Brasil sobre o tema.

Combatendo o problema

Os participantes do Fórum pretendem pesquisar alternativas para que o setor industrial e a população possam combater o lixo no mar.

"O Instituto Oceanográfico é um moderador desse diálogo", diz Turra. "Nós auxiliamos as empresas a canalizarem as informações científicas corretas e a realizar as melhores ações concretas possíveis."

De acordo com ele, os principais objetivos do IO-USP nesses projetos são a educação ambiental em relação ao consumo consciente e à destinação correta do material descartado. A ideia é que, bem informadas sobre o tema, as pessoas possam ajudar a manter os oceanos e as praias limpas.

Segundo o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, o conhecimento gerado durante os anos de existência da parceria é de que se trata de um problema que só será resolvido em conjunto pelos vários setores relacionados ao problema.

"Estamos realizando um trabalho de educação, informação e coordenação de ações como campanhas de descarte adequado, conscientização, entre outras, que vão demandar o envolvimento compartilhado de toda a sociedade - poder público, indústria de diversos setores, varejo e a população de forma geral -, para o mesmo fim, que é a preservação dos oceanos e do meio ambiente", diz.

"Todo o estudo reunido nos fez entender que a questão do lixo nos mares vai além dos municípios costeiros", avalia Turra.

"Ela envolve todas as cidades, Estados, a gestão dos resíduos sólidos, o saneamento básico, a educação ambiental e toda uma cultura social que deve ser estruturada. Acreditamos que o Fórum será um marco transformador da sociedade, por envolver diferentes setores na busca do desenvolvimento sustentável."

Fórum Mundial da Água tem evento preparatório em Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu recebe nesta terça-feira (23) o evento Rumo a Brasília 2018, como parte da preparação para o 8º Fórum Mundial da Água, que ocorre na capital do país entre os dias 18 e 23 de março. A programação inclui painéis sobre segurança e responsabilidade hídrica, gestão participativa, desenvolvimento regional sustentável e outras questões envolvendo água no Brasil e na América Latina. Participam da reunião representantes brasileiros e de países vizinhos.

“O objetivo geral do encontro é integrar os participantes para produzir propostas e soluções nas esferas econômica, política, tecnológica e cultural para levar aos debates em Brasília”, informou o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). A programação completa está disponível no site do fórum.

O encontro Rumo a Brasília 2018 é uma iniciativa da Seção Brasileira do Conselho Mundial da Água e ocorre em cinco capitais brasileiras e duas latino-americanas. O evento já foi sediado pelas cidades de Belém, Belo Horizonte, Tijuana (México), Santiago (Chile) e São Paulo. Depois de Foz do Iguaçu, Salvador receberá a última edição da reunião, antes do 8º Fórum Mundial da Água.

Hemisfério Sul

Esta é a primeira vez que o Fórum Mundial da Água ocorre no Hemisfério Sul. O tema da oitava edição, Compartilhando Água, será debatido por representantes de governos, movimentos sociais, de empresas públicas e privadas de diversos países.

A organização espera receber mais de 60 chefes de Estado em Brasília, além de especialistas internacionais. Na programação, estão previstos mais de 200 debates e atividades educativas, informativas e culturais.

Espaço gratuito

Na edição de Brasília, o evento vai contar com um espaço gratuito, chamado Vila Cidadã, uma espécie de arena de debates, palestras, exposições, cinema, artesanato, bate-papos e espaço gourmet.A estrutura ficará montada no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, próximo ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

O 8º Fórum Mundial da Água é organizado pelo Conselho Mundial da Água, pelo governo de Brasília e pelo Ministério do Meio Ambiente, representado pela Agência Nacional das Águas (ANA).

Criado em 1996 pelo Conselho Mundial da Água, o fórum foi idealizado para estabelecer compromissos políticos acerca dos recursos hídricos. O evento ocorre a cada três anos e já passou por Daegu, na Coreia do Sul (2015); Marselha, na França (2012); Istambul, na Turquia (2009); Cidade do México, no México (2006); Kyoto, no Japão (2003); Haia, na Holanda (2000); e Marrakesh, no Marrocos (1997).

Piada: Em Davos, Blairo dirá que agricultura não é fonte de desmatamento

O governo brasileiro tentará convencer líderes internacionais durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, de que a produção agrícola no País não é a fonte de desmatamento e que dados coletados de satélite revelam que apenas 9% do território nacional é usado para cultivos.

A tarefa de tentar modificar a imagem do Brasil no exterior caberá ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Segundo ele, as informações veiculadas sobre o desmatamento no País seria uma forma de minar a concorrência das exportações nacionais.

De acordo com o ministro, à medida em que o Brasil ganhava destaque internacional no setor exportador, as críticas passaram a aumentar. “Muitos nos viam como ameaça, como um competidor, como de fato somos”, disse. “Ao longo desses anos, passaram a acusar o Brasil que não respeitar os direitos trabalhistas e ambientais. Esse ambiente foi se consolidando”, constatou.

Blairo, porém, insiste que agora é a vez de o País começar a reagir e que isso será feito em Davos. “O que nos resta a fazer é enfrentar esse assunto, com dados científicos e que possam ser auditados por qualquer um”, apontou.

Aos empresários e líderes estrangeiros, o ministro revela que vai apresentar dados coletados pela Embrapa e que mostram o cenário da produção no País, feito a partir de imagens de satélite.

“Temos apenas 9% do território ocupado pela agricultura, 13% pela pecuária e mais 8% para a pecuária em pastagens naturais”, disse. “O Brasil, portanto, é um país que alterou muito pouco o que nós tínhamos quando Pedro Álvares Cabral chegou”, insistiu. “63% das áreas ainda estão preservadas. Nenhum país do mundo tem mais isso. Vamos agora fazer um levantamento sobre outros países e comparar”, prometeu.

Segundo ele, nos EUA, o resultado desse levantamento foi o inverso do brasileiro em termos de ocupação. “Vamos fazer agora esse levantamento sobre nossos críticos, como Alemanha, França, e mostrar o que temos e o que eles tem”, disse.

“Nós fizemos a coisa certa. Vocês (europeus) que ficam inventando história contra nós e que depois viram lendas urbanas. Agora, temos dados científicos para confrontar isso”, completou o ministro.

 

Fonte: BBC Brasil/Agencia Brasil/Municipios Baianos

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